O Garoto Do Andar de Cima

37 Capítulo 27 (final) - Todo Amor Que Houver Nessa Vida


Shun POV

Hyoga e eu estávamos sentados um ao lado do outro, pés entrelaçados, no tapete do meu quarto em Boston, estudando para as provas. Eu mal podia acreditar que já fosse primavera outra vez.

Estava anoitecendo e uma brisa quente soprou através das cortinas. Os dedos de Hyoga traçavam desenhos circulares no meu braço, e eu me aconcheguei nele, sentindo o cheiro de xampu, loção pós barba, e aquele cheiro que só ele tinha e que eu não me cansava de sentir.

Ele beijou uma mecha do meu cabelo e eu mexi a cabeça fazendo com que sua boca encontrasse a minha. Passei a mão pelo seu cabelo macio, bagunçado, perfeito.

Eu amava os cabelos dele, e agora podia tocá-los sempre que quisesse.

E ele nem ficava irritado... Na maioria das vezes.

Shunrei tossiu, chamando nossa atenção.

— Sinceramente. — Ela falou para o Shiryu sentado no tapete ao lado dela. — Nós não somos assim, somos?

Ele balançou a cabeça em negativa, se fazendo de sério e eu ri.

Shiryu tinha pedido transferência na academia de polícia, e resolveu terminar a faculdade. Ele dizia que tinha gostado do curso, embora eu tivesse quase certeza de que ele tinha gostado mesmo fora da Shunrei.

Bem, eu ficava feliz pelos dois. E por ainda poder ter meus amigos por perto, é claro. Embora não tão perto como antes. Pelo menos não por muito tempo.

Eu olhei para as minhas coisas parcialmente empacotadas dentro da mala aberta no canto do quarto.

Eu não sabia que tipo de argumento o Ikki tinha usado com o papai, mas o fato é que ele permitira minha transferência de curso. Eu continuaria em Harvard, é claro. Mas estudaria Artes agora. O que também significava que eu passaria a morar em outro alojamento a partir do próximo semestre.

Hyoga não seria mais o garoto do andar de cima.

Mas isso já não tinha importância, porque agora ele era algo muito melhor que isso. Agora ele era meu namorado.

"Meu namorado." Eu adorava pensar nisso.

Hyoga, o garoto bonito da andar de cima, era meu namorado.

Namorado aliás que havia abandonado o livro e no momento estava muito empenhado em distribuir beijos pelo meu pescoço.

Eu mordi o lábio sem conseguir evitar um suspiro, e Shunrei levantou de onde estava sentada.

— Acho que pra mim já é o bastante por hoje. — Ela disse recolhendo seu material. — Vocês dois podem continuar aí aproveitando seus hormônios.

Nós rimos e ela saiu, acompanhada pelo Shiryu.

Hyoga e eu ficamos sozinhos. Do jeito que eu gostava.

Ele suspirou contra o meu pescoço e me puxou para o colo dele.

—Enfim sós. — Ele disse. — Do jeito que eu gosto.

Eu sorri, passando minhas pernas ao redor da cintura dele, e então nós estávamos nos beijando.

Os lábios dele eram macios como veludo e nós nos beijamos até perder a noção do tempo. Terna e apaixonadamente. Cada beijo durando um pouco mais do que o anterior. Doce e suave. O mais puro amor espalhado sobre uma porção de carência.

Ele segurou minha nuca e me puxou pra mais perto. Aprofundando o beijo, explorando minha boca com passadas ousadas da sua língua. E, como sempre, tudo o que eu conseguia fazer era me segurar. Meus sentidos se ampliando para assimilar tudo. Seu sabor... O aroma... A maciez dos lábios... O calor causticante da língua...

De repente, tudo o que eu queria era me aninhar o mais próximo possível dele. Do coração dele. Eu podia senti-lo batendo contra o meu, sobre a parede firme do seu peito, e não consegui evitar o pensamento: "Eu causei isso. O coração dele está batendo dessa forma por minha causa."

Esse pensamento deu voltas, e se reafirmou logo em seguida, quando eu senti a dureza de sua excitação através do tecido das nossas calças. "Eu também fui a causa disso".

Uma sensação rápida de poder tomou conta de mim mesmo enquanto ele me beijava. Sua língua percorrendo o interior da minha boca. Eu adorava saber que tinha esse efeito sobre ele. A sensação de desejar e ser desejado.

Encorajado pelo som que escapou da sua garganta — algo entre um gemido e um suspiro — quando minha língua encontrou a pressão da dele dentro da minha boca, eu quase me surpreendi quando ele, abruptamente, afastou os lábios e começou a beijar meu pescoço outra vez… Quase… Mas nem tanto. Nada que me impedisse de inclinar a cabeça oferecendo o pescoço para melhor receber cada lambida ardente. Entretido com essa doce tortura, eu só estava vagamente consciente das mãos dele, que se moviam pelo meu corpo, acariciando-me através das roupas. Pelo menos até sentir seus dedos sobre minha pele nua e perceber que ele habilmente subira minha camiseta.

Eu prendi a respiração com a sensação daqueles dedos nos meus mamilos sensíveis. Já sabia o que eles eram capazes de fazer, conhecia a intensidade deles, e meu corpo se entregou, inclinando-se mais na direção deles. Ao mesmo tempo, minhas pernas, ainda enganchadas na sua cintura, apertaram-se mais, até que eu senti um golpe na minha virilha.

