O Filho do Inventor
20 Capítulo 20
– Venham comigo, garotas. — chamou Ártemis — Quero ter uma conversa com vocês.
Ártemis as levou para a maior barraca. Mesmo que parecesse grande por fora, por dentro era ainda maior e aconchegante. O aquecimento dentro dela era exatamente como se tivesse uma fogueira acesa, mas não havia. Haviam poltronas e um tapete de urso. Luma reparou que a aljava da deusa estava repleta daquelas flechas brancas e prateadas que ela usara em Bridget High. Ártemis sentou-se na poltrona maior e mais majestosa e indicou para que as meninas se sentassem nas outras, em sua frente. Um lobo grande e branco apareceu entre as poltronas com uma bandeja equilibrada nas costas. Havia três garrafas de refrigerante nela.
– Sirvam-se, garotas. — disse Ártemis, gentil.
As três pegaram seus refrigerantes e por um momento esqueceram-se de se perguntar porque estavam ali e o que a Deusa da Caça queria com elas.
– Então, — Ártemis pigarreou — Eu as trouxe aqui para fazer uma proposta.
Ela juntou os dedos e as encarou sorridente como um político faria.
– Eu não as conheço muito bem, mas sei que têm grandes habilidades distintas que podem me ajudar muito na Caça. O que acham de se juntar à essas meninas? — ela indicou com a cabeça as garotas sorridentes do outro lado da barraca. — Se bem que uma sendo filha do meu irmão e a outra de Hermes… Me sobra a filha de Nyx. — acrescentou para si mesma.
– Como assim… Senhora? — perguntou Audrey.
A deusa riu.
– Não precisam me chamar de senhora, por favor. Vou explicar. A Caça é onde as garotas descobrem seu verdadeiro valor, percebem que não dependem de homens para viver e que é bem melhor ficar aqui comigo, aprender a ser uma dama, sair por aí matando monstros, aprendendo a lutar graciosamente e, o mais importante, ser imortal. — ela dizia como se estivesse falando de uma colônia de férias
– Imortal? — Isis tossiu.
– Sim, querida. Você será imortal enquanto permanecer pura e fiel. O único jeito de morrer na Caça, é morrer dignamente, em combate.
– Ah, parece bem legal. — refletiu Luma, olhando para as amigas.
Isis inclinou-se para a deusa e disse:
– Mas… Temos mesmo que abrir mão dos homens? — e então piscou
– Sim. — Ártemis respondeu seca, como se já soubesse que Isis faria esta pergunta.
Ela se levantou.
– Ok, estou fora. — fez um gesto de rendição, erguendo as mãos
Ártemis revirou os olhos.
– Meninas? — sorriu para Audrey e Luma.
– Hã… — elas se olharam.
Sem Jeremy, Luma não conseguia se ver apaixonando-se novamente. Poderia ver-se ficando com alguém talvez — todos sabem em quem ela pensava -, mas não se apaixonando. Enquanto Audrey gostava de Jeff, já o beijara, mas eles não eram namorados nem nada… E o clima entre eles andava estranho.
Antes que pudessem responder, uma criatura do tamanho de um elefante arremessou a barraca pelos ares, assustando as Caçadoras por tempo mínimo. Em um segundo, já estavam prestes a atacar. Parecia um porco peludo e feio, com presas saindo da parte inferior da boca. Aquela coisa levantou Luma no ar enfiando uma das presas entre suas costas e o arco. Ela gritou, então a ocorreu de tentar virar e acertar uma flecha em seu olho. Quando foi executar o giro, o arco quebrou e ela caiu no chão.
