O Filho De Ártemis
25 Trazendo Alícia de volta
Notas iniciais
Iole apenas sentiu a queda. O que foi bem embaraçoso se considerasse o fato de que caiu em cima de Steve. Mas ela não se importou.
Estava viva. Literalmente graças aos deuses estava viva.
- Urgh! – A voz a trouxe de volta, parecia um pouco irritada. Era de Alícia.
Olhou em volta e viu que Caleb estava caído em cima da garota, que se contorcia para se libertar dele. Iole trincou os dentes em ciúme.
Ela sabia que Caleb ainda não se decidira. Estava muito claro que ele gostava das duas, mas ele não poderia ficar com ambas. Iole sacudiu a cabeça para afastar o pensamento e rolou para o lado, saindo de cima de Steve.
- Me desculpe. – Ela murmurou com os olhos fechados e ouviu o garoto se pôr de pé.
- Está tudo bem, é sempre bom ter uma menina caindo em cima de mim. – Ele falou com um quê de riso na voz. – Seria estranho se ele caísse em mim.
Iole abriu os olhos e estudou a expressão dele com ar desconfiado. Steve parecia estar se divertindo com a situação, mas sua postura tensa revelou a Iole que ele não gostava do fato de Caleb ter caído em cima da garota que ele gostava.
Ela ergueu uma sobrancelha.
- Deixa eu te ajudar a se levantar. – Ele falou olhando para Caleb e Alícia que terminavam de se levantar e estendeu a mão para a garota.
Ela pegou a mão estendida e olhou para ele, os dois tiveram uma rápida conversa com o olhar mais ou menos assim:
Iole: O que você está fazendo?
Steve: Ajudando você, o que mais?
Iole: Não me refiro a isso.
Steve: E a que se refere?
Iole: Ele está indeciso entre mim e ela, o que você vai fazer?
Steve: Ele se decidir por você. Ou Alícia escolher ficar comigo.
Iole franziu a testa, não entendendo muito bem o que ele quis dizer.
Quando conheceu Steve, na pequena mata onde resgataram Alícia, Iole percebeu que o garoto gostava da filha de Hermes pela forma como ele falava dela, mas ele tinha medo que Caleb fosse o namorado dela.
Então ela e o garoto chegaram a um entendimento, um ajudaria o outro até onde pudessem, mas se ficar juntos fosse escolha de ambos, Caleb e Alícia, então ela e Steve iriam para longe. Ao que tudo indicava, a filha de Hermes estava ganhando. Tudo isso passou pela cabeça da garota em poucos segundos.
- Iole! – Exclamou Steve tirando-a desses pensamentos e dando um abraço nela. – Graças aos deuses! Senti sua falta!
Ela retribuiu o abraço dele, confusa. Então entendeu ao ver o olhar carrancudo de Caleb lançava ao ver os dois abraçados. Ela se sentiu culpada por forçar tanto assim o garoto, mas Afrodite havia dito a ela que no amor e na guerra vale tudo.
E realmente vale minha querida. Ela ouviu a voz da deusa em sua mente. Deixe-me orgulhosa.
- Espere. – Ela falou se soltando dos braços de Steve. – Onde exatamente nós estamos?
- Na parte sul da cidade. – Steve respondeu baixando a voz. – Há um galpão a uns cem metros daqui, a pulseira no braço de Alícia parou de brilhar quando nos aproximamos demais de lá.
- As outras três estão lá. – Iole disse com firmeza. – Precisamos levar a filha de Hermes até lá.
- Mas tem cerca de cinqüenta monstros naquele lugar. – Caleb falou e depois pareceu confuso. – Espera, como eu sei disso?
- Ártemis pode rastrear monstros, ao que parece você herdou esse dom. – Steve falou e pegou as correntes que prendiam os braços de Alícia das mãos de Caleb.
- Certo. – Iole falou quando viu que o filho de Ártemis ia protestar. – Precisamos chegar até aquele galpão, destruir os monstros e retirar essa pulseira do braço dela, é isso?
Os dois concordaram com a cabeça.
- A gente consegue. – Ela falou e depois olhou para Alícia. – Mas vamos precisar deixá-la em algum lugar seguro enquanto limpamos o caminho.
Os dois rapazes se entreolharam enquanto Iole refletia o problema.
- Ela vem com a gente também, não podemos arriscar alguém soltá-la agora. – Decidiu. – Se tivermos uma oportunidade devemos aproveitar.
Se aproximaram do galpão, um prédio alto e com telhado de alumínio, com a pintura vermelha das paredes descascando e Caleb não gostava da ideia de Alícia e Iole ali. Conseguiram entrar no lugar com facilidade, mas o caminho logo no começo possuía uma bifurcação.
- Como vamos descobrir qual é o certo? – Caleb indagou e estranhou quando Iole sorriu.
