O Filho Perdido
2 Capítulo 2
Notas iniciais
A noite londrina permanece a chover enquanto carruagens dirigem-se a casa Bridgerton.
Lady Bridgerton, com seu andar tranquilo e sorriso estampado no rosto, observa o filho mais velho cumprimentar os convidados. O seu primogênito amadureceu cedo, perdeu o pai, seu herói, quando estava saindo da adolescência e teve a responsabilidade de ajudá-la a criar os outros sete irmãos. Anthony foi um pai que muitos não puderam desfrutar com Edmund e, agora, o filho mais velho é um homem com 3 filhos, uma esposa amada, uma saúde invejável e um sorriso largo nos lábios ao implicar com os irmãos.
Na Mansão Aubrey Hall, Kate havia feito um ótimo trabalho organizando uma festa íntima para comemorar o 45º aniversário do marido. Todos os Bridgertons e seus correspondentes companheiros estavam ali, além de seus filhos que corriam e gritavam, correndo pelo jardim ou brincando na ala infantil enquanto enlouquece as empregadas e babás.
― Mamãe? ― pergunta Anthony ao perceber que Violet o encara.
―Oh, não é nada... Estava apenas pensando que o tempo passa rápido, não é mesmo? ― diz Lady Bridgerton.
―Está me chamando de velho? ― pergunta ele sorrindo.
―Não sei se ela admitirá, mas sim. Afinal, todos estão aqui para lembra-lo exatamente disso. ― comenta Colin que juntou-se a conversa.
―É tão bom vê-los todos aqui reunidos, nesta casa... Mas é tão diferente, todos cresceram, estão casados, já tem seus filhos. ― comenta Lady Bridgerton olhando em volta, sua voz entoou nostálga ao lembrar-se de quando morava ali com seus filhos e seu marido.
―Sim, faz tanto tempo. ― confirma Anthony buscando em sua memória as mesmas lembranças da mãe.
Porém, o momento nostálgico é interrompido quando David, filho de Daphne, e Oliver, enteado de Eloise, entram na sala de visitas a correr entre os adultos e soltando altas gargalhadas.
―Oliver! ― repreende Philip olhando o filho correr pela sala.
―David, pare agora. ― ordena Simon segurando o filho de onze anos pelo braço enquanto tenta não derrubar o whisky em seu copo.
―A sala não é lugar para correr. ― reclama Philip olhando severamente para o filho.
―Pai, estamos fugindo de Amanda e Caroline. ― explica Oliver enquanto tenta controlar a respiração ofegante.
―Sim, as duas estão com tacos de Pall Mall em mãos, querem usar a gente como bolas. ― David completa a explicação do primo.
O duque e o barão se entreolham e soltam um suspiro de cansaço, Amanda e Caroline podiam tornar-se terríveis quando queriam implicar com os irmãos e os primos.
―Eu resolvo isso. ― disse Eloise pegando na mão de Oliver e David, girando para que ambos os garotos a encarassem. ― O que aprontaram com elas?
―Por que supõe que a culpa é deles? ― pergunta Philip levantando uma das sobrancelhas.
―Garotos adoram atrapalhar as brincadeiras das meninas. ― explica Eloise olhando o marido e dando um sorriso. ― Tenho quatro irmãos que me perturbaram muito.
―Não posso discutir com isso. ― admitiu o botânico bebendo um gole do whisky.
―Então, meninos? ― pergunta Eloise olhando com seriedade.
―Bem, nós ... ― começou David, mas foi interrompido quando o primo deu uma cotovelada avisando para não contar nada.
―Se não me contar, eu vou chamar Caroline e Amanda para deixar que elas lhe batam com os bastões. ― ameaçou Eloise.
―Não faria isso. ― desafiou David.
―Não vou perguntar de novo. ― ameaçou a baronesa olhando para Oliver. ―Conte-me.
―Derramamos tinta nas pinturas delas. ― explicou o garoto por fim.
―Eu sabia, pois as vi quietinhas pintando no jardim. Vão pedir desculpas. ― ordenou Eloise. ― Venham.
Assim, a baronesa saiu acompanhada dos dois garotos e deixou Simon e Philip terminarem a bebida enquanto voltavam a conversar.
Do outro lado da grande sala, Kate e Sophie cumprimentavam os recém chegados Gregory e Lucy, acompanhados da filha primogênita Katharine que está a completar um ano de vida.