Um gemido escapou dos meus lábios com a onda de prazer que atravessou meu corpo. Eu sabia que deveria recuar. Que deveria parar ali. Mas não conseguia. Não queria. Não mais. Não dessa vez. Ao invés disso, meus quadris começaram a se movimentar, de um modo instintivo, indo e voltando, sem qualquer vergonha.

Sob mim, Hyoga emitiu um som que pareceu um gemido de dor, e eu também sentia as correntes de prazer, onda sobre onda, enquanto ele sugava um, depois o outro mamilo arrepiado.

Eu lancei a cabeça para trás, gemendo outra vez — as fisgadas de prazer e o calor daquela língua eram deliciosos. E isso pareceu provocar algo nele. Subitamente Hyoga levou os lábios dos mamilos de volta à minha boca, mergulhando nela. Devorando-a.

Ao mesmo tempo, suas mãos agarraram minhas nádegas — quase como naquela noite, na boate, algum tempo atrás -, mas em vez de pressionar meus quadris com firmeza contra ele outra vez, como havia feito naquela noite, ele os afastou, assim como os lábios. Deixando apenas um vazio no lugar.

Eu assisti enquanto ele fechava os olhos e respirava fundo uma vez, e então de novo.

A noite havia caído, e a luz dos postes de iluminação que brilhavam na rua lançavam sombras sobre o seu rosto.

— É melhor a gente parar por aqui ou eu não respondo por mim. — Ele falou ofegante. As mãos ainda presas nos meus quadris. Trêmulas pelo esforço de se manterem paradas.

Eu podia sentir a força pulsando pelo corpo dele, a necessidade se retesando quente e firme em seus músculos. Ele queria mais. Ele queria tudo. Mas ele apenas me beijara. Como se isso fosse suficiente.

Como se tivesse que ser suficiente.

Mas não era. Não mais. Não dessa vez.

Aquele fora o máximo a que chegáramos desde que começamos a namorar há três meses. Hyoga nunca tivera experiência com outro garoto antes, e tinha medo de me machucar. Eu, obviamente, não tinha experiência alguma, e não me sentia pronto para o passo final.

Mas, não mais. Eu me sentia totalmente pronto agora. E nós já tínhamos esperado tempo demais, de qualquer jeito.

Eu queria senti-lo por completo dessa vez. Inteiramente meu. Dentro de mim.

Assim, eu sabia exatamente o que estava fazendo quando, no instante seguinte, me lancei sem aviso sobre ele. Embora fosse magro e pequeno, a força do meu corpo sendo catapultado foi suficiente para fazer-lo cair de costas no tapete. Antes que ele pudesse reagir, eu montei mais uma vez nele, e imediatamente estendi o corpo, de modo que meu coração ficou sobre o dele, nossos rostos à centímetros de distância um do outro.

— Na verdade, eu pensei que nós poderíamos tentar de novo. — Eu falei ainda meio sem ar, sentindo minhas bochechas esquentarem com a ousadia da proposta. — O que fizemos aquela noite, na boate. Só que dessa vez sem as roupas.

A expressão inicial de surpresa dele foi hilária. Então um brilho de desejo iluminou brevemente o fundo azul de seus olhos, antes que ele os cerrasse e mordesse os lábios.

Ele levou uma mão carinhosamente ao meu rosto e eu entendi isso como um mau presságio.

— Não assim, Shun. — Ele murmurou, balançando a cabeça. — Não aqui. Não dessa forma.

Eu olhei em volta, para o meu cubículo higienizado, agora parcamente iluminado pela luz da rua que entrava pela janela, as malas amontoadas em um canto, e não conseguia pensar em lugar melhor.

Tudo bem. Na verdade sabia que ele devia ter planos mais românticos em mente para a nossa primeira vez, e ficava lisonjeado. De verdade. Mas qualquer lugar com ele era romântico o bastante pra mim.

E, de qualquer forma, era tarde demais agora. Eu já o sentia duro sob meu corpo, e sofria com o mesmo problema.

Podia não ser romântico, mas era o que eu queria. Não conseguia esperar mais.

Eu inclinei a cabeça e rocei meus lábios nos dele provocativamente. Uma vez. E então de novo

— Aqui. — Murmurei. — Agora.

Então corri os dedos levemente sobre seu tórax, desabotoando a camisa no caminho, sentindo o calor da pele, a rigidez dos músculos sob ela, o suave ondular provocado pela respiração alterada.

—Shun… — Ele disse em tom de aviso. Sua voz pouco mais que um murmúrio que eu sentia reverberar no fundo da garganta.

Eu o ignorei. Se ele realmente quisesse me interromper, poderia fazê-lo. Ele era maior, e provavelmente mais forte fisicamente do que eu. Poderia facilmente me afastar se quisesse. Mas não o fez.

Eu encontrei as protuberâncias dos mamilos na penumbra, e provoquei delicadamente um dos discos rosados entre o polegar e o indicador, antes de me inclinar para beliscar com os dentes o que antes comprimira com os dedos.

Ele deixou escapar um gemido rouco, que estremeceu seu peito.

Eu afastei os dentes do mamilo e passei a lambê-lo suavemente, antes de descer com os beijos pela parte inferior das costelas, passando pelos montinhos definidos do abdómen em direção ao local onde a camada de pelo dourado que o cobria era mais espesso.

