O Fim - A última Esperança.

4 Homem, monstros e Homem monstro.


Notas iniciais
Pouco a declarar, espero que gostem. Paz. :)

—STEVE! SAIA LOGO DAÍ!- Eu ouço o grito de Hatsa, mas o ignoro por completo.

O enderman que deve estar a mais ou menos 300 metros de mim se põe de pé, e desce da árvore em que estava, mas fica parado, imagino que deve ter estranhado.

Olho para a vila uma última vez, as pessoas da vila estão todas saindo de suas casas, mas todas ficam bastante juntas, olhando entre mim e a sua volta à procura de algum monstro. Eu não posso deixar isso passar, se realmente esses monstros fizeram o que me foi dito, vou acabar com todos eles, começando por esse.

—Me desculpe Hatsa, mas eu tenho que fazer isso…- digo, virando o olhar determinado para o meu inimigo.

—Você não pode, está machucado, e eles sempre foram mais fortes que os humanos, inclusive de mãos vazias.- Ele retruca, quase implorando.

—Não me importo, vocês não tem uma espada não é?- Nem tinha me lembrado de meus ferimentos. -Já estou muito melhor para lutar agora, não parece ter nenhuma novidade no caminho.- Termino e então começo a andar, acelerando vagarosamente.

—Não Steve!- Hatsa faz seu último pedido, mas eu estou decidido e começo a correr, cada vez mais rápido, tentando ignorar a dor em minhas pernas e no braço.

Vou correndo colina abaixo até que a sombra da noite já tomou conta de tudo, e os monstros logo notam a minha presença, o enderman continua parado. Estou com muita velocidade, e estou chegando numa área recheada de monstros. Fico ainda mais sem paciência, sei que vou ter que enfrentar muitos deles.

—VENHAM QUANTOS QUISEREM SEUS DESGRAÇADOS, AGORA SEI COMO ACABAR COM VOCÊS!- Dou um grito que faz com que eles sejam atraídos, então eles vem até mim.

O primeiro que aparece em minha frente é um zumbi mais ou menos do meu tamanho pulando em minha direção, minha reação é dar um soco direto de direita em seu rosto, a pancada faz ele cair no chão enquanto a inércia leva seu corpo. Continuo correndo até que outros dois chegam, um pela esquerda e outro pela frente na diagonal, pego a mão do da esquerda que vinha em minha direção e uso o impulso para arremessá-lo no outro que estava chegando. Sinto a dor em meu braço, mas não paro. De repente, ouço o som de várias patas atrás de mim, uma aranha gigante à alguns metros lança sua teia em mim, mas eu consigo jogar meu tronco para trás e esquivar, ela vem rapidamente até mim, e eu a chuto para o chão, ela cai e pula de novo, em mim, eu soco ela para o ar, e mesmo ali em cima ela atira uma teia em meu ombro para se puxar.

—Morra!- Eu agarro a teia e a puxo mais rápido do que ela esperava, lançando-a ao chão.

Uma flecha passa zunindo por mim quando penso em voltar a correr, olho para o lado, lá estão dois esqueletos, um deles tira mais uma flecha da aljava e começa a mirar em mim. Ele atira, mas eu pulo para o lado para esquivar, e acabo indo aos pés de um daqueles monstros verdes que explodem, ele me olha com um olhar mortífero, dando um grito estridente. De repente ele começa a inchar.

—Ah não, de novo não!- Digo rangendo os dentes, e em seguida me levanto agarrando o monstro, viro para os esqueletos, estão mirando de novo, mas dessa vez eu me volto para eles, correndo rapidamente, e uso o monstro verde de escudo contra suas flechas, ele acaba recebendo três delas enquanto incha, e quando chego próximo, arremesso o corpo do monstro contra os esqueletos. -TOMEM ISSO!- Então ele explode, acabando com os cadáveres.

Não perco muito tempo, olho para o meu verdadeiro alvo, ali está ele, no mesmo lugar, posso ver sua expressão. Surpresa.

Continuo correndo, agora já passei alguns obstáculos. Três zumbis param em minha frente, pulo por cima da cabeça do que está no meio, fazendo o cair e prosseguindo, mais duas aranhas chegam por meus dois lados, correndo junto comigo, elas atiram suas teias em mim sincronizadas, mas eu pego as duas teias e puxo os monstros, fazendo os baterem como se fossem pratos de banda. Um daqueles verdes chega próximo, mas ainda seguro as aranhas pelas teias, e uso os dois corpos juntos para acertá-lo e arremessá-lo longe, mais zumbis aparecem, me obrigando a parar, cerca de doze deles. Giro as aranhas com meu corpo para acertar dois, em seguida martelo outro que vinha por minhas costas com uma delas, finalmente jogo as duas longe junto com dois zumbis que foram acertados. Dou uma “tranquinha” em ou zumbi que cai enquanto soco a cara de outro que vinha pela direita, pego outro com força pelo queixo para defender-me de uma flecha que vinha certeira em mim. Jogo o mesmo para trás, derrubando mais dois. Saio correndo, o esqueleto mira em mim de novo, mas erra duas vezes, até que estou longe demais dele.

