Notas iniciais
esperamos que gostem, leiam as notas finais por favor

- Klint? – Caleb disse enquanto subiam a colina lentamente para não escorregar.

- Hum? – Ele falou sem olhar para o garoto.

- Eu quero pedir que não revele de quem eu sou filho, pelo menos por enquanto. – Caleb falou e o sátiro o olhou apavorado.

- Por quê? – Ele disse e Caleb suspirou.

- Não quero que me vejam como uma aberração, e sei que por ser filho de Ártemis os outros não vão me ver como uma coisa boa. – Ele explicou melancólico.

- Ah. – Klint pareceu não saber o que dizer e Caleb o olhou. O sátiro parecia dividido.

- Por favor. – Caleb pediu baixinho.

Klint o olhou e assentiu.

- Tudo bem, pelo menos por enquanto. – O sátiro disse quando chegaram ao topo da colina. – Chegamos. Bem-vindo ao Acampamento Meio-Sangue,

Caleb olhou para o pinheiro, era grande como uma árvore de natal da Casa Branca e no galho mais baixo algo dourado brilhava. Então Caleb viu um movimento logo abaixo e deu um passo para trás.

- Isso é um dragão?! – Ele disse um pouco alto.

- Shhhh! – O sátiro exclamou. – É sim, o nome dele é Peleu, ele está guardando o Velocino de Ouro, vamos passar bem devagar e longe da árvore, devemos aproveitar enquanto ele está dormindo. – Ele sussurrou e puxou Caleb através do limite da propriedade.

O garoto olhou o horizonte, o sol estava se pondo e ele pensou em Apolo, seu tio.

- Vamos Caleb, preciso te levar para Quíron. – Klint disse e Caleb o olhou, ele havia acabado de retirar as calças, revelando pernas felpudas e marrons e no lugar de pés ele tinha cascos. Caleb tentou controlar o choque e desviou o olhar.

Para se distrair ele resolveu olhar mais atentamente o lugar. Na descida da colina ele pôde ver a extensão do vale, uma grande casa de fazenda foi o que notou logo de cara e olhando em volta Caleb viu que a paisagem era pontilhada de construções que lembravam a arquitetura grega.

Ele olhou com mais atenção e viu um pavilhão a céu aberto, um anfiteatro, uma parede de escalada, todos pareciam ser novos em folha, com as colunas de mármore reluzindo ao sol.

Em uma quadra de vôlei próxima a direção que Caleb e Klint seguiam, uma dúzia de crianças e sátiros, todos com camisetas laranja, jogavam voleibol. Canoas deslizavam por um pequeno lago que parecia cortar o acampamento em dois. Caleb pegou alguns olhares curiosos de alguns campistas e se encolheu internamente.

Crianças de camiseta laranja-claro corriam umas atrás das outras em volta de um agrupamento de chalés que formavam um grande ômega (Ω) no meio do bosque. Algumas praticavam arco e flecha em alvos e Caleb notou que a postura de alguns arqueiros estava errada.

Passou os olhos pelo bosque e ele viu algumas crianças montando em cavalos alados por uma trilha arborizada. Pégasos. Ártemis havia avisado a ele que talvez algum dia ele encontrasse algum por aí, mas o aviso não foi o suficiente para a surpresa de ver aqueles animais mitológicos vivos.

- Qual é a história? – Klint o perguntou enquanto contornavam a casa.

Caleb olhou para ele completamente confuso.

- História?

- Para como eu te trouxe até aqui. – Ele respondeu e Caleb pensou por um momento.

- Hum, eu sou órfão, você me encontrou depois que eu fugi de um internato em Nova York, não sabemos quem é meu parente Olimpiano. – Ele respondeu rapidamente.

É, um órfão era o disfarce perfeito, sem parente mortal para dizer que ele era filho de um deus o tornaria difícil de classificar. Ele assentiu para si mesmo e depois olhou para o sátiro.

- Essa é a história, e isso explica como chegamos aqui tão rápido. – Caleb falou e Klint pensou um pouco.

- Tudo bem, o que você disser. – Ele falou e chegaram à varanda, onde dois homens estavam sentados na extremidade em uma mesa de carteado. Um deles Caleb reconheceu como o homem da imagem tremeluzente na tenda da mãe.

Ele era baixo e gorducho, com cabelos pretos encaracolados, usava camisa havaiana com estampa de tigre.

- Aquele é o sr. D. – Murmurou Klint para o garoto. – O diretor do acampamento, por favor, não, hum, desperte o lado ruim dele.

Caleb assentiu, Dionísio podia ser bem imprevisível. E depois ele sentiu um calafrio, o deus saberia que ele era filho de Ártemis e poderia denunciar a história que ele contaria como falsa. Ele quase decidiu virar para o outro lado quando o outro homem falou.

- Ora! Olá Klint! – Ele disse com entusiasmo e Caleb o estudou por um momento.