Deus, ele era tão lindo!

— Shun! — Ele chamou mais uma vez, ofegante, quando eu insinuei os dedos pela parte da frente da sua calça.

Eu não respondi. Em vez disso abri o botão, deslizando o zíper pra baixo. E parei, mordendo o lábio.

Ia mesmo fazer aquilo?

Eu dedilhei com cuidado a extensão rígida sob o tecido, sentindo-o retesar-se sob meu dedos.

Outra onda daquela sensação prazeirosa de poder cruzou meu corpo.

“Ia. Definitivamente ia", eu pensei enquanto vencia a última camada de tecido. E então, o que pouco antes estava coberto agora estava livre.

Livre, e de certo modo, assustadoramente grande.

Eu sabia que ele seria maior do que eu naquela parte também, é claro. Quer dizer, era uma questão de proporção. Mas precisava ser tanto?

Sem conseguir me conter, eu o segurei entre os dedos e, com extrema delicadeza, provei a ponta com a língua.

Hyoga emitiu um gemido ainda mais alto, jogando os quadris pra frente, e o órgão que eu segurava pareceu crescer mais na minha mão. Aparentemente, o fato de beija-lo ali provocou algum tipo de reação correlata, que o deixara mais excitado.

Eu imaginei então que, se ele reagira tão intensamente ao mero toque da minha língua ali, talvez tivesse uma reação ainda mais interessante se eu cobrisse a cabeça inchada com a boca… se ela coubesse. Hum, só havia um meio de descobrir.

Desta vez, ele respirou fundo, com tanta intensidade que, de início, eu pensei que o havia machucado. Mas depois vi que não. Que, na verdade, era o oposto. Ele ficou totalmente imóvel, quase sem ousar respirar. E então eu, suavemente, escorreguei a boca o máximo que pude em torno do pênis rijo, curvando os dedos sobre ele, apertando, tentando simular o que supunha que seria para ele a mesma sensação de quando estivesse dentro de mim.

Aparentemente eu tive sucesso, pois a respiração dele ficou cada vez mais irregular, e o peito, molhado de suor, apesar do ar fresco da noite que entrava pela janela. Ele estava apoiado sobre os cotovelos agora, e olhava pra mim com os lábios entreabertos e os olhos semicerrados, estranhamente enegrecidos.

Era tão... excitante. Na verdade, todo o processo estava sendo incrível. A sensação de poder, o gosto dele na minha língua, o calor pulsante dentro da minha boca. Mas o órgão era grande demais, e minha boca, muito pequena para continuar. Além disso, a excitação evidente era contagiosa, e eu já mal respondia por mim quando ele levou uma das mão aos meus cabelos me puxando pra cima outra vez, só pra atacar novamente meus lábios com fúria.

Então, sem que eu percebesse realmente o que estava acontecendo, ele levantou do tapete, me levando com ele, e, de repente, eu estava deitado sobre a cama com ele pairando sobre mim.

— Está bem, Shun. — Ele falou ofegante. — Se é o que você quer, então nós vamos fazer isso direito.

E então estava me beijando outra vez. As mãos deslizando pelo meu corpo, livrando-me de cada peça de roupa indesejada. Camiseta. Calças. Meias. Cueca.

Eu instintivamente levei as mão à virilha pra me esconder.

Não era pudor. Não completamente. Era só que… bem, convenhamos que qualquer comparação ali não era exatamente favorável para o meu lado.

Mas ele apenas levantou uma sobrancelha, sorrindo.

— À essa altura você já deveria saber que quanto mais alguém esconde uma coisa de mim, mais eu quero ver. — Ele falou tirando minhas mãos do caminho, e então me olhou com ternura. — Eu te amo, Shun. Você é lindo... Em todo os lugares.

Eu senti meu rosto queimar. Porque aquilo era um absurdo, é claro. Ninguém podia ser bonito ali.

Mas eu não tive oportunidade de expressar minha opinião. Na verdade, eu não tive oportunidade de fazer nada além de gemer quando ele subitamente pressionou a boca ali, como eu havia feito com ele antes.

Minha cabeça caiu pra trás quando eu senti a língua quente dançar habilmente sobre a carne excitada. No início devagar, e depois aumentando o ritmo, à medida que eu me contorcia. Agora eu entendia o Hyoga. Agora sabia o que ele havia sentido. Aquilo era maravilhoso. Indescritível. Enlouquecedor.

Uma leve sensação de ardência se misturou ao prazer quando um dedo dele escorregou para dentro de mim. Deslizando em um ritmo lento, esticando-me ternamente. Eu tentei ficar quieto, cerrando os dentes, mas pequenos sons continuavam vindo à tona.

Outro dedo se juntou à exploração… E então um terceiro… Trabalhando em arremetidas controladas, a boca ainda deslizando pelo meu membro, tentadora e exigente, me distraindo de qualquer desconforto.

Eu achava incrível como a carícia dele podia ser tão suave. Especialmente porque sabia, pela intensidade de seus olhos, o quanto ele também estava excitado, ansioso, por aquilo. Não era óbvio na sua respiração irregular, na batida acelerada de seu coração? O fato de Hyoga conseguir manter o desejo sob controle e continuar com essa paciência, esse cuidado, por ser minha primeira vez só reforçava a minha convicção de que ele era único. Perfeito.

