O Fim De Thalássies
1 A Espada
Era uma noite fria, todos ao meu redor tremiam de frio, mas eu não conseguia para de tremer de nervosismo, minha espada estava gelada ao ponto de doer quando
encostava em minha coxa, os dedos não se mexiam, a blusa que nos identificava como meio-sangue, agora era tampada por enormes flocos de neve. A nossa frente víamos
a entrada do acampamento, e, lá em cima, aquele brilho que sobreviveu a muitos anos, " o velocino ". O acampamento era o nosso destino esta noite .
Eu, como líder, dei o comando .
– Como no combinado , vocês três , filhos de Poseidon e meus queridos amigos,irão na frente- Paro para respirar, que é uma coisa muito difícil no momento, e continuo -
quando a barra estiver limpa avise-nos, estaremos atrás de vocês.
– Adriano , que os deuses estejam com você — Disse Thamyris , uma novata do Acampamento. Foi ela que pegou Quíron no Flagra, em meio a uma conversa com gaia, ele dava
todos os dados de missão , estratégias , semideuses — Isso é por ele ter me insultado esse tempo todo.
– Obrigado Thamyris, vocês precisarão de sorte. Tomem cuidado com a guarda. Pelos meus cálculos, hoje é dia dos queridos irmãos do Pedro na guarda — suspiro- espero
que não tenha piedade deles, quem entrar no caminho, mate.
– Estou contando com vocês- olho no relógio e indico que sim, que já poderiam partir- Guilherme, Matheus e Thamyris,Vão .
Eles saem numa sincronização tão forte que vejo tudo dando certo .
Ao entrarem no acampamento, os três diminuem o ritmo dos passos, como se fosses profissionais. Thamyris, com duas pequenas facas feitas de bronze simples, ia tão bem, entretanto Matheus e Guilherme estavam tensos, eu percebia a tensão em suas ações. Logo em frente a eles estavam dois filho de Apolo na guarda, e em questão de segundos eles estavam desmaiados .
Todos sabíamos que a qualquer momento todos saberiam da nossa querida visita ao acampamento , afinal estavamos prontos para ataques mais pesados, mas o acampamento estava quase vazio. Lá de longe vejo um sinal.
– Vamos , preparem as armas.
– O.K. — Pedro respirou fundo e me seguiu.
Matheus supervisionava o dragão que protegia o velocino, Guilherme com sua Thalássies, matava cada pessoa que aparecia em seu caminho e de repente acaba sendo
atingido por uma flecha, onde machuca seu braço esquerdo. Matheus tenta ajuda-lo deixando a luta só pra Thamyris.
A luta ia crescendo mais e mais, agora, Pedro e Daniel tinham entrado na briga. Pedro, Filho de Apolo, tentava manter distância de semi-deuses, que vinham em nossa direção, com suas flechas. O número de semi-deuses era muito pequeno, e eles estavam meio lerdos como se estivessem com sono, morgados ou cansados. Em poucos minutos, conseguimos tomar controle total de todos que haviam aparecido.
Me pego parado e lembrando de como tudo começou...
x x x
Já era tarde da noite quando sinto alguém tentando me acordar.
– Adriano! Adriano acorda! -tento abrir os olhos e vejo Daniel, filho de Poseidon, conselheiro do chalé III, chamando-me .
– Oi! Eu estava dormindo — respondo.
–Guilherme está descompensado e promete não deixar barato — ele fala balançando a cabeça o que me faz sentir que a coisa não está boa-, estamos esperando você na
clareira aqui perto .
– dê-me dez minutos e estarei lá .- levanto e visto um casaco de lã. Espio pra ver se não tem ninguém prestando atenção e saio em direção a clareira.
Depois de um tempo, chego a clareira e avisto: Thamyris com um envelope que tremia em suas mãos, Guilherme em pé, Matheus e Daniel conversavam enquanto pedro
mostrava seu arco novo, eles estavam tensos e não conseguiam manter-se sentados.
– Olá pessoal- digo ao chegar perto.
– Posso começar falando ?- Thamyris pede permissão aos outros, que acabam concordando, e continua- Estive investigando Quíron, e ele ta sendo controlado por gaia.
