Notas iniciais
Surpresa!! Mais um pra vcs (: Mas esse não é tão bom kkk Vou ver se completo mais um. Enjoy (:

Luma gastara tanto tempo pensando sobre o que Isis estava passando e sobre sua situação com Adam, que esquecera completamente dos assuntos do Acampamento. A profecia, a conclusão da missão, o teste de Apolo. Porém, o dia havia chegado. Se encontraria com Adam, Audrey, Jeff, Isabel e Quíron para uma reunião sobre a missão.

Se dirigiu à Casa Grande com um frio na barriga incompreensível. Isabel a esperava na entrada, séria. Fez um gesto convidando-a a entrar e a seguiu. Foram novamente para a grande sala de reuniões, com a mesa oval. Todos os demais já estavam presentes. Luma sentou-se e Quíron começou:

– Bom, vocês já me contaram a trajetória. Podiam me lembrar da profecia?

Juntos, recitaram:

"A Guerra da Maçã leva quatro heróis à aventura

Em vinte rodas chega a ajuda

Ameaça vem da filha de tudo que já fora desejado

E o terror nas alturas

Trará o Filho do Inventor revelado"

E contaram que Apolo acrescentara:

"A que antes fora útil, agora representa perigo

E a dúvida entre o elmo e o alado

Faz a morte do herói esquecido"

– O primeiro verso é óbvio. — disse Quíron

– O segundo é sobre Ângelo. — lembrou Jeff

Luma hesitou em contar sobre o sonho. E se Téfra realmente fosse a ajuda? Não, o próprio Apolo confirmara que a ajuda era Ângelo, mas então se era errado resgatá-lo porquê estava na profecia?

– Mas... — Audrey refletiu — Quem é "a filha de tudo que já fora desejado"?

Silêncio. Ela tinha razão, ninguém sabia. Será que ainda havia o que fazer na missão? Ou, talvez, a profecia não estivesse na ordem dos acontecimentos.

– E o "terror nas alturas"? — indagou Adam

– Os Pássaros da Estinfália? — sugeriu Audrey

– Acho que não. — Luma estava novamente pensando em seu sonho

– O que quer dizer, Luma? — disse Adam

– É que a batalha com os Pássaros não trouxe nenhum "Filho do Inventor"... — assim que pronunciou a frase, deu-se conta de uma coisa — ...revelado...

Ela se lembrou do quão bem construídas as coisas eram na caverna com Isis, lembrou-se dos projetos em cima da mesa. Um em especial: As asas.

– Luma? — Adam agitou a mão à frente de seus olhos

Luma voltou ao momento. Definitivamente tinha de falar com Quíron.

– Desculpe. — ela pigarreou — Bom... E a que antes fora útil...

Os outros estranharam seu comportamento, mas esqueceram assim que Adam bateu na mesa e disse, animado:

– Ártemis!

Luma o olhou.

– Tem razão... — ela sorriu — É! Agora faz sentido!

Os outros os encaravam sem entender. Adam e Luma se entreolharam, concordando, em silêncio, contar o ocorrido.

– Em Nashville, eu... — o filho de Tânatos pigarreou — Beijei Thalia.

Ao pronunciar "beijei", prestaram mais atenção nele, quase chocados. Adam machucava Luma tão fundo...

– Só que, como sabem, Thalia era uma Caçadora...

– Era? — indagou Audrey

– ...E, por estarmos no meio de uma batalha — continuou Adam -, Ártemis não me matou no momento. Ela deixou pra quando chegássemos aqui. Então ela irrompeu da mata e começamos a lutar. Luma estava por perto, ela viu tudo.

Ela confirmou com a cabeça, séria. Durante o meio segundo no qual Adam dizia seu nome, seu corpo se arrepiou e sentiu um frio no estômago. Ela realmente gostava dele.

– Foi assim que ficamos tão machucados. — disse Luma

– Mas você disse que foi no treino, na montanha de escalada. — lembrou Jeff

Luma levantou os ombros.

– Eu menti.

– Tudo bem. — retomou Quíron — Onde estávamos?

– "A dúvida entre o elmo e o alado — entoou Luma — Faz a morte do herói esquecido."

