Notas iniciais
Oie, galera! Desculpe a demora, mas minha semana foi um pouco agitada. Mas aqui está um capitulo fresquinho. Até a próxima ; )

―Anthony.

O homem estava a horas trancado em seu escritório, sua garrafa estava na metade, seu copo vazio. Ele estava a fitar a janela, observava a noite e as estrelas a cintilar, sua mente estava um turbilhão de pensamentos, teorias e revoltas, seu corpo está exausto.

Ele não ouvira a batida na porta, mas sentiu quando uma presença tão familiar adentrou no recinto chamando-o pelo nome, mas ele não se virara e nem tinha dado atenção.

―Anthony, qual é o problema? ― perguntou ela novamente tocando-lhe o braço.

―Não quero falar sobre isso agora. ― disse ele categoricamente.

―Tudo bem, mas venha se deitar. Já está tarde.

Anthony olhou para sua esposa, preocupação e a paixão brilhava em seus olhos. Ele sentira o desejo imenso de abraça-la, beijá-la e fazer amor com ela até que o cansaço o leva-se a dormir.

―Estou indo. Peça para que preparem um banho para mim.

Kate assentiu e saiu do recinto. Ela está preocupada, o que estava tirando a paz do seu marido? Anthony não costuma se trancar no escritório ao menos quando há algum problema a resolver, mas estava bebendo. Bebeu muito. Algo o atormentava e isso também preocupava sua esposa.

A viscondessa pediu a uma criada para preparar um banho e pediu para que o avisassem quando estivesse tudo pronto. Em seguida, ela foi até a ala infantil, abriu a porta do quarto e viu sua filha Charlotte já com a roupa de dormir e a babá tentando coloca-la para dormir.

―Tudo bem, eu fico com ela. Pode se retirar. ― disse Kate.

―Boa noite, senhora. ― cumprimentou a babá sorrindo. ― Boa noite, pequena Charlotte.

―Boa noite, sra. Lockwood. Melhoras.

― Ah sim, a febre... Como está? ― perguntou Kate antes que a mulher saísse do quarto.

―Melhor, milady.

Kate assentiu e a babá saiu. Ela observou a garota ir até a escrivaninha e pegar um livro, entregou a mãe e deitou-se na cama.

―Paramos na página 23. ― informou a criança.

Kate sorriu, já lera aquele livro para seus filhos Edmund e Miles quando estes eram crianças, lera também para seus sobrinhos quando Colin e Penelope a visitou anos atrás. Agora, estava a praticar o mesmo ritual, mas agora com sua filha caçula.

―Papai ainda está trabalhando?

―Sim, querida. ― respondeu Kate folheando o livro até encontrar a página correta.

―Achei que estivesse de castigo. ― comentou a pequena.

―De castigo? ― perguntou a mãe, curiosa.

―Quando faço algo de errado, a senhora ou babá Lockwood colocam-me aqui no quarto, sem poder me levantar da cadeira e sair. Achei que tinham colocado o papai de castigo também.

―Oh não, querida. Seu pai não está de castigo. Mas teve muito trabalho hoje, por isso ficou tanto tempo no escritório. ― explicou Kate, mentindo.

Charlotte ficou em silêncio por alguns instante, como se cogitasse a explicação da mamãe. Depois sorriu e pediu para a mãe ler. Kate sorriu de volta para a filha e narrou as aventuras de Alice no País das Maravilhas.

***

Quando Kate adentrara no quarto do casal, Anthony já havia tomado seu banho e vestia roupas de dormir. A mulher foi até ele, segurou suas mãos e olhou em seus olhos.

―Anthony, o que houve? ― perguntou ela.

―Ah Kate... ― o homem suspirou, segurou o rosto de sua esposa, olhou em seus olhos e depois fitou sua boca, desejava-a, necessitava do calor de seu corpo, queria sentir suas carícias.

