Notas iniciais
Aqui estamos com o segundo capítulo! Obrigada por todo o apoio que vocês me deram! ♥ Boa Leitura!

— MELHORA ESSA CARA, Sasuke! Credo, parece que chupou limão.

Contrariando a Haruno, o rapaz intensificou sua expressão de desgosto, fazendo a mulher ao seu lado arquejar em uma notável decepção. Irritado, não conseguia entender como Sakura esperava que lhe distribuísse sorrisos depois do fiasco que tinha sido seu dia, com Suigetsu fodendo o seminário deles, Sasuke zerando a prova e quase sendo demitido por chegar apenas 30 minutos atrasado. Por esse pequeno detalhe, ele tinha sido excluído da viagem para a Coréia do Sul, onde poderia acompanhar seu chefe para participar da inauguração de uma das empresas de um sócio importantíssimo.

Sua consciência pesava, imaginando como avisaria Itachi daquela tragédia. O mais velho, às vezes, parecia mais animado do que ele com aquela viagem. No seu tempo livre até ficava pesquisando locais que Sasuke poderia gostar, desenhando mapas para caso ele se perdesse e descobrindo informações úteis da cultura local, para que o mais novo não passasse por nenhuma gafe. Itachi também tinha acionado alguns contatos, para que os documentos do irmão fossem todos aprovados e ele não encontrasse nenhum empecilho em viajar. Em algumas noites, fazia questão de pagar cervejas, como um presente por aquela “promoção” e sempre apresentava um genuíno interesse quando Sasuke comentava empolgado sobre a inauguração.

Caramba, Sasuke! — Sakura, que caminhava ao seu lado, parou e o fitou com indignação — Nunca temos tempo para nada e quando isso acontece, você fica com essa cara horrível! — A mão dela estapeou seu ombro e o Uchiha bufou, acostumado com a imaturidade.

— O que posso fazer se a vida é uma merda? — Cuspiu, irado.

Os olhos esverdeados o estudaram criticamente e o rapaz sentiu que ela conseguia ler sua alma. Estava certo, pois não demorou para a Haruno relaxar os ombros e aproximar-se com aquela expressão de quem iria consolá-lo.

— O Itachi vai entender, Sasuke-kun. — Pronunciou, com as mãos pequenas descansando nos ombros do amigo, o confortando como sabia que ela faria — Você não tem culpa de ter uma víbora tão bipolar como chefe.

Ele não respondeu nada e ela afastou-se, respeitando seu momento.

— Já sei! Vamos lá no shopping tomar um sorvete.

Um sorriso nostálgico brincou nos lábios do Uchiha. Quando eram crianças e tinham seus problemas infantis, era assim que agiam: roubavam as moedas achadas nos sofás, calças e casacos dos membros de suas famílias, corriam para o shopping e todos os problemas desapareciam quando provavam aquela bola de morango. Antes que notasse, aquilo se transformara no ritual dos dois e, por isso, permitiu-se acenar, confirmando.

Sakura deu um pulinho de empolgação e agarrou a mão do amigo, o puxando para o shopping favorito deles, que não estava tão longe assim e ficou óbvio para o Uchiha que desde o início aquela era a intenção dela. Soube que deveria ter desconfiado quando, depois de 2 duas horas após ter contado para ela sobre sua desgraça, a amiga tinha o chamado para sair depois da faculdade. Argh, a Haruno era mesmo uma mãezona para ele!

Cruzaram a praça de alimentação e compraram o sorvete que tanto gostavam. Entretanto, Sasuke viu-se em um dilema, pois ainda carregava o boné do desconhecido que encontrara no metrô e não conseguia dar atenção ao alimento quando tinha que segurar aquele chapéu e sua maleta. A amiga sugeriu que parassem em uma das mesas e terminassem o sorvete, mas o moreno rapidamente recusou, ao ver um gigantesco grupo de pessoas saindo da ala dos cinemas e indo na direção da praça.

Ele odiava multidões.

Sem escolhas, Sakura tomou o boné de suas mãos e depositou na cabeça dele.