Então eu me esqueci do quanto admirava o autocontrole dele quando seus dedos tocaram um certo ponto dentro de mim. Eu já tinha ouvido falar desse ponto, é claro, mas ainda duvidava da sua existência. Até agora…

Até aquela onda de eletricidade varrer meu corpo, provocando-me sensações que nem em um milhão de anos eu imaginara ter. Seus dedos golpeando-me, acariciando-me, preenchendo-me.

Eu sabia que a sensação deveria me assustar, como ocorria normalmente a qualquer pessoa na primeira vez, mas eu só conseguia sentir prazer. Gritando e ofegando, incapaz de controlar meu corpo. Meus quadris se movimentando de um modo instintivo, sem qualquer vergonha, retorcendo-me sob ele.

Mas ele não pareceu se importar. Ao contrário. Minha reação pareceu excitá-lo ainda mais, e, como se fosse um sinal pelo qual ele estivesse esperando, ele deslizou de volta pelo meu corpo, esmagando minha boca contra a dele outra vez.

E então eu não conseguia mais pensar, nem mesmo respirar, pois os lábios dele estavam de novo em meu pescoço, descendo pra capturar com firmeza um mamilo intumescido, as mãos nos meus quadris, agarrando minhas nádegas, como havia feito algum tempo antes, mas agora ambos estávamos nus, e eu podia sentir aquela extensão dura e aveludada pressionando a pele sensível do interior das minhas coxas.

Eu não sabia dizer exatamente como, ou em que momento do meu frenesi, ele havia conseguido terminar de se despir, mas o fato é que ele o fizera. E a sensação do seu corpo desnudo contra o meu era diferente de tudo o que eu conhecia: A maneira como os pelos dele excitavam meus mamilos ao se esfregarem neles; a rigidez controlada da coxa que ele insinuava entre as minhas, roçando uma vez, como que acidentalmente, e depois outra, mostrando que não era por acaso; os pelos macios entre suas pernas; e aquele membro duro e quente alojado contra a minha pélvis.

Eu apoiei as mão nos ombros largos, sentindo os músculos sob a pele clara se contraírem quando seus braços me apertaram. E então era como se ele não conseguisse me beijar com intensidade suficiente, ou pressionar o corpo próximo o bastante.

Por que ninguém nunca havia me contado como era gostosa a sensação de ter a pele de alguém junto a minha? Eu deveria ter tirado as roupas do Hyoga naquela noite na boate. Não, antes disso até, naquela primeira vez no quarto dele. Mas estava tão dominado por outras sensações em todas elas que nem tinha pensado nisso.

E então, perdido nas sensações de prazer que ele me despertava, eu não consegui demonstrar resistência quando ele subitamente mudou de posição, girando na cama, me deixando por cima dele. Montado sobre ele mais uma vez, uma perna de cada lado do seu corpo.

Ele olhou pra mim. A respiração ofegante, como se tivesse acabado de correr quilômetros. O peitoral subindo e descendo sob meu corpo. O olhar urgente. E ainda assim, as palavras que saíram de seus lábios em seguida evidenciaram que sua única preocupação era comigo:

— Eu não quero te machucar — Ele sussurrou.

Apesar da necessidade evidente dele, da excitação poderosa, sua única preocupação era o meu bem estar. E isso, tanto quanto o autocontrole, fizeram com que outra onda de amor me inundasse. Violenta como o desejo que eu sentia por ele.

— Eu sei. — Eu falei, subitamente emocionado.

Mas via pela expressão de seu rosto que não conseguira tranquiliza-lo. Estava buscando em minha mente uma maneira de fazê-lo quando, mais uma vez, meu corpo resolveu responder por mim.

Sem perceber, eu movi os quadris levemente, o suficiente apenas para que a cabeça do membro rijo atingisse minha abertura agora levemente dolorida e úmida pela saliva dele. Hyoga prendeu o ar espantado, parecendo congelar sob mim. Os olhos tão ocultos nas sombras que já nem pareciam mais azuis, mas negros e revoltos, como o mar antes de um temporal.

E então eu me movimentei outra vez. Só um pouco. Envolvendo mais dele. Curioso para ver o quanto eu conseguia abarcar. Não muito, eu pensei. Ele era grande, e eu, absurdamente pequeno.

Mas eu não estava preparado pra reação que se seguiu.

De repente, foi como se todo o controle de Hyoga desaparecesse. Toda contenção que eu tanto admirava se foi num piscar de olhos, e ele puxou meus quadris contra ele, mergulhando dentro de mim, com um gemido rouco.

Eu deixei escapar um grito. Não consegui evitar. Aquilo ardeu muito mais do quando ele me penetrara com os dedos e eu contraí o corpo, contorcendo-me no impulso de evitar a invasão. Não que fosse preciso. Hyoga, de tão preocupado comigo, paralisou completamente logo após aquela investida inicial, e imediatamente voltou a si, perguntando, sem muita coerência:

— Merda, Shun. Você… Você está bem?

Mas eu descobrira que, depois daquela explosão inicial de uma dor muito forte, o que se seguia, embora ainda não fosse algo exatamente confortável, não podia ser qualificado como doloroso. E, ainda que eu tivesse colocado as mãos defensivamente contra seu peito e apertado os quadris em torno dele para garantir que não se movesse mais, eu comecei a desconfiar que essa sensação era equivalente à que ele tinha provocado com os dedos, só que mais intensa. Melhor.