Anthony a beijou, de início foi tranquilo, mas depois seus lábios ficaram mais ferozes, sua língua explorou a boca de sua esposa, suas mãos envolveram a cintura dela e puxou-a para si, colando os corpos. Pelas roupas, podiam sentir seus seios comprimindo seu peito, sua ereção pressionando o abdômen dela. As mãos dele desceram e apertaram os músculos das nádegas dela enquanto um gemido escapou-lhe os lábios.

Os dois foram para a cama, as roupas do visconde foram retiradas e o vestido dela também foi para o chão. Entre beijos e carícias, o homem começou a afundar-se em sua mulher, provocando-lhe gemidos, suspiros e espasmos de prazer. Kate enlaçou suas pernas em volta dele e passou suas mãos pelo tronco de homem acima dela, um sorriso bobo passou pelos lábios dele e um beijo de paixão foi trocado por eles enquanto ambos alcançavam o clímax.

Depois de sexo e do orgasmo, ambos estavam abraçados e exaustos. Ele permanecia, em parte, sobre ela, com a cabeça apoiada no vale entre seus seios e ele escutava o som do coração dela a bater vigorosamente até acalmar-se por completo.

―Eu descobri uma coisa hoje, Kate. Várias na verdade. ― disse ele.

Em meio a escuridão, abraçados e depois de fazerem amor, Anthony sentia mais calmo e mais seguro para dividir suas descobertas com sua esposa.

―O que descobriu? ― perguntou ela, incentivando-o a falar.

―A paternidade de John.

Kate respirou fundo algumas vezes, aquele assunto trazia-lhe lembranças de uma noite cheia de tensão e desconfiança, o aniversário do marido ficara marcado para sempre.

―Quem é o pai? ― perguntou ela.

―Edward Armstrong. ― revelou.

―Mas... Achei que fosse um Bridgerton.

―E ele é.

―Como assim, Anthony? ― perguntou ela confusa.

―Edward é meu meio-irmão. Um filho bastardo de meu pai.

O visconde ouvi sua mulher suspirar de surpresa.

―Explique. ― pediu ela.

―Minha mãe e meu pai tiveram um desentendimento que durou semanas, ela estava grávida de Colin na época, lembro-me que nesse período mamãe ficava trancada no quarto, enquanto meu pai vivia a sair ou preso no escritório.

―Ele teve m caso com uma criada. ― adivinhou Kate.

―Minha mãe nunca ficou sabendo. A sra. Armstrong foi embora ao descobrir a gravidez e recebeu dinheiro do meu pai mensalmente.

Kate começara a acariciar seu marido que mantinha-se deitado sobre ela, os dedos dela bagunçava seu cabelo, acalentando-o.

―O caderno de anotações do meu pai. Quando ele morreu e eu assumi as responsabilidades da propriedade, havia uma pequena quantia que ele separava mensalmente, mas nunca descobri qual era sua despesa e a ignorei com o tempo. Agora sei qual era o objetivo. ― declarou Anthony.

―Como soube que Edward é pai de John?

―Na noite em que o bebê chegou, vi um homem na rua a espreitar nossa casa. Mas quando fui para fora, ele havia sumido. Reencontrei no parque hoje, confrontei-o e ele confessou tudo.

Anthony contou a Kate sobre o passado de Edward, a partir da morte do pai e a falta de dinheiro, as perspectivas de estudo, o casamentos, os filhos e a morte da esposa, o tormento da entrega do filho e a atual situação com suas filhas.

―Sabe o que mais dói nessa história toda? ― perguntou Anthony levantando a cabeça pela primeira vez desde seu relato e encarou a esposa. ― É saber que meu pai, meu herói, meu exemplo de vida, meu espelho... Ele traiu minha mãe e escondeu de todos o seu filho.

Kate sabia que a imagem de homem exemplar que fora Edmund orgulhava seus filhos e esposa, principalmente ao filho mais velho que seguiu os passos dele, até acreditava que morreria antes de completar 38 anos. E agora, com essa notícia, a boa imagem do falecido visconde Bridgerton estava maculada.