— Combinou tanto com você! — Ela gargalhou, tirando uma foto e o mostrando.

Embaraçado, Sasuke notou que com aquele acessório transformara-se em um alvo de risadas. Era bizarro como seu terno, feito sob medida, as olheiras e a expressão de quem iria assassinar alguém, não combinavam com o boné vermelho e seu M extremamente amarelo e chamativo. Sakura, no entanto, garantiu que ele estava fofo e o proibiu de tirar o acessório.

Sobrou para ele ficar quieto e acompanhar a amiga para fora do shopping.

— Ei, Sasuke? Estou curiosa com uma coisa.

— O quê?

— Por que você não jogou o boné fora? — Um sorriso sugestivo preencheu sua face e o Uchiha quase cuspiu o sorvete extremamente gelado para aquela noite de outono fora — Não me diga que tem esperança de encontrar o “sem-noção” novamente?

— Sequer lembro quem é esse. — Disparou, sem encará-la nos olhos e enchendo a boca de sorvete, para poupar palavras. Mas isso não funcionou com a jovem ao seu lado.

— Me engana mais, Uchiha. Anda, diz logo o porquê.

— Não faço ideia, está bem? — O rapaz arquejou diante do olhar avaliativo da amiga — Eu só... sei lá, Sakura! Pensei que o Itachi poderia gostar — Sasuke bufou quando a menina continuou a encará-lo intensamente — Porra, odeio o McDonald’s, mas se esse era o boné de serviço daquele desgraçado, ele pode sentir falta e seria desprezível só jogar no lixo. Pode não parecer, mas eu tenho sentimentos.

A Haruno abriu a boca para responder aquilo, provavelmente fazendo algum comentário irônico sobre o amigo ter sentimentos ou não. No entanto, não foi sua voz que saiu, mas sim uma masculina, acompanhada da irritante melodia de Bad Romance, da Lady Gaga.

— CARA DO METRÔ!

Os dois amigos viraram-se para o lado e toparam com um loiro aproximando-se. O Uchiha reconheceu-o na hora, notando que o sem noção não parecia tão animado quanto de manhã, arrastando-se e com uma expressão fatigada. Contudo, a cara de idiota permanecia, assim como o copo de café em suas mãos e o maldito fone defeituoso. Ele vestia a camiseta do McDonald’s embaixo da estúpida e chamativa jaqueta. De repente, seus olhos azulados fitaram o boné vermelho repousando nos fios negros e ele pareceu segurar uma risada.

Ah, é você. — Sasuke escondeu o embaraço com o comentário de desdém, ignorando a Haruno questionando se aquele era o “sem-noção”.

— Você guardou meu boné! Cara, você não faz ideia da bronca que eu levei quando cheguei aqui sem ele. Jurei que iam me chutar para o olho da rua. — E começou a rir. Sasuke não soube dizer se era do próprio comentário ou do quão ridículo o moreno estava.

— Hã... O seu fone... está com defeito. — Sakura intrometeu-se na conversa, amavelmente avisando que o som estava vazando pelo celular. O loiro inflou as bochechas, enchendo-as de ar e liberando com certa revolta. A rosada riu.

— Fala sério, de novo? — O desconhecido-conhecido murmurou para si, arrancando o acessório do aparelho e o guardando na mochila em suas costas, encerrando a batida da música — Eu... desculpem por isso, pensei que tinha consertado essa tarde. Mas parece que não. — O constrangimento estava evidente em seus olhos claros.

— O que seria da vida sem as vergonhas, hein? — Sakura comentou e o loiro encarou-a com gratidão inesperada e Sasuke viu-se considerando que ele esperava levar um sermão — Uma vez me sentei em um lugar que estava sujo de alguma coisa vermelha, mas não percebi. Só notei mesmo quando cheguei em casa, depois de andar a pé por uns 20 minutos. — Ela riu e o sem-noção arregalou os olhos — A propósito, sou a Sakura e este ao meu lado é o Sasuke.

— Naruto. Uzumaki Naruto. — Respondeu, virando-se para o Uchiha, que já tinha terminado seu sorvete e estava entregando o boné para o dono — Valeu! Eles iam descontar do meu salário se eu tivesse perdido esse bebezinho aqui.

