O Filho de Hades

2 Me atraso para o último dia de aula.


Notas iniciais
Se você está lendo essa história com a intenção de ser chata e monótona como as outras, em que o herói principal sofre mas no final sempre se dá bem, peço que pare de ler. Sabe, sempre fui fã dos vilões caro leitor, sempre torci fervorosamente para que eles vencessem e destruíssem tudo, mesmo sabendo que isso nunca aconteceria, isso me frustava bastante! Eu amo a dor, amo fazer os outros sofrerem através de meus contos, poesias e histórias. Você ainda quer continuar lendo o que escrevo ? Pois bem, boa sorte.

'' O filho do amor recorre ao filho da morte.... ''

Acordei sob um monte de neve em cima da minha cama. Cara, eu realmente odeio o Alasca, sempre me sinto estranho aqui, como se não fosse meu lugar, sinto como se... como se não sou eu mesmo quando estou aqui.
Eu moro numa cidade chamada Anchorage. Moro sozinho desde que minha avó faleceu três anos atrás.
Acima da minha cama, a janela estava aberta; podia jurar que havia fechado antes de ir dormir. Do lado de fora, no chão sob a neve, havia um bilhete negro com uma gota de sangue como adesivo. Um bilhete estranho, ele estava quente — Algo que não existia no Alasca. — A simples mensagem que o bilhete trazia era '' Ο χρόνος που έρχεται, είστε έτοιμοι? ''. Eu nunca havia visto aquele tipo de escrita na minha vida, as letras...bem, figuras, que seja, ardiam em um vermelho intenso que irradiava um calor sombrio. De alguma forma eu sabia o que estava escrito.... '' A hora está chegando, você está pronto ? '' hora... do que ? E pronto para o que ?
Fiquei pensando naquilo tempo o suficiente pra me atrasar pro colégio. Coloquei o bilhete no bolso, peguei minha mochila e fui correndo para o ponto mais próximo pra ver se o ônibus ainda estava lá, mas óbvio que ele já havia partido. Corri o máximo que pude até a escola, mas estava tão frio que eu não conseguia nem olhar em frente. Parei, era o dia da prova final, se eu a perde-se... bem, teria que ficar mais um ano no Alasca....

Eu estava desesperado, não podia perder aquele exame de maneira alguma. Baixei a cabeça, comecei a cochichar uma linguagem que eu desconhecia, meu corpo começou a ficar envolto de uma névoa negra que queimava ao tocar meus dedos, por algum motivo eu imaginei a escola, fechei os olhos e senti todos os meus nervos virarem pó.
Acordei alguns minutos depois deitado no chão cheio de neve, por incrível que pareça eu estava na porta do colégio... Mas como ?
Ultimamente vinha acontecendo coisas que eu não podia explicar, coisas...estranhas, sobrenaturais.
Ao chegar na sala, um menino loiro de olhos castanhos estava sentado no meu lugar.
– Esse lugar é meu. — disse por fim
– Ah me desculpe querido, você demorou tanto tempo que achei que poderia ficar aqui!
– É, mas não pode. Saia.
– E se eu não sair ? — O garoto ficou de pé, poucos centímetros do meu rosto.
– Bem, então eu terei que tirá-lo a força.... — Seguro a gola de sua camisa, seu corpo começa a ficar frio, ele começa a ficar pálido.
– Já chega! Robert vá para o seu lugar! — Disse o professor por fim
– Mas... O que você fez ?
– Eu... Eu não sei....
O pescoço do garoto, onde minha mão aproximara, havia ficado marcas negras semelhantes a mãos esqueléticas.
– Seu... SEU DEMÔNIO! — Grita o garoto, saindo apressado da sala
Todos começaram a olhar pra mim. Sentei desconfortável e abri meu caderno, e comecei a desenhar, como fazia todos os dias.

Os meus desenhos não tinham sentidos. Sombras com rostos distorcidos, crânios quebrados, animais sangrando, ilustrações de gritos e mortes... Aquilo me agradava de um jeito maníaco.
– Nick, já que está desenhando deve saber tudo sobre isso, poderia nos dizer por que a Guerra Fria ganhou esse nome ?
Nick se levantou.
Fico de pé, fecho meu caderno e começo a dizer :
– É chamada "fria" porque não houve uma guerra direta entre as duas superpotências, dada a inviabilidade da vitória em uma batalha nuclear. A corrida armamentista pela construção de um grande arsenal de armas nucleares foi o objetivo central durante a primeira metade da Guerra Fria, estabilizando-se na década de 1960 até à década de 1970 e sendo reativada nos anos 1980 com o projeto do presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan chamado de Guerra nas Estrelas. Mais alguma coisa ?
– Não, sente-se. — Diz o professor, me encarando com um olhar do tipo '' na próxima você não escapa ''.
Ao se sentar, percebo que um garoto está olhando pra mim. Um garoto moreno, com óculos escuros, claro. Ele usava umas roupas estranhas, como as que um modelo profissional usa nos Estados Unidos. O garoto sorri pra mim, os pelos dos meus braços se arrepiam, abaixo minha cabeça e volto para os meus desenhos.
Na esquina da escola, após as aulas, o garoto me para, olha nos meus olhos e diz :
– Seu nome é Nick não é ? Prazer em conhecê-lo, sou Thomas.
– Como sabe meu nome ? — Digo com um olhar severo.
– Sei muitas coisas sobre você filho da morte. Podemos nos encontrar em um lugar melhor ?
– Filho da... Morte?
– Onde você mora? Lá podemos nos conhecer melhor.

Óbvio que não passei meu endereço para aquele garoto, o ignorei e fui embora de ônibus. Ao chegar em casa, quando abri a porta, não podia acreditar no que estava á minha frente. Eu moro cerca de 240 quilômetros da escola, demorei duas horas pra chegar, e sentado em minha cama estava o garoto moreno de óculos escuro, o mesmo que havia encontrado na escola.

– Puxa como você demorou! Faz mais de uma hora que estou esperando você!
– Quem.... Quem é você ?
– Já disse, sou Thomas!
Avanço pra dentro de meu quarto, seguro a gola de sua camisa com força e ao mesmo tempo com muito medo, encosto-o na parede com a mão esquerda, e com a direita aponto uma faca que sempre guardava no bolso.
– Vou perguntar mais uma vez.... Quem-é-você?
O garoto começa a rir, me empurra de um jeito calmo e deita na minha cama
– Sinceramente Nick, você não é filho da Guerra, não precisa fazer isso meu garoto.
– Filho da guerra... Filho da Morte... Afinal, o que quer comigo ?!
Meus olhos deviam estar vermelhos de raiva, porque do garoto ficou sério.
– Está bem, vejo que não está com ânimo pra conversar. Nos vemos amanhã na escola?
– Saia da minha casa... Agora.
– O.K. Até amanhã então.
O garoto joga uma pétala de rosa no chão; abaixo para pegar, quando me levanto o garoto já não estava lá.

Notas finais
Em todos os capítulos, ou quase todos, começará com citações de '' profecias '' contando mais ou menos o que acontecerá no capítulo. Estou sem muita criatividade, ânimo e vontade de escrever. Odeio escrever quando não tenho uma ideia legal para o capítulo, mas muitos estão me pedindo o primeiro capítulo. O tamanho e a quantidade de palavras irá varias de um capítulo para outro, um pode ser maior que o outro, do mesmo modo que o outro pode ser inevitavelmente menor que o anterior. Pois bem, peço desculpas por esse capítulo falho. E não se desesperem quando eu demorar pra postar. Odeio fazer algo mal feito ou quando não faço com todos os meios que me cabem.