Logo depois, à minha frente, um monstro explosivo, um, dois, três socos em sua cabeça, e em seguida o jogo para longe com esforço, e ele explode. Um zumbi à minha frente aparece com um soco reto que eu me esquivo, contra ataco com um soco em seu rosto, diferente dos outros que cairiam, ele apenas vai para trás, parece ser mais forte. Mesmo assim, salto até ele, dando um soco no estômago e levantando-o brevemente no ar, em seguida, pulo dando um gancho no seu queixo que o levanta junto comigo. Ele está acabado, e eu sinto o cansaço chegando.

Finalmente em cerca de oito minutos parece que tem uma área sem monstros à minha volta, acabo parando para respirar, e vejo, a menos de cinquenta metros de mim, o enderman. Ele finalmente começou a andar, mas devagar, não sei de onde tirei tanta habilidade na luta ou força, mas espero que continue funcionando com ele. Então ele faz algo que eu não esperava: teleporta-se para uns 10 metros de mim. O silêncio paira no ar por alguns segundos, cerro meus punhos pronto para entrar em combate de novo, mas antes que eu parta para cima dele, ele solta uma fala.

—Humano?- Ele fala com uma voz que mais parece um tecido rasgando.- Impossível! Humanos deveriam estar no vazio ou de encontro com a morte. O que você é? Um zumbi renascido?- Ele me fala intrigado.

—SOU STEVE, UM HUMANO!- grito para ele, pisando forte um passo para frente. Ele se surpreende de começo, mas em um segundo sua expressão se torna agressiva.

—Impossível, acabamos com todos vocês e tudo o que havia seu neste mundo!- Ele fala, estranhamente sua expressão intrigada não combina com a postura ereta que ele assume.

—Então é tudo verdade… Vocês esqueceram de um, seus desgraçados, vão se arrepender!- Falo, finalmente partindo para cima dele.

Pulo em sua direção com tudo, vou dar um soco certeiro em seu rosto. Ele não se move até o último milésimo, até que então pega no meu pulso, exatamente onde o ferimento estava, apertando com muita força, não consigo conter o grito, fico pendurado cara a cara com ele, tentando manter minha expressão firme.

—Se esse é o caso, não tenho problema em acabar com apenas mais um atrasado.- ele fala friamente, e em seguida me atira para longe, me lançando na horizontal por vários metros.

Eu uso toda a força das minhas mãos para segurar a terra abaixo e cair com as duas pernas rapidamente, mas quando olho para o enderman ele não está mais ali. De repente sinto minhas costas serem acertadas por uma mão enorme, sou amassado contra o chão. Depois de um grito de dor, rolo para o lado para não ser acertado por uma pisada do enderman, me levantando rapidamente. Ele é muito forte, mais do que eu esperava.

Ele vira para mim, e então dá um soco no ar, não vai me acertar, mas ele se teleporta bem para a minha frente, acertando minha cabeça em cheio com um cruzado que me faz rolar vários metros para o lado.

Ainda enquanto estou rolando ele se teleporta para trás de mim, me pegando e jogando a uma altura acima de sua cabeça, ele desfere um soco em minha barriga que eu bloqueio com meus dois braços juntos, mesmo assim, sou lançado mais metros para cima, arregalo os olhos em espanto quando ele se teleporta colado em baixo de mim, me dando mais dois socos, um no rosto e outro no estômago, me lançando para o alto ainda mais.

Mal posso acompanhar ele dar mais dois giros contra o ar; percebendo o que ele vai fazer, eu me viro para cima já defendendo com os dois braços no momento exato que ele aparece e me chuta para baixo. A queda é inevitável, e eu caio causando um pequeno buraco no chão.

É incrível eu ainda estar vivo, mas não sinto mais nada, apenas uma subconsciência, alguns reflexos. Só posso ver poeira e o céu acima de mim. Inesperadamente, o enderman aparece à minha frente, me pegando pela blusa rasgada, e me levantando na altura de seu rosto com uma das mãos. Um último suspiro do meu corpo tenta segurar o braço dele, inutilmente.

