O Filho de Hermes
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Deus - Dionísio
Lugar - Mundo Inferior
Objeto - Escudo
Nome - Drake
Enfim, perdoem qualquer erro e boa leitura ♥
Só recuperei a consciência quando senti a grama fria do mundo inferior tocar minhas mãos nuas. Minha cabeça latejava em um ritmo frenético enquanto meus olhos se acostumavam com o ambiente escuro ao redor.
- O que aconteceu? – Levantei, mas arrependi-me assim que minha cabeça começou a latejar mais rapidamente.
Tentei ignorar a dor e passei a andar pelo local, tentando vasculhar em minha mente, como eu havia ido parar ali.
Como sempre ouvira falar, as almas presentes neste local normalmente ignoravam os vivos em sua eterna colheita, mas as que notavam minha presença murmuravam algo incompreensível para mim e se afastavam após perceberem que eu não conseguia entendê-los.
A única coisa da qual eu me recordava era de uma conversa com um deus e depois... Nada. Não conseguia me recordar o assunto tratado, mas ainda conseguia me lembrar meu nome e todas as informações que eu precisava: Drake, dezessete anos, filho de Hermes.
Sinceramente... Parecia que eu estava de ressaca após uma noite de bebedeira. Não que eu tenha tido uma... Bem... Só uma vez, o.k?
Bebedeira... Dionísio. Ah, só podia ser ele pra me fazer estar de ressaca, sem nem mesmo ter bebido. É bem fácil deduzir essas coisas quando se é um meio-sangue experiente.
- Ah, quando eu encontrar aquele velho bêbado eu vou...
- Vai o quê? – A voz dele soou atrás de mim.
E lá estava ele... Ou parte dele, já que era somente uma projeção exalando um forte cheiro de uvas. Só estava visível parte de sua camisa exageradamente colorida e estampada com leopardos para cima. Seu rosto era o de sempre: um homem bochechudo com cabelos pretos encaracolados e com uma expressão que comprovava sua abstinência de álcool.
- O que aconteceu? – Tentei manter a voz calma.
- Nada de mais – Ele jogou as mãos – Só te trouxe aqui em uma dessas missõezinhas de semideuses. Nada de mais.
- Nada de mais? Você nem me consultou antes!
- Eu sou um deus, posso fazer esse tipo de coisa. Agora me deixe terminar de explicar antes que eu lhe transforme em um golfinho. Você está aqui para recuperar o escudo de um dos meus filhos.
- E por que ele mesmo não vem recuperar seu escudo? E como ele diabos o perdeu no mundo inferior?
- Um cão infernal o roubou, e ele não está em condições de vir buscá-lo, digo, condições físicas, mas não entremos em detalhes. Você tem duas horas para recuperá-lo, caso o contrário espero que seja feliz como um golfinho, estamos entendidos?
- Espera... Mas estou desarmado e sem qualquer informação que me ajuda a encontrar o escudo e...! – Tentei protestar, mas fui cortado por um ruído de objetos caindo ao meu lado.
- Agora tem. Boa sorte – E então sua projeção desapareceu.
- Filho da... – Resmunguei.
Agarrei minha espada que havia caído ao lado e junto a ela estava um mapa com uma mancha roxa de vinho marcada sobre um local. Deduzi que era lá onde estava o escudo. E ele estava bem nos jardins de Perséfone.
- Ah, esse velho me paga!
***
Não sei quanto tempo se passou, mas consegui dar um sorriso quando cheguei aos jardins. Meu rosto deveria estar sujo e arranhado do tanto que eu havia tropeçado nas rochas do mundo inferior. Sério, deveriam tirar isso daí, que perigo. Ou pelo menos colocar uma placa escrita: “Cuidado semideuses, rochas por todo o local”.
Pude ver de relance, o brilho de um escudo de bronze celestial em meio a uma das árvores fantasmagóricas do jardim. Só que tinha um detalhe minúsculo: um grande cão infernal do tamanho de um carro estava a alguns metros dele farejando uma árvore. Nada de mais.
Aproximei-me devagar e tentei ir pelo lado oposto. Eu estava indo bem. Mais alguns passos e eu conseguiria pegar o escudo sem perturbá-lo.
Assim que estava perto o suficiente agarrei o escudo silenciosamente e o puxei para perto.
- Isso! – Comemorei, mas percebi que havia sido cedo demais.
O cão percebeu minha presença e arreganhou as presas afiadas para mim. Droga! Eu era filho do deus dos ladrões, não poderia ser um pouquinho mais sutil?
- Cachorrinho bonito... – Recuei alguns passos com o escudo e minha espada em mãos.
E então ele avançou em minha direção. Rolei para a direita e usei o escudo para aparar um golpe de suas garras. E assim que ele avançou novamente, rolei para o meio de suas patas e o perfurei na barriga. O monstro se desfez nas sombras do submundo.
- Chupa otário! – Provoquei as sombras.
Sabe aquele ditado: “Alegria de pobre dura pouco?”. Ele se encaixa perfeitamente em minha vida, porque assim que estava saindo, os alarmes do mundo inferior tocaram e pude ouvir as fúrias rosnando em algum lugar acima de minha cabeça. Minha reação? Saí correndo enquanto as avós demoníacas e mais um bando de monstros que serviam de guarda começaram a me perseguir.
- Ah, droga! – Gritei. – Dionísio! Já consegui o que queria, agora me tire daqui! Pai! Alguém?! Socorro!
***
Lição da história, se você é um meio-sangue como eu, fique quietinho na sua, pois quanto mais tempo como um meio-sangue você tem, mais chances você tem de se ferrar.
E quanto a mim? Eu recuperei o escudo a muito custo, tanto que agora estou em minha cama no chalé de Hermes, TOTALMENTE ENGESSADO! Ah, mas Dionísio me paga! Nem queira saber como eu sai de lá nas costas de um cão infernal! Isso é outra história que tem um final infeliz para mim. Mas eu tirei uma lição valiosa disso tudo. Se você é mortal, não se considere azarado, você não sabe o que os semideuses passam todos os dias, o.k?
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