Trouxe fotos mostrando cenas onde isso acontece — Ela abre o envelope e todos se aproximam-se , era fotos de sacrifícios de sangue, em que Quíron se cortava e mantinha-se sangrando, e depois despejava seu sangue em um frasco.- ele ta sendo dominado por fraqueza, afinal ele ta cansado, ele ta velho.
– Ta querendo dizer que além dele sabotar missões, dizendo aonde nos encontrar, ele ta se entregando a Gaia? — Pergunta matheus com uma ponta de dúvida.
– Ele como o único conselheiro do acampamento presente gaia acha ele uma presa fácil, já que acham que o ataque principal é na Grécia onde os setes se encontram nesse
momento- Diz Pedro mexendo no cabelo tentando ignorar a tensão do momento.
– Minha mãe, Clara — Guilherme diz com um ar de desapontado — Foi uma das pessoas sacrifícadas para alimentar Gaia.- Ele olha em volta e para os olhos na Thamyris, e ela o olha e abaixa a cabeça, ele olha para o Pedro que responde-o com um movimento de cabeça negativamente. (Tinha alguma coisa que eu não sabia)
– Lamentamos muito, amigo — digo — sei que está com raiva , mas não podemos fazer isso sem pensarmos direito. Eu como amigo de todos presente, não deixarei irem sozinhos nessa. — tento manter os olhos fixos no chão e tentando imaginar o que eu não sei, e que eles sabem.
Era uma noite fria , todos mantinham-se calados por um tempo, Thamyris própria se abraçava em um canto , Matheus e Daniel sentados perto de nós, e o Pedro continuava a mexer no seu arco.
– Eu fui expulso do acampamento por um tempo por ter saqueado o Chalé 10 , mas eu irei. — Digo , tentando passar positividade a todos.
– Eu topo, cortaremos o mal pela Raiz — Diz Pedro, que agora levantou-se e largou a aljada no chão para prestar atenção na conversa.
– Se todos souberem disso, tentaram impedirmo-nos.Iremos só nós , Quatro Filhos de Poseidon , um de Hermes , e um de Apolo, acho que vai dar tudo certo — Thamyris comenta , tentando quebrar o gelo.
– Afinal, cadê os outros dois ? — Pergunto.
– Eles não puderam vir — responde Daniel — Eu ... eu ... esquece, vou indo ...
X X X
Acabo sendo obrigado a voltar para realidade, quando sou cercado por ninfas do bosque. Retiro minha espada, tão gelada que não conseguia nem tocar no punhal.
Corro e tento me defender de várias outras que apareceram, tento não machuca-las , mas acaba sendo uma coisa impossível, me pego olhando pros outros, vejo Thamyris controlando um pequeno jato de água, Pedro , Matheus e Daniel tentava manter longe os outros campistas que surgiam. Guilherme, de cabeça erguida e me seguia mais rápido
possível.
– Matheus cuidou do meu braço, mas ainda sinto dor- diz ele chegando mais perto pra me ajudar com as ninfas.
– Chegou a hora , espero que consigam.
Do outro lado da luta, Pedro ia se afastando. Ele tentava se manter escondido, afinal a intenção era chamar a atenção para arena.A neve agora fica densa, e acabo perdendo os outros de vista. Thamyris grita ali de perto, eu me sinto tenso, como se tivesse acontecido algo. Tento voltar, mas Guilherme segura me braço e diz:
– Salve ela — ele enrusbece , talvez seja por causa do frio , ou ele gostava dela — cuidarei das ninfas.
– O.K, acredito em você — digo e corro.
Tento usar meus sapatos alado, mas eles não funcionam, não consigo consigo enxergar um palmo a minha frente.
– Estou aqui , Adriano!- Thamyris insisti.
– Thamyris ? — encontro-a encostada atrás de uma árvore.
– Me ajude logo, me atingiram com aquela espada — olho pra onde ela está apontando e reconheço-a... Era a espada do Daniel (mas porque?) — ele levou com si um livro, não consegui identifica-lo.
– Você vai ficar bem ? — Levantando-a — Como pode estar nevando dentro do camp ? — pergunto olhando pra cima.
– Não sei — tento encara-la , mas ela rejeita a olhar pra mim (O mesmo presentimento que tive na clareira)
– Sua ferida é enorme, tenho que chamar o Matheus.