—É inútil.- Ele fala sério e frio, mas um esboço de sorriso se forma em seu rosto. — Seja o que for que você tenha feito, foi um último esforço inútil humano, é uma pena para você viver tanto tempo por nada.- Suas palavras perfuram meu coração. Eu sou o último meio de vingança de meu mundo, e desperdicei minha vida assim. Não pode acabar assim. — Uma última palavra?- ele me provoca.

Uso as últimas forças que meu corpo possui para formar a expressão que eu sinto exatamente agora, raiva, e finalmente, aponto o indicador no seu rosto, cutucando com força na sua testa. Sua expressão muda para raiva.

—Ora, se é assim então.- Então um brilho roxo se forma em seu outro braço, e ele abre sua enorme boca incrivelmente, a uma largura maior que a minha cabeça, dela também começa a surgir um brilho de partículas roxas. Minha percepção me mostra que meu nariz está tomando essa mesma cor, e aos poucos, sinto que estou começando a ser puxado para a luz. Acho que já entendi o que vai acontecer. Fecho os olhos em protesto, é a única coisa que posso fazer.

—STEVE!-

Uma incrivelmente grande mão feita de ferro acerta o rosto do enderman com tanta força que ele voa cerca de 50 metros de distância, interrompendo o que ele estava fazendo comigo, e me deixando cair ao chão. Fico alguns segundos ali até que dois braços me pegam e me escoram.

—Garoto, você está vivo?- Hatsa diz aflito, e agora percebo que toda a vila está a minha volta.

—S-Sim- A palavra sai em meio a tossidas, e é a última coisa que consigo falar. Os aldeões estão falando alguma coisa que não consigo entender, e então minha atenção é roubada para o gigante de ferro que me salvou.

A alguns metros na nossa frente ele caminha rapidamente em direção ao enderman que segura a cabeça com a mão, parece que ele sequer entendeu o que aconteceu. O corpo do golem vibra em calor e a pedra de energia, redstone, que me faz sentir algo estranho além de todas as dores. Observo fascinado enquanto o golem se aproxima do monstro negro que levanta lentamente, tonto pelo soco. O pouco tempo que ele tem é apenas para se teleportar um metro para trás para esquivar do soco que o golem ia desferir nele. Em seguida, o golem parte para mais um ataque, chutando o enderman para frente, mas o monstro foi mais rápido e se teleportou pra o lado, para tentar um contra ataque socando o golem. O golem segura sua mão e o puxa para receber mais um soco extremamente forte, mas não deixa ele voar longe desta vez, socando em mais uma sequência de cinco socos, até que joga ele no chão.

O enderman aproveita a brecha para teleportar vinte metros para trás em forma de recuo. Sua expressão agora é de pavor, e ele a fecha em seguida, parece pensar em algo. O golem o observa, em uma estranha pose de luta. O movimento seguinte é o do enderman, que se teleporta para cima do golem, esperando ter acertado um super chute. Porém o que acontece é que o golem defende com o antebraço de metal maciço, e depois agarra o calcanhar do monstro sombrio, e o arremessa com muita velocidade ao chão. A força é tanta que o chão treme um pouco, e o corpo do enderman quica de volta até a altura da cabeça do golem, que, em um épico golpe final, o soca na barriga, e o lança tão longe que não consigo ver onde ele cai por trás da floresta em que estava.

—Steve! O que foi que você fez?- Hatsa diz para mim, me olhando com preocupação, as outras pessoas da vila falam algumas coisas como “Minha nossa”, “Ele está bem?”.

Minha cabeça está vazia, apenas consigo pensar em como acabei de quase ser morto, assim, com tanta facilidade. Sinto um pouco de sangue escorrer da minha boca, e pouco a pouco vou perdendo o meu tato, e então caio na inconsciência.

Vago por entre a escuridão, posso ouvir vozes, som de passos na terra, som de fogo, gritos de guerra e de socorro, som de explosões e o som do vento. Alguns flashes dos meus sonhos me vem, o garoto puxando a espada flamejante, a noite sobre nós, sombras enormes entre o fogo, sangue manchado em paredes, e finalmente o pingente do garoto em minha mão. A visão do colar vai se escurecendo, e dando lugar à realidade em que acordo. O quarto de Hatsa.

Notas finais
Espero que tenha sido bom, iria ter mais conteúdo, mas pelo tamanho do capítulo decidi deixar para o próximo ;) . Se achou alguma coisa muito exagerada ou meio desconexa, calma, ainda há mais capítulos pela frente. Novamente peço para que deixem comentários dizendo o que acharam e o que pode melhorar, o que imaginam que vai acontecer :D. Paz.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.