Isis correu e tentou acertá-lo na cintura com a espada, mas ele a arremessou com as presas, assim como fizera com a barraca. Caçadoras o flechavam, mas parecia que apenas o incomodava. Ele guinava e as atacava. Finalmente, Ártemis agiu. Saiu correndo e, agilmente, o escalou e pousou em suas costas. Ele a notou e tentou empinar para derrubá-la. Tarde demais. Ela havia tirado uma flecha dourada e grande, a ponta em chamas e o fincado nas costas. Ele conseguiu se empinar, Ártemis pulou e aterrissou leve na terra, como um gato. O bicho gritou e se dissolveu em pó dourado e cheiro de enxofre. Talvez Ártemis não as tivesse ajudado se elas tivessem tempo de recusar a proposta.
A deusa virou-se para as meninas como se nada tivesse acontecido. As Caçadoras já estavam recuperando a barraca. Ela agarrou um arco branco repousado na lateral de sua poltrona e o jogou para Luma.
– Fique com este.
Ela o pegou no ar e percebeu que era o da aula. Era de metal na verdade, prateado quase branco com a inscrição em relevo de uma ursa empinada na frente de uma lua minguante na lateral. O símbolo de Ártemis. Também tinha escrito Strýchnos (στρύχνος), Nightshade, em inglês.Devia ser seu nome.
– Não vai funcionar com essas flechas pequenas que você carrega. Pegue estas.
As flechas de Ártemis tinham quase um metro de comprimento e eram igualmente prateadas. As penas eram longas como as de um faisão, brancas. A ponta tinha vários tipos de metal, desde o bronze celestial, passando pelo ouro, o ferro estígio e até o aço mortal. Assim, era capaz de ferir desde monstros até humanos.
– Bom, tem outro motivo pelo qual as chamei aqui. — Ártemis e as garotas se sentaram novamente. — Bom, vi que vocês estavam perdidas e aproveitei a oportunidade para oferecer a Caça para vocês, mas também vou ajudá-las.
– Aliás… Nós temos que pensar. — disse Audrey, com medo da reação da deusa se recusasse a proposta.
– Tudo bem, fiquem com esses folhetos. — Ártemis estendeu dois folhetos para as meninas.
Aquilo soava mesmo como uma colônia de férias. As meninas se entreolharam em interrogação.
– E a ajuda… Certo, basicamente, sigam para o Oeste, pela estrada. Esse é o destino de vocês. — disse ela, como se não fosse nada demais.
– Ah. É… Só isso? — perguntou Audrey.
– É.
– Ah. Ok. Então… Nós vamos pensar na proposta.
– Façam isso.
As meninas se levantaram e foram em direção aos companheiros.
– Isis? — chamou Ártemis, a garota se virou — Pense você também… Venha para o nosso lado.
– Hã… Sem chan…
Isis estava prestes a fazer uma besteira. Luma a deu uma cotovelada
– Ai! — Isis reclamou. A seguir, sorriu e olhou para a deusa — Eu… Vou pensar.
Isis sorriu, deu as costas e as três continuaram andando. Adam voltava da mata com uma Caçadora bonita, com cara de rock star. As demais Caçadoras começaram a desmontar tudo. Não demoraram mais de 3 minutos para fazê-lo e foram embora.
– Ok. — anunciou Luma — Segundo Ártemis, nós temos de ir para o Oeste.
– E… Para onde é o Oeste? — perguntou Jeff.
– Sei lá, mas é pra gente seguir a estrada.
– Ah, ta bom. Então vamos.
Todos deram de ombros e seguiram caminhando. A estrada era longa e já era noite. Audrey enxergava perfeitamente e pressentia a presença de animais. As pequenas estrelas em seus olhos brilhavam mais e ela parecia envolta em uma aura feroz e audaciosa. Parecia uma das Caçadoras. Nenhuma movimentação na rua, isso tornava a caminhada mais difícil, a estrada parecia infinita e paralela ao mundo real. Luma não via a hora de chegar a uma cidade qualquer. Apesar de estarem todos cansados, decidiram não parar para dormir, queriam se livrar logo daquele cenário.
