Notas iniciais
E ai? Esse capítulo terá muito mais emoções... A icógnita da paternidade do bebê ainda transcorrerá entre os Bridgerton. Quem será? Acompanhe! Boa leitura ; )

Todos ali presente encararam Francesca a qual tinha seus olhos voltados para o bebê dormindo no cesto. Michael que até então permanecera mudo e distante, afinal tal problema, até então, não competia diretamente a ele, e sim, aos homens Bridgerton, encara sua esposa.

―Você o que? ― pergunta Anthony incrédulo.

―Eu o adoto. Eu me responsabilizo pela criança. ― reafirma Francesca.

―Francesca. ― a mãe segura sua mão e a olha bem nos olhos.

―Mãe, desejo tanto ter um bebê, a senhora sabe o quanto sonho com a maternidade. Sou a única a não ter filhos, estou no meu segundo casamento e nada... A ideia da adoção já passava por minha cabeça.

―Meu bem, você e Michael tem muito tempo para tentarem ainda. ― diz Violet.

―Talvez eu não possa ter filhos. ― admite Francesca. ― Esse bebê será, talvez, o mais próximo de um filho com o sangue Bridgerton que posso ter.

Diante de tal argumento, Violet apenas sorrio para a filha. Francesca vira-se para o marido que a encara desde o momento que anunciara o desejo de adoção.

―Michael? ― chama ela, pedindo sua opinião.

Em nenhum momento o conde queria meter-se na confusão, aquele assunto não era de sua competência. Mas ao olhar para sua amada esposa, viu em seus olhos a expectativa da maternidade. Francesca sonha em ter um filho desde que era esposa de Jonh, teve um aborto logo após a morte dele e casara-se com o primo, os dois amavam-se muito e Michael queria proporcionar o filho que a esposa tanto almeja, mas nenhuma das tentativas deram resultado ainda.

Michael não podia tirar da esposa a, talvez, única oportunidade de tornar o sonho de ser mãe em realidade. Ele encarou o bebê e depois voltou a olhar para a esposa, respirou fundo e anunciou a decisão:

―Será ótimo um pouco de barulho na Mansão Kilmartin.

Francesca sorriu e Michael percebeu que tomara a decisão certa. O bebê podia ser um bastardo, podia nem ser filho dele ou de Francesca, mas ainda era um menino inocente e cuidaria dele como um filho merece.

―Tem certeza? ― pergunta Anthony aproximando-se do conde.

Os dois observaram Francesca segurar, pela primeira, o bebê no colo. Seu sorriso transbordava alegria com a possibilidade de finalmente ser mãe.

―Você ainda pergunta. ― responde Michael.

Anthony assentiu.

― Posso ajuda-lo nos cuidados dele, afinal, é um Bridgerton.

―Não se preocupe. O pequeno terá o sobrenome Stirling, será meu filho, então minha responsabilidade. ― declara Michael. ― Será o herdeiro Kilmartin.

Francesca ouve as palavras do marido e seu coração transborda de amor e alegria, Michael estava levando a ideia da adoção com muita coragem, e tal atitude só fez com que se apaixonasse ainda mais por ele, se é que isso é possível.

―Poderá gerar um escândalo. ― comenta Lucy.

―É só trabalharmos direitinho na história. ― sorri Hyacinth.

― Já pensou em tudo, não é mesmo? ― pergunta o marido percebendo o brilho no olhar da caçula Bridgerton.

―Sim. ― afirma ela e explica logo em seguida. ― O bebê é um recém-nascido. Só temos que espalhar pela alta sociedade que Francesca engravidou e veio para Londres apresentar o bebê a família.

―Mas ela nunca esteve grávida. ― Lucy aponta o óbvio.

―Quando as pessoas perguntarem, afirmem que ela descobriu a gravidez muito tarde e, por morar na Escócia, a notícia demorou a chegar. E é só alegarem que nasceu prematuro, por isso ninguém sabia até Francesca chegar com o bebê. ― explica Hyacinth.

―Sim, afinal chegamos ontem a noite. Ainda não visitamos ou vimos ninguém. ― alega Francesca.

―Quanto aos empregados, certifiquem-se que a notícia não se espalhe. ― aconselhou Violet.

―Eles poderão cogitar que o filho seja bastardo do conde. ― cogita Sophie, com experiência no caso. ― Podem achar que está assumindo-o.

