O Filho De Uma Traição
11 Conselhos da Guerra
Ártemis voltou para o grupo de Caçadoras e pediu que elas a seguissem até o Chalé 8. Todas foram, e os campistas que ficaram começaram a se dispersar.
Quíron e Grover estavam andando, indo a procura de Rick. Clarisse veio correndo atrás deles.
–- Me esperem! — Ela gritou enquanto corria, e os dois pararam e olharam para trás.
–- Algum problema, Clarisse? — Quíron perguntou.
–- Deixem que eu fale com o Rick.
–- Por quê? — Quíron perguntou, estranhando a reação de Clarisse. A garota não tinha o costume de se importar com os outros.
–- Bem... Por que somos parecidos! — Ela rebateu, enfiando as mãos no bolso de trás da bermuda — Acho que entendo melhor ele, e saberei como falar.
–- Okay. Vai. — Quíron disse — Mas se você não conseguir, eu mesmo irei falar com ele.
Clarisse sorriu e correu em direção a área dos Chalés, para onde tinha visto Rick ir.
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Ela entrou no Chalé de Hermes e viu Rick descendo as escadas com sua mochila nas costas e a chave do carro na mão.
–- Pra onde você pensa que vai? — Ela perguntou, entrando no Chalé.
–- Pra casa. Alguém me deve explicações.
–- Sua mãe pode muito bem lhe dar explicações. — Clarisse falou, e apontou para o lado — E ela está bem ali, no Chalé 8.
–- Eu não quero ouvir mais nada dela. E ela não é minha mãe. Minha mãe está morta. Foi isso que meu pai me disse depois de eu insistir muito em saber algo sobre ela.
–- Não aja como uma criança mimada, Rick! Entenda o lado dela! Ela não podia lhe contar.
Rick começou a andar. Ele passou por Clarisse e parou na porta, como se avaliando o que deveria fazer.
–- Rick? — Clarisse chamou. Ele não respondeu, apenas se sentou no degrau de entrada e escondeu o rosto nas duas mãos.
Clarisse foi até ele e se sentou ao seu lado no degrau. Ela ficou em silêncio. Ela olhava pra ele enquanto ele permanecia com o rosto tapado pelas mãos.
Depois de alguns segundos, ela respirou fundo e recomeçou. Desta vez, olhando pra frente.
–- Se você fosse meu filho, eu teria te dado uma surra. E na frente de todos.
Rick levantou os olhos marejados e olhou pra ela, tentando entender porque ela disse aquilo. Ela continuou.
–- Porque você teve coragem de virar as costas enquanto ela estava falando. Ai de meu filho se ele fizesse uma coisa dessas comigo!
Rick riu, e ela suspirou aliviada.
–- Quando um semideus sabe de quem é filho, qualquer lugar que ele esteja que não for o Acampamento é perigoso.
–- O que você quer dizer?
–- Que se você voltar pra casa agora, poderá encontrar com algum monstro. Quer viver com essa incerteza? De que perigos estarão o rondando 24 horas por dia?
–- De qualquer jeito, minha vida nunca ia ser normal mesmo — Ele rebateu.
–- Novato... Vou te contar uma coisa que eu tenho certeza que você não sabe... Você é o semideus mais sortudo de todo o Acampamento.
–- E por que? — Ele perguntou, franzindo a testa.
–- Você foi protegido pela sua mãe. A sua vida inteira. Você tem 16 anos, e seu cheiro deve ser muito forte. Pelo menos, forte o bastante para atrair monstros insaciáveis...
Rick voltou a olhar pra frente, e Clarisse continuou.
–- Cara, ela fingiu ser sua tia só pra ficar perto de você! Ela veio pessoalmente assumi-lo! Existem semideuses aqui que estão há anos, e sequer foram assumidos. Dos que foram, a maioria nunca conheceu os seus pais pessoalmente. E alguns dos que conheceram, acabaram se decepcionando... Assim como eu.
–- Você? — Ele disse, levemente confuso e voltando a olhar pra ela.
–- Eu conheci o meu pai, Ares. Porém, ele não foi legal comigo, Rick. Pelo contrário — Ela explicou, e Rick fez cara de surpresa — Dê uma chance a sua mãe. Ártemis parece ser uma pessoa legal.
–- É... Ela realmente é.
Rick então começou a se lembrar de alguns momentos da sua vida. Ali, se deu conta de que quase todos os melhores momentos que conseguia se lembrar, contavam com a presença de sua tia Thaemi. Foi ela que lhe fez se interessar por arco e flecha, e lhe ensinou todos os macetes para um tiro certeiro. Também foi quem mais teve paciência para ajuda-lo nas lições de casa, sabendo de sua dislexia e sua dificuldade em entender as matérias. Também foi uma excelente professora de luta e mitologia. Cara, como ele amava as aulas de mitologia que ela dava! Ela sempre fazia com que ele viajasse nas histórias... Contava detalhes que lhe fazia imaginar-se na cena. Agora ele sabia porque ela contava tão bem: ela havia vivido aqueles momentos.
–- E então? — Clarisse perguntou, por fim — Se ela é tão legal, por que não lhe dá uma chance?
–- Nada disso muda o fato dela ter mentido pra mim.
–- Existem razões para ela ter mentido, novato.
–- Quais seriam? — Rick perguntou. Ele já estava começando a se irritar com o rumo que aquela conversa estava levando.
–- Acho que isso deve ser ela mesma quem vai lhe contar. Vá até o Chalé 8 e converse com ela. — Clarisse falou e se levantou.
Ela deu alguns passos, depois parou e se virou pra ele.
–- Eu te conheço a pouco tempo, porém já percebi que é uma pessoa corajosa, novato. E pessoas corajosas não fogem dos problemas. Também percebi que é inteligente, e pessoas inteligentes não formulam hipóteses sem fatos e também não julgam sem provas. Faça o que eu lhe disse.
Ela concluiu e saiu novamente, e dessa vez não olhou pra trás. Rick continuou sentado, mastigando aquelas últimas palavras.
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Clarisse voltou ao Pavilhão, onde Quíron e Grover ainda estavam.
–- Missão cumprida! — Ela disse ao se aproximar.
–- Conseguiu convencê-lo? — Grover perguntou.
–- Creio que sim. Quando eu o deixei, fiz questão de demonstrar o que era o certo a ser feito.
–- Bem... — Quíron concluiu, admirado — A única coisa que posso dizer agora é muito obrigado por ter ajudado.
–- Por nada! — Clarisse disse, sorrindo alegremente. Ela se virou e saiu.
Grover e Quíron a seguiram com o olhar, boquiabertos.
–- Acho que essa é a primeira vez que vejo Clarisse tão feliz por ter ajudado uma pessoa — Grover comentou.
–- E vem mais por aí. — Quiron disse, assentindo — Porque tenho certeza que o filho de Ártemis irá mudar a rotina desse Acampamento.
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