– Não, nós não chegamos lá ainda. — concluiu Audrey — Quer dizer, ninguém morreu.

– Como pode ter certeza? — perguntou Luma

– Eu tenho. — disse Adam, sombrio — Sendo filho de Tânatos, sinto a morte. Profecias relacionadas à morte são facilmente entendidas por mim. É só ter a ver que eu automaticamente... Vejo.

– Então você sabe quem vai morrer?

Adam tornou-se mais sombrio.

– Eu não... — suspirou — Bem, talvez.

Esperaram a resposta, porém ela não veio.

– "Os deuses odeiam quando alguém tenta mexer com o destino." — recitou Adam

– Ares. — lembrou-se Luma

– É por isso que semideuses com poderes de prevenção do futuro, como eu e você — ele a olhou e aquele arrepio voltara -, não somos permitidos a contar o que sabemos. Os deuses nos amaldiçoariam.

– Como Halcyon... — Quíron lembrou-se de um velho conhecido, deixando o nome pairar no ar

Luma não conseguia dormir. Após várias tentativas, sentou-se e decidiu que não conseguiria. Levantou-se e foi à margem do lago. Tinha se tornado seu lugar preferido. Colocou os pés na água e olhou para o horizonte. Não faltava muito para o sol nascer, que horas deviam ser? Pensou em sua mãe, na profecia e em Isis. Desejou esclarecer toda a profecia, salvar Isis e voltar para casa. Era tudo o que queria. Passos soaram na madeira do deque. Luma estava tão imersa em seus pensamentos que demorou para percebê-los. All Stars vermelhos se aproximaram dela. A pessoa se sentou ao seu lado e não se olharam.

– O que faz acordada? — disse Annie Claire

– Insônia. — Luma respondeu seca

As duas permaneceram em silêncio por alguns minutos, até que Annie o quebrou:

– Sabe, enquanto você foi à missão, estive pensando... — seu tom não era amigável — Eu sou melhor que você.

– Ah, por favor! — disse Luma desejando que ela se retirasse

– Não, não! É sério! — ela sorria

– Cala a boca, Annie. — Luma nunca conseguira se controlar por tanto tempo perto dela

– Admita, você tem inveja de mim!

– Qual o seu problema? — pela primeira vez após a missão, Luma a olhara.

Ela parecia muito mais ameaçadora. Os olhos profundos e brilhantes haviam ficado mais escuros e o sorriso não era mais o de uma garota desejada por toda uma escola, mas sim de um assassino em série.

– Fala sério! Por quê mais ficaria justamente com o cara que eu gosto? Quer dizer, claro que Jeremy é o mais gato da escola — uau, Luma já havia esquecido dele -, mas ele sempre foi meu.

Os olhos da filha de Apolo se embaçaram.

– Annie! — disse, indignada — Jeremy não é um troféu! Você o usou para seu próprio benefício, para ganhar popularidade, esqueceu-se dos sentimentos dele! — Luma estava enojada — Ele faria tudo por você, sua vaca! E você o humilhou, riu dele, mentiu para ele! E tem mais: Jeremy não é apenas a beleza! Você nunca chegou a conhecê-lo além da aparência! Jeremy é gentil, é engraçado e carinhoso! Você nunca o mereceu de qualquer forma!

Elas haviam se levantado. Luma tremia de tanta raiva e Annie sorria, sentindo prazer ao irritá-la.

– Pode até ser que ele seja mais que beleza — disse Annie, venenosa -, mas essa é a vida, Luma, querida. O garoto mais bonito e popular deve ficar com a garota mais bonita e popular.

Após alguns segundos, Annie retomou a fala:

– A não ser... — ela riu — Entendi tudo agora. Por isso você quis ficar com ele! Para se tornar a garota mais bonita e popular. — ela riu mais forte — Você não achou que isso aconteceria mesmo, achou? Ha, ha, ha, que comédia! Olhe para você, Luma! Muito baixa, muito magra, se veste inteira de preto... Sempre quis parecer diferente dos outros, criativa, original... Mas nunca realmente foi diferente. Você só quer poder e fama, como todos. Quer ser reconhecida... — voltou a rir, mas manteve o brilho assassino nos olhos — Ora, mas que egoísta! Usar dos sentimentos do garoto mais popular para se tornar conhecida. Que coisa mais feia!

