Notas iniciais
Oi galera , blz? Voltamos mais cedo dessa vez. Hoje iremos conhecer um pouco do passado e da historia do Rick.

Mesmo depois do monstro ter desaparecido bem diante de seus olhos, Rick continuou parado, mastigando as suas últimas palavras. Só então se lembrou que Grover ainda estava no chão. Ele correu para ajudá-lo a levantar.
– Você está bem, cara? — Rick perguntou, o levantando.
– Sim, acho que sim — Grover pigarreou, pressionando a nuca.
Seu sapato havia saído do pé na queda, e Rick parou quando viu o casco.
– Como...? — Rick começou, incrédulo.
– Já sei, já sei. Eu sou um sátiro. Metade humano, metade bode. Isso explica os cascos.
Sem esperar outra pergunta, ele puxou uma flecha da aljava de Rick e começou a examiná-la.
– Madeira! — Grover gritou apertando a ponta da flecha — isso aqui é madeira!
– Claro que é madeira. O que você esperava que fosse?
Grover puxou a aljava das costas de Rick e jogou todas as flechas no chão. Se agachou e começou a examiná-las uma por uma.
– Hey! — Rick chiou, mas Grover fez sinal pra que ele se calasse.
– Todas são de madeira. Como você conseguiu?
– O que eu consegui?
– Matar um monstro com uma flecha de madeira! Ela precisava ser de bronze celestial para você conseguir essa proeza!
– Eu não tô entendendo mais nada! Afinal, o que eram aquelas coisas?
– Manticoras. — Grover respondeu, catando as flechas e as pondo novamente na aljava — E pode ter certeza de que aquelas coisas não morreram com as flechas de madeira. Mas não vamos falar sobre elas agora. Precisamos continuar a viagem, antes que outros monstros sintam o seu cheiro.
Grover se levantou e começou a andar em direção a Corvette, mas Rick continuou parado, com a boca entreaberta. Grover notou e se virou.
– O que você está esperando? — Ele gritou.
– Você está querendo me dizer que eu vou ter que enfrentar criaturas piores do que essa?
– E o que você esperava? Você é um semideus! Essa alcunha só já lhe basta para lhe atrair inimigos.
– Ah! Que ótimo. — Rick falou com um toque de sarcasmo — Em outras palavras, daqui pra frente eu estou me jogando de cabeça em uma missão suicida!
– Entenda que aos olhos de muitos você não deveria existir. — Grover falou, irritado — Eles lhe matarão se você ficar dando mole por aí. No Acampamento você estará seguro.
Rick não deu resposta. Apenas passou direto por Grover e entrou na Corvette. Jogou o arco no banco de trás e tentou ligar a chave. Mas novamente, ela não atendeu ao comando. Ele começou a bater no volante.
– O que você está tentando fazer? — Grover perguntou, tantando abrir a porta do passageiro, mas ela estava travada e os vidros fechados.
– Eu vou voltar pra casa.
– Você está louco? — Grover gritou, arregalando os olhos e batendo no vidro — Aí sim você não estará seguro! Me deixa entrar!
Rick apoiou a cabeça nas mãos. Sua cabeça estava girando.
– Por favor, Rick! — Grover continuou — Eu prometo que no Acampamento você estará seguro. Se você voltar pra casa, você irá colocar as pessoas ao seu redor em perigo. Falta tão pouco pra nós chegarmos... Me deixa entrar!
Rick suspirou e destravou a porta. Grover entrou enquanto Rick continuava tentando ligar a chave.
– Droga! — ele gritou — está sem gasolina. Como ficou sem gasolina?
Ele abriu a porta e foi até o porta-malas pegar um galão de gasolina e encher o tanque.