— Você trabalha aqui? — Sakura quis saber, curiosa como era.

— Sim, faz um mês mais ou menos. Então não posso dar muita bola fora ou... — Sua cabeça indicou a rua.

Sasuke revirou os olhos enquanto os dois prosseguiam a conversa e surpreendeu-se em como o aroma de comida estava impregnado em Naruto. Mesmo que o Uzumaki estivesse a apenas uns 3 passos longe de si, o moreno conseguia sentir o cheiro de hambúrguer, batata frita e refrigerante que emanava dele. Raciocinando bem, não era nenhuma surpresa, afinal ele trabalhava com comida o dia inteiro...

Espera aí — Ouviu sua voz escapando, assim que concluiu sua linha de pensamentos e arrependeu-se amargamente de não a ter controlado quando os olhos azulados de Naruto o fitaram com curiosidade. Resolveu não falar mais nada, deixando o loiro achar que estava ouvindo coisas.

— Não temos a noite inteira aqui, Uchiha — A voz de Sakura comentou, impaciente e ele odiou o fato da amiga ser tão perspicaz— Espera aí o quê? — Sua mão voltou a estapear seu ombro e ele olhou revoltado ela.

— Foi só algo que eu pensei. Deixa.

Deixa o caralho. Fala logo ou te arrebento a cara!

Bufando, viu que não tinha escolhas e virou-se para o Uzumaki.

— Você trabalhou até agora? — Olhando no celular, constatou que faltavam cinco minutos para dar dez horas da noite.

— Sim. — Naruto respondeu, sem entender aonde ele queria chegar.

— Até agora? — Os olhos verdes de Sakura se arregalaram — Desde sete da manhã?

— Oito horas. — Corrigiu, começando a ficar embaraçado com o questionamento — Mas não foi o tempo inteiro no McDonald’s. Hoje fiz hora extra lá na limpeza do cinema.

Isso explica o motivo dele parecer tão cansado, Sasuke refletiu.

— Por que você não está em casa, dormindo? — O moreno quis rir quando o lado mãe da amiga apareceu, assustando Naruto quando ela avançou para cima dele — Supondo que você vai demorar uma hora para chegar em casa, vai dormir para lá de meia noite... para acordar... sei lá, seis horas da manhã... sabe o quanto isso dá de sono? Não dá oito horas de sono! — Trovejou, como se quisesse espancá-lo — É extremamente prejudicial para sua saúde dormir tão pouco!

Se o Uchiha não tivesse tanto medo da rosada quando incorporava o espírito de mãe, ele comentaria que ela estava sendo hipócrita, afinal eram raras às vezes que a amiga dormia mais que quatro horas por dia. Mas deixando isso de lado, pegou-se assistindo aquela cena com diversão. Naruto não parava de olhar para os lados, procurando um lugar para fugir e, por fim, fitando Sasuke como se implorasse por ajuda.

— É que eu ia comprar comida para o Porquinho-da-Índia do meu tio. — Revelou depois de muita insistência da Haruno, em uma voz falha.

Sakura parou o sermão e o analisou com desconfiança. Estava prestes a começar outro discurso médico e científico sobre a importância do sono, quando Sasuke pousou uma mão no ombro dela e resmungou:

Ele já entendeu.

O loiro mirou-o como se o Uchiha fosse estivesse lhe salvando da morte.

— Aqui, eu tenho uma foto dele — Naruto anunciou após desviar os olhos do rapaz, sacando seu celular e mexendo nele. Sakura e Sasuke aproximaram-se, curiosos, quando ele ergueu o aparelho com uma foto do animalzinho rechonchudo.

— Ele é tão fofo! — A jovem exclamou e sua voz soou divertidamente infantil — Sempre tive vontade de ter um... Pena que não tenho tempo para cuidar.

— Você iria matá-lo — Sasuke resolveu provocar e a Haruno grunhiu um palavrão — Provavelmente iria enfeitá-lo com vários acessórios fofos. Se eu fosse seu animal, iria preferir a morte do que aguentar essa vergonha.