―Pode deixar comigo. ― disse Michael aproximando-se da esposa, ajoelha-se a sua frente e observa com mais atenção o bebê, seu mais novo filho. ―Todos acreditarão que é nosso filho. Quanto aos empregados, saberão o mínimo possível.

―Oh, Michael... Obrigada. ― sussurra Francesca com os olhos a encher de lágrimas. O marido puxa um lenço e seca-lhe o rosto.

―As mães ficarão surpresas, irão adorar a novidade. Só temos que ter cuidado para que não estraguem o garoto com tantos mimos. ― brinca o conde.

As mães era o jeito que Francesca e Michael se referiam a Helen e Janet, mãe de Michael e do finado John, ambas sogras da condessa.

― Talvez no início, mas logo irão ficar confusos ao notarem a semelhança com Francesca, melhor, com os Bridgerton. ― diz Eloise.

―Por que diz isso? ― pergunta Francesca olhando a irmã.

―Lady Whistledown costumava dizer que os Bridgertons tinham a fisionomia parecida. ― disse Eloise olhando para a amiga.

―Eloise. ― repreendeu Penelope, corando.

―Nunca disse nenhuma mentira. ― acalmou ela. ― Afinal, todos nós temos o cabelo castanho, assim como o bebê.

Todos olharam perplexos para ela, enquanto isso, Eloise tirava a touca do recém-nascido e mostrava os fios avermelhados que cobria a cabeça do bebê que apesar de recém nascido, já tinha abundância de cabelo.

―Intrigante. ― comenta Lucy.

―Isso não importa. ― disse Francesca ninando o menino no colo. ― Já está tudo resolvido, o bebê vai para casa conosco e... Oh céus! Temos tanto a providenciar. Roupas, berço, uma ama de leite já que ainda é um recém-nascido...

―Amanhã mesmo iremos as compras. ― prometeu Violet. ― Eu mesma comprarei a primeira roupa, afinal, é mais um neto.

―Obrigada mãe. ― agradeceu a condessa Kilmartin.

―E o nome? Deixarão Daniel? ― pergunta Colin, curioso.

Francesca olha para o marido e ele assente já sabendo da proposta dela, então a condessa anuncia:

―Chamara-se John Daniel Stirling.

―Uma ótima homenagem. ― assente Violet.

Anthony ainda sentia um peso nos ombros, mesmo com toda a confusão praticamente resolvida, a dúvida da paternidade fora deixada de lado e todos tinham atenção a adoção de Francesca e Michael.

O visconde olhou para sua esposa, Kate permanecia imóvel, pálida e com olhar distante. Parara de chorar, mas ele tinha certeza que havia muitas dúvidas em sua mente. Próximo da janela, ele observou o céu escuro e Londres carregado de nuvens, suspirou prevendo que uma tempestade cairia nesta noite e temia por Kate. Mas um movimento do lado de fora chamou sua atenção, um homem estava parado, um pouco escondido nas sombras a olhar para a mansão. Anthony sente um frio na barriga o homem começa a andar pela rua deserta e ele tem um rápido vislumbre de sua fisionomia, porém sua aparência familiar faz com que tenha a sensação de já o conhecê-lo.

―Com licença, preciso de ar. ― declarou Anthony e antes que alguém questionasse, ele andou rapidamente e saiu do cômodo.

Anthony sai da mansão e vai em direção ao local onde o homem estava, olha ao seu redor, mas não vê ninguém.

―Desapareceu. ― murmurou para si mesmo, pondo a mão na cabeça.

Ele respirou fundo enquanto cogitava a possibilidade daquele homem ser o responsável pelo bebê que ficara a vigiar.

―Anthony.

O visconde vira-se e depara com o amigo da faculdade que também é seu cunhado. O duque de Hasting caminha até o meio da avenida e para a sua frente.

―Você está bem? ― pergunta com preocupação.

―Não. Minha festa de aniversário foi pior do que imaginava.

―Quem iria imaginar que um bebê chamaria mais atenção que o próprio aniversariante. ― brinca Simon.

―Nunca gostei muito de atenção mesmo. ― disse o visconde dando de ombros.

Os dois mantiveram-se em silêncio, Anthony, apesar de considerar Simon seu grande amigo, resolveu esconder o fato de que alguém espionava a casa. Sua cabeça doía, estressou-se muito com a confusão do suposto filho ilegítimo.