―Anthony, o que seu pai fez foi extremamente errado. Traiu sua mãe em um momento delicado da vida dela e escondeu um filho o qual poderia ter um futuro melhor e não precisasse ter que dar o filho...

―A culpa é toda do meu pai! Nunca imaginei que ele teria coragem... Eu sei que todos nós nos vangloriamos de como ele foi um ótimo pai, um bom marido, um homem responsável e fiel e... A culpa é dele. ― exclama Anthony transtornado sentando-se na cama e segurando a cabeça com as mãos.

―Anthony, seu errou sim, mas não pode culpa-lo por tudo. Ele tentou ajudar da melhor maneira possível sem manchar a imagem da família ou trazer transtornos para sua mulher e seus filhos. Ele se responsabilizou enviando dinheiro para seus estudos, mas ninguém teve culpa que ele morreu e Edward ficou a mercê do destino, vocês também ficaram e ninguém pode culpa-lo, pois foi um acidente. ― argumenta Kate pondo a mão nas costas dele. ― Mas quem sabe agora você não possa... Sei lá... Tentar reparar.

―Ajudá-lo? Sim. Afinal, ele é um Bridgerton. E um Brigerton sempre ajuda o outro. ― decidiu Anthony.

―Sim, faça isso. Tente ajuda-lo de alguma maneira. Talvez ficando responsável pelo dote das meninas ou contratar alguma preceptora para elas. Com quem deve ficar já que ele trabalha?

―Não sei. ― respondeu Anthony pensando pela primeira vez em como ajudar a vida de Edward. ―Mas farei algo em relação a isso.

Ambos ficaram em silêncio por um momento, cada um imerso em seus pensamentos.

―Então, o pequeno John, de certa forma, é um Bridgerton. Ele é ilegítimo, assim como dizia a carta. ― lembrou-se Kate.

―Sim. ― concordou ele. ― Uma carta com várias interpretações não?

―Sim. Diga a ele que tem talento para mistérios, Edward tem que escrever um livro. ― comentou Kate.

E assim, o visconde deitou-se ao lado de sua esposa e dormiu.

***

Dias depois, Anthony procurou por Edward no escritório de contabilidade onde trabalha. O local fica na zona comercial da capital, onde grandes lojas, indústrias e consultórios estavam concentrados.

O visconde adentrou ao local, pediu para falar pessoalmente com o sr. Armstrong e depois foi direcionado para a mesa onde trabalhava. Quando o viu a preencher planilhas sobre sua escrivaninha, Anthony lembrou-se de seu pai quando sentava-se na mesa do consultório e calculava os lucros e despesas das propriedades.

―Sr. Armstrong. ― chamou Anthony quando parou de frente para ele.

―Lorde Bridgerton. ― cumprimentou ele, surpreso e levantou-se.

―Por favor, chame-me de Anthony. ― pediu o visconde estendendo a mão.

―Pode me chamar de Edward, então. ― apertou a mão de volta.

Os dois se sentaram. Edward, sempre organizado e meticuloso, arrumou os papeis que espalhavam-se sobre a mesa, encostou-se no respaldar da cadeira e fitou o nobre a sua frente, curioso por sua visita, mas já prevendo que entraria em contato.

―Sua existência, desculpe o termo, pegou-me de surpresa. ― começou Anthony. ― Os dias que se passaram fizeram-me refletir muito e eu gostaria de ajuda-lo.

―Ajudar-me?

―Sim. Você disse que quando tinha 12 anos o dinheiro mensal parou de ser entregue e a situação financeira que enfrentou com sua mãe foi difícil. Não culpe meu... nosso pai por causa disso. Foi o ano que viera a falecer por um incidente e, como ninguém nunca soube de sua existência, o dinheiro nunca mais fora enviado.

