O Filho do Inventor

24 Capítulo 24 - Audrey & Jeff


O trajeto de 39 horas do Empire States até Oregon levou apenas 10 horas. Audrey ia pelas sombras e descobriu conseguir transportar Jeff junto de si, o fato de não consegui-lo com Ângelo se dava porque de alguma forma, ele não fazia parte desse mundo, embora tenha sido forçado a entrar nele ainda quando criança. No fim da tarde eles chegaram na cidade de Athena.

Oregon era um estado agradável, em especial a cidade de Athena. A paisagem era rural, calma e limpa. Algumas árvores nas calçadas, praticamente nenhum carro passando, canto de pássaros. Eles poderiam ficar ali para sempre.

A igreja cristã de Athena parecia uma casa muito simpática. Havia uma árvore de folhas claras na frente e as paredes era brancas, com exceção de uma faixa vermelha na parte de baixo. Tinha muitas janelas e uma placa na frente que dizia: Athena Christian Church. Pensaram em dar a volta antes de tentarem entrar. Era rodeada de outras casas simpáticas e havia um estacionamento na lateral esquerda. Vazio, a não ser por uma mulher que se alongava e uma pilha de livros. "A Arte do Combate", "Como Acabar com Seus Adversários em Dez Dicas Básicas", "Mulheres na Luta", "Não Se Meta Nisso!" eram alguns dos títulos. Obviamente, aquela era Atena. Eles tiveram medo de interrompê-la, era a deusa da estratégia de guerra e da sabedoria e se se assustasse ou ficasse nervosa, poderia eliminá-los em um fração de segundo.

Mas o fizeram.

– Olá… Hã… Com licença. — disse Audrey, calmamente

A deusa lia um grande livro de couro vermelho-sangue. Estava sentada no chão. de costas para eles e de pernas cruzadas.

– Até que em fim chegaram. — disse, indiferente

– Estava nos esperando?

Ela fechou o livro, se levantou e virou-se para eles. Usava uma túnica grega branca com reflexos prateados. O cabelo castanho cacheado caía sobre os ombros em uma cascata. Tinha uma beleza deslumbrante e inteligente, você conseguia enxergar anos de sabedoria em seus grandes olhos castanhos acinzentados.

– Não exatamente. Eu sei o que vocês têm a dizer e sabia que vinham. Esqueçam, vou lutar.

– Tudo bem, nós sabíamos que seria difícil convencê-la. — disse Jeff a Audrey

– É, mas ela foi rápida nos convencendo de que não daria certo.

– Atena, nós queríamos que você pensasse, sabe, nos resultados. Da outra vez tudo deu errado e…

– Sim! Por isso mesmo. — interrompeu-a — Da outra vez, tudo deu errado, Páris escolheu Afrodite por Helena, não foi sincero. Não cometeremos o erro de pedir a opinião de um mortal manipulável novamente, fique tranquila.

– Achei que você estivesse consciente de que guerras infinitas seguirão essa luta e que seria a que menos quer lutar.

– Está brincando? Afrodite pode ser a mais bonita, sem problemas. O problema é que elas me provocaram. No começo eu não queria esta revanche mesmo, mas disseram que eu tinha medo, que eu era covarde e que minhas estratégias não eram tão boas assim, afinal.

– É… Ficamos sabendo que você é uma deusa orgulhosa. — soltou Audrey

– Olha como fala, mocinha. Só não te transformo em pó porque estou guardando energias para a luta. — ela respirou fundo — Se elas acham que podem me vencer, deixe-as. Tudo que vai dar errado será para elas. E não tentem me impedir de vencer! Aposto que Hera os mandou aqui com medo de perder pela segunda vez, não? — ela riu sarcasticamente

Uma espécie de chama ardia em seus olhos eternos.

– Não, a senhora nos entendeu errado. Não queremos te impedir de ganhar, pelo contrário! Estamos do seu lado.

– Estão? Não são espiões ou coisa assim?

– Não, fomos enviados do Acampamento para impedi-las de lutar e destruir tudo por aí — começou Jeff -, mas na verdade queremos que você ganhe.

– Ótimo. — ela voltou para o livro

– Mas… — continuou Jeff — Ainda achamos que você não precisa lutar para mostrar seu valor. É a deusa da sabedoria e, sem ofensa, mas devia usá-la para perceber que é a melhor e todos acham o mesmo. Você é suprema, Atena, lutando ou não, nunca deixará de ser.

Ela levantou a cabeça.

– Sabe? Você tem razão. Não devíamos lutar.

Atena dirigiu-se até eles.

– Obrigado garotos. Apareçam no Parthenon de Nashville quinta, às 17h e me ajudem a convencê-las de parar com essa bobagem.

Eles ficaram confusos. Foi isso? Haviam conseguido? Legal. Essa coisa de missão era fácil. Agora só tinham de ir lá e bajular todas ao mesmo tempo.

– Agora fechem os olhos, não querem que eles se queimem, hã?

Eles obedeceram e uma luz ofuscante tomou conta do local. Quando abriram os olhos, ela havia sumido e os livros pegavam fogo.

– Ok… — disse Audrey, tentando pensar — A luta é quinta, daqui a três dias, mas não podemos seguir sozinhos. O que fazemos?

– Não faço ideia. — respondeu Jeff

Um estrondo foi ouvido na entrada da igreja. A voz de Isis os chamava. Eles foram até lá. Perto da árvore, seu rosto flutuava.

– Olá?– ela parecia estar procurando-os

Era uma mensagem de Íris. A imagem estava meio embaçada como se estivesse dentro de uma bola de sabão oval e furta-cor e havia uma borda em arco-íris.

– Isis? Está tudo bem?

– Está sim. – respondeu ela, de San Diego - Quer dizer, não temos certeza se convencemos Afrodite.

– Bom, Atena se convenceu e a batalha será quinta, às 17h, no Parthenon de Nashville, Tennessee.

– Então... Onde nos encontramos?– perguntou Ângelo

– No caminho para Nashville. — respondeu Audrey — Ao chegarmos, se não tivermos notícias de Luma e Adam mandamos uma mensagem de Íris para eles.

– Certo. Nos vemos lá.

– Aliás, vocês estão lindos! — exclamou Audrey

– Valeu.– disseram em coro, sorrindo

– É isso que acontece quando você se encontra com Afrodite e diz que ela não precisa lutar para ser melhor que todas as outras.– brincou Isis

A imagem borrou e se dissipou.