– Chega, sua vadia! — Luma sentia que seus olhos sangravam. A visão estava embaçada em vermelho e a cabeça doía de ódio

Luma a atacou, mas Annie devia ter passado todo o tempo treinando, pois estava muito mais rápida. Se esquivou e sorriu.

– Você quer brincar, não é? Pode vir.

Luma desejou ter Strýchnos, seu arco. Então, a dez metros dali, ele surgiu ao lado da aljava, brilhando à luz do nascer do sol. Correu até eles.

– Vai fugir? — Annie riu. Deuses, como sua risada irritava a Luma. Era como se entrasse em sua cabeça e atacasse a parte do cérebro que a fazia ter calma.

Luma armou-se, mirando no rosto bonito de Annie. Afinal, era só isso que ela tinha, certo? Soltou a flecha. Annie se manteve parada, encarando a flecha que se aproximava em alta velocidade com seu sorriso predador. A trinta centímetros de seu rosto, seus olhos brilharam em violeta e ela acenou com a cabeça para a direita, para onde a flecha foi arremessada.

Luma ficou paralisada. Não sabia que Annie tinha poderes. Nunca havia os visto. Enquanto estivera fora, além de treinar, Annie devia ter sido reclamada. E talvez passado várias noites em claro, o que Luma podia dizer pela profundidade de seus olhos.

Annie se aproximou, andando devagar. Ela não sorria mais, mas trazia nos olhos sede de sangue. Tirou um anel preto do dedo e fez um movimento, como se o estivesse abrindo. O anel se alongou e transformou-se num chicote de 2 metros e meio de comprimento. Quando atacou, Luma rolou, levantou-se rapidamente e afastou-se.

Era difícil lutar chicote contra arco. Principalmente porque tinha lançado seu chicote, lançando o arco de Luma e jogando-o longe. O que também não era nada bom agora que ela não era só a beleza.

Luma andava de costas e Annie avançava. Ambas atentas, preparadas para tudo. Menos para uma pedra. E foi assim que Luma tropeçou e quase se levantou, mas Annie pulou nela. Além de bonita e poderosa, aparentemente ela também aprendera a lutar, ou pelo menos como limitar os movimentos de alguém. Luma se debatia com toda sua força, mas a garota continuava a dez centímetros de sua face. Com raiva, Luma cuspiu nela. Annie afrouxou as mãos com o susto, e foi assim que Luma virou o corpo com o antebraço forçando o pescoço da garota. Acabou em cima dela, que já tinha se recuperado do cuspe, limpando com as costas da mão. Annie olhou fundo em seus olhos e a prendeu na própria mente. Luma sentiu fatiga e fortes dores no corpo. Acreditou estar inteiramente imersa em câimbras. Gemia de dor. Percebeu então que isso fazia parte dos poderes de Annie, tentou desviar o olhar, mas era extremamente difícil. Tentou convencer o próprio cérebro de que estava tudo bem, que era só ilusão. A vantagem é que, sem poder se mexer não havia soltado Annie. O antebraço ainda forçava seu pescoço, a outra mão segurava seu braço e o outro estava embaixo de seu joelho dobrado. A parte ruim é que, aparentemente o joelho não era o suficiente para segurá-la. Então Annie esticou-se para pegar o chicote, caído onde estiveram deitadas antes. Em poucos segundos, ela estaria enrolado no pescoço de Luma, enforcando-a. A única ideia que teve era simples, mas seria extremamente dolorosa de realizar. Não conseguiria tirar os olhos dos de Annie sozinha, teria de fazê-la fechá-los. Luma concentrou-se na dor e começou a tentar se contorcer, embora não tivesse sucesso, seus músculos se retraíram e ela começou a forçar mais o queixo de Annie, em consequência disso. Bem a tempo, a cabeça da garota fora empurrada tão para trás que, para continuar olhando Luma teve de olhar para baixo, e foi assim que os olhos de Annie foram fechados. Luma livrou-se do encanto rápido o suficiente para bloquear o ataque de Annie com o cotovelo, dar-lhe um soco e ser novamente segurada por ela, que soltara o chicote para segurá-la. Lá estavam, Annie segurava uma mão de Luma e tinha a outra mão segurada pela mesma. "Pensa rápido" Luma tentou bolar uma forma de se dar bem na situação. Então girou o pulso segurado por Annie e o prendeu contra o chão. Precisava ter muita noção do espaço para sua próxima ação, que precisava ser muito rápida. Soltou a outra mão de Annie e, o mais rapidamente que podia, pegou uma flecha e perfurou a mão rendida da garota, fincando-a terra. Annie deu-lhe uma cotovelada com o braço livre e aproveitou a distração de Luma para erguer as pernas, passá-las por trás de suas costas entrelaçar os tornozelos em seu pescoço, deitando-a no chão com os joelhos dobrados, o que força os músculos e machuca, principalmente se sua perna fora perfurada pela flecha de uma deusa recentemente. Com um impulso, estava novamente em cima dela. Forçou os tornozelos em sua garganta e apertou seu tronco entre os joelhos, fazendo-lhe doer as costelas. Luma levantou o quadril com força, fazendo com que Annie desse uma cambalhota e se soltasse, por instinto.

