Um ano se passou desde o nascimento de Nadeshiko e Mizura. Um ano bem agitado para falar a verdade. Ser pais e mães de primeira viagem não era nada fácil.

No momento, todos estavam reunidos na casa de Tadase e Amu, para decidirem onde seria a festa. Como as duas crianças nasceram no mesmo dia, os pai resolveram fazer uma única festa. Mas claro, essa seria apenas para os amigos. Para os familiares, cada qual teria a sua.

A ideia pareceu boa no início, e ainda parecia na verdade, mas... chegar a uma conclusão estava beeem difícil.

– Me explica de novo porque eu ainda não entendi: Por que a festa não pode ser aqui? – Questionou Kukai pela milésima vez.

– Então escuta direito porque eu não vou mais repetir: eu estou cheia de tudo que fazemos ser aqui em casa! – Respondeu Amu tentando controlar a raiva. – Quando ainda éramos somente eu e o Tadase até tudo bem, mas não dá para criar um bebê em um ambiente de festa! — Ela já batia as mãos na mesa.

– Então onde você sugere? – Perguntou Utau, que até então estava calada, assim como o resto deles. — Se você está assim tão preocupada que a festa seja aqui, diga outro lugar.

– Que tal a casa da Nadja? — Amu sujeriu, sem perceber que a ruiva ficou alerta. — A festa também é do filho dela afinal.

– Na minha casa não!! – Nadja bradou, elevando a voz umas oitavas. – Você já viu o tamanho daquele Lugar?! Mesmo que vocês me ajudassem, levaríamos horas a fio para arrumar tudo. Sem falar em limpar depois!

– Está bem, não tá mais aqui quem falou. — A rosada se rendeu. Realmente, a festa ser na casa da amiga não daria muito certo. – Mas então, o que faremos?

– Minna... – Tadase tentou se pronunciar, mas ninguém lhe escutou.

– Já falei que aqui em casa não vai ser! — Amu decretou.

– E nem na minha! — Falou Nadja.

– Ei, minna... – Novamente Tadase tentou chamar a atenção dos amigos. E, de novo, foi ignorado.

– Por que não fazemos na sua casa, Kukai? — A Hinamori sujeriu.

– Agora quem não quer sou eu!! – Gritou Utau. – O Kukai, o Daichi e o Shaoran já fazem bagunça o suficiente sozinhos. Eu já tenho que bancar a faxineira todo santo dia sem mais gente lá em casa!

A conversa civilizada acabou virando uma gritaria sem tamanho, todos com seus motivos para que a festa não ocorresse em sua respectiva casa. E durante todo o tempo, Tadase tentava se sobrepor aos gritos, o que parecia ser impossível a essa altura do campeonato.

Foi quando um grito estridente vindo de perto do chão chamou a atenção dos demais. Eles olharam para a direção de onde vinha o pequeno e irritante grito e viram uma garotinha loira, prestes a completar um ano, sentada em seu pequeno andador amarelo e florido de vermelho. Nadeshiko havia crescido razoavelmente bem, suas bochechas eram de um tom rosado muito fofo, usava um macacão vermelho da mesma cor de seus olhos e seus cabelos loiros, agora um pouco mais compridos, estavam presos em um pequeno rabo no auto da cabeça.

Ao ver que tinha a atenção dos pais e dos tios de consideração, Nadeshiko fez uma pequena pausa para puxar o ar.

– Papai qué fala. – Disse ela como se não fosse nada, antes de colocar de volta sua chupeta na boca e sair “andando” para perto de Mizura, Shaoran e Rene.

– A Tada-chan já está falando? – Indagou Nagihiko. Para ele, era meio estranho se referir à outra pessoa como “Nadeshiko”, e como a pequena é muito parecida com Tadase, ele inventou esse apelido para se referir a ela.

– Até nos esquecemos de contar, ela disse as primeiras palavras ontem. – Anunciou Amu, tentando conter um riso pela cara que Tadase fazia. O loiro realmente não gostava nem um pouco do modo como Nagihiko chamava sua filha, mas entendia perfeitamente os motivos, por isso não se opunha.

– O que ela disse primeiro? Mamãe ou papai? – Perguntou Utau empolgada. Ela sempre quis que as primeiras palavras do filho fossem mamãe ou até mesmo papai, mas quando chegou o momento a primeira palavra do garoto foi “bola”.

– Na verdade a primeira palavra dela foi “tamago”. – Respondeu Amu.

– Ovo? — Nadja estranhou. — Por que a primeira palavra da Nadeshiko foi ovo?

– Acho que é por causa do livrinho que o Tsukasa-san escreveu, sobre os shugo charas. – Tadase explicou. – Eu e a Amu nos revezamos em ler para ela.

– Ah, só pode ser isso mesmo. — Falou Kukai. — Fala sério! Aquele livro repete mais a palavra ovo do que um livro de receitas... Ai! — Exclamou, massageando o braço pelo tapinha que Utau lhe dera.

