Notas iniciais
Olá galera. Finalzinho de domingo, dia dos pais e hoje trago para vcs a novidade que tanto almejam. Para comemorar o dia dos pais, nada melhor que a revelação da paternidade de John Daniel! Boa leitura ; )

Querida Kate, o pequeno John veio para iluminar nossas vidas. A alegria que esse bebê trouxe a vida em Kilmartin é indescritível. Helen e Janet brigam entre si para terem a atenção dele, Michael sempre rouba ele dos meus braços e anuncia que ensinará a arte de cavalgar e conquistar mulheres antes mesmo dele aprender a andar.

Não importa para mim a sua paternidade ou de qual classe social viera sua mãe. O importante é que adotá-lo foi a melhor decisão que poderia ter feito. Mas é intrigante que o comentário de Eloise estava certo quando disse que ninguém suspeitaria da legitimidade quando vissem os cabelos dele, John tem fartos cabelos castanhos e ondulados, assemelha-se a família.

[...]

Carta de Francesca Stirling, condessa Kilmartin, à Kate Bridgerton.

4 meses depois do ocorrido.

Meses depois do ocorrido, a família Bridgerton acalmou os ânimos e os murmúrios sobre o assunto, ninguém cogitava mais as origens do bebê que fora deixado ali. Anthony e Kate voltaram a ser um casal feliz, a reconciliação traumática havia unido ambos mais ainda. Ela pensava que tal tragédia havia feito-a refletir o quanto o marido é importante na sua vida, essencial como o ar ou a água, a ideia de perde-lo para outra mulher a havia enlouquecido, mas hoje duvidava que fora Anthony o infiel, apesar de que as vezes pegava-se cogitando quem será mãe verdadeira do pequeno John, uma criada talvez.

―Mamãe. ― chamou Charlotte.

―Sim?

Charlotte apareceu diante da porta do escritório de Kate a qual estava a fazer as contas sobre as necessidades da casa e o salário dos criados.

―Pode ajudar-me com a lição de matemática, estou tendo dificuldades com as somas.

―É claro, mas onde está sua preceptora?

―A srta. Lockwood já se recolheu, estava com febre.

―Ah sim, a governanta informou-me. ― disse Kate lembrando-se do recado dado a vinte minutos atrás.

―Ela pediu para que eu terminasse o exercício, mas está difícil.

―Vem cá. Eu ajudo.

Então, Kate deixou suas contas de lado e foi ensinar a filha de seis anos.

***

Anthony caminhava pela Hyde Park, voltava para casa depois de uma visita ao amigo Duque Hasting e a irmã Daphne. Fora lá, na verdade, para que Simon assinasse alguns papeis pertinente ao Estado, mas aproveitara e tomara um chá com a irmã. Na saída, com o dia ensolarado depois de cinco chuvosos, resolvera volta para a Casa Bridgerton a pé. Dispensara a carruagem e começou a caminhar pelas ruas e depois adentrou no parque, cumprimentou algumas damas da alta sociedade e o velho marquês Waterfall.

Porém, ele parara instantaneamente quando avistou um homem com trajes mais modesto, porém impecáveis, andando a alguns metros dele. Anthony reconhecera ele, a mesma silhueta, o andar e os cabelos ondulados debaixo do chapéu era as mesmas características daquela pessoa que estava a observar Aubrey Hall na noite do bebê.

O visconde começara a andar mais rápido, precisava ver o rosto daquele homem e conferir se era o mesmo daquela noite e saber o porquê estava a espreitar a casa. Mantendo os olhos fixos no homem, aproximou-se e tocou no ombro.

―Boa tarde. ― cumprimentou.

Quando o homem virou-se, Anthony tomou um susto. Esse a sua frente era o mesmo daquela noite, mas o fato mais impressionante era que seu rosto possuía características familiares...

―Milorde. ― cumprimentou o outro, curvando-se.

―É você... Você é... ― Anthony não conseguia expressar-se, sua atenção estava totalmente focada no rosto do outro.

―Senhor Bridgerton, eu... Preciso realmente ir. Com sua licença...