– Adriano ? — surge uma terceira voz, mas não consigo enxergar quem é — Adriano ? — a voz ficava mais perto.
– Vem Thamyris — susurro — vão acabar nos encontrando.
Arrasto-a até uma árvore próxima, galhos se quebram próximo de nós, fico tenso e percebo que Thamyris olha pra mim. Será que é o fim ? Daniel desistiu da missão, Thamyris ferida, e os outros nem sei se ainda vive.
– Thamyris, espere-me aqui , irei buscar ajuda — abraço-a e digo — vai dar tudo certo — Ao me preparar pra ir , trombo com uma pessoa , e acabo caindo. Sinto aquela lamina encostando em meu peito.
– Adriano ? — o sujeito pergunta
– Matheus ! — Suspiro aliviado — vai , me ajude a levantar.
– Cadê os outros ?
– Não sei , irei atrás do Guilherme , ele pode fazer merda . Cuide dos ferimentos da Thamyris- aponto para ela, ele movimenta a cabeça em positividade — vou dar inicio
ao plano B.
A arena estava lotada de campistas, e agora Guilherme ajudava o Pedro. A Thalássies era tão linda, ela era abrangida tão rápida que era impossível se concentrar nela.Ele atacava e se recolhia para se defender, já o Pedro atirava suas flechas sincronizadas, como se soubesse onde todos estariam, mas sua aljada estava quase vazia, na verdade só faltava uma flecha. Aproximo-me deles e entro no combate, minha espada não chegava aos pés da Thalássies, mas ela tinha um peso considerável para uma luta.
– Pedro ! Chegou a hora do Plano B — Grito para ele. Ele logo entende e prepara sua ultima flecha, apontando-a para cima, ele atira, e ao chegar uma distância considerável, ela explode.
X X X
O coração acelera, a mão gela, é a nossa vez, pensou Lorena.
– Uhul, vamos lá — grita pepis, um dos filhos de Poseidon.
Lorena usava uma lança, que se destacava por ser enorme, já o Pepis, ele tinha uma atiradeira de flechas feita por um filho de Hefesto. Eles tentavam manter o otimismo longe, mas era quase impossível.
Ao entrarem na arena, foram recebidos por fogo grego, que era tacado por filhos de Hefesto. Ao se aproximarem de nós, Pepis deu uma nova aljada para Pedro, que
continua atirando sucessivamente. A luta mais uma vez favorecia a nós.
X X X
– Thamyris ? Thamyris ? Ta me ouvindo — Matheus estava ajoelhado perto dela, ele acomodava a cabeça dela em suas mãos, mas ela estava desmaiada.
Por um longo prazo, ele tenta acordá-la, mas desiste ao sentir uma presença, ele levanta os olhos até aquela sombra enorme preta, e reconhece, era a Sra. O'leary rosnando para ele.
– Ah Zeus, o que fiz para merecer isso- ele levanta de pressa e confere seu estoque de água, ainda tinha um pouco de água. Ele joga a água para cima , e faz ela se transformar em uma espada.
Sra O'Leary rosnava e o rodeava , seus dentes fora da boca o assustava. Ela veio com tudo na direção dele, ao cair em cima dele , Sra O'Leary tenta morde-lo e para tira-la de cima, ele enfia sua espada em sua garganta, ela rosna de dor, e se desfaz em cinzas. Ele tenta levantar, mas acaba ficando no chão por um tempo.
X X X
– Ufá! A barra ta limpa — diz Pepis se jogando no chão de tão exausto que estava.
– Vamos, tenho mais uma coisa a fazer — sussurra Guilherme, ele trincava os dentes, e olhava da Thamyris para o Pedro.
– É isso mesmo que quer ? — pergunto , mas vejo que fui muito durão com ele . Olho em volta, e Pedro olha direto para mim. — eu irei te apoiar , mas ...- sou interrompido pelo Guilherme, que corre em direção a Thamyris e Matheus.
– Thamyris, sabia que você ia voltar — ele abraça ela, e ela responde o abraço — Ah , Adriano , respondendo a sua pergunta ... irei matá-lo .
Depois de um pouco de caminha em direção a Casa Grande, chegamos a frente dela. Guilherme não parava de caminhar até as escadarias na casa, ele tava com a "Thalássies" em punho.