— Desculpa se você tem uma pedra no lugar do coração, Uchiha!

Naruto riu.

— Esse pequeninho aqui sabe dar muito trabalho quando quer. — Garantiu — Mas, num geral, ele faz uma boa companhia e é bem dócil.

— Você vai comprar a comida aqui no shopping? — Sakura perguntou, olhando o próprio celular e o Uzumaki assentiu — Então o Sasuke vai te fazer companhia!

— Eu vou o quê? — Disparou, erguendo uma sobrancelha.

— Claro que vai! Isso é o mínimo que você pode fazer depois de quase ter sido responsável pela demissão do Naruto. — Respondeu, não desgrudando os olhos do aparelho — Naruto, pode me passar seu número? Faço parte de uma página que posta imagens de animais fofinhos e tenho certeza que essa bolinha felpuda seria uma celebridade!

Sasuke percebeu que o loiro se sentiu honrado por aquele comentário da Haruno e reparou que, mesmo que não conhecesse Uzumaki Naruto, o jovem era assustadoramente transparente, pois ali mesmo o Uchiha podia ver seus olhos quase brilhando diante da possibilidade de um simples animalzinho trazer tanta alegria. Ele sorria tanto que Sasuke viu-se meditando se suas bochechas não doíam. Por fim, após trocarem os números, Sakura voltou-se para o amigo e ordenou:

O acompanhe.

— Deixa eu adivinhar: Sasori está aqui perto.

Errou! — Ela debochou — Ino está aqui perto e vamos conversar sobre o próximo seminário, que vai ser daqui dois dias. — Sua voz assumiu uma seriedade e Sasuke viu-se diante da mulher responsável que era a amiga — Desculpa te deixar assim, mas sei que você odeia nossos termos e piadas médicas... E eu preciso mesmo de uma nota boa em Genética. Estou quase recorrendo aos orixás.

— Eu sei. — Suspirou. Se a faculdade de direito quase acabava com sua sanidade, a faculdade de Medicina então roubava toda a vida que Sakura deveria ter — Vai lá.

—Se quiser, converso com o Itachi depois por você.

— Está tudo bem, Sakura. Eu me viro.

— Tem certeza?

Ele assentiu e a amiga o abraçou com força.

— Se cuida, Sasuke. Vou te mandar mensagem depois, ok? — E virando-se para o Uzumaki, sorriu — Foi um prazer, Naruto! Depois vou te cobrar fotos! — O loiro fez uma piada, ela riu e retirou-se, correndo.

Sasuke respirou fundo, percebendo como estava cansado.

— Vou indo também, obrigado por ter cuidado do boné. Hoje de manhã pensei que você iria me esfolar vivo, então tinha apostado meu boné tinha sido destruído por inteiro — Naruto gargalhou, arrumando o acessório na cabeça. O moreno reparou que ele também estava fatigado.

— Vai ir na loja de ração? — O outro assentiu — Vamos então.

— Não precisa disso, cara! Eu posso ir sozinho.

— Calado, dobe.

Sasuke não deu tempo para ele responder, saindo andando na frente em direção ao andar que ficava a loja de ração para animais. Naruto não demorou para acompanhar seus passos e o Uchiha pegou-se pensando em como a cena dos dois andando lado-a-lado deveria ser excêntrica. De um lado ele, todo sério e vestido formalmente e, por outro lado, o idiota de cabelos dourados, com aquele sorriso grudado em sua face, com roupas simples de fast-food.

— Quer café? Ainda está quente. — O Uzumaki ofereceu, gentil e foi recusado — Sei como é, depois do café do Ichiraku não dá vontade de tomar os outros.

Sasuke permaneceu em silêncio e os dois chegaram a loja destinada.

Naruto saiu andando entre as estantes, ignorando vários pacotes chamativos. Sasuke o seguiu, confuso com tantos tipos: pacotes, latas, sacos. Ele não entendia nada ali, mas o Uzumaki parecia ter um longo conhecimento acerca daquele mundo. Viu Naruto abaixando-se, lendo rótulos e resmungando baixinho sobre coisas que o moreno não poderia compreender.