―Acredito em você. ― declarou Simon quebrando o silêncio.

―Como? ― pergunta Anthony, perdido.

―Acredito que não seja o pai do bebê. ― reafirma ele.

―Obrigado.

―Mas você acredita em seus irmãos?

Anthony piscou para Simon como se a possibilidade de uma mentira de um dos irmãos fosse impossível, mas será que assumiriam tão abertamente que traíram sua esposa e que o filho poderia ser seu? Mas ainda sim, é difícil acreditar que mentiriam veementemente diante de tais fatos.

―Sim, acredito neles.

―Então, como esse menino seria um Bridgerton? ― questiona o duque.

―Não sei. Mas possa ser que Eloise esteja certa, possa ser que alguém deseja que adotemos, que o transformemos em um nobre.

―E você acredita nessa possibilidade?

―Nesta noite? Confesso não saber mais em que ou quem acredito. ― confessa Anthony.

―Kate ainda acredita que seja você. Precisava ver como ela o olhou quando propôs ao Conde Kilmartin que poderia arcar com as despesas do menino. Parecia querer mata-lo só com os olhos.

―Dói saber que ela duvida de minha fidelidade. ― confessa Anthony.

―Ela o xingou de libertino. Lembrou-me como ela sempre dizia isso quando ainda estava solteira.

―Não está ajudando, Simon.

―Ela espalhava para todos que você era um conquistador e nunca permitiria que casa-se com a irmã.

―As vezes arrependo-me de não tê-lo matado naquele duelo. ― ameaçou Anthony.

―Só estou repetindo as fofocas que Daphne me contou na época, mas nós dois sabíamos que eram feitos um para outro.

―Sabiam? ― perguntou incrédulo.

―Sim. Vocês se amam, é notável o apreço que um tem pelo outro, tem três filhos encantadores e inteligentes, não são envolvidos em escândalos e todos adoram vocês. ― Simon declarou enquanto encarava o amigo. ― Hoje é uma noite difícil, mas todo casal que se ama enfrenta os problemas. Dê um tempo a Kate, ela irá perceber que não tem motivos para duvidar.

―Obrigado.

Então os dois voltaram para a mansão.

***

Todos se recolheram aos seus respectivos quartos, a mansão Aubrey Hall acomoda os casais e seus filhos.

Anthony entra em seu quarto e nota que está vazio. Tinha certeza que Kate havia se recolhido, mas ela não estava ali no quarto. Olhou atrás do biombo, nada. Então, o visconde olha para a porta lateral a qual divide com o outro quarto.

Uma ideia passa pela mente dele e avança até a porta, gira a maçaneta e certifica que está fechada. O homem respira fundo, sai do seu quarto, anda pelo corredor e para diante da próxima porta, ele gira a maçaneta e percebe que está trancada.

―Kate. ― chama Anthony batendo com leveza na porta.

Ninguém responde.

―Kate. ― chama outra vez.

Silêncio novamente, o visconde respira fundo e quase retira da cabeça que a esposa tivera a ideia de dormir, pela primeira vez, no quarto destinado a mulher. Na sua mente já começava a cogitar que onde a mulher estaria, mas ele ouve a porta diante de si sendo destrancada e depois sendo aberta.

―Anthony. ― cumprimenta.

―Kate, o que está fazendo? ― pergunta ele observando a mulher já com roupas de dormir, o rosto molhado de lágrimas e uma expressão de frieza na face.

―Hoje, dormirei aqui.

―Kate, venha para nosso quarto. ― pede ele.

―Não. Não consigo nem olhar para você sem deixar de lembrar do bebê... Não consigo.

―Por favor, volte para nosso quarto. Kate, aquele é nosso quarto.

―Eu sei, Anthony. Mas aconteceu tanta coisa nesta noite... Estou com tanta raiva de você... Dói tanto em pensar que você...

―Não sou o pai, nunca a traí. ― afirma o visconde irritando-se. ― E também machuca-me muito vendo-a desconfiar de mim.

Os dois permaneceram em silêncio.

―Hoje, dormirei aqui. ― determinou Kate.

―Retorne para nosso. ― ordenou Anthony, irritado.

―Terá que me arrastar. ― desafiou ela.

―Isso não seria problema para mim. ― sorriu ele.