– Antes de terminamos com isso , eu queria ... — Não consigo terminar minha frase , sou interrompido por um lampejo de luz que cai em nossa frente.
X X X
Me pego novamente na clareira, dessa vez só estava Guilherme, Thamyris e Lorena. Eles conversavam , mas eu não me lembrava de ter vivido aquele momento.
– Ei , vou dormir , amanhã tenho um alojamento para limpar — Lorena diz , deixando os dois sozinhos.
– Eu ... Eu estou fazendo isso por você . Não queria envolver todos nisso, e você sabe que quíron não está possuído — ela diz verificando se não tem ninguém por perto.
– Eu também não , mas não iria conseguir botar na cabeça de todos que estou amaldiçoado, se não der certo isso , irei morrer como minha mãe e meus avós — abaixando a cabeça, como se fosse chorar. — Hipnos vai manter todos lerdos , e ninguém vai lembrar de nada , esse é o acordo dele comigo. Espero que outros deuses não se envolvam.
– Espero que dê tudo certo — ela o abraça.
X X X
– Pai ? — Gritam.
– Filhos ... Guilherme, meu filho , aproxime-se — ele gritava.
– Não Guilherme ! — Grito ao ver um faca na mão de Poseidon.
Agora Poseidon abraçava-o . Poseidon iria impedi-lo de matar Quíron. Poseidon usava roubas normais, ele era vermelho demais , como se tivesse pegado sol o dia todo , ou ele estive com muita raiva.
Em coisas de segundo , outra desparo de luz . Era Zeus , ele o segurava por trás , e seu raio ficava na área da garganta de Poseidon.
– Poseidon , não faça isso — pede Zeus — deixe seu filho se livrar dessa maldição , ele está sobre encanto de Hipnos. — Quíron não aguenta mais essa vida de Conselheiro do Acampamento.
– Zeus , não acredito que você vai deixa-lo fazer isso
– Vejo que é um grupo muito esforçado . Eles não nos escuta , apenas parei o tempo . — Zeus falando, soltando um riso preso.
Era mais um daqueles lampejos, mas agora Zeus e Poseidon tinham sumidos .
– O que aconteceu ? — Pergunta Lorena, ela agora ela tinha uma adaga em mãos.
– Está vindo mais campistas , Lorena e Matheus , me ajudem . Os outros sigam em frente. — diz Pepis
Fizemos o que Pepis disse , entramos na casa grande , onde , Quíron se encontrava dormindo na sua cadeira de rodas, virado para clareira que estava acesa. Guilherme, e Thamyris foram até ele , enquanto eu olhava uns livros na prateleira, e Pedro ficou perto da porta.
– Guilherme , eu sei de toda a verdade — quanto mais eu soltava as palavras o clima ficava mais tenso , agora a Thamyris estava espantada. Ele continuava de costas para mim , e continuava andando — Pare onde está , não deixarei você fazer isso — retiro minha espada do estojo , mas já era tarde , Pedro meu acertou com uma flecha na região do peito.
– Pedro ! O que você fez ? — Thamyris se ajoelhou e começou a chorar , nenhuma palavra mais saia da boca dela.
– Thamyris , levante-se , Pedro fez o certo , ele ia me impedir — A espada de Guilherme já estava em cima de sua cabeça , pronta para mais uma morte na história .- é o fim de Quíron ! — ele grita e enfia sua espada nele.
Mesmo morrendo de dor e caído no chão, eu ainda conseguia observar o que acontecia , mas as palavras não saiam da minha boca . Quíron estava estendido no chão, agora a Thalássies tinha uma parte nas mãos de Guilherme , e a outra no peito de Quíron.
– Vamos pessoal , eles estão nos esperando — Diz Pedro.
Eu olhava para ele , essa poderia ser minha ultima cena . Guilherme pega a mão da Thamyris e vai em direção a porta. Ao abrir a porta , eles encontram os outros.
– Ué , cadê o Adriano ? — pergunta Lorena , ao ver eles descendo a escada da Casa Grande.
– Ele ficará bem ! — responde Guilherme sorrindo, Thamyris da uma ultima olhada para mim , e fecha a porta.
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