O Filho de Poseidon
2 Indícios
Notas iniciais
Escuridão novamente...
Acho que estou me acostumando com ela. Minha única amiga. A única que sempre estará lá por mim.
Fecho os olhos, me sinto leve. Como se estivesse flutuando sobre as águas calmas de um mar inerte.
Sinto algo em meu tornozelo. Doí, e está me puxando para baixo. Prendo a respiração e sou sugado.
Não me desespero, embora não saiba nadar. Deixo-me ser levado para as profundezas. E me afogo.
Deixo a vida evadir-se de mim.
Não sinto nada. Um vazio toma conta de mim, e em seguir, uma atordoante melancolia toma conta de mim. Se enraizando em minhas veias.
A dor me deixa louco. Eu só quero que isso pare.... Levo minhas mãos à cabeça em uma inútil tentativa de abafar aquela dor.
Começo a me arranhar, pele, carne, sangue.
Sou consumido pelo sangue, que parece ter vontade própria.
Subitamente, me sinto sendo mergulhado em algo gelado. O sangue desaparece, assim como as dores. Tento abrir meus olhos, ainda com muito medo e percebo duas figuras a minha frente.... Estão dizendo algo, mas suas vozes não conseguem me alcançar.
Solto o ar que até então, não sabia que estava segurando, e ouço uma voz conhecida, perguntando se estou bem.
— O que aconteceu? – Nunca consigo me lembrar sobre meus sonhos.
— Qual a última coisa que se lembra Tyler? – Kyle perguntou gentilmente. Gostava de Ky, ele era como uma mãe em nosso grupo... Tentava cuidar de todos, e nos manter unidos – Deve estar se drogando, sabia que essa bicha estava estranha ultimamente... ‘Vo’ te contar viu. Ninguém merece – George, escandalosa como sempre... George foi pessoa que me tirou do armário, e meu primeiro namorado. Sinceramente, não sei como aturava essa criança mimada. – Deixe-o falar G... Ele estava se debatendo no colchão, e pelo olhar, também não sabe o motivo.
— Eu... – Honestamente? Não sei o que dizer para eles... Nem eu sei o que aconteceu. – Não sei.... Estava dormindo, acordei de madrugada com alguém falando no celular, e apaguei novamente.
— Ty... Você estava se debatendo, falando sobre morte, mar, sangue, deus... E umas coisas estranhas. Tem certeza que você não usou nada?
— Tenho sim Ky... Obrigado pela preocupação, mas acho melhor ir embora.... Minhas coisas ainda estão na mochila. – Disse indo para a sala, após dar um abraço apertado em ambos. Gosto de abraços.
— Onde ele está indo? – Petúnia¹ diz ao me ver saindo. – Acho que ele ‘ta’ se drogando petúnia... Passou mal e foi embora, GENTE ‘NUM GUENTO’ ISSO. – George exclamou quando o resto do grupo veio da cozinha.
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