— Muito cálcio. Essa tem milho. Frutas cristalizadas? Droga.

— O que está fazendo?

— Se tiver muito cálcio, vai dar problema. Milho e Frutas cristalizadas podem fazer mal para os dentinhos dele. — Murmurou, com uma expressão pensativa — Porra, cadê a vitamina C? Qual o problema dos fabricantes? — Levantou-se e pareceu revoltado, mas ao olhar para Sasuke sorriu e aproximou-se. O Uchiha, não entendendo nada, sentiu suas bochechas esquentarem e quis recuar quando a mão dele foi em sua direção, mas logo notou que Naruto só estava pegando uma embalagem atrás de si — Essa aqui é perfeita! — Exclamou, lendo o rótulo cheio de coisas que Sasuke não entendia.

— Como consegue entender isso?

— É só fazer associações. Olha: a relação de Cálcio e Fósforo tem que ser de 0,87:1 a 1,09:1. Então se você pensar, tipo, que você está fome e não tem nada (sendo o zero), aí vem um macarrão (que seria o oito), aí você sente o cheiro (que é o sete virado ao contrário e representa o nariz) e depois te dão um hashi! — Explicou sua lógica, empolgado, apontando os números no rótulo da latinha — Com o hashi você come, depois fica sem nada, sua barriga cresce e você chupa o hashi para lembrar o sabor da comida. Então é 1091. Então é só checar se a relação está entre esses dois e ignorar milho e coisas que possam machucar os dentes do porquinho.

Sasuke o fitou em silêncio, descrente com aquela lógica. Não soube dizer se o Uzumaki era um gênio incompreendido, ou um burro de capacidades extraordinariamente medíocres. Se fosse a segunda opção, torcia para que não fosse contagioso. O sem-noção, por outro lado, parecia orgulhoso por ter inventado aquela lógica e aguardava o reconhecimento que achava que merecia.

— É curioso. — O moreno disse, sem certeza nas suas palavras.

Sim! Demorei uma madrugada inteira para decifrar isso! Pena que o Tio Iruka não achou grande coisa e me chamou de maluco. — Seus lábios fizeram um biquinho e o Uzumaki pareceu desapontado.

Em seguida, ele seguiu até a parte dos capins e pegou um pequeno pacotinho.

— Isso aqui tem muita vitamina C. — Explicou — Ou, muita vitamina do calor. De qualquer forma, isso é muito importante e ajuda a equilibrar, para ele não ficar obeso demais.

Caminhando para o caixa, Sasuke teve uma única certeza: Uzumaki Naruto tinha a percepção mais estranha e única do mundo. Não conseguia recordar se alguma vez já tinha topado com alguém como o rapaz em sua frente, que procurava o dinheiro, revirando a mochila tão laranja quanto a jaqueta em seus ombros.

Enquanto o rapaz continuava sua busca pela carteira, o Uchiha percebeu que dois papéis escaparam da mochila. Abaixando-se para pegá-los, percebeu que o primeiro era uma receita de uma torta doce. Já o segundo tratava de uma conta de energia e, analisando-a, notou que era de dois meses atrás e estava vencida. Ao que parecia, Naruto não havia a pagado e foi impossível não levantar teorias, ligando o fato dele trabalhar tanto e dever ao menos duas contas de luz. Sasuke viu-se curioso pela vida pessoal daquele rapaz.

— Aqui, você deixou cair — Observou, estendendo os papéis para ele e fingindo que não sabia de nada. Mas não deixou escapar o modo assustado e constrangido que Naruto o fitou quando reconheceu a conta. De repente, ele parecera mais velho e cheio de problemas que deixaram Sasuke preocupado.

— Valeu. — Seus olhos desviaram-se, voltando para o caixa e pagando tudo.

Os dois saíram em silêncio do estabelecimento. O moreno imaginou que seguiriam assim e só voltariam a se falar na despedida, entretanto Naruto cortou o silêncio antes mesmo de chegarem a saída do shopping, que estava quase fechando naquele horário.

