O Filho De Hades
2 Assusto um guerreiro
Notas iniciais
A luz do sol encontrou meus olhos.
Abri-os, semicerrados. Minha cabeça latejava. Só consegui distinguir borrões. Balancei a cabeça algumas vezes, até focar. Estava em uma campina. Minha boca tinha um gosto estranho e meu estômago roncava.
– HEY. – Uma voz gritou. Não sabia quem era, nem de onde vinha. Apenas balancei a cabeça, tapando os olhos com a mão. – INVASOR!- Meus olhos correram pela campina e então enxerguei uma silhueta. Um jovem em uma armadura de combate grega estava mirando sua lança para mim. Um capacete espartano, com uma crina vermelha se erguendo no topo de sua cabeça. Seus olhos castanhos, raivosos, me encaravam, enquanto seu nariz achatado contrastava com sua boca pequena. Suas bochechas lhe davam um aspecto “fofo” se você esquecesse o fato da Lança.
Levantei-me, com dificuldade e apalpei o Jeans negro. No bolso de trás, encontrei uma espécie de carta. Um papel totalmente negro, envolvido por um laço vermelho. Desfiz o laço, ignorando o jovem. Abri o papel. O garoto pareceu confuso, e continuou com a lança mirada para mim. Meus olhos voltaram-se para o papel. Uma grafia perfeita. As letras em um tom de vermelho sangue, diziam: Espero que não me odeie filho. Não entendi absolutamente nada, então parei e forcei minha mente: Quem eram meus pais? Espera. Quem sou eu? Eu... Não me lembro.
Engoli em seco e voltei-me para o rapaz.
– Você sabe quem eu sou? – meus olhos correram, encarando o campo logo atrás do garoto. Uma casa se erguia colina abaixo. Um conjunto de casinhas, agrupadas em um ômega. Um anfiteatro se localizava ao lado de um refeitório. Ao longe, a Praia se estendia, e a noroeste, um bosque, calmo e sereno. Meus olhos correram a campina, então pousaram no campista.
– VOCÊ É O INTRUSO. – sua voz cortou minha linha de raciocínio. Ele brandiu a lança e avançou em uma estocada. Um instinto automático me fez puxar a primeira coisa que sentisse, e foi o que o fiz. Meus reflexos agiram tão rápidos quanto o jovem e minha mão levantou uma espada negra, de cerca de um metro de lâmina. A Espada colidiu com a lança, meus olhos colidiram com os olhos dele, então meus reflexos me obrigaram a girar a mão com a espada. O fiz, e a Lança do garoto fora jogada para o chão. Meus olhos ainda presos aos do rapaz, podia ouvir sua respiração pesando e seus dentes batendo. Soltei um suspiro, mesmo sem saber como fiz aquilo. Apenas relaxei, suspirando, soltando os pesos dos ombros. Meus olhos se fecharam e eu abaixei a espada. Por um minuto, balancei os braços, despreocupado com o jovem à minha frente. E quando eu abri os olhos, o garoto estava parado, ainda à minha frente, com uma expressão aterrorizada. Meus lábios dançaram em um sorriso despreocupado e eu brinquei.
– Bu. – Sorri. O Jovem caiu de bunda no chão, tateando o solo atrás dele. Ele começou a rastejar para longe de mim, respirando pesadamente. Arqueei uma sobrancelha, quando olhei para os meus pés. A Grama próxima às botas de couro negras estava cinza. Não, elas estavam mortas. Meus olhos seguiram, observando a coloração cinza por um raio de um metro de distância de mim. Guardei a espada na bainha negra, não sabia que espada era esta. Eu não sabia que roupa era esta; Não sabia quem me vestiu; não sabia quem eram meus pais e não sabia quem eu era.
Não que eu apenas não me lembrasse de um ou outro nome, eu simplesmente não sabia quem eu era. Caminhei até o garoto. Ele ainda tentava se arrastar de volta para a campina. Agarrei sua camisa, por baixo da armadura. Um material laranja tocou minha pele, então senti uma pontada na cabeça. Como se enfiassem uma agulha no meu cérebro. Balancei a cabeça espantando a dor. Olhei fundo nos olhos do garoto. Um castanho, escuro.
– O que é esse lugar? – Falei, tentando impor medo para ele mais uma vez. Ele mordeu um lábio e olhou para a campina.
– O Acampamento Meio-Sangue.
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