O Fim de um Começo
1 Capítulo 1 - O Fim de um Começo
Notas iniciais
Essa é a minha primeira fic. Sempre gostei de lê-las e o meu tema preferido sempre foi a abordagem do Pós Guerra e amor de Gina e Harry. No entanto, nunca encontrei uma história que contasse esse aspecto com mais detalhes e do jeito que eu imaginava, então resolvi escrever. Espero que gostem!
Ao descer a escada do escritório que um dia fora de Alvo Dumbledore, Harry Potter pensava em Monstro e no sanduíche que pediria para o elfo levar até o seu dormitório na torre da Grifinória. Ouvia os passos de Rony e Hermione atrás de si e sabia, mesmo sem ver, que os dois estavam de mãos dadas. Sorriu com essa certeza e, naquele momento, não conseguia pensar em palavras que traduzissem a gratidão que sentia por aqueles dois. Se havia aprendido alguma coisa durante seus dezessete aventurados anos de vida é que nunca fazemos nada sozinho.
Os três caminhavam em silêncio pelos corredores destruídos pela recente batalha desviando de pedras e estátuas tombadas. Ainda anestesiados pela adrenalina dos últimos dias, os três amigos não conseguiam sentir naquele momento. Alívio, dor, alegria, exaustão, tristeza e esperança pairavam sobre eles e impediam que qualquer palavra fosse dita. Afinal, parecia surreal que ainda não tinham dormido desde a hora em que saíram do Chalé das Conchas para arrombar o Gringotes e fugir em um dragão.
Os corredores estavam vazios uma vez que todos se concentravam no Salão Principal para realizar os primeiros socorros dos feridos, abraçar os sobreviventes e chorar pelos que partiram. Harry não gostaria realmente de entrar no Salão naquele momento, pois sabia que atrairia muitos olhares e tudo o que queria naquele momento era de um pouco de paz e silêncio. No entanto, precisava estar ao lado daqueles que sempre estiveram ao lado dele, sem esperar nada em troca. Ao chegar na porta do Salão, reconheceu um grupo de cabelos ruivos que se abraçavam em silêncio. Rony e Hermione seguiram em direção a eles, porém Harry hesitou e olhou em volta por um momento. Viu o professor Slughorn ajudando o Sr. Filch a curar seu ferimento, viu Justino conversar animadamente com Luna e um Neville de olho roxo, a Professora McGonagall ajudando um grupo de alunos e por fim, seus olhos encontraram Hagrid, sentado a canto com Canino ao lado da janela quebrada na qual Grope ainda brincava. Ver o guarda caça lhe trouxe a memória de seu aniversário de onze anos, quando descobriu que era um bruxo e viu seu primo Duda ganhar um rabo de porco. A lembrança o fez sorrir e, ao fazer isso, percebeu que estava vivo e pela primeira vez em sua vida se viu pensando em um futuro sem Voldemort, sem cicatriz doendo e sem perdas. Esse pensamento o fez olhar para um emaranhado de cabelos cor de fogo cuja dona o estava observando desde que entrara no salão.
Harry olhou para os olhos de chocolate de Gina Weasley, a garota que, mesmo sem saber, lhe dera forças nos últimos meses e cuja a lembrança do seu beijo invadiu sua mente no momento em que a morte parecia a única certeza. O olhar da menina era intenso e fez Harry se aproximar. Queria abraça-la, perguntar se estava bem e sentir seu perfume floral mais uma vez, porém nesse minuto a Sra. Weasley notou sua presença e abriu os braços para o menino, com o rosto vidrado pelas lágrimas. Ela abraçou Harry e o menino sentiu naquele abraço o amor de uma mãe e, sem saber como aconteceu, sentiu lágrimas saírem de seus olhos enquanto a mulher afagava seu cabelo.
— Graças a Deus você está vivo Harry – Ouviu a Sra. Weasley sussurrar
Sentiu a mão do Sr. Weasley no seu ombro e ao se virar, viu que o patriarca Weasley já não chorava.
— Harry, conte com nossa família. Queremos que saiba que lhe temos como nosso filho. E o mesmo vale para você Hermione – Disse o homem se virando para a menina que estava a um canto.
Ambos sorriram com aquilo e Harry mais uma vez não conseguiu encontrar palavras que mostrassem seu amor e gratidão por aquela família. Achou que o Sr. e a Sra. Weasley perceberam isso, pois sorriram para o menino, antes de voltarem seus olhos para os funcionários do ministério que haviam chegado e estavam transportando os corpos das vítimas para um salão em anexo.