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– Você já tinha tido alguma experiência como essa? — Grover perguntou enquanto dirigia. Eles haviam trocado de lugar logo após Rick encher o tanque. Há alguns minutos passaram da fronteira e entraram nos EUA.
Rick apenas assentiu. Ele estava apoiando a cabeça na mão, encostada na janela.
– Se você não quiser me contar — Grover continuou — eu vou entender.
Rick suspirou ruidosamente, antes de começar a falar.
– Eu tinha doze anos. Eu amava explorar a fazenda do meu pai e a dos vizinhos. Achava que eu ia descobrir uma passagem secreta, ou algo que valesse a pena — ele riu — Eu fui andando e cheguei numa fazenda depois da do meu pai. Quando começou a entardecer, eu voltei pra casa. Quando eu pulei a cerca que separa as fazendas, eu vi uma criatura estranha... Ela tinha a cabeça e o peito de mulher, o corpo era de ave, com umas asas enormes nas costas. E garras. Garras afiadas e assustadoras. Ela me agarrou pelas costas, e cravou as garras no meu braço.
Rick, então, levantou a manga da camisa e mostrou a cicatriz no seu braço esquerdo. Ela ia do ombro até metade do antebraço, e a impressão que dava era a que a criatura havia rasgado boa parte do antebraço.
–Era uma Harpia! -Grover interrompeu — como conseguiu escapar?
– Eu luto desde os 10 anos. Eu acertei o rosto daquela coisa com o cotovelo direito. Então eu me virei e chutei o peito dela. Eu começei a correr, e aquela coisa voando atrás de mim. Ela quase conseguiu me pegar. Mas, quando eu avistei a minha casa, eu vi duas flechas cortando o ar. Elas acertaram aquele monstro, e, literalmente, ela virou fumaça.
– Você viu quem atirou? — Grover perguntou.
– Não. Eu olhei pra todos os lados, mas não vi ninguém.
– E as flechas? Como eram?
– Elas eram prateadas. Brilhavam muito. Eu não sei de que material eram, por que eu corri pra casa. Quando voltei pro lugar com o meu pai, elas haviam sumido.
– Com certeza, eram de bronze celestial. O que é bem estranho... Seja quem for que as lançou, salvou sua vida.
Rick concordou e Grover continuou.
– Você conheceu alguém que saiba usar o arco e flecha? — ele perguntou.
– Só uma pessoa. A minha tia Thaemi. Foi ela quem me ensinou a usar o arco.
– E não foi ela?
– Não. Não era o período dela me visitar.
Grover franziu a testa com a resposta, mas não questionou.
– E sua mãe, Rick?
– O que tem?
– Onde ela está?
Rick virou o rosto pra janela.
– Bem... — Grover gaguejou — é que eu vi o seu pai, e achei...
– Eu não cheguei a conhecê-la. — Rick interrompeu — Ela morreu pouco depois de eu nascer.
– Ah — Grover falou, balançando a cabeça — Sinto muito. E como ela era?
Rick sorriu antes de falar.
– Pelo que meu pai me contou, ela era a mulher mais bonita do mundo.
– Você nunca viu uma foto dela? — Grover perguntou e Rick negou com a cabeça.
– Ela nunca gostou de tirar fotos. E, mesmo que gostasse, o romance deles foi muito rápido. E eu também não sei muita coisa sobre ela. Eu não costumo perguntar muito pro meu pai, por que eu sei que ele sofre toda vez que se lembra.
Ficaram em silêncio por um tempo, até Rick continuar.
– Meu pai foi fazer intercâmbio no Canadá. Não conhecia nada nem ninguém, até que viu uma jovem. Brasileira. E que também fazia intercâmbio. Eles ficaram amigos, e... Se apaixonaram. E respondendo a sua pergunta, ela era um pouco mais baixa que ele, corpo definido, cabelo longo, ondulado e castanho, olhos azuis. E tinha um ótimo senso de humor. Eles namoraram por 3 meses, até que tiveram uma briga. Uma briga tão grande, que ela largou os estudos e foi morar com a irmã, Thaemi, na Austrália. Meu pai também saiu do curso e voltou pra Salvador, pra fazenda que herdou do meu avô. Um tempo depois, a minha tia Thaemi chegou na fazenda, comigo recém-nascido no colo. Ela disse pro meu pai que, logo depois de eu nascer, minha mãe ficou muito doente. Antes de morrer ela pediu pra que me levasse pra o Brasil. Disse que ele era o meu pai, que era rico e teria condições de cuidar de mim.
– Puxa! — Grover comentou.
– Tia Thaemi falou que não poderia estar sempre comigo, mas prometeu que viria nos visitar a cada 3 anos. Quando ela vinha, ela passava 20 dias. Mas eram os melhores dias da ninha vida. Ela me ensinou tantas coisas, me ouviu e me ajudou. Foi como uma mãe.
– Mesmo passando 20 dias a cada 3 anos? — Grover questionou e Rick assentiu.
– Não dá pra explicar. Quando ela tá comigo, eu me sinto seguro, amado...
– Ela parece ser bem legal.
– É. Ela vem esse ano. Mas eu não vou estar lá pra recebe-la desta vez.

Notas finais
E então o que acharam ? Comentem , deixem sugestões , criticas (sem palavrões) são bem vindas