O Filho do Alquimista de Aço
1 O ultimato de Dante
Notas iniciais
A Igreja que havia na cidade de Liore. Lá era onde se encontravam Lust, Gluttony, Envy, Wrath e Sloth. Todos esperavam por Dante. Eles não sabiam o que ela realmente estava querendo com aquela reunião, no entanto era algo importante, caso contrário não os chamariam ali.
Envy — O que ela está querendo nos reunindo desta maneira? Eu já estou ficando cheio! — Disse, enquanto se levantava da cadeira e se dirigia para as grandes aberturas, situadas no alto da igreja, próximas ao sino.
Sloth — Dante deve estar querendo nos dar mais informações sobre o dia prometido. — Comentou a mulher, enquanto retirava o cabelo de trás da orelha.
Gluttony — Lust, eu estou com fome! — Olhou em direção à perna de Wrath, que no mesmo instante arregalou os olhos e com medo saiu em direção a Sloth gritando.
Lust — Fique calmo Wrath, Gluttony não vai comer suas pernas, ele é um bom menino. Não irá ser grosseiro com você.
Envy — Parem de falar asneiras, estou cheio dessa ladainha toda.
Nesse mesmo instante aparece Dante, chegando sorrateiramente sem ser percebida.
Dante — Não se precipite, Envy. — Olhou friamente para ele.
Ele avistou a mulher, assustado, quando estava prestes a sair da igreja.
Envy — Ora, você me deixa nesse lugar nojento e quer que eu fique aqui por muito tempo? — Enquanto gesticulava mostrando o ambiente com os braços. — Você sabe que odeio igrejas.
Ela o ignora, desviando o olhar em direção à Lust.
Dante — Você deverá ir até Resembool com Gluttony. — Deslocou-se em direção à grande abertura, olhando para a cidade abaixo de si.
Lust estava encostada na parede, de braços cruzados, entediada.
Lust — Por que pretende que eu vá à cidade natal dos irmãos Elric? — Cruzou os olhos com Dante.
Dante — Quando O grande pai descobriu a pedra filosofal, tínhamos corpos saudáveis, apenas queríamos saber além do que poderíamos. Naquela época, o Rei de Xerxes não aguentou o poder da pedra e sucumbiu a morte humana. Com o poder dela, eu transmutei seu corpo no de seu ajudante, Van Hohenheim. Até hoje, trocamos nossos corpos, pois eles apodrecem.
Lust — Já conhecemos toda essa história, Dante. Aonde quer chegar com isso?
Dante — Homunculus não usam alquimia, pois não são humanos. Nós apenas estimulamos humanos a fazerem-na para que possamos usufruir de seus benefícios. Com o tempo a pedra perde o seu vigor e desaparece. Meu corpo já está apodrecendo. — Abriu o decote, mostrando seu colo em estado de putrefação.
Envy — Pelo amor de deus! — Revirou os olhos, enojado e irritado.
Dante — Para que eu possa continuar existindo em matéria física, preciso de uma nova pedra. A sua criação está ligada à família Elric, já que foi Hohenheim que a fez. A única forma de continuar em bom estado é poder me transmutar para outro corpo com uma pedra.
Sloth — Ou seja, precisa de algum integrante da família Elric? — Questiona, calmamente.
Dante — Exato. — Respirou fundo. — Porém, a lei mais básica da alquimia, a troca equivalente, faz-me ter sérios problemas pelo fato dos irmãos não terem mais os corpos em perfeito estado.
Lust — Dante, o que você pretende? – Desencostou-se da parede, arregalando os olhos, parecendo estar finalmente entendendo o que a mulher queria dizer.
Dante — Um novo ser humano. Preciso de alguém do sangue Elric, ligado a Hohenheim, contudo em perfeito estado.
Lust — O quê? — Estava chocada. Até para ela soava cruel demais. — Colocar mais um ser nesse mundo para quê, Dante? Você pode conseguir o corpo que quiser.
Dante — Quero um definitivo. — Falou, incisiva.
Lust — Isso não me parece viável. Qual mulher aceitaria tal coisa? — Deu alguns passos em direção à Dante.
Dante — Isso não é problema meu. Apenas desejo a criança, filho do alquimista mais velho, para usar como troca pela pedra e conseguir meu corpo definitivo.
Lust — Vidas humanas não acontecem dessa forma, sabe disso. Peça um filho ao Grande Pai. Obrigue Hohenheim a engravidar alguém. — Pensava nas possibilidades.
Dante — O Grande Pai não pode procriar, não seja tola. Hohenheim está desaparecido, além disso, sou mais fraca do que ele, como vou obrigá-lo, Lust?
Lust — Contrate alguém, tente seduzi-lo.
Dante — Ele não é burro. Não vai funcionar.
A morena arfou, dando razão a Dante.
Sloth — Parece-me um plano difícil de executar com Edward também. — Dante dá de ombros, continuando a falar.
Dante– O ponto principal já foi discutido. Chamei todos aqui para avisar que não poderei ficar de olho nas tolices de vocês, pois não estou em minha forma plena. Mantenham-se afastados de inimigos perigosos. Mesmo que os homunculus não sejam humanos, isso não quer dizer que não temos pontos fracos.
Lust — Ainda acho esse pedido uma completa loucura, Dante, por favor, escute-me. — Aproximou-se, mas a mulher parecia irredutível.
Dante — Não é um pedido, Lust. Se você é incapaz de fazê-lo, pedirei à Envy.