―Suspeitei disso quando soube o ano em que o visconde morrera. ― comentou Edward.

―Por causa de problemas financeiros e a falta... de uma presença feminina, você e seus filhos ficaram desamparados. E eu gostaria de ajuda-lo.

―Ajudar-me em que, necessariamente?

―Quanto a John eu não posso ajuda-lo mais, está sobre responsabilidade de minha irmã Francesca e de Michael, será o herdeiro do condado Kilmartin, terá boa educação e será amado.

―Alegra-me saber que meu filho... Que o John. ― corrigiu Edward desconfortável com a nova realidade. ― esteja seguro e será amado.

―Como pediu na carta, o bebê tem como segundo nome Daniel. ― informou o nobre.

―Obrigado. Era o nome escolhido por Jéssica caso fosse um menino. Eu pedi na esperança que o desejo dela fosse realizado. ― explicou o contador.

―Quanto a suas outras filhas, gostaria de ajuda-las.

―Por que ajudar? ― indagou Edward.

―Podem não ser legítimos, mas vocês ainda são Bridgerton. E os Bridgerton cuidam uns dos outros, somos unidos e apoiamos uns aos outros.

Edward ouviu as palavras serem entoadas com orgulho e paixão, mas elas não se encaixam em sua realidade.

―Não sou um Bridgerton.

―Pode não ter herdado o sobrenome, mas carrega o sangue Bridgerton.

Um silêncio pairou sobre os dois por alguns segundos. Edward achou bonita consideração que Anthony demonstrava por ele, mas sabia muito bem qual era o seu lugar e este nunca seria na alta sociedade ou sendo reconhecido como nobre.

―Quero ajudar com suas filhas. Quem sabe proporcionando um bom dote para elas? Podem arrumar bons pretendentes no futuro. ― sugeriu o visconde.

―Desculpe, mas não aceito. O dote é de responsabilidade do pai. Juntarei uma boa quantia para as duas até atingirem a maturidade. ― declarou Edward.

Anthony notou a expressão decidida e a firmeza na voz, características que lembrava-lhe o pai e até ele mesmo em algumas situações.

―Então posso ajuda-lo na educação. Posso pagar uma boa escola para moças quando elas atingirem a adolescência. ― sugeriu Anthony.

Edward ficara em silêncio, uma escola de moças só aceita filhas de nobres, com exceção de tuteladas e filhas de médicos ricos e advogados, tal oportunidade pode alavancar as chances das filhas conseguirem um bom marido no futuro ou quem sabe um bom emprego como governanta ou assistente pessoal de uma dama da alta sociedade.

―Confesso que tal regalia talvez nunca possa proporcionar a elas. ― confessou o contador.

―Não se preocupe. Responsabilizo-me a cuidar da educação delas quando tornarem-se moças. ― disse o visconde sorrindo. ― Mas e hoje? Com quem elas ficam enquanto trabalha? Há alguém que possa ensinar-lhe?

Edward incomodara-se com tantas perguntas íntimas, mas compreendia a atitude do visconde, queria ajudar.

―Pago a sra. Hunter para que cuide das meninas e fique responsável por seus estudos. A senhora é uma ex-governanta dos Pennywoods e adora Mary Anne e Elizabeth.

Anthony notara que até o momento não sabia o nome das garotas.

―Então está decidido. As meninas estudarão na Escola para Moças da Srta. Moss, dizem ser excelente. ― disse Anthony, mas o mesmo não entendia nada sobre educação feminina, só sabia que uma de suas cunhadas frequentara tal escola.

―Obrigado, milorde.

―Nada de milorde, já combinamos que pode me chamar de Anthony.

Edward assentiu, mas sentia-se desconfortável com tal intimidade.

Os dois despediram-se e o visconde saiu do escritório de contabilidade, estava mais tranquilo consigo mesmo, pois a conversa fluíra de maneira satisfatória.

Notas finais
Deixem seus comentarios e até a próxima ; )