— Shun? — Ele chamou outra vez, soando mais lúcido e bem menos paciente. — Shun, por Deus, você está bem?

Após um sinal para que ele silenciasse, eu tentei uma leve ondulação com os quadris. Hyoga deixou a cabeça cair no colchão e gemeu. Mas não foi isso que me interessou naquele momento, e sim o fato de ter descoberto que já não sentia mais nenhuma dor. Apenas sentia um puxão insistente, um desejo de pressionar meu corpo contra o dele…

E então eu o fiz. Apoiando as mãos em seus ombros, e movimentando os quadris, me prendendo a ele. Ele se moveu comigo. As mãos segurando-me as nádegas, não só guiando meus movimentos como tentando se manter unido a mim… Lentamente à princípio, e então aumentando o ritmo… Cada vez mais rápido... Até que o prazer me arrastou em ondas. O desejo transformado em necessidade. Em ânsia que eu sabia que só poderia se aplacada de uma forma.

Ele fechou os olhos, os cílios espessos tremendo levemente e os lábios se abrindo com a força da sua respiração.

Embriagado com a sensação de poder, eu o cavalguei com energia e rapidez. As mãos apoiadas sobre o seu peito. Querendo sentir mais dele dentro de mim. Mais fundo. Mais forte. Ciente, mas só vagamente, de que ele me dizia coisas. Não fazia idéia do quê. Embora, em um dado momento, quase tive certeza de que ele disse que me amava.

E então, sem que eu percebesse realmente o que estava acontecendo, ele girou sobre mim novamente, e minhas costas estavam contra o colchão outra vez. Minhas pernas envolvendo sua cintura, nossas mãos entrelaçadas, e ele se movia quase inteiramente para fora de mim, logo após ter acabado de entrar.

Mas a sensação de tê-lo ali estava tão boa, então para onde ele estava indo?

Desesperado com a possibilidade de perdê-lo, eu impulsionei mais os quadris, abraçando-o com as pernas, guiando-o sofregamente de volta para dentro.

Ele prendeu a respiração, estremecendo, e seu membro se moveu violentamente dentro de mim, atingindo mais uma vez aquele ponto. Oh sim, aquele ponto! Como ele fizera antes com os dedos, só que agora de uma forma muito melhor. Quase me fazendo chorar de prazer.

Eu deixei escapar um gemido alto, longo, enquanto dizia o seu nome, e isso foi o suficiente para enlouquecê-lo de vez. Sua boca esmagou a minha, e as mãos desceram para apertar minhas nádegas enquanto os quadris moviam-se com uma ânsia frenética entre minhas pernas. Acertando repetidamente o mesmo ponto. Me deixando trêmulo com a intensidade das sensações. Meu corpo se contraindo em espasmos rítmicos, acompanhando cada movimento urgente.

Todo o meu ser estava focado nele. Em sua respiração irregular. No princípio de barba roçando minha boca e meu pescoço. Na forma como ele às vezes afastava os lábios pra chamar o meu nome, em uma voz que era entre um grunhido e um gemido. E, acima de tudo, na força por trás de cada impulso enquanto ele se enterrava tão profundamente dentro de mim.

Mais profundamente do que eu achava ser possível.

E nesse momento eu percebi, com uma sensação semelhante ao deslumbramento, que, ao que parecia, era isto — isto, este instante — o que eu sempre quisera e esperara durante a minha vida inteira: Ter Hyoga em meus braços, o coração dele batendo contra o meu... Eu jamais pediria nada além disso.

E então, como que numa maré alta, eu fui pego, sugado sob uma violenta e inexorável onda de prazer que se quebrava, sacudindo-me do couro cabeludo às solas dos pés. Por alguns instantes, eu não estava ali, nem em nenhum lugar em Boston. Estava entre o mar e o céu, brilhando levemente, como a luz do sol no fim da tarde.

Eu gritei e ofeguei, e gritei de novo, chamando outra vez o seu nome, porque me parecia que não era certo sair voando por aí assim sem ele... E no momento seguinte, subitamente, eu estava de volta à mim mesmo, exausto e ofegante, molhado pelo meu próprio prazer, agarrado ao tórax nú de Hyoga.

Só que ele não percebeu isso, pois ainda estava lá, onde eu estivera há poucos instantes. Eu notei pela expressão do rosto dele, com os olhos cerrados e a boca comprimida como se estivesse sentindo dor. E também pela violência com que fincava em mim, cada vez mais forte, até que eu quase tive certeza de que ele iria me partir ao meio, mas nem me importei.

E então, com uma última pressão quase selvagem, ele pareceu ter uma crise nervosa, e sua expressão se suavizou, tornando-o mais bonito do que eu jamais o vira, fazendo com que eu me apaixonasse por ele mais uma vez, antes que ele desabasse sobre mim. O rosto enterrado no meu pescoço. Quieto e sem energia, como eu estava há poucos instantes.

Nós ficamos deitados assim, na semi obscuridade do quarto, juntos, ofegantes e molhados de suor. Até que ele rolou para o lado, afastou uma mecha do meu rosto e perguntou, meio desconfiado:

— Você está bem? Eu... Eu não te machuquei, não é?

Eu analisei a pergunta. Estava um pouquinho espantado ao ver que me sentia bem. Na verdade, jamais me sentira tão bem em toda a minha vida.

