O Garoto De Whamy´s
1 Capítulo 1: ligação
Notas iniciais
essa história se baseia nos personagens Roger e Watari. em uma das versões em que eu imagino em como eles se conheceram, e em que motivou Watari a criar o orfanato de gênios que defenderão a justiça do homem.
O telefone tremeu em um clássico “Triiim”. Era um modelo antigo, portanto adequado aquela instituição. Era de coloração caramelo. Não havia botões, mas daqueles com disco, com orifícios que cerviam para girar; o fone era alongado e a parte de baixo era curvada e menor, encaixando-se na coca do interlocutor, caso ele decidisse falar qualquer coisa.
__ Whamys House. Boa tarde.
__ Olá Roger, disse a voz do outro lado
__ Porque você não ligou no meu numero particular? Não me diga que perdeu. __ comentou o senhor.
__ Não. Só quis ligar para esse mesmo. Como vão as coisas por aí?
__ é um orfanato Edgar. Não há historias a serem contadas por aqui. A não ser que semana passada um garoto vomitou na mesa de jantar __ disse rindo __ os meninos saíram correndo, coitado.
A voz do outro lado deu uma risada tímida.
__ Eu estou indo ai.
__ ótimo. Quando?
__ daqui a uma semana mais ou menos. Preciso antes resolver o s problemas legais.
__ o que, outra criança?
__ sim.
Roger cuidava daquele lugar, mas para ser sincero ele admitira varias veses a seu amigo, que preferia que não houvesse criança alguma naquele lugar. Não que não gostasse delas. Mas o motivo que as traziam até aquele lugar era triste.
__ seus pais morreram a alguns anos, não há parentes.
Roger continuou ouvindo. Escutou uma respiração compassada através do fone.
__ Edgar?
__ é um garoto diferente. Ele provavelmente não vai se interessar por futebol. Nem presisa preparar um quarto com um brinquedo como esse.
__ quarto? Deixe de besteira, ele vai dormir com os outros meninos.
__ ele não é muito sociável.
__ ninguém é, até que conheça as pessoas a sua volta.
__ ... tudo bem então. Você decide. Daqui a uma semana eu o trago. Não vou contar os detalhes por telefone. Assim que eu chegar te digo.
__ nossa até parece que se trata de um semideus __ riu o homem novamente, tinha o comportamento mais humorado que seu velho amigo. Sempre que tinha a oportunidade contava uma piada. Mesmo nas situações complicadas, em que ele , com certeza já passara.
Assim que o outro homem se despediu, Roger desligou o telefone. Encaixou-o novamente saiu da cadeira e andou cerca de um metro até a outra, pegou o tabaco, ajustou-o no cachimbo com um instrumento cilíndrico e ascendeu com um fosforo alongado. Encheu suas bochechas soltando a fumaça inicial, antes de realmente dar o trago. Pegou um livro em sua estante e pôs se a ler. Moby Dick. Mas não conseguiu. Não conseguia se distrair enquanto não pudesse pensar. Tinha coisas na cabeça, que queria refletir. Tanto quanto gostava de ler, Roger era uma exímio contador de historias. Não. Provavelmente não um contador de historias, um contador de historias conta aos outros. Roger só queria escrever para si mesmo.
Pegou um caderno de couro vermelho queimado, se é que essa cor existe, era um volume groço, mas não tinha letras impressas, apenas em tinta de caneta mesmo. Havia varias paginas com pensamentos e reflexões sobre os seus dias. Desde que voltara da guerra, passou a escrever sempre que podia, para que assim sua mente se esvaziasse das coisas que ele não precisava mais guardar. Mergulhou apena na tinta e pingou no papel. Parou e decidiu começar a escrever.
Roger e Edgar se conheceram a alguns anos em um conflito em um país distante e pouco conhecido pelo publico em geral. Houve um grande estouro rebelde, de uma facção terrorista cujo objetivo principal era livrar seu país da presença estrangeira, que oprimia a “liberdade” daquele povo, embora eles não se importassem em restringir a liberdade deles, se por acaso as suas ideias não fossem concordadas. Decidindo interferir no conflito que já estava se tornando casos de jornais pelo mundo. Países como a Inglaterra e Irlanda resolveram se mover, já que ambos tinham uma certa relação com aquele território.
Obviamente se tratando de países, eles não fazem coisas por caridade pura e simples, ou pela defesa a paz e liberdade. Havia, logicamente interesses comerciais e políticos em pauta. Foram criadas algumas tropas especiais formadas por soldados de alguns países dispostos a permitir a atuação de seus homens. A tropa aliada a Irlanda e Inglaterra era formada por dois americanos, um piloto de helicóptero altamente capacitado e o outro, o copiloto que o auxiliava; três irlandeses, um especialista em tática de guerra e outro em equipamento bélico; e por fim, dois fuzileiros ingleses, que tinham muita perícia em qualquer tipo de equipamentos em que houvesse gatilhos inclusos.
Roger pausou a caneta e resolvera ir direto ao assunto.
O helicóptero sobrevoava uma área de vegetação.
__ Foi mais ou menos por aqui que recebemos a informação... eles estão instalados por essa região. __ ecoou a voz do piloto aos ouvidos dos outros guerrilheiros através de um fone de ouvido que transmitia a todos os outros. Com o barulho das hélices seria impossível ouvir o que ele dizia.
__ ótimo... não dá pra ver porcaria nenhuma! __ reclamou um dos homens __ eles sabem que estamos aqui, mas não podemos nem ver onde eles estão!
__ sabemos sim. __ disse uma outra voz. __ eles precisam de uma fonte de água por perto. Temos que encontrar um rio, ou algo parecido... fora que eles não vão estar em sima das árvores, devem ter montado acampamento em um terreno menos cheio de plantas, um pouco mais aberto.
__ O homem anterior olhou para ele com uma sobrancelha arqueada. Não gostara de ter sido corrigido.
__ seria melhor se simplesmente espertassem os esse botão e explodisse esses malditos de uma vez! __ comentou novamente.
__ deixe de besteira! não temos autorização pra fazer isso! Tem reféns acompanhados. __ disse o piloto.
Obviamente todos sabiam que atirar simplesmente um míssil e queimar tudo, seria não só irresponsável, como acarretaria em punições a todos os membros, assim como represálias de países relacionados aos reféns e os que nem sequer se aliaram a operação. Não. As coisas teriam que serem feitas de peito a peito.
Eles teriam que descer lá e resgatar os reféns pessoalmente.
Dois homens estavam quietos dez de que adentraram a aeronave. Era a primeira vez que se viam, mas dali para a frente, ambos estariam unidos pela sobrevivência de um ao outro, assim, como em uma missão que poderia custar a vida deles.
A aeronave retornou a sua base. Estava de dia, e eles tinham como objetivo adentrar o território durante a noite.
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