Já passava das 4 horas da manhã. O sol nem insinuava sair, mas os olhos já haviam se acostumado a escuridão. Sendo assim, tudo estava mais claro. Eles estavam exaustos, com fome e entediados. Nenhum monstro os atacara, nenhum carro passara, nada. Era tudo o mesmo desde o fim da tarde do dia anterior. Quilômetros a frente, avistaram um estabelecimento grande. Isso os motivou, caminharam mais animados e, chegando lá, perceberam que era um posto de gasolina. Ao menos tinha um banheiro, uma lanchonete, e veículos. Isso poderia ajudá-los bastante.
Entraram na lanchonete. Ninguém. Parecia abandonada, mas os produtos, comida e bebida estavam novos, em bom estado e até frescos, quentes. Cada um se serviu. Esperavam que algum funcionário desleixado aparecesse para pegar o pagamento. Este era outro ponto, eles não tinham dinheiro. Mas estavam tão famintos que nem se lembraram disso.
Enquanto comiam, ouviram um barulho. Vinha dos fundos.
– Graças aos deuses! Tem alguém aqui! — exclamou Isis, com a boca cheia
– Eu não comemoraria tão cedo. — disse Adam, entre uma mordida e outra
– Como assim, Adam?
– Lembrem-se de que somos semideuses, nada é tão bom. — advertiu ele
Todos ficaram com medo de quem estava atrás da porta. Era uma porta de aço — atrás, devia estar uma cozinha -, de trás do balcão. O barulho se repetiu. Agora parecia que alguém estava derrubando diversas ferramentas. Devia ser grande, sem espaço pra passar, arrancaria a porta e os comeria vivos. A maçaneta virou. Todos levaram as mão às armas, mas não as empunharam. Ainda podia ser um mortal qualquer. A porta se abriu e, de trás dela, saiu alguém que fez Isis derreter. Ela literalmente quase desmaiou quando o loiro bronzeado saiu dali. Ele usava uma regata branca que fazia com que seus músculos sujos de graxa atraíssem o olhar dela. Eles se contraíam e relaxavam enquanto ele limpava as mãos. O cara era sorridente, claramente mais velho e muito bonito.
– Ora, vejo que já se serviram.
– D-Desculpa, a gente… — Isis perder a fala com homens não era normal
– Imagina — ele sorria aqueles dentes tão brancos que ofuscavam o olhar das meninas, mas isso não as fazia querer olhar menos -, está tudo bem, gata.
Pela primeira vez — de todas que já ouvira o elogio — Isis quase caiu para trás, mas se segurou. Não era muito boa em disfarçar essas coisas, não estava acostumada a sentimentos. Respirou fundo e puxou papo.
– Então… É só você aqui?
– Sim, meu pai deixou a oficina para mim, mas aí abandonaram o posto porque eu não tinha como pagar salário e fiquei cuidando de tudo sozinho.
– Uau, deve ser difícil.
– Nada. Nesse fim de mundo? Só tive cinco carros pra consertar, já acabei há anos e os donos nunca voltaram. É bem chato aqui.
– Cinco carros… — uma ideia ocorreu a Luma. Ela se levantou e pegou os amigos pela mão — Com licença, a gente já volta.
Luma os arrastou até o exterior da loja.
– Ai, Luma. O que foi? Agora que a conversa estava fluindo... — Isis cruzou os braços
– Prestem atenção! Lembrem-se da profecia… A Guerra da Maçã… — Luma tentava se lembrar dos versos
– ...leva quatro heróis à aventura… – continuou Jeff
– Em vinte rodas chega a ajuda!– completou Luma.
– Espera aí! Você está dizendo que esse cara vai nos ajudar? — perguntou Adam.
– Não, ela ta dizendo que a gente pode ficar com ele, haha. Quer dizer, eu posso. — brincou Isis com um sorriso digno de uma filha de Hermes
– Controle-se, Isis. — disse Luma — Sim, nós temos que levá-lo.