— Desculpe por hoje.

Aquilo pegou o Uchiha de surpresa.

— Não costumo ser tão desastrado assim — Completou, coçando a nuca e sorrindo nervosismo — Mas realmente não ando nos meus melhores dias. Então sinto muito por ter atrapalhado seu dia lá no metrô e por ter esquecido meu boné.

Sasuke esforçou-se para esconder o pequeno sorriso que brotou no canto de seus lábios e viu-se com uma enorme empatia por aquele funcionário de fast-food.

— Você fala demais, Naruto.

Antes que o jovem pudesse fazer ou falar qualquer coisa, o Uchiha arrancou as sacolas da mão dele. Surpreso, o Uzumaki o fitou com curiosidade e espanto.

— Eu levo isso, enquanto você vai comprar duas fatias de torta para gente — Com a cabeça, indicou a padaria aberta ao lado deles — Diz que é a Caramel Pencan Pie¹. — Avisou, lembrando-se que aquela era a sobremesa favorita de Itachi. Talvez o Uzumaki também gostasse.

Jogando suas costas contra a parede da loja, ele entregou uma nota para Naruto e o chutou para dentro da loja. Após ficar sozinho, refletiu o porquê de estar sendo tão generoso com aquele loiro estúpido, convencendo-se que a longa jornada de trabalho do coitado tinha afetado seu coração. Com certeza a influência do altruísmo de Sakura era contagiosa.

— Aqui. — Naruto surgiu, com duas embalagens e duas fatias perfeitas daquela torta. Sasuke não julgou a feição faminta do rapaz, pois até mesmo ele que não era fã de doces viu-se ansioso para comer aquilo.

— A gente come no metrô. — Avisou, começando a andar.

Hein?!

O Uchiha revirou os olhos pela milésima vez com aquela lerdeza e voltou-se para o loiro, que tinha as duas tortas na mão e uma face surpresa com aquela situação.

— Fazemos a porra do mesmo caminho, dobe. Então vamos logo.

Já dentro do metrô quase vazio e acomodados, o Uzumaki entregou as embalagens para Sasuke.

— Pode ficar com uma, é sua.

— Não posso pagar por isso, Sasuke.

— Estou te devolvendo o café de mais cedo, então come em silêncio.

Os olhos claros fitaram os escuros com incerteza.

— O café foi uma miséria comparado a isso. Não é justo.

O Uchiha respirou fundo e abriu a sua torta, com a colher pegou um pequeno pedaço.

— E daí?

É que... — Sasuke não deu espaço para o rapaz terminar sua frase, forçando a colher contra a boca do sem noção, obrigando Naruto a comer a torta.

— Só come isso, pelo amor de deus. — Ordenou, pegando a embalagem fechada e entregando a aberta — E vê se não suja nada.

Mas Naruto, sendo tão teimoso e orgulho quanto Sasuke, o garantiu:

Já que é assim, os próximos cafés do Ichiraku são por minha conta.

Notas finais
Caramel Pencan Pie¹ = Torta de caramelo e noz pecã. Uma torta americana. Link para a receita caso alguém tenha interesse: https://escrevendoabobrinhas.com/2013/01/30/torta-de-caramelo-e-noz-peca/ E link da tortinha: https://escrevendoabobrinhas.files.wordpress.com/2013/01/torta-de-noz-pecan.jpg Essa fanfic vai ter como foco o shipp SasuNaruSasu, no entanto eu não vou destruir a Sakura e causar briguinhas idiotas entre os dois por causa dela. Sasuke e Sakura são amigos de infância e tem uma puta intimidade, então se alguém vier xingar ela, VOU CAIR NA PORRADA AAPKSDPAKDD. Brincadeira, mas não se preocupem com o shipp SasuSaku aqui, pois eles são como irmãos e estão felizes assim ♥ SE e eu repito SE rolar alguma treta entre o trio, vai ser ciúmes da amizade e SÓ. Dito isso, vamos amar o Narutinho tão amorzinho. ♥ Obrigada por tudo e espero vocês nos comentários! Abraços e beijinhos ♥