– Ma voltando ao assunto: — A loira começou. — Vocês estavam lendo para ela?

– Mais ou menos. — Amu ficou pensativa, procurando bem a lembrança. — Aconteceu o seguinte.

Flashback on:

Amu havia acabado de ler o livro sobre os ovos do coração para Nadeshiko. Era imprecionante que, com um baú cheio de livrinhos infantis, o único que a loirinha queria ouvir mais de uma vez era aquele, que o "vovô" Tsukasa deu a ela.

– Pronto, meu amor, acabou. Vamos guardar o livro? – Disse Amu para a filha ao seu lado.

Nadeshiko somente pegou o livro nas mãos e foi andando aos tropeços para o baú de madeira, onde ela e sua mãe guardavam todos os que tinha.

– Muito bem, mocinha. – A rosada se aproximou, elogiando. E resolveu fazer um teste. – Consegue dizer “baú”? – Perguntou, indicando o objeto.

– Babú...? — Foi o único som reconhecido entre os balbucios da garota. Podia não ser bem uma palavra, mas era o suficiente para arrancar um riso de Amu e lhe dar esperanças.

– E “livro”? Consegue dizer “livro”? – Tentou mais uma vez.

– Li... Libu...? — A pequena conseguiu balbuciar. Amu riu mais uma vez, e se conformou. Talvez não fosse a hora ainda.

– É isso daqui. Isso é um livro. – Ela tentou uma ultima vez, mostrando o mesmo livro amarelado que tinha acabado de ler.

– T-t-ta... Ta-tama-tama... — Nadeshiko voltou a balbuciar, olhando para a capa do livro. E Amu só faltou arregalar os olhos a ponto de pularem das órbitar. — Ta-tamago! — Declarou, soltando uma doce risada.

Amu não podia acreditar no que estava vendo. Sua filha, sua pequena Nadeshiko... estava falando!

– Tadase!!! — Ela não se importou se seu grito incomodaria os vizinhos, o loiro tinha que ver aquilo. — Tadase, vem aqui, rápido!! Você não vai querer perder isso!

No andar de baixo, o Honoti pôde ouvir os berros e ficou preocupado. O que estaria acontecendo?

– Mãe, eu tenho que ir. — Falou apressado para a mulher no outro lado da linha.

– O que foi, meu reizinho? Algum problema? — Questionou a dona Mizue.

– É isso que vou descobrir. Te ligo mais tarde, tchau!

– Tchau, meu bebê! E lembre-se: qualquer coisa que essa sua esposa com cabeça de chiclete fizer de mal, você poderá voltar aqui para casa. Trazendo minha netinha junto, claro. — Mizue continuou a tagarelar, sem se dar conta de que Tadase desligara o telefone a tempos.

Ele não tinha tempo a perder afinal. Subiu as escadas o mais depressa que pôde, mas quando chegou ao quarto de Nadeshiko viu apenas Amu ajoelhada no chão e balançando a menina no ar, que ria abertamente.

– O que foi? Está tudo bem?

– Tudo ótimo! — Amu exclamou, visivelmente feliz. — Veja isso. Mostre para o papai, Nadeshiko.

– Tamago, tamago! Kokolo no tamago! — A menina repetiu, sentindo-se orgulhosa por atrair tanto a atenção dos pais.

– Eu nem acredito, as primeiras palavrinhas! Rápido, pegue a... – Antes que Amu pudesse completar a frase, sentiu uma forte rajada de vento e quando olhou para o lado, viu Tadase já com a filmadora a postos.

– Diz “papai”, filha. Consegue dizer?

– T-t-to... — Nadeshiko começou novamente, meio nervosa com a câmera apontada para ela. — Too-chan!

Tadase não se segurou, simplesmente atirou a filmadora para qualquer lado que fosse e pegou a filha nos braços, lhe dando um sufocante abraço.

– Minha princesinha! Estou tão orgulhoso de você, Nadeshiko!

– N-Naa... Nadesko? — Falou novamente.

– É quase isso, meu amor. É quase isso. — Amu tinha lágrimas nos olhos diante da cena. Por Kami, quela família linda era dela!

– Tadaima! – Os dois olharam para a porta e viram Ran e Mikki com várias sacolas nas mãos. Logo atrás delas vinha um Kiseki completamente esgotando e mal-humorado.

– Ran, Ran! – Nadeshiko esticava os braços, tentando alcansar a chara.

– Shugoi!! A Nadeshiko está falando! — Ran se aproximou da pequena, com os olhos brilhando.

– Hump, que falta de respeito. Mesmo sendo uma princesa ela deveria ter o mínimo de consideração e falar o meu nome primeiro. – Protestou Kiseki, indignado. E, mesmo não admitindo, um tantinho enciumado.

– K-Kii-ki...