Mas sabia que não era assim que deveria ser. Quer dizer, eu deveria estar com muita dor agora, não deveria? Só que quando o Hyoga me penetrara, eu só sentira uma dor relativa — intensa, de fato, mas breve. Eu deveria ter sentido mais desconforto, além do temor inicial de que ele não ia caber, não é? Não era assim que acontecia nos mangás Yaoi que a Misuki vivia lendo? Que tipo de garoto perdia a virgindade e não sentia uma dor imensa?

Pois bem, eu, aparentemente. Mais uma prova de que, como um Uke, eu era um grande fracasso. Misuki certamente ficaria decepcionada. Não que eu pretendesse contar isso a ela, é claro.

— Eu estou bem. — Eu suspirei.

Ele olhou pra mim, preocupado.

— Pela voz, não parece. — Então levou uma mão à testa. — Droga! Eu machuquei você, não foi?

— Não! — Eu neguei depressa — Eu só pensei… — Eu mordi o lábio — Bem, eu achei que fosse doer mais.

Ele piscou sem entender.

— Você pensou que fosse doer mais?

Eu encolhi os ombros.

— É só que… É meio frustrante. Quer dizer, que tipo de pessoa perde a virgindade e não sente um desconforto enorme?

E então ele começou a rir. Não, a gargalhar.

Depois enxugou as lágrimas que haviam se formado nos cantos dos seus olhos e apertou mais meu corpo junto ao dele.

— Ah, Shun, só você pra me fazer rir assim em um momento desses. — Ele falou. Então acrescentou — Eu fico feliz por não ter te machucado. Isso quer dizer que você... Gostou?

Eu me senti corar das pontas dos pés à raiz do cabelo.

Que tipo de pergunta era aquela?

— Agora você está querendo que eu infle seu ego. — Eu falei.

Ele sorriu.

— Você pode inflar meu ego às vezes.

Eu torci o nariz.

— Seu ego já é bem grande.

Ele riu outra vez. Então segurou meu rosto entre as mãos, e me olhou com firmeza.

— Eu amo você. — Ele disse. — Eu sempre vou amar.

Meu coração disparou, e eu sorri como um bobo

Era o mesmo pra mim. Nós dois tivéramos nossos pedidos realizados aquele ano: Um ao outro.

Ele disse que pedira por mim todas as vezes. Eu pedi o que fosse melhor pra mim. Não tinha dúvidas agora de que estar com Hyoga era a melhor coisa que poderia acontecer na minha vida.

Era a coisa certa.

— Eu sei — Eu falei simplesmente, me aconchegando melhor ao seu corpo.

***

Meu quarto ainda estava em uma semi penumbra, agora iluminado pela luz do abajur que eu havia acendido sobre a cômoda, e Hyoga e eu estávamos sentados um ao lado do outro na minha mini cama, dividindo uma montanha de guloseimas que ele havia garimpado nas máquinas nos corredores.

Nós decidíramos não descer para o jantar e Hyoga empreendera uma excursão pelas máquinas de doces enquanto eu tomava uma chuveirada.

Ele rira quando voltara ao quarto e se deparara com a velha samba-canção de morangos, que eu vestira junto a uma camiseta larga.

Eu sorri com a lembrança e olhei em volta para o quarto em que vivera praticamente todo o último ano. O quarto que em breve estaria deixando.

— Eu vou sentir falta disso. — Eu falei, tirando mais um cookie do pacotinho e o enfiando na boca.

Em algum dos quartos alguém colocara para tocar uma espécie de versão acústica de November Rain e os primeiros acordes de piano se infiltravam pelas paredes.

Ele ergueu uma sobrancelha.

— Dos doces?

Eu sorri.

— Dos doces também. Mas, não. Eu me referia à tudo. A este quarto, ao refeitório, as aulas, os barulhos…- Eu o encarei com humor — Vai ser estranho dormir sem o vai e vem dos seus passos no meu telhado.

Ele sorriu também.

— Bem, eu posso dar jeito nisso. Acho que consigo convencer seu novo vizinho de cima a me deixar passar algumas horas andando no seu telhado.

Eu ri, levando uma mão ao peito em zombaria.

— Você faria isso por mim?

Ele colocou uma mecha atrás da minha orelha, e me olhou com carinho.

— Tudo o que você quiser. — Ele disse, então deslizou um dedo pela minha bochecha. — Eu vou estar só à dez minutos de metrô do seu novo alojamento, Shun. E vou viajar até lá toda noite pra te ver. Eu viajaria dez vezes essa distância pra estar com você.

Eu senti meu coração se aquecer com aquelas palavras e entrelacei meus dedos nos dele.

— Tudo o que eu quero é ficar assim com você. Pra sempre.

Ele sorriu. Depois franziu a testa.

— Isso não é o nome de uma música dos anos 90? “Always”.

Eu assenti rindo. Aquele era o tipo de informação inútil que sempre interessava ao Hyoga.

— É do Bon Jovi. Minha mãe adora.

Ele fez uma careta.

— O clip é muito brega.

— Cuidado. Um dia você vai conhecê-la, e é melhor guardar sua opinião sobre Bon Jovi pra você nessa hora, ou não será muito agradável.

Ele sorriu com provocação.

— Ah, então será pelo menos um pouco agradável? Acho que eu consigo lidar com isso.