O homem era um sujeito de meia-idade e estava sentado em uma cadeira de rodas. Tinha o cabelo ralo, uma barba desalinhada e usava um casaco surrado, Caleb olhou para baixo e notou que as pernas estavam cobertas por uma manta.

- Oi Quíron. – Klint disse e Caleb viu o sátiro dar um sorriso.

- Quem é esse? – Ele perguntou olhando Caleb de cima a baixo.

Agora é a hora. Caleb pensou e deixou Klint ir à frente.

- Ele é um meio-sangue órfão que eu encontrei pelas ruas de Nova York. – O sátiro disse e Quíron o estudou com atenção.

- Entendo, e qual é seu nome meu rapaz? – Quíron disse se dirigindo a ele.

- Caleb, Caleb Steven. – Ele falou e notou o olhar que o deus sentado na varanda o lançou.

- Me desculpe Quíron, mas eu gostaria de dar uma palavrinha com esse meio-sangue. – Ele falou e Quíron pareceu surpreso. – Se não se importa.

Quíron olhou para Caleb e depois para Klint.

- Muito bem. – Ele disse indo para o interior da casa. – Klint, venha comigo.

O sátiro murmurou um: “Boa sorte.” E seguiu o homem para dentro da casa. O deus fez um sinal para o garoto se aproximar e sentar de frente a ele.

- Não gosto do que sua chegada pode significar para o Olimpo. – O deus falou sem rodeios e Caleb apenas ficou quieto. – Você sabe que posso denunciar você, sua história é falsa e nós dois sabemos disso.

- Eu sei senhor. – O garoto respondeu baixinho e olhou para as cartas que estavam sobre a mesa.

- Então me dê um bom motivo para que eu não faça isso! Acredite, não é apresentado um bom motivo para mim desde que entrei neste maldito acampamento! – Ele falou e Caleb sentiu que estava encrencado. – Diga garoto!

- Eu não quero ser considerado uma aberração! – Ele falou rapidamente e encarando o deus nos olhos que pareceu surpreso. – Eles podem ser considerados normais perto de mim! – Caleb disse e apontou para a quadra de vôlei. – Eu só quero tentar ser alguma coisa normal antes que a verdade sobre mim apareça! O que eu sei que não vai demorar muito.

Dionísio pareceu desconcertado pela súbita sinceridade do garoto, ele viu que talvez aquele semideus fosse confiável, a honestidade em sua voz o fez lembrar de Ártemis, ela realmente era uma deusa que merecia confiança e parecia que seu filho havia herdado seu caráter.

O deus suspirou antes de dizer.

- Entendo como se sente moleque. – Ele disse e Caleb sentiu uma ponta de esperança. – Tudo bem, você me convenceu, não direi a ninguém quem é seu parente Olimpiano, mas saiba que mais cedo ou mais tarde ela irá lhe reclamar. – O garoto não sabia, mas achou que tinha visto uma ponta de simpatia nos olhos do deus. – Quíron? – Dionísio disse erguendo a voz, mas mantendo os olhos em Caleb. – Peça a Klint que leve esse semideus para o chalé 11. Temos um indeterminado.

O homem apareceu e Caleb quase teve um infarto, ele ainda parecia ser ele, mas a parte debaixo dele era um garanhão branco.

- Uou! Você é um centauro! – Caleb disse estupidamente e o deus revirou os olhos.

- Sinceramente Calot? Você achou que Quíron fosse Ares? – Ele falou e suspirou pesadamente antes de levantar e seguir para dentro da casa.

- Seja bem-vindo Caleb. Venha, vamos ver o acampamento. – O centauro falou.

Caleb levantou da cadeira e sacudiu a cabeça.

Primeiramente, Quíron o levou para ver os campos de morangos e explicou porque os criavam. Depois foram ver os bosques e Caleb viu o quanto a floresta era grande. Em seguida visitaram o arsenal e Caleb teve que se impedir de dizer a Quíron que já possuía um arco e flechas.

Então ele mostrou ao garoto o pavilhão do refeitório, ao ar livre e emoldurado por colunas gregas brancas que dava para o mar. Então ele levou Caleb para conhecer os chalés. O garoto tentou contar, mas não conseguiu.

Ele só ficou levemente surpreso com as construções, quando chegaram ao chalé 8 ele teve que se conter para não segurar o medalhão que estava por dentro da blusa. Todos os chalés davam para uma área comum mais ou menos do tamanho de um campo de futebol.

No centro do campo havia uma enorme área de pedras com uma fogueira. Embora o tempo estivesse abafado o fogo ardia. Uma menina com cerca de nove anos estava cuidando das chamas, cutucando os carvões com uma vara. E Caleb fez uma nota mental de conversar com aquela menina mais tarde.

Notas finais
bem, aqui é a Marina, como a Luh disse, eu tive uma perda na minha família, mas a vida tem que continuar, obrigada por tudo um beijo e para não perder o costume...
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