―Lucy. Como está? ― pergunta Kate ao aproximar-se da jovem que carregava a bebê nos braços. ― E como está minha chará?
―Dormindo. ― explicou Lucy ninando a criança que tinha os cabelos desarrumando e a boquinha aberta. Kate notou a cor dos fios, o mesmo castanho de todos os Bridgertons.
―Tão serena dormindo. ― comentou Sophie alisando a bochecha rosada da pequena.
―Por enquanto, quando despertar irá querer andar por todo o jardim. ― brincou Lucy.
―Ah sim, já deve estar a dar os primeiros passos. Ficam tão eufóricos para aprender logo. ― comenta Sophie sorrindo.
―Venha, Lucy. Vamos colocar a pequena Kate para dormir na ala infantil. ― disse a anfitriã que guiou a cunhada pela mansão.
Enquanto isso, Gregory vai de encontro ao irmão mais velho, o abraça desejando feliz aniversário e depois volta sua atenção para a mãe que já pergunta pela neta.
―Dormiu a caminho. ― explicou Gregory.
―Deve estar na ala infantil, vou paparicar minha netinha querida. ― disse Lady Bridgerton se voltando para a porta e deparando-se com a esposa de Benedict.
―E eu achando que minha filha Violet era a netinha querida. ― brincou a Sophie.
―Todos os meus netos são queridos. ― admitiu a viscondessa viúva.
―Vamos, irei acompanha-la.
E as duas saíram da sala de visitas em direção a ala infantil.
―É impressionante como as mulheres só falam nas crianças. ― queixou-se Colin ao observar a mãe e a cunhada se afastarem.
―Colin está com ciúmes que Penelope só tem atenção agora para a pequena Jane. ― brincou Benedict ao se aproximar da pequena reunião dos irmãos Bridgertons.
―Já perdi a atenção de minha esposa desde que Agatha nasceu. ― disse Colin simulando frustração, lembrando-se dos seus três filhos, sendo a pequena Jane um bebê de alguns meses.
―Ser pai é compreender que só terá sua esposa a noite, pois durante o dia a atenção dela é, e sempre será, para as crianças. ― aconselhou Anthony que também tinha três filhos.
―Sorte de Gregory, pois só tem uma filha ainda. ― comentou Benedict.
―Dá para aproveitar bastante ainda. ― acrescentou Colin.
―Dois. Lucy está grávida novamente. ― revelou Gregory sorrindo de expectativa. ― ela dirá a novidade a todos hoje.
― Parabéns, meu irmão. ― disse Benedict pondo uma mão no ombro dele.
―Sim, bem vindo ao mundo dos homens que só veem as esposas a noite, depois das crianças dormirem. ― brincou Colin sorridente.
―Ótimas noites, por sinal. ― comenta Gregoy com um sorriso devasso.
E os quatro homens Bridgertons riem, chamando a atenção de todos na sala.
―O que é tão engraçado? ― indaga Hyancinth observando os quatro irmãos.
―Nada. ― responde Anthony.
Benedict dá de ombros e afasta-se para conversar com Gareth, ambos são talentosos com desenhos, gostam de conversar sobre formas, cores e estilos.
Colin dá um sorriso zombeteiro para a irmã caçula.
―Coisas de homem. ― explica Gregory que sempre gostou de implicar com a irmã caçula.
Hyancinth, que sempre gosta de saber de tudo e todos, começa a perturbar Gregory e Colin para saber o motivo de tais risadas escandalosas, mas os irmãos apenas dão respostas evasivas sabendo que isso só iria irritá-la mais ainda.
―Certas coisas não mudam não é? ― comenta Daphne ao sentar-se ao lado de Francesca que estava a assistir a cena.
―Acho que não. ― responde Francesca observando Hyacinth e Gregory provocarem um ao outro, Colin e Anthony afasta-se já sabendo que é inútil interromper as brigas dos dois.
―E é por isso que amo essa família. ― comenta Daphne olhando a sua volta e observando a todos. A duquesa orgulha-se da união dos Bridgerton e o quão harmônico é o grupo, expandindo essa áurea de entrosamento para seus maridos e esposas.
―Sim, as vezes sinto falta de tanta agitação. ― comenta Francesca sorrindo.
―Você sente falta da bagunça? ― pergunta Daphne que conhece a irmã e sabe que ela gosta do seu próprio espaço.
―Sim, as vezes a quietude da Mansão Kilmartin assusta-me. Sinto falta de um pouco de agitação. ― explica a mais nova.
