O Filho Do Demônio
1 Capítulo 1 - Eu vou te Proteger, Mestre.
- Eles estão lá de novo? — Perguntou Chizu-chan. Chizu e minha criada, ela é uma alma demôniaca, ela não pode ir para o Inferno, ou para o Céu (Acho que é impossivel ela ir para o céu, de qualquer forma) porque tinha assuntos pendentes na Terra. Ela devia muito aos meus pais, e antes de falecer, meu pai disse algo como ''Cuide de Rusky até ele não precisar mais de você'' e por isso ela cuida de mim. Ela tem a aparencia de uma doce garotinha de 12 anos, com cabelos castanhos claros compridos e ondulados, e olhos dourados de perder o folego. Eu sou Rusky, considerado um monstro por todos na vila. Tudo começou quando uma pessoa simplesmente evaporou em poeira negra bem na minha frente, então começaram a achar que eu era o responsável por todas as mortes e desaparescimentos em nosso vilarejo. Todas as noites eles trazem tochas e armas. Chizu-chan me protege sempre, mas eu imagino até quando vou suportar ser odiado assim. Mas eu sei que eles vão queimar essa casa, a casa que foi da minha família por 400 anos. Não posso so deixá-la aqui e ir morar em algum lugar pacato com Chizu.
- Sim... Como sempre.
- Eles vem todos os dias. Devo manda-los embora, Mestre? — Perguntou.
- Não. Deixe estar. Prepare meu banho.
- Sim, meu Mestre. — Chizu-chan subiu as escadas. No andar de baixo fica a cozinha e a sala, e no de cima os quartos e o banheiro. E uma casa enorme.
- Monstro!
- Não devia estar vivo!
- Morra!
Não pude evitar começar a chorar. Quando fico sozinho, sem a Chizu-chan, me sinto tão solitário... Principalmente com esses macacos gritando. O meu choro silêncioso transformou-se em choro de um recém nascido. Chizu desceu as escadas quase voando, e me abraçou.
- Chizu-chan, por que eles não param? — Gritei.
- Seu banho está pronto. — Disse. Me pegou no colo como um bebezinho, e me levou pelas escadas. Eu devia sentir vergonha, sou um garoto de 12 anos sendo mimado por minha criada demôniaca. Apertei-me mais nela, colocando meus braços ao redor de seu pescoço e chorando. — Shi... Vamos cantar? Uma simples lagarta, tornou-se uma borboleta. – Cantarolou. Lembrei-me imediatamente da música. Era uma música sem lógica que ela sempre cantava para mim quando eu tinha 5 ou 6 anos.
- O corvo bate as asas, todas as flores murcham.
— E hora de fugir, ou sua vida ele ceifara.
— A bela borboleta, por mais bela que seja, nada fará.
Não sei por que mais essa música idiota sempre me deixa feliz. Depois de tomar o banho, fui dormir. Mas não queria dormir sozinho, principalmente com todos aqueles insetos gritando lá em baixo.
- Chizu-chan, pode dormir comigo hoje?
- Você já é bem grandinho. Quer que eu seja sincera? — Assenti. — Se você se tornar um crianção mimado, eu irei para o Inferno tremendo de desgosto. Durma sozinho hoje, seja homem. Não sou sua empregada.
- Sim, você é.
- Boa noite, mestre.
Assim, retirou-se de meu quarto, me deixando sozinho de novo.
Hoje foi uma noite fria... Imagino quando poderei ter liberdade.
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