– Mas como? — perguntou Audrey
– “Oi, você é lindo e talvez não entenda, mas temos de levá-lo porque a garota do porão disse. Vamos lutar contra monstros e apartar a briga das deusas mais poderosas do Olimpo. Sim, elas existem e talvez matem a gente.” Tipo isso? — perguntou Isis
– É. Tipo isso. — concordou Luma
Eles voltaram para dentro da lanchonete.
– Então… — disse Luma sentando-se na bancada — Você disse que é bem chato aqui.
– Sim. — ele limpava as mesas — Quer dizer, eu adoro trabalhar no projeto de meu pai, mas eu queria mais… Mais ação, sabe?
– É… Ação não vai faltar! — sussurrou Jeff para Audrey
Luma pigarreou na direção dos dois.
– E se… — disse ela aproximando-se dele — Nós disséssemos que podemos tirá-lo daqui?
– Bem… Eu não sei… — ele afastou o cabelo da testa manchando-a de graxa — Talvez eu até aceitasse, mas o que você quer dizer?
Luma suspirou. Seria uma longa explicação.
– Nós viemos de um lugar que…
– Shhh...– disse ele
Todos se encararam com uma grande interrogação estampada no rosto. O cara largou o pano na mesa que limpava anteriormente e se dirigiu para trás do balcão. Ouviu-se um som de metal onde suas mãos se encontravam. Ele estava pegando uma colher? Todos levaram as mãos às armas. Será que ele não tinha percebido a espada de Isis, o arco e flecha de Luma, as foices de Adam e Audrey ou que Jeff era um sátiro? Talvez a névoa fizesse com que eles parecessem algum tipo de time da limpeza ou de beisebol, talvez uma banda.
Ele olhava concentrado para a frente de vidro da loja de conveniência. Tudo estava silencioso até que a porta e as janelas explodiram completamente. Todos se jogaram ao chão. Sem fazer movimentos bruscos, Luma abriu os olhos, antes enterrados em seu braço. Bem ali, andando pelos cacos de vidro como se nem o fizessem cócegas, havia um enorme pássaro alaranjado, com uns 2 metros de altura e de comprimento, talvez chegasse a 6 se esticasse aquela enorme cauda, que lembrava um pavão. Luma odiava animais grandes, pois qualquer outro semideus já a fazia se sentir baixinha, não era necessário um animal de 3 metros de altura.
Ele era lindo, seu peito e sua cabeça lembrava a Luma uma mistura entre águia e cisne, só que num ardente laranja. Luma então percebeu que ele não sentia o vidro pois o derretia quando pisava. Tinha um bico pontudo e olhar desconfiado. As penas brilhavam e a cauda era parecida com a de um pavão amarelo e incandescente.
– Psst! — chamou o cara loiro e musculoso atrás do balcão. Ele sinalizava para que todos entrassem na grande porta de aço.
Todos foram cautelosamente até lá, abaixados. Até que, como em um filme, há um metro da porta, Jeff quebrou um caco de vidro com os cascos. O barulho foi o suficiente para chamar a atenção do pássaro. Ele os olhou, alerta, abriu o bico afiado e soltou um grito horrível e estridente, enquanto ardia em chamas. Literalmente, o pássaro pegou fogo, mas nenhum deles ficou para ver, se esgueiraram rapidamente para a porta de aço antes que fossem atingidos pelas brasas.
Todos caíram. No chão, perceberam que estavam suando e ofegando, à desesperada procura de ar. Aquele bicho tinha conseguido quase queimá-los vivos como havia feito consigo mesmo.
– Era uma fênix. — disse o cara
Ninguém teve certeza de se ficou mais atordoado quando viu a sala ou quando percebeu que ele sabia algo sobre mitologia e não achava estranho. O cara tinha um arsenal dos carros mais legais e caros que Luma já vira. Ela não conhecia nada sobre carros, mas ficou boquiaberta. Conseguia identificar um Porsche, uma Lamborghini, e só, mas ainda haviam três outros carros lindos.