— É sério! — Eu falei. — Um dia você vai conhecer minha família e você tem que me prometer agora, neste instante, que não vai me deixar depois de conhecê-los. A maioria das pessoas sairia correndo.

— Eu não sou como a maioria das pessoas.

Eu sorri outra vez.

— Eu sei. Mas ainda assim, você vai ter que prometer.

Ele fixou seus olhos nos meus.

— Eu prometo que nunca vou te deixar.

Meu coração bateu estrondosamente em resposta, e ele percebeu isso, porque pegou minha mão e a colocou contra o peito dele pra me mostrar quão rápido seu coração também estava batendo.

— Nem se eu te apresentar ao meu pai? — Eu falei.

— Nem assim. — Ele disse. Então mordeu o lábio pensativo. — Você acha que ele iria me desaprovar?

Eu suspirei.

— Você sabe que o meu pai odeia qualquer coisa que me faça feliz, não sabe?… Eu nem sei como o Ikki conseguiu convencê-lo a me deixar mudar de curso… E você me faz mais feliz do que tudo. — Eu dei de ombros. — Com certeza ele vai te detestar.

Ele sorriu pra mim outra vez, então deu de ombros.

— Bem, eu não me importo com o que seu pai pensa. Eu só ligo para o que você pensa. — Ele me envolveu com um braço, me apertando contra si. — Como por exemplo, se você achar que eu preciso cortar o cabelo.

— Eu gosto dele assim. — Eu disse alegremente.

— Ou se você achar que eu também preciso começar a passar meus lençóis.

— Eu não passo meus lençóis! — Eu protestei.

— Passa sim. E eu adoro. — Eu corei e Hyoga beijou minhas bochechas vermelhas. — Sabe, minha família gosta de você.

— Eles gostam?

Ele assentiu.

— Camus diz que você é um bom garoto. E você foi a única pessoa de quem falei o ano inteiro, o Afrodite está em êxtase por finalmente estarmos juntos.

Eu sorri por dentro e por fora.

Era bom ter a aceitação das pessoas que eram importantes pra ele.

Ao contrário do que eu pensava, nós não tivéramos problemas quanto a isso na faculdade também. Nick procurava me evitar de todas as formas, e Tiffany ficou enlouquecida, é claro. Mas a verdade é que a maioria das pessoas já achava que nós estávamos juntos e reagiu com naturalidade. Nós não seríamos o primeiro casal gay da faculdade, de qualquer forma… Nem o último.

Já com o meu pai a situação era mais complicada. Ele provavelmente nunca aceitaria. Mas, como o Hyoga, eu também não me importava. Além disso eu estaria morando com o Ikki a partir do próximo ano.

Mamãe concordara em assinar os papéis autorizando minha mudança. Ela nos visitaria sempre que pudesse, é claro. E prometera levar a Misuki também. Além disso, o tal Shaka, o advogado que o irmão do Oga nos apresentara, era muito bom no que fazia. Nós nunca teríamos conseguido nada tão rápido sem a ajuda dele. E isso era algo que mesmo o Ikki era obrigado a admitir, a despeito de toda "animosidade à primeira palavra trocada" que ele parecia ter desenvolvido com o sujeito.

— Seu irmão, por outro lado, sempre olha pra mim como se estivesse planejando meu assassinato. — Hyoga continuou, mordiscando uma barra de amendoim com marshmallow.

— Isso é porque ele provavelmente está. — Eu sentenciei.

Ele arregalou os olhos azuis e eu ri.

— Mas só se você me magoar. Ele não é tão mau assim, sabe.

Hyoga ergueu as sobrancelhas loiras em descrença e eu ri ainda mais.

— Eu sei! — Eu falei. — Ele gosta de parecer o cara mau mesmo. Mas ele é, tipo, um mau para o bem. Ele só quer me proteger. Por que ele me ama.

Eu senti um calor por dentro ao pensar nisso. Eu também amava o Ikki. Ele era o melhor irmão de todos.

Hyoga sorriu.

— Eu sei que sim. — Ele disse, levando uma das minhas mãos até a boca, e colocando um beijo sobre a palma. — E a sua mãe? Ela também vai se opor a mim? Por que eu sou um garoto? Por que sou estrangeiro? Por que estou roubando o filho dela?

Eu sorri de volta.

— Não. — Eu falei. — Ela vai te adorar. Por que você me faz feliz.

Ele circulou minha cintura com os braços, e me puxou para o seu colo outra vez.

— Que bom. — Ele sussurrou no meu ouvido. — Porque eu pretendo te fazer feliz por muito tempo ainda.

E então eu me perdi outra vez nos seus lábios. Nós lábios do homem que me fortalecera, que me desestabilizara, que criara todo tipo de confusão na minha vida. Do homem que me mostrara o mundo. Que me mostrara que a vida perfeita é construída também de momentos imperfeitos, como todos os que nos levaram até aquele instante, em que nossa história continuava. E continuaria. Porque Hyoga era tudo o que eu queria, tudo de que eu precisava e sempre precisaria.

Foi natural que nossas roupas fossem descartadas mais uma vez sobre o tapete, e que nossos corpos novamente se buscassem, como se nossas almas pudessem se tocar, se atrelar, tornar-se uma.

Eu sabia que ainda éramos muito jovens, que mal começáramos a viagem de descoberta que era a fase adulta. Mas duvidava que existisse alguma pessoa, adulta ou não, que conseguisse se conhecer por completo. E como a vida seria tediosa se conseguíssemos… Não haveria lugar para crescermos. Jamais nos surpreenderíamos.