– Deixa de ser chato , Kiseki. Olha, acho que agora é a sua vez. — Ran anunciou. Todos rodearam Nadeshiko a fim de ver qual seria sua próxima palavra.

– Ki... K-Ki-Kii...M-Mikki! – Um silêncio se instalou por poucos segundo enquanto absorviam o ocorrido.

Amu e Tadase não sabiam direito o que fazer, por tanto só encaravam a filha, atônitos. Coisa que Ran não fez, ela começou a rir da cara que Kiseki fazia como se o mundo fosse acabar, enquanto Mikki deu um sorriso que ia de orelha a orelha.

– Eu... não... acredito. – Murmurou Kiseki. – Ela falou até o nome dessa plebeia azul antes do meu!

– Como assim até o meu nome?? – Questionou Mikki.

– K-K... K-Ki...

– Acho que agora vai. – Falou Ran, parando de rir e voltando sua atenção em Nadeshiko.

– Eu não caio nessa de novo. — Kiseki fingiu não prestar atenção. Mas continuou a olhar para menina com o rabo do olho.

– K-K-Kii... K-Ka... Baka!! – Nadeshiko concluiu a frase, apontando um dedo bem na cara de Kiseki.

Desta vez ninguém segurou o riso, todos gargalhavam abertamente, até mesmo Tadase e Amu não puderam deixar de rir. O único que ainda encarava Nadeshiko era Kiseki, que estava em choque de tão incrédulo.

– P-peraí, como é que é, Nadeshiko? — Ran perguntou, ofegante de tanto rir.

– Repete que eu só posso ter ouvido errado! – Pediu Mikki.

– Baka, baka, baka! Kiseki no baka!

Flashback off:

Novamente, os risos se fizeram presentes. Todos davam altas gargalhadas na mesa, fosse por relembrar, ou só por imaginar a cena.

– Eu não acredito que a Nadeshiko fez isso! Mano, se ela não fosse a sua cara, podia jurar que ela não era tua filha! – Falou Kukai, que era de longe quem mais ria.

– De onde foi que ela herdou essa boca solta? – Questionou Utau, também dando altas gargalhadas.

– Ou melhor, de onde ela tirou essa antipatia com o Kiseki. Porque para chamá-lo de idiota logo de cara, aí tem. – Comentou Nagihiko.

– Eu sei lá, a Nadeshiko sempre foi mais próxima das meninas do que do Kiseki. – Disse Tadase pensativo, só reparando nisso agora.

– Ei, qual é a piada? Eu quero rir também! — Questionou uma voz de repente.

– Mamãe! – Gritou Renesmee, correndo para os braços de Yaya, que acabara de chegar.

– Oi, minha lindinha. Você se comportou bem? – Perguntou a ruiva, dando um abraço simples na filha e vendo-a assentir. Geralmente, ela pegaria Rene no colo e a encheria de beijos, mas não podia fazer isso estando de quatro meses.

Sim, Yaya estava grávida de novo. Levou um mês para descobrirem o que eram aquelas tonturas repentinas e os enjoos matinais, mas quando Kairi finalmente conseguiu levá-la para um médico, eles descobriram que ela já estava grávida de dois meses.

– Então gente, o que acharam do lugar? – Perguntou Yaya, se juntando aos amigos. Ninguém conseguiu entender. – Ué, o Tadase não falou para vocês do hotel fazenda?

– Com o rumo da conversa acabei me esquecendo. – Explicou o loiro, agora se lembrando do que a amiga queria dizer.

– Eu e o Kairi tínhamos alugado um espaço num hotel fazenda antes de eu engravidar, mas agora ele insiste que eu não posso ir por causa do bebê. – Explicou Yaya, revirando os olhos pela última parte. — E como vocês estavam procurando um lugar para fazer a festa de aniversário resolvemos dar o espaço para vocês.

– Aqui, olhem. – Tadase colocou um panfleto em cima da mesa. – Não sei quanto a vocês, mas eu gostei.

O lugar era bem bonito: Uma cabana rústica bem grande e parecia ser muito bem conservada; a grama era verde, cheia de pequenas subidas e decidas; e envolta da cabana tinha várias flores vermelhas e laranjas, o que era bom, pois Nadeshiko tinha um apreço muito forte pela cor vermelha e Mizura adorava laranja.

– Nossa, é lindo. – Falou Amu com os olhos brilhando.

– Eu também gostei. – Disse Nagihiko, olhando de relance para o filho que brincava atrás deles junto com os outros.

– Me parece um bom lugar. — Nadja concordou pensativa.

– Concordo. – Utau declarou.

– Todos de acordo? – Perguntou Tadase.

– Sim! — a decisão foi unanime. Literalmente!

– Eba! – Eles olharam para trás e viram as crianças comemorando também. Aparentemente, tinham gostado da ideia. Ou talvez fosse só pelo pula-macaco que Shaoran e Renesmesmee jogavam