– Uau. — soltou Adam — Quando criança, isso foi tudo o que eu quis ver.
– Vou apresentar meus bebês a vocês. Este aqui, é um Porsche 918 Spyder. — disse ele apontando para uma carro prateado e achatado, algo que Luma conseguia ver claramente alguém como o Homem de Ferro pilotando — Este, é um SSC Tuatara– um carro branco com formato exótico. Parecia um alien, mas era um alien bem bonito — Mais adiante, um Pagani Huayra– tinha uma forma de paralelepípedo meio inclinado, era brilhante e vermelho — Um Bugatti Veyron Supersport… — este carro era mais a cara do Batman, era preto e sombrio — E, finalmente, mas não menos importante, a Lamborghini Reventon. — era um carro comprido e geométrico, prateado e com certeza poderoso.
– Ok, você nos apresentou os carros, mas ainda não se apresentou. — lembrou Isis
– Ah — Ele ainda estava em transe, sorrindo orgulhoso — Sou Ângelo II.
– Era o nome de seu pai?
– Não. — ele pareceu estranhar a pergunta
– Então por que o “II”? — era bem a cara de Luma fazer perguntas inúteis
– Sei lá, ele achou legal.
– Ah.
A porta de aço começou a ser arranhada e ganidos vieram do outro lado.
– Rápido! Entrem no Pagani Huayra! — gritou Ângelo, apertando um botão na traseira do carro
O carro se desdobrou e abriu mais dois bancos. Todos seguiram para o carro vermelho e Luma os seguiu, sem lembrar-se qual era o Pagani Huayra. Ângelo correu para abrir o portão da garagem e já era possível ver as enormes garras da fênix furando a porta. Ela fechou as garras negras e fortes e a porta começou a derreter. Em pouco tempo, um buraco enorme havia sido aberto e ela os viu, berrou e começou a se enfiar pelo buraco.
– Rápido! — gritou Luma, agonizada
Ângelo correu para o carro, deu partida e saiu arrancando com o Pagani. A fênix voava atrás deles, os seguia gritando e cuspindo fogo pela boca.
– Ela pode fazer isso? — perguntou Isis
Luma ajoelhou-se no banco do carona, virou-se para a fênix, mirou e atirou a flecha prateada de Ártemis. A mira abençoada de Luma permitiu que a flecha acertasse o peito do pássaro, bem abaixo do pescoço. Ele gritou novamente e, sendo de metal, a flecha derreteu. O bicho estava perto agora, era mais rápido que aquele carro chique. Estavam todos preocupados com a possibilidade de serem cremados bem ali e, a partir do momento em que pensaram nisso, o bicho começou a tentar, como se tivesse lido seus pensamentos e dito “ei, boa ideia!”. Ângelo decidiu parar num campo gramado à margem de um grande bosque ao lado da estrada. Todos pularam do carro com as armas de prontidão. Isis foi pra cima, tentou atacar. Quando a espada ia atravessar a fênix, ela se desfez em chamas e, assim que as cinzas começaram a se espalhar com o vento, ela renasceu e gritou na cara de Isis, como se dissesse “há!" e se afastou. Jeff teve uma ideia. Como sátiro, ele tinha poder com músicas tocadas em sua flauta de bambu. Ele começou a tocar um melodia frenética e a ave pousou e começou a sapatear. Foi a vez de Adam tentar. Arremessou sua foice e o mesmo aconteceu, quando a foice ia girando na direção da fênix dançante, ela se desintegrou em chamas e retornou das cinzas. O que ela não esperava é que a foice funcionara como um bumerangue e agora voltava, girando, para as mãos de Adam. A um centímetro da ave, a foice parou no ar.
– Ah, qual é? — reclamou Adam
Segurando a foice, Apolo surgiu.
Fale com o autor