Ele viu a filha de Hera segurar o braço da outra semideusa, em um momento apontou para o túnel da direita, nada aconteceu. Então voltou para o da esquerda e a pulseira começou a emitir um brilho fraco.
- É por aqui. – Ela falou e foi pelo túnel.
O caminho continuava, e sempre que encontravam uma bifurcação Iole os guiava pelo caminho que achava certo.
Caleb sabia que a garota estava esperando uma decisão dele, mas ele não podia decidir assim, com Alícia estando daquele jeito. Não parecia certo. Afinal ela não teve oportunidade de lutar pelo sentimento dele como Iole teve.
Não é momento para se distrair. A voz de sua mãe soou em sua cabeça. Se concentre Caleb. Ela ainda é parte da sua missão.
Ele suspirou, ela estava certa.
Caleb estava tão distraído que acabou esbarrando em alguém.
- Chegamos. – Iole falou e Caleb olhou ao redor.
Parecia um templo grego misturado com ferro velho, nos cantos braseiros de bronze iluminavam o ambiente, mas sucatas de latão e outros tipos de coisa atulhavam o chão. No meio da sala havia dois pedestais, um vazio e o outro com uma caixa simples de madeira sobre ela.
- Precisamos agir rápido. – Steve falou rompendo o silencio.
Iole concordou e arrastou a outra garota a colocando sobre o pedestal vazio.
- Anda Alícia! – Ela a puxou e firmou a garota.
Iole juntou-se aos garotos novamente.
- Será que vai dar certo? – Caleb perguntou com preocupação.
- Sim. – Iole suspirou. – Mas para tudo dar certo o sangue de quem usa a pulseira precisará ser derramado.
- Como assim? – Caleb perguntou em choque, mas Iole já estava de frente com a filha de Hermes.
- Eu, Iole Ann Jones, Filha de Hera e nova guardiã das pulseiras de Hécate. – Disse Iole com tamanha confiança que Caleb ficou surpreso.
- Iole... – Ele tentou começar, mas Steve o segurou pelo braço.
- A deixe terminar. – Disse e Caleb assentiu com relutância.
- Assim reunindo as quatro eu ordeno que deixe o corpo de Alícia, Filha de Hermes.
Os olhos de Alícia brilharam como se chamas ardessem dentro deles e Caleb recuou um passo.
- Exijo o direito do sangue fresco desse corpo para que saia dele. – Disse Alícia com uma voz grossa e horripilante que com certeza não era dela.
Iole puxou uma das adagas que levava consigo e se aproximou da garota.
- E o sangue dela você terá. – Ela disse.
- O que você vai fazer? – Caleb perguntou para ela ignorando Steve.
- A pulseira exige o sangue de Alícia sobre ela. – Iole respondeu e então de repente pegou Caleb pela mão e ele sentiu seu coração acelerar. – Você deve fazer um corte longo no braço dela e deixar o sangue correr, eu não posso fazer isso.
Caleb olhou para a filha de Hera por um momento então pegou a adaga da mão dela.
- Certo. – Disse e se voltou para Alícia. – Me desculpe. – Murmurou e fez um corte longo e profundo no braço da garota, que gritou.
- Ainda não. – Iole disse quando ele fez menção de puxar a faca do corte.
- Mas ela está gritando! – Caleb se fez ouvir acima dos gritos da garota.
Iole apenas olhava para ela.
- Como o tributo de sangue já foi pago, eu ordeno que deixe o corpo da garota. – Iole falou e estendeu as três pulseiras unidas para perto da que estava no braço de Alícia.
Parecia que não daria certo, mas alguns segundos depois a pulseira escorregou lentamente pelo pulso da garota, como se o sangue dela tornasse mais fácil, e se uniu às outras três com um clarão ofuscante. Então o brilho sumiu e Iole segurava uma pulseira comum em suas mãos, com quatro marcas que mostrava que não era apenas uma.
Caleb aparou Alícia antes que ela caísse no chão.
- É isso. – Iole falou e então tirou um saquinho de veludo de dentro da bolsa, que Caleb nem sabia que existia e colocou a pulseira (ou as pulseiras?) dentro dela.
- Como... ? – Ele começou.
- Minha mãe me disse que eu iria precisar disso durante a missão, agora entendi o motivo. – Ela respondeu e olhou para a garota que Caleb amparava. – Ela precisa de cuidados.
Somente quando ele se aproximou, é que Caleb lembrou que Steve estava ali com eles.
- Aqui, eu tenho um pouco de néctar no cantil. – Disse gentilmente e o entregou para Caleb.
Foi um pouco difícil, mas conseguiram fazer a garota beber alguns goles e colocaram um pouco sobre o corte, logo era uma cicatriz rosada ao longo do braço dela.
- Agora podemos voltar para o acampamento. – Caleb falou aliviado enquanto olhava para Alícia. – Temos um lar para voltar.
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