O Filho De Hades
4 Eu chuto o traseiro de um Deus. Ou quase isso.
Notas iniciais
Minhas pernas estavam paralisadas. O chão de madeira da casa de dois andares parecia girar agora. Pisquei uma ou duas vezes, encarando aquele baixinho com hálito de coca-cola.
Ele era um Deus? Não, Deuses não existem.
O homem, vulgo Dionísio, voltou sua face debochada, com as sobrancelhas erguidas e os olhos semicerrados, tomando a coca-cola, esperando uma resposta minha. Mas o que responder? Simples: Não há resposta.
Minha boca tremeu. Senti os olhos dele, mesmo semicerrados, queimando toda minha alma. Reuni todas as forças que consegui. Meus olhos desviaram-se dos dele, e encontraram o chão de madeira.
- Ajoelhe-se. – Sua voz doce ordenou. Aquela melodia entrou pelos meus ouvidos, e meus joelhos se dobraram, colidindo com o chão. Meus olhos se levantaram, encarando o rapaz. Como diabos ele conseguira fazer isso?
Ele sorriu, bebericando sua coca Diet. Seu sorriso foi de orelha a orelha, quando puxou meu queixo para cima, apertando meu maxilar entre seus dedos.
- Sim, Enfie isso na sua cabeça, Criança, EU SOU UM DEUS. — Meus joelhos latejaram. Gotas de Coca Diet voaram contra meu rosto. Dionísio estava preparando outra de suas frases impactantes, quando puxei a espada e fiz um talho em seu rosto.
Sim, Sei, atacar um dito “Deus” não é o melhor a ser feito. Mas, convenhamos, este deus esta me irritando.
Suspirei brandindo a espada, apontada para ele. Dionísio tinha bons reflexos. Conseguiu dar alguns passos pra trás, deixando seu rosto apenas com um fino talho. Uma pequena gota de sangue dourado desceu bochecha abaixo. Seu sorriso se desfez e seus olhos ficaram flamejantemente perigosos.
— Criança, Eu... – não permiti que acabasse a frase. Peguei impulso com o chão e saltei, investindo uma estocada. Mas, Como um bom “Deus”, ele girou na ultima hora, deixando minha espada no ar. Recuperei o equilíbrio e brandi a lâmina novamente, ficando em guarda. – Como eu ia dizendo. – Ele arrumou o colarinho da camisa com estampa de leopardo – Você não é bem vindo aqui. – Uma fumaça roxa invadiu a sala, e se condensou nas mãos de Dionísio. A fumaça se esvaiu, revelando uma espécie de bastão com uma pinha na ponta; um tirso. – Espero que tenha uma boa morte. – Ele sorriu, e fez um movimento com o tirso no Ar, rasgando minha camiseta preta em uma perfeita linha diagonal, sobre o peito. Seu sorriso aumentou, e então, ele avançou com a ponta do tirso, mirando meu coração.
Juro, eu quis gritar; quis correr; quis implorar. Mas, não me permitir. Girei a espada, mudando a direção da sua estocada, enquanto cambaleava para o lado. O Tirso destruiu sua super-poltrona-reclinável-de-leopardo, e ele soltou um muxoxo. Um suspiro, então apontou o Tirso para minha testa. Meus olhos correram pela mão do Homem, que fumegava. O Bastão brilhou, e então, algo dentro do meu corpo ferveu. Um sorriso debochado dançou no rosto de Dionísio, como se esperasse que eu implorasse pela minha vida. Senti minha pele formigar, e fechei os olhos. Um tremendo estrondo balançou meus pensamentos, e por uns segundos fiquei desorientado. Pisquei os olhos com a visão borrada. Dionísio estava uns dois passos atrás de onde estava antes. As videiras ao redor da casa foram destruídas por completo. Eu estava em pé, em um círculo de madeira, destacado do restante do piso. Bem, do que restou dele. Meus olhos custaram a entender, e quando foquei, uma espécie de chama negra cintilava ao longo do chão. Em um círculo perfeito, ao redor de mim. Uma linha de fogo se estendia até os pés de Dionísio.
Ele comprimiu os lábios e apertou o cabo do tirso, furioso. Ele ergueu a Arma sobre a cabeça. Pude sentir toda sua fúria em um único ataque. A Mesma energia que flamejava em seus olhos, se condensou na ponta do tirso. Meu coração pesou. Não haveria saída. Ele sorriu debochadamente, então lançou a energia na minha direção.
Meu coração parou. O Simples temor do poder daquele rapaz, me paralisou por completo. Quando estreitei os olhos, o silêncio fulminante açoitava minha mente. Uma silhueta postada à minha frente. Aparentemente, um homem, segurando um escudo. Meus olhos quase se renderam à escuridão total. Quase.
Pisquei uma ou duas vezes, então notei: O Homem não era bem um homem. Uma espécie de esqueleto, armado apenas com um escudo, ajoelhado à minha frente. Aquela caveira me encarou. Não ouvi nenhum sinal de Dionísio. O esqueleto levantou seu braço livre, e me entregou um papel. Novamente, um papel negro, com uma grafia divina, em vermelho sangue. Mas, desta vez dizia: “Você morrerá.”
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