Notas iniciais
A primeira fic que posto aqui, estou nervosa como dá primeira vez.
Não sabia como classificar a história, mas yaoi é apropriado, eu acho. Tire sua próprias conclusões rs'

E lá estava ele como em todas as manhãs que chovia. Ás vezes tenho a impressão de que ele nunca saia daquele casarão antigo, exceto claro, nos dias de chuva. A primeira vez que eu o vi pensei estar tendo uma alucinação, até pensei na hipótese de ter criado mais um amigo imaginário. O que seria comum para mim que fazia isso o tempo todo, eram tanto personagens criados por minha mente que não me recordava o nome de todos eles. Ah, mas o garoto não era um dele, era real, estava ali parado olhando a chuva.

Era de se esperar de um garoto como eu sair de casa em dias chuvosos, hiperativo demais para ser mantido preso. Pegava o guarda-chuva e corria pelas ruas do bairro. Mamãe gritava da janela, porem não era o suficiente para me tirar o prazer de correr como se o mundo fosse apenas meu.

Quando se é criança as medidas tornam-se difíceis de calcular e as vezes alguns desse erros podem trazer problemas. Mas não pra mim, ainda nos dias de hoje agradeço por não medir as consequências de ter pulado naquela poça d'agua que grande demais, ou talvez eu fosse pequeno demais. Cai. Ralei o joelho, como um animalzinho acuado peguei meu guarda-chuva e caminhei mancando pelas ruas.
Meus olhos procuravam algum perigo que pudesse atrapalhar meu plano de atravessar a rua e foi ai que eu o vi.

Pequenino diante aquela imensa porta de madeira, no velho -e dito assombrado- casarão dos Way. Vestia um sobre tudo negro que se arrastava no chão, deveria ter minha idade mais ou menos. Uma de suas mãos estava na maçaneta e a outra sobre os lábios. Sua pele era pálida, tão branca quanto o pó de arroz que mamãe usava. A chuva não me deixa ver seu rosto, apenas discernia as cores daquele ser. Fiquei parado olhando para ele, a chuva parecia cessar, finalmente poderia ver aquele rosto. Seus olhos corriam de um lado para o outro na rua, parecia encantado, mas eles me avistaram, por um segundo nossos olhares juntaram-se, porem não foi o suficiente para mantê-lo ali. Ele bateu a porta fazendo seu som ecoar fundo em minha mente.

Perguntei a mamãe quem era o garotinho que morava logo em frente a nossa casa e ela me respondeu: "não há garoto algum." Minha curiosidade infantil, por sorte sempre foi mais forte do que qualquer sentença adulta, e eu o procurava. Batia na velha porta, gritava, implorava, e nunca era atendido.

Voltava pensar na ideia de ser um de meus personagens e até o batizei, chamava-o de o garoto capa negra, o nome não era bom, era uma referencia a seu sobre tudo que lhe servia como esconderijo para os cabelos. Mais algumas semanas para eu decidir que ele era um fantasma. Perdi o interesse depois de um tempo.

Até um tarde chuvosa quando voltava da escola. Estava ele lá mais uma vez, com a mesma veste cor da noite, a mão na maçaneta, mas dessa vez a outra deixava ser tocada pela a água. Ele ficou ali o tempo todo em que a chuva caia, e eu fiquei o observando de longe.

Demorou mais algumas vezes que por coincidência -ou destino- enxerguei o garoto vestido de preto, até eu raciocinar que eu o via em dias chuvosos. A descoberta foi incrível e toda vez que chovia eu corria pra fora de casa para vê-lo, o que me rendeu diversos resfriados.

Demorou anos até que eu tivesse a audácia de atravessar a rua e fica frente a frente com ele, e como da primeira vez depois de alguns segundos de contato visual ele batia a porta.

E vi o sobre tudo negro aos poucos servir em seu corpo que já não era tão pequeno. E seguia a rotina de ir até a rua toda vez que chovia. Minha primeira namorada foi passar uma noite comigo, para aproveitar q meus pais viajavam, nossa primeira noite juntos, mas quis deus que chovesse meia noite e la fui eu correndo para fora deixando a garota boquiaberta vestindo apenas seu sutiã. Quando entrei enfrentei o interrogatório com a resposta: "fui ver o garoto da capa negra."

Eu tinha quase trinta e ainda gostava de ver o garoto- já não tão garoto- parado na porta olhando a chuva com a mão na maçaneta e a capa preta que desbotava a cada temporal.

Nossa relação não passava de um contato visual agora mais prolongado, meus olhos deveriam ser entediantes, pois logo sua atenção voltava se a água. Ao menos ele já não batia com a porta e isso me deixava feliz.

Com trinta e um em uma chuva de verão ele não apareceu era a primeira vez que isso acontecia e fiquei assustado...

O que teria acontecido ao garoto da capa negra? E como em muitos momentos na vida milhares de pensamentos passaram por minha mente. Teria ele se mudado? Seu espírito encontrara a paz eterna? Ou eu havia ficado adulto e não precisava mais de um amigo imaginário?

Notas finais
Bem, essa história tem mais um capitulo, mas não estou segura que ele está bom o suficiente, então se alguém gostou é só avisar que eu o posto. caso contrario continuara apenas esse, porque desse sim eu gosto e achou que ficou ótimo.
Deixe um comentário se chegou até aqui. Agradeço-te desde já.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!