O corpo de Fred Weasley já havia sido levado, juntamente com Tonks e Lupin e tantos outros. Foi decidido que haveria um funeral em Hogwarts dali a dois dias para prestar uma homenagem a todos que perderam a vida naquela batalha, lutando por um mundo melhor e livre de Voldermort. Era tempo suficiente para conseguirem melhorar o estado em que o castelo se encontrava, principalmente as áreas comuns que haviam sido mais atingidas pela batalha e para que todos conseguissem tomar as medidas necessárias, além das pessoas de fora que deveriam vir para os funerais. Gui, que abraçava Fleur, foi o primeiro a cortar o silêncio e dizer:
— Acho que deveríamos descansar um pouco, por enquanto não há mais nada a ser feito – Todos concordaram silenciosamente, menos Jorge que ainda não esboçara nenhuma reação, e, se virando para Harry Rony e Hermione ele continuou – Acho que deviam subir discretamente e encontrar um lugar para dormir. Imagino que sejam os mais cansados e a partir de agora, por onde forem, vão atrair muita atenção. Todos vão querer saber o que aconteceu, então imagino que queiram se preservar.
Os três concordaram. Harry olhou mais uma vez para Gina e soube que aquele não era o momento e nem o lugar para conversarem e, pelo o olhar da menina, ele sabia que ela pensava o mesmo. Após Rony trocar mais um abraço com os pais, eles se retiraram e, já no corredor, colocaram a capa da invisibilidade e rumaram para a Torre da Grifinória. Porém, no meio do caminho Hermione suspirou.
— Acho que deveríamos passar na ala hospitalar – Disse com a voz fininha e completou quando os meninos se viraram para ela sem entender – Precisamos de um descanso de verdade e, não sei vocês, mas acho que não vou conseguir dormir sem ter pesadelos hoje. Acho que Madame Pomfrey pode nos dar uma poção para dormirmos sem sonhar pelo menos dessa vez.
Rony olhou para a namorada com uma admiração que ele já não fazia mais a mínima questão de esconder.
— Você é brilhante – Disse antes de dar um beijo em sua testa, o que fez a garota ficar vermelha e Harry dar uma risadinha com a cena.
— Não vão começar a se agarrar mais uma vez na minha frente, esperem eu sair por favor – Falou em tom de brincadeira, ganhando um tapa de uma Hermione ainda mais envergonhada.
O trio de ouro chegou a ala hospitalar e, após tomarem a poção, rumaram para a Sala Comunal da Grifinória que graças a Merlin, pensou Harry, estava vazia.
— Será que posso dormir com vocês? Não quero dormir sozinha hoje – Disse Hermione baixinho.
Rony prontamente a abraçou e Harry, tirando a capa da invisibilidade dos três olhou para os dois amigos e não pôde deixar de sorrir.
— Obrigada por tudo – O Menino que Sobreviveu falou olhando para os dois e viu Rony sorrir e uma lágrima cair pelo rosto da amiga.
— Estamos com você cara, simples assim – Rony disse antes de abraçar o amigo.
Hermione ficou olhando a cena por um tempo e depois os abraçou também. Permaneceram assim por um tempo, sabendo que não precisavam falar mais nada. Haviam passado por muita coisa até ali e o simples fato de estarem vivos e juntos, era a maior glória que poderiam ter.
No entanto, ouviu-se um estalo forte e ambos se assustaram e pularam, já com as varinhas em mãos, pensando em Comensais da Morte, Voldermort voltando, dementadores e gigantes. Quando olharam para perto da lareira, de onde o barulho parecia vir, se deparam com Monstro que carregava diversos sanduíches e suco de abóbora.
— Achei que meu senhor e seus amigos precisariam de uma refeição – Disse o elfo fazendo uma reverência, o medalhão de Régulo Black balançando no peito.
Os três não tinham como deixar de sorrir vendo aquilo Rony controlou o impulso de pular em cima da comida apenas em tempo de agradecer o elfo pela gentileza. Logo depois, Rony e Hermione começaram a comer, porém Harry continuou olhando Monstro.
— Eu te vi lutando Monstro, tenho orgulho de você.
— Meu senhor, eu tinha de defender Harry Potter e seus amigos
— Disse o elfo com lágrimas nos olhos – Nunca esquecerei o que fizeram por Monstro – disse segurando o medalhão. Os três sorriram e agradeceram mais uma vez antes do elfo partir.
Harry finalmente comeu e, quando os três acharam que não aguentariam mais nem um sanduíche, subiram lentamente para o dormitório e, trocando mais um olhar que misturava alívio, amizade e esperança, deitaram cada um em suas camas.
Naquele momento Harry Potter pensou em Dobby, Fred, Tonks, Lupin, Sirius, Olho Tonto, Snape, Dumbledore e em tantos outros que haviam morrido para que hoje fosse possível dormir sem medo do amanhã. Agradeceu a todos em pensamento e, por último, pensou em seus pais. Hoje ele entendia o seu passado e sabia o quanto havia era amado por eles.
— Mãe e Pai, obrigada. Eu amo vocês – sussurrou baixinho e teve a certeza que ambos estavam escutando, onde quer que estivessem.
Harry Potter virou para o lado e fechou os olhos, sentindo pela primeira vez em muitos anos, a sensação de dormir sem se preocupar se morreria no dia seguinte. E antes de pegar no sono, sentiu inexplicavelmente o perfume floral que ele tanto amava e torceu para que a poção de Madame Promfrey não o impedisse de sonhar com uma certa ruivinha.
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