De pé novamente, as duas se olhavam, tentando decifrar seus próximos ataques. Assim que o Sol saiu de trás das árvores, Luma se sentiu melhor e viu Annie o olhar, desapontada. Não só por Luma estar mais forte, se fosse só isso, estaria se divertindo com o fato. Riria, satisfeita por ter que lutar mais com ela. Porém, Annie também ficava mais forte à noite. O dia não era muito legal com ela.

Luma poderia ter usado este segundo de distração a seu favor, mas fez o contrário. Pensou sobre as possibilidades de pais divinos que Annie poderia ter por ficar mais forte à noite e fazer feitiços com os olhos, além de usar muito bem um chicote e irritá-la profundamente a cada frase. Pensou tão intensamente sobre isso que se desconcentrou da batalha e acabou olhando novamente nos olhos da oponente. Desta vez, não sentiu dores físicas.

Viu lágrimas de sangue caírem exageradamente dos olhos de Annie. As lágrimas começaram então a jorrar, ela se curvou e começou a vomitar sangue. Então, sua visão ficou turva. Viu Adam e Thalia se beijando, depois de rir à custa de Luma. Viu Annie e Jeremy se beijando após ele dizer que estava errado quando disse que Luma era melhor que Annie, pois qualquer um era melhor que aquela pirralha. Viu-se então chegando na casa de Jeremy, bêbada após a festa e o viu estuprando-a. Viu Ângelo fazer o mesmo com Isis. Viu guerras, pessoas explodindo e sendo esquartejadas. Viu carnificinas, uma cena que já a traumatizara muito em alguma escola que frequentara. E então, da fila de porcos que vinham pendurados pelos pés, entraram sua mãe, seu padrasto, seus amigos e todas as pessoas que amava. Viu uma espécie de martelo furar suas gargantas e todo o sangue jorrar dali. Viu a pele de cada um deles ser brutalmente arrancada num puxão só. Viu suas cabeças serem cortadas em um único golpe. Viu a fila seguir e tudo isso se repetir, com cada um deles. Viu sua própria casa pegando fogo. Viu o Acampamento pegar fogo. Então parou de respirar.

Sua visão tornou-se turva novamente. As visões pararam e ela se viu novamente encarando o bosque do Acampamento, sem ar. Suas bochechas estavam molhadas, repletas de lágrimas. Suas cordas vocais doíam de gritar, horrorizada. Seus braços sangravam, arranhados provavelmente por si mesma. Suas mãos estavam em seu pescoço, tentando afastar o chicote de Annie, que a sufocava.

Porém, era tarde demais.

Sua visão, antes turva, anulou-se. Tudo ficou preto e Luma já não se lembrava de como era ter ar em seus pulmões ou de como era ter um coração vivo. Um coração batendo.