A morena de cabelos longos se afasta, temerosa.
Lust — Eu faço. — Abaixou o cenho, temendo o que lhe esperava nos próximos meses.
Dante — Faça o serviço direito. Primeiro se certifique que o garoto já não tem filhos espalhados por aí. Se não tiver, procure uma conhecida que esteja na idade de reprodução.
Lust — Ao menos vamos buscar uma prostituta ou alguém que precise de dinheiro. Compramos a criança dela. Apenas a pagamos para dormir com ele.
Dante — Não. Precisamos mantê-la perto ou ao menos saber de seu paradeiro para pegar a criança. Uma noite com uma desconhecida pode não dar em gravidez e ainda perderemos seu paradeiro.
Lust — Com uma conhecida é muito complicado, Dante. Como o cara vai dormir com uma pessoa que não se envolveu pessoalmente até hoje mesmo sendo conhecida? Ele vai negar.
Dante — Não vai, eu já agilizei seu trabalho. Aquela protética Winry Rockbell que ele costuma proteger é a pessoa ideal.
Lust — É uma mera adolescente, Dante. Pelo amor de deus! — Fitou o rosto da mulher, impassível. — Ela deve ser virgem, como vai aceitar isso? Não complique o meu lado.
Dante — Melhor assim, quanto mais inocente e desinformada, melhor, maior a chance de engravidar. — Girou o anel em sua mão, distraída. — Além disso, ela já possui idade suficiente para reprodução, não haverá problemas.
Lust — A garota vai recusar. Sabe disso. — Olhou o horizonte, não gostando do rumo daquela conversa.
Dante se dirige até ela com um olhar mais duro.
Dante — Não me importa, Lust. — Puxou o rosto da morena em sua direção. — Você vai até Resembool e avise a garota que daqui há algum tempo voltarei para pegar seu filho com o alquimista de aço.
Lust se contrai, irritada. Soltara-se das mãos da mulher. Ouvir com todas as letras aquelas palavras eram ainda mais revoltantes.
Dante — Sei que estou pegando em seu ponto fraco, Lust. Entenda isso como um teste. — A morena deu-lhe um sorriso debochado.
Envy — Então quer dizer que você vai usar o filho daquele nanico para transmutar seu corpo? — Depositou a mão no queixo. — Interessante.
Sloth — A troca equivalente. – Comentou, afastando Wrath, que ainda estava grudado em seu vestido.
Dante- Exatamente. — Voltou a andar em direção às aberturas.
Lust — Não é tão simples assim. E se aquele garoto rejeitá-la? Esse tipo de coisa não ocorre forçadamente para um homem.
Dante — Eu sei disso, mas a menina é bonita, toda mulher sabe o que fazer para seduzir. Você é especialista nisso, Lust. — Colocou a mão na cintura, sorrindo.
Lust — Sei como é aquele garoto abusado e, por conhecer os homens, sei que não irá ceder tão fácil.
Dante — Se a garota for intocada, ensine-a a seduzi-lo. Nenhum homem resiste a um belo par de peitos. — Lust suspirou, desistente. Por que estava se importando tanto, afinal?
Lust — Sei que não é só isso. Se a garota não aceitar, qual a condição?
Dante — Dizime Resembool. — Analisava suas próprias unhas, displicente. — Mate a avó da garota. Ameace os amigos. As coisas que você conhece bem. — Sorriu para a morena.
Lust franziu a testa, incomodada.
Lust — Isso só resolve seu interesse, onde nós ficamos nisso tudo?
Dante — Posso dar uma ajuda para você realizar seu sonho de ser humana novamente, Lust. — Fitou-a com um sorriso cínico. — Vou intervir por você junto ao Grande Pai e lhe pedir para realizar seu desejo mais sórdido.
Lust cruzou os braços, intrigada, mas ofendida pela mulher ter lhe invadido a mente para descobrir seu desejo mais íntimo. Ela jamais compartilhou isso com alguém e ver os olhares inquisitivos dos outros homunculus a fez ferver de raiva.
Lust — Quem me garante que você irá fazer isso?
Dante — Faça o serviço direito e será recompensada. Simples. Nunca lhe faltei com a palavra. — Dirigiu-se às grandes aberturas e pulou, sumindo pela escuridão.
Sloth – Parece que era apenas isso.
Envy – Que perda de tempo, Dante nos chamou aqui para dizer que aquele pirralho vai ter um filho. A única coisa que me interessava era acabar com aquele prepotente e agora vou ter de esperar até o nanico traçar a garota.
Lust — Não era apenas isso. — Lust pegou um papel que Dante deixou enquanto desaparecia na penumbra.
Gluttony se aproximou dela, lendo o bilhete.
Gluttony — Está dizendo que vocês vão atravessar o portal. – Falou, assustado.
Envy — Aquela maldita mulher apodrecida dos diabos!
Envy pulou pelas aberturas da igreja, correndo em direção à Dante. Buscaria as devidas explicações da homunculus, junto dos demais, que corriam em seu encalço. Apenas Lust e Gluttony permaneceram no local.
Lust — Parece que nossa tarefa é mais simples. — Sussurrou, enquanto olhava pela janela.
Gluttony – Se a garota não aceitar, posso comer todos daquela cidade, Lust?
Lust — É para isso que você vai junto, Gluttony. — Fitou-o com uma expressão gentil.
O sino toca.
Fale com o autor