Em poucos meses minha vida estaria mudando outra vez. Eu teria um novo curso e um novo dormitório pra me adaptar. Mas eu não tinha mais medo. Ter ido pra América, ter conhecido o Hyoga, me modificara. E isso era algo que nada poderia mudar. O que fora vivido duraria para sempre.

O essencial permaneceria independente do tempo que passasse.

Eu amava o Hyoga, e sabia que não havia nada tão certo no mundo quanto nós dois. Não havia magia mais poderosa do que aquela que fazíamos naquele instante. E não havia nada que poderia nos manter afastados, porque nossas vidas haviam se entrelaçado no momento em havíamos colocado os olhos um sobre o outro, em frente a porta do quarto ao lado, no corredor daquele alojamento há mais de um ano. Do mesmo jeito que agora faziam nossos corpos.

E, enquanto eu me deleitava mais uma vez com suas carícias, eu me peguei pensando que sim, a vida nem sempre era simples, nem sempre era fácil, nem sempre era boa. Mas naquele momento ela era tudo isso.

Ao lado de Hyoga, a vida era perfeita.

Porque eu estava certo. Para nós dois, "casa" não era um lugar. Era uma pessoa. E, ali, juntos, nos braços um do outro, nós finalmente estávamos em casa.

Do jeito que tinha que ser.

Do jeito que sempre seria.

Não importava o que o futuro nos trouxesse


FIM

Notas finais
Olá a todos, Aqui estamos nós com o último ch dessa história. Demorou. Mas, de repente tb parece que passou tão rápido… Era pra ser uma fic curta, mas acabou ficando assim XD Espero que gostem desse último ch, e que tenham curtido toda a história até aqui. Pra variar estou nervosa com o lemon kkkkkk. Foram tantas expectativas, e tanto tempo de espera, só espero que tenha ficado a contento. Acho que foi o maior que eu já escrevi. Aliás, por favor, me lembrem de nunca mais escrever um lemon sob o ponto de vista de um virginiano. Ô gente detalhista da p****! XDD Transpor a dinâmica peculiar desse casal para o lemon tb foi um bocado complicado. Porque tinha que ser quente, e mostrar aquela passionalidade e impulsividade típicas da juventude, ao mesmo tempo em que deveria ser romântico e mostrar preocupação e cuidado. Além de toda cumplicidade e amizade deles, é claro. Estou torcendo pra ter sido pelo menos um pouco bem sucedida na empreitada. E eu sei que todo mundo deve estar surpreso pelo Shun estar mudando de alojamento logo agora, mas era parte do crescimento dele. Estava na hora dele tomar as rédeas da própria vida. Decidir sobre sua sexualidade, seus sentimentos, o lugar onde iria morar, e tb sobre qual profissão iria cursar. Hyoga não vai mais ser “O Garoto Do Andar de Cima", mas como o Shun mesmo disse, ele é algo muito melhor agora, não? ;) E eles estarão há apenas 10 min de distância de qualquer jeito. ˆˆ E é isso gente. Encerramos aqui nossa caminhada acompanhando as fofura, mau entendidos, e desencontros desse casal que eu aprendi a amar ˆˆ. Sobre projetos futuros, eu tenho várias idéias, e, infelizmente, muito pouco tempo para concretizá-las. Então vou só dar tempo ao tempo, e ver o que acontece. Muito obrigada de coração a todos que chegaram até aqui comigo… Meu Deus, que tristeza ter que me despedir!… Obrigada pelos comentários, recomendações, favoritações, cobranças, elogios… Obrigada, BatMariah, Kass, Lanny Missmuse, Jenferr, KihaDeh, Lilith Rose, Shaketdiva, Alex Blasqui, HuandanNox, Liana La Blanche, Lira Fujoshi… e muitos outros, que embora não citados nominalmente aqui, sempre estiveram presentes de alguma forma. Obrigada pelo apoio, pelo carinho, pelo incentivo, pela paciência com meus atrasos, pela perseverança em não desistir da história… enfim, muito, muito obrigada por tudo. Vou morrer de saudades de tudo aqui e da receptividade de vcs. Bjos PS1: Eu falei sobre um possível epílogo, mas resolvi terminar por aqui mesmo. Achei que a história estava suficientemente fechada assim, e continuar seria “furar os olhos do filho" como dizia a mãe de um grande amigo meu quando queria falar que se mexesse demais ia estragar XD. Então esse é o último ch MESMO, ok?! ;) PS:2 Pra quem se interessar em saber, November Rain dos Guns And Roses foi minha música de inspiração pra essa fic. Nem sei porquê. Achava que a letra não tinha nada a ver, mas toda vez que escutava essa música lembrava do casal. Pensei que fosse por causa do lance do Shun gostar de rock dos anos 90, e da comparação que ele faz do Oga com o Axel no primeiro ch. E provavelmente era mesmo. Isso e a melodia, é claro. Mas não é que depois de um tempo eu comecei a ver muito sentido na letra tb?! Vai entender… kkkkkkkkk. Pra quem não conhece, e quiser conhecer, segue o link de um vídeo ˆˆ : https: // www. youtube. com/watch?v=KVybuiKHhQs&list=RDKVybuiKHhQs#t=1 (sem os espaços)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!