―Não se preocupe, logo terá filhos e eles transformaram sua casa em um verdadeiro circo.
―Não sei... Michael e eu estamos tentando a tanto tempo... ― resmunga a condessa com decepção em sua voz.
―Irá conseguir, Francesca. ― diz Penelope sentando-se ao lado das cunhadas no sofá. ― Desculpe a intromissão, mas acabei ouvindo.
―Não tem problema. ― garante a condessa.
―Não se desespere, logo trará um herdeiro e alegria a sua casa. ― reforça Penelope segurando na mão dela.
― Obrigada por levantar meu espírito, não iremos desistir, pois quero muito um filho. ― diz Francesca e olha para seu marido, Michael, que conversa com o visconde sobre as últimas notícias do parlamento, já Colin afasta-se com o rumo da conversa e volta para perto de Hyacinth e Gregory.
A todo instante, petisco são servidos aos convidados, com Colin e Gregory a comer quase tudo que é oferecido nas bandejas. Os copos de whiskys são abastecidos e a limonada é oferecido para as mulheres.
Lady Bridgerton retorna à sala de visitas acompanhada pelas noras Kate, Sophie e Lucy, juntam-se a Daphne, Francesca e Penelope e tomam chá. Eloise aparece em cena e interrompe a discussão de Hyacinth e Gregory ao puxar a irmã para a reunião de mulheres.
Benedict e Gareth caminham pela sala e juntam-se a Simon e Philip.
― Duque Hasting. Barão Crane. ― cumprimenta Gareth curvando-se um pouco.
―Deixe de as formalidades para as reuniões no parlamento, aqui nós somos Simon e Philip. ― comenta o duque dando batidas no ombro do rapaz. ― Diga-me, Gareth, como está Lady Dabury?
―Encantadora como sempre. ― respondeu ele.
―Já faz tempo que a visitei, tenho certeza que puxará minhas orelhas. ― brinca o duque e depois toma mais um gole de whisky.
―Ela quebrará a bengala em sua cabeça. ― brinca Gareth rindo junto com o duque.
―Tem razão. Lembro-me que deixou-me com um hematoma no braço uma vez. ― disse Simon recordando-se quando tinha 14 anos e esbarrou na mobília e quebrou um vaso chinês caríssimo, naquela época Lady Dabury tinha começado a usar a bengala para se apoiar e usou tal objeto para castigar a “estupidez” dele.
―A quanto tempo conhece Lady Dabury, Simon? ― pergunta Benedict.
―Desde pequeno. Costumava brincar quando pequeno em sua propriedade. ― responde.
―Então, conhece Gareth desde pequeno? ― pergunta Philip.
―Gareth era apenas um bebê na época, mas me diverti muito brincando com seu irmão George e seus outros primos.
―Ainda tem contato com George St. Clair? ― pergunta Philip.
―George morreu na guerra, acabei herdando tudo. ― explicou Gareth.
―Sinto muito. Mas entendo perfeitamente, meu irmão também morreu em combate. ― desculpou-se Lorde Crane.
―Alguns amigos de infância também não voltaram da guerra. ― comentou Benedict.
―A guerra não é brincadeira para nobres, é jogo de interesse das Nações. ― comenta Michael Stirling, aproximando-se dos outros homens juntamente com Antony, Gregory e Colin aproximaram-se também.
E na sala de visitas, entre comidas e bebidas, dois grandes grupos formaram-se em conversas distintas. Enquanto os homens discutiam sobre guerra, política e amizades; as damas elogiam as novas tendências de modas, relatam fatos sobre gravidez e cuidados com os filhos, discutem sobre a temporada desse ano e elogiam ― em segredo dos maridos ― os novos solteiros de Londres.
Mais tarde, Kate convoca a todos para cantar os parabéns e partir o bolo, durante a comemoração Anthony permaneceu quieto e envergonhado, sem saber como agir diante de tamanha atenção enquanto todos cantavam e aplaudiam.
As crianças foram servidas primeiro, muitas ainda insistiram em repetir as fatias ou comer mais docinhos. Amanda ficou enjoada de tanto comer doce, então Philip a levou para dormir sobre a promessa que no dia seguinte se sentiria melhor. As crianças menores estavam exaustas e dormiram pesadamente na ala infantil, enquanto os maiores recolheram-se nos quartos de hóspedes deixando os adultos na sala de visitas.
O som de conversa e risadas enchem o ambiente de alegria.
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