Kate olhou para ele, enfurecida, e viu em seus olhos a diversão que seria carrega-la nos braços até a cama do casal. Mas aquela brincadeira, aquela intimidade, aqueles sorrisos bobos e sensuais não eram nada disso que queria. Kate estava cansada e desejava ficar sozinha.

―Anthony, eu te peço, deixe-me sozinha hoje. Preciso pensar, preciso ficar só. ― pediu Kate.

O homem observou sua mulher e passou a mão pelos cabelos, tudo que ele desejava naquela noite era dormir nos braços dela, beijá-la e declarar, pela milésima vez, o quanto a ama. Mas ela queria um tempo a sós e não a obrigaria a nada que não quisesse.

―Só está noite. E deixe a porta do meio aberta. ― concedeu ele suspirando.

―Mas...

―Deixará a porta aberta, prometo não perturbá-la ou invadir o quarto, mas ela ficará destrancada. ― exigiu o visconde.

Kate assentiu. Murmurou um boa noite e fechou a porta.

Anthony respirou fundo e voltou a seus aposentos, ouviu a mulher destrancar a porta que os separava. Trocou de roupa e fitou a cama, parecia tão grande e vazia. Ele se direcionou até a janela, a chuva começara a cair e se intensificava cada vez mais.

―Ah, minha querida Kate, a tempestade irá tirar-te o sono. ― murmurou ele já prevendo uma noite agitada. ― E eu nem estarei ao teu lado para abraça-la.

Por tempo indeterminado, o visconde permanecera em pé, rente a janela, fitando o horizonte. A festa no céu começara, os relâmpagos descarregavam seu poder e iluminava a escuridão, o trovão ribombava fazendo as janelas tremerem.

Anthony, a cada luz e a cada som, sentia um aperto no coração ao imaginar a mulher, no outro cômodo, a tremer de pânico. Ele fita a porta por minutos, esperando que ela abrisse, a qualquer instante, e se joga-se em seus braços. Mas ela não o fez.

Então, o visconde avança até a porta e abre a porta com cuidado, espia o quarto decorado de amarelo e branco, olha para a cama e sente o coração despedaçar ao encarar sua esposa sentada na cama, abraçando os joelhos e a cabeça abaixada. Ele sabia que seus olhos estavam fechados e que ela tremia a cada trovão.

―Kate. ― chamou Anthony abrindo ainda mais a porta, mas parado na soleira. ― Kate.

Ela ficara imóvel, mas levantou o olhar para ele, olhos arregalados de medo.

―Ah, meu amor. ― diz ele entrando no quarto, sentando-se ao lado dela e envolvendo-a em seus braços. ― Estou aqui, estou aqui.

Kate esquecera da raiva que estava sentindo, agarrou o marido e permaneceu dentro de seu abraço protetor. Sempre a acalmava saber que ele estava ali para protege-la, era um pensamento irracional, mas reconfortante.

Minutos passaram-se, a tempestade começou a enfraquecer até restar uma chuva forte. Os dois permaneceram em silêncio e abraçados, sentindo um o calor do outro.

―Desculpe. ― murmurou ela.

―Desculpar? ― perguntou ele.

―Por ter duvidado de você.

―Tudo bem. Não foi uma surpresa agradável.

Kate suspendeu seu olhar e encarou seu marido. Aquele homem estava ao seu lado por anos, tinham três filhos juntos, uma vida boa e tranquila. Ela era sua cúmplice e administradora da casa, mãe dos seus filhos, amante a noite... Ele sempre foi protetor, o administrador da família, um pai exemplar e marido dedicado, um amante apaixonado na cama. Durante anos, ele mostrara-se fiel, nunca houvera escândalos e nem desconfiança.

―Acho que o culpei pelo erro de outra pessoa. ― admitiu ela. ― Mas minha cabeça projetou a ideia de que você fosse o pai e...

―Como já disse, uma surpresa inesperada. Mas o menino já arranjou uma família, Francesca o cuidará como se fosse seu. O assunto será abafado. E... Eu compreendo sua atitude.

―Ah, Anthony... Eu te amo tanto! ― declarou-se Kate pondo sua mão no rosto do marido.

―Eu a amo também. ― correspondeu ele, pegou a mão dela que estava em sua face, beijou-lhe os dedos e depois beijou sua boca.

Os dois aninharam-se na cama e dormiram tranquilamente pelo resto da noite.