O Filho do Inventor
44 Capítulo 44 - Adam
Adam nunca se cansava da sensação que estar perto dos cavalos lhe trazia. Um tipo de paz. Mas, embora não se cansasse de tentar, não estava funcionando muito naquele momento. Não conseguia afastar a cabeça da visita confusa que fizera à Luma no dia anterior. Confusa porque, por um lado, ficava feliz de saciar a vontade de vê-la; por outro, se sentiu arrasado ao vê-la naquelas condições e, mais uma vez, só assim dizê-la os sentimentos. Confusa também porque, quando voltou ao Acampamento, estava mais determinado que nunca a declarar-se à ela. Então era uma mistura de satisfação, uma tristeza profunda e determinação, quase animação para dizê-la o que sentia, o que também lhe trazia a impaciência de saber o quanto poderia demorar para que ela acordasse e frustração, por não ter dito antes e agora, ter a possibilidade de ver mais um amor partir sem saber a devida importância que tinha para ele.
Mas tudo isso foi embora no momento em que fora interrompido enquanto tentava acalmar-se. Interrompimentos não ajudavam. Dependendo de quem era poderia deduzir se ficaria ali por muito tempo, se tentaria falar com ele, ou se estava apenas de passagem. Mas o rosto que viu não se encaixava em nenhuma das alternativas. Aquele rosto apenas o ajudou, afinal, era tudo o que ele mais queria ter Luma ali.
Ela se apoiava de lado, o ombro pressionado contra uma das colunas de madeira que sustentavam o teto dos estábulos. Porém, nada o sustentava, sentiu que iria cair. Suas pernas fraquejaram e começaram a tremer, não fazia mais ideia da expressão que tinha no rosto, sentia tanta coisa ao mesmo tempo. Tinha medo que fosse mentira, que houvesse ficado louco de tanto pensar apenas nela e começara a ter vislumbres de sua presença. Bom, mas isso não explicava o fato de que, de repente, ele a imaginava com mechas verdes e maquiagem. Nunca a vira assim antes. Estava linda. Mais do que ele podia aguentar. Talvez esse fosse outro motivo pra todo aquele tremor.
Sua pele, delicada como sempre, não havia perdido o bronzeado. Seu rosto, com a aparência macia de sempre, era adornado por enfeites naturais. Seus olhos, dourados, mágicos; Seus lábios, aveludados, sedutores, impactantes; Seu nariz e bochechas, rosados, delicados... E havia a maquiagem. O preto contrastante com seus olhos e com a delicadeza de suas bochechas.
Ela vestia a camiseta do Acampamento, que a deixava colorida combinada com as novas mechas verdes em seus cabelos e o avermelhado de seus lábios. Usava skinny preto, meio rasgado em um dos joelhos e em uma das coxas e seu Converse preto surrado, de cano médio.
Como sempre, seu colar dourado estava lá, pousado sobre seu colo. Engoliu em seco, percebendo que não estava sendo discreto sobre para onde estava olhando. Não que o surpreendesse que Luma fosse tão linda, nesse sentido. Não, ela sempre fora bastante... Evoluída perto das garotas que conhecia.
Um passo em sua direção. Dois. Ao aprender a controlar o nervosismo e o tremor — torcendo para que ela não os houvesse percebido -, desaprendeu a controlar a paciência. Correu até ela, segurou-a em seus braços e, para sua alegria, ela estava correspondendo. Correspondia ao seu abraço, seu afeto, seu calor. Coisa que há meses não fazia.
Cara, não sabia se aguentaria mais uma vez ficar longe dela.
Fale com o autor