O Filho do Inventor
8 Capítulo 8
Ok. Eles estavam se beijando.
O que deu em Luma? Ela sempre fora reservada e quieta, principalmente quando se tratava de meninos, mas algum tipo de força a tomara naquele momento, quando não resistira ao olhar dele. Ele sorria lindamente, como sempre, e quando foi parando de sorrir, Luma entendeu a mensagem, estava disposta a deixa-lo a beijar, mas de repente, seus olhos a mostraram que ele não sabia mais o que fazer. Então ela mesma fez.
A tal força começara quando os dedos dele tocaram sua perna em falso, de longe, mas ela podia sentir o calor de sua pele. Suas mãos eram quentes e aquela força continuou a subir, solidificando-se, até que se depositou em todo o corpo de Luma e a fez beijá-lo.
Ela amava isso.
Com certeza, fora um beijo perfeito. As mãos dele tremiam. Ela gostava de estar no controle para variar.
Depois que se afastaram quem sorria era ela, fazendo-o corar. Aquilo era tão estranho, era exatamente o contrário do que normalmente acontecia.
Ele a olhava, confuso, ela sorria. Após alguns segundos, ele sorriu e a abraçou. Luma estava com os braços encolhidos no peito dele, enquanto ele a envolvia. Ela sabia que ele estava sorrindo. Olhou para cima, para seu rosto. Ele a afastou alguns centímetros e lhe deu um selinho.
– Não conhecia este seu lado.
Ela voltou a corar-se.
Ele a acompanhou até o estacionamento, ambos com um sorriso bobo estampado no rosto. Conversavam e riam de qualquer coisa boba. Quando chegaram, ouviram a buzina de Sheri.
– Bem, tchau. – despediu-se Luma.
Ele sorria. Ela se virou para ir embora. Ele a agarrou pelo pulso e a beijou, na frente de sua mãe. Jeremy estava no controle novamente.
Luma não sabia que reação ter. Apenas seguiu para o carro, com cara de paisagem, tentando não sorrir. Jeremy ficou parado ali, observando-a ir. Luma se perguntou quando ele iria para casa, não havia mais alunos esperando pelos pais.
– Hummm… Bonito. – Disse a mãe, fazendo-a lembrar da situação.
Em outras circunstâncias, Luma enrubesceria e pediria para que a mãe parasse, mas tudo que fez foi dizer com um ar sonhador:
– É…
Ao menos sua mãe o aprovara.
Em casa, pegou seu típico almoço, um cheeseburger e subiu para seu quarto. Passou um bom tempo lá, lembrando-se do beijo, brincando com o colar, sorrindo. Pensou bastante naquela força que aparecia às vezes e a fazia deixar de ser tímida, como na aula de educação física, na escada com Jeremy… Não fazia ideia do que era, mas adorava, estava cansada de ser essa garota tímida e excluída.
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Dias passavam. Semanas. Sua relação com Jeremy era totalmente romance, desde o começo nunca foram amigos, sempre tiveram interesse um no outro. Luma chegou a receber ameaças de Annie. Não se importava muito com o que ela pensaria, mas quando ela chegava perto de Luma, aquela raiva subia nela e ela não sabia o que responder, ficando indefesa e confusa com seus pensamentos descontrolados. Então, toda a atitude que conquistara nessa passagem de tempo, sumia naqueles momentos em que ela simplesmente não dizia nada e ficava indefesa sob Annie. Só uma vez conseguira dar uma resposta à altura, e ainda ria quando se lembrava. Annie a chamara de “Batgirl” referente às suas roupas e maquiagem pretas. Foi automaticamente que “Coringa” saiu da boca de Luma, referente ao exagero de maquiagem de Annie.
Aquele foi o único intervalo que não fora incomodada por ela, aproveitando para passar mais tempo com Jeremy, que ficava desconfortável quando Jeff estava por perto.
Houve um momento em que Jeremy foi chamado por um amigo. Quando voltou, trazia em sua mão quatro envelopes.
– Festa!!! – anunciou.
Cada um pegou seu envelope. Jeff parecia estar se perguntando por que fora chamado e lia o envelope com desprezo.
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Naquela noite, Luma dormira sem fones. Estava exausta, pois passara a noite toda trocando mensagens com Isis e Audrey no computador e adormecera. Acordou com o barulho de algo que nunca tinha ouvido: seus pais brigarem. Ficou surpresa e passou a ouvir a conversa.
“Vou conta-la! Não aguento mais!” dizia Bruce, frustrado.
“Não, Bruce! Você sabe que não pode fazer isso! É o nosso trato!” Sheri soava dolorida.
“Eu sei, Sheri, mas você não vê que estamos fazendo mal a ela? Aquelas… Coisas vão aparecer um dia e ela não saberá se defender! Nenhum de nós dois sabe, então como vai ficar?”
“Você está certo, Bruce, sabe que está, mas eu não consigo fazer isso!”
“Então, deixe que eu faça!”
A porta do quarto ao lado se abriu e bateu. Luma fechou os olhos com medo de que eles entrassem em seu quarto e vissem que ela estava acordada. Esperou alguns minutos e acabou adormecendo novamente.
Nas semanas que se seguiram, continuava ouvindo os pais brigarem, e era óbvio, por causa dela. Sentia-se mal e a escola era como férias para ela. Lá não se sentia estressada. Tinha seu namorado, seus amigos, ficava feliz até de ter uma inimiga.
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