―Espere. ― interrompeu ele, impedindo a saída do outro. ― Como sabe quem sou?

―Ora, senhor. É o Visconde Bridgerton, quem em Londres não o conhece.

―O que estava a espionar minha casa há alguns meses atrás?

―Perdão, mas não sei do que o senhor está se referindo...

―Não queira bancar o inocente. Eu o vi, naquela noite e estava a observa a festa.

O homem respirou fundo, não tinha como escapar.

―Sim, milorde. ― confessa ele.

―E o bebê?

―Meu filho caçula. ― declara ele.

Anthony olha-o horrorizado, que pai teria coragem de abandonar o próprio filho na porta de uma mansão? E pelas roupas que usa, não era tão pobre assim.

―Por quê? ― pergunta o Bridgerton.

―Podemos nos sentar? ― convida o outro, apontando para um banco.

Ambos caminham em silêncio, sentam-se encarando as flores que abrem-se para o sol naquele fim de primavera, o verão aproximava-se e todos sentiam a atmosfera quente da estação.

―Senhor Bridgerton, o que tenho a revelar é... Talvez não vá acreditar e acuse-me de blasfêmia e oportunismo, mas falo a verdade.

―Primeiramente, diga-me seu nome.

―Edward Armstrong.

―Conte-me.

―Minha mãe, Carine Armstrong, era criada em Aubrey Hall há muitos anos. Era responsável pela limpeza, cuidava de toda casa e estava lá desde o nascimento do herdeiro primogênito. ― começou ele e voltou seu olhar para o nobre ao seu lado. ― No caso, o senhor.

―Continue. ― pediu Anthony engolindo em seco.

―Quando a Lady Bridgerton engravidou-se do terceiro filho, o casal teve um desentendimento horrível. Todos comentavam como era possível tal casal ficar tanto tempo sem se comunicar, Lady Bridgerton passou a gravidez toda trancada em seu quarto. Lorde Bridgerton ficou nervoso por semanas e... Foi na minha mãe que procurou consolo.

―Está insinuando que meu pai teve um caso com uma empregada? ― perguntou incrédulo.

―Senhor, avisei que talvez não conseguisse acreditar, porém o senhor mesmo pediu para que contasse... meus motivos. Para isso tenho que narrar um pouco minha história.

―Continue então.

―Tal envolvimento durou pouco, mas o... estrago, pode se dizer assim, já estava feito. ― disse Edward rindo da própria desgraça. ― A criada engravidou. Lorde Bridgerton soube do ocorrido e conseguiu um acordo com minha mãe. Ela iria se demitir e moraria longe da capital, com isso, ganharia uma mesada para cuidar do bastardo. Fui criado no vilarejo de Port Allen, a oeste, próximo do litoral.

―Sim, eu sei onde fica tal vilarejo.

―O acordo durou por 12 anos. Nunca soube quem era meu pai e também de onde vinha tal quantia sempre dos correios, minha mãe trabalhou como governanta na casa de um barão, mas a quantia que ganhava não justificava a nossa estabilidade econômica. Tive uma educação excelente até a época de entrar num colégio para cavalheiro.

“Porém, quando eu tinha uns 12 anos, o dinheiro parou de chegar. Nossa situação complicou e tive que parar com minha boa educação, trabalhei na casa do barão como valete, juntei dinheiro e vim para Londres com o sonho de estudar. Trabalhei como jardineiro na mansão de um nobre e cursei Contabilidade a noite.

“Nesse período conheci Jéssica, minha esposa. Nos casamos e tivemos duas filhas e um menino, mas ela morreu há alguns meses no parto do rapaz. Eu fiquei desesperado, tinha agora duas meninas e um recém-nascido para cuidar, sozinho e desempregado.

“Tive uma ideia louca, mas necessária. Precisava assegurar um futuro melhor ao menino. Então, deixei-o na mansão na esperança que... pelo menos, fosse um tutelado.

Edward ficou em silêncio, olhava para as flores a esperar. Anthony fechara os olhos e tentava absorver aquelas revelações. Ele podia alegar que aquele homem irresponsável estava inventando tudo. O Visconde não queria acreditar na infidelidade do pai, não acreditava possuir um meio-irmão e que o filho dele agora estava aos cuidados de sua irmã Francesca. Porém...

―Você é muito parecido com ele, sabia. ― comentou Anthony, suspirando.

―Que?

―De todos os meus irmãos, sempre achei que Daphne era a que se assemelhava mais com meu pai. Os cabelos, os olhos, as maçãs do rosto... Mas você parece a versão jovem dele. É como se encarasse meu pai quando ele tinha...

Anthony não conseguiu terminar, percebeu o olhar curioso que Edward lançara para ele. Ele, o mais velho da família, sempre teve uma boa memória de quem foi Edmund Bridgerton, a semelhança deste com o filho bastardo tiraria todas as dúvidas diante da paternidade. Não era de espantar que o seu filho se assemelha a família, afinal, era neto de Edmund.

―Nunca soube quem era meu pai. Minha mãe não escondeu que eu era um bastardo, mas nunca revelou o nome dele. Não até seu leito de morte quando me contou.

―Sinto muito, por sua mãe e por sua esposa. ― disse Anthony sem saber mais o que dizer.

―Obrigado, milorde.

Ambos os homens permaneceram em silêncio, um sem encarar o outro. Edward ainda esperava a decisão do nobre ao seu lado, para ele é uma ideia estranha pensar que aquele senhor imponente e rico era seu irmão, mas era difícil imaginar que sempre levara uma vida solitária, não teve irmãos e sempre viveu com a mãe, entretanto parou para pensar que tinha, na verdade, oito meios-irmãos. Todos nobres. Todos inalcançáveis.

―O que houve com suas filhas? ― perguntou Anthony, curioso.

―Moram comigo.

―Não pensou em desfazer-se delas também?

As palavras do nobre feriram Edward com gravidade, eram palavras que soavam inocentes, mas tinha um teor acusatório por trás. Lembrou-se do seu filho, seu varão. Orgulhou-se tanto quando soube que era um menino, mas a morte de Jéssica tornou tudo muito difícil. Edward não tinha condições de cuidar de um recém-nascido, não teria condições de pagar uma ama de leite, ainda tinha as meninas para cuidar e sofria profundamente pela morte da amada.

―Não, senhor. ― respondeu por fim. ―Tento cuidar delas da melhor maneira possível. Elas acham que o menino morreu.

―Foi o que contou a elas? Que o bebê morreu?

―E o que mais diria a uma menina com 6 e outra com 4 anos? Que o pai não tinha condições de cria-lo, correndo o risco de morrer? Que eu tive que o entregar como filho de um ilegítimo para vê-lo em um futuro melhor?

Anthony permaneceu calado, a situação que esse homem passou foi crítica, não conseguia julgá-lo.

―Eu quero seu endereço, desejo entrar em contato com o senhor. ― pediu o visconde, levantando-se.

Edward levantou-se também, tirou do bolso do seu paletó um cartão e entregou ao visconde.

―Consegui um emprego em um escritório de contabilidade. ― informou ele, sorrindo.

Anthony ficou mais aliviado, ainda bem que ele encontrara um emprego, afinal, ainda havia mais duas meninas para cuidar.

―Eu entrarei em contato. ― anunciou Anthony e estendeu a mão. ― Foi uma surpresa conhece-lo, Senhor Arsmtrong.

―Devo imaginar que tenha sido mesmo, Lorde Bridgerton. ― cumprimentou de volta o homem.

Anthony afastou-se, a caminhada até sua casa fora cheia de pensamentos e sentimentos, buscava entender toda aquela revelação. Ao chegar, anunciou ao mordomo que não queria ser interrompido por ninguém, sem exceções e trancou-se no escritório. Com o whisky na mão, o homem encarou o retrato do pai que estava pendurado.

―Pai, como pode fazer isso? ― perguntou Anthony com lágrimas nos olhos.

Notas finais
E aí? O que acharam? Comentem! Até a próxima! ; )