O Filho De Ártemis
2 O começo
Notas iniciais
A Marina que escreve e eu fico responsvel por corrigir e postar :3
Aproveitem!
- Caleb? – Chamou a menina que sentava ao seu lado. – Você está prestando atenção no que eu disse?
Ele sacudiu a cabeça para clarear os pensamentos e olhou para ela, sentiu o rosto quente ao ver que havia ignorado a garota completamente.
Ela tinha olhos azuis, cabelos loiros e era bonita.
- Desculpe. – Ele disse. – O que foi?
A menina revirou os olhos e apontou para o livro.
- Você sabe como resolver esse problema? – Ele olhou rapidamente para o livro... E se arrependeu por isso, as letras começaram a saltar para fora da página e ele suspirou.
- Não sei. – Ele falou tristemente. – Vou tentar resolver quando estiver em casa.
- Ah! É verdade, você tem dislexia. – A garota disse parecendo envergonhada. – Me desculpe
- Não tem problema. – Ele cortou e apoiou a testa na mesa, implorando que aquela aula acabasse logo.
Há quanto tempo a aula havia começado? Olhou o relógio de pulso e gemeu internamente, apenas cinco minutos de aula e pareciam horas.
Enfim o sinal que encerrava a aula tocou, ele arrumou rapidamente seu material e saiu pela porta.
Caleb morava na casa mais afastada da cidade, sua mãe, Layla, ela se recusava a ter o “Dona” na frente de seu nome, gostava de manter um jardim próximo a casa e Caleb apenas pensou que isso parecia certo. Enquanto pensava nisso, seus pés o levavam para casa pelo caminho mais rápido.
Sempre que saía ele ficava tenso, como se algo ruim pudesse acontecer, mas nunca acontecia.
Ao chegar em casa ele foi diretamente para o quarto.
- Mãe. Cheguei! – Gritou e se atirou na cama, olhando para o teto.
O sono estava chegando quando ele ouviu um ruído próximo à janela do quarto. Caleb ficou tenso de imediato e ao se aproximar ouviu duas vozes que murmuravam entre si:
- É poderoso esse aqui! – Falou uma voz.
- Sim. – Disse outra voz sussurrando. – O que faremos então?
Alguns segundos de silencio, até que:
- Por enquanto nada, pelo cheiro fraco eu diria que ainda está inconsciente do que é. – Disse a primeira voz, que continuou: — Mas sinto que isso está prestes a mudar... Então saberemos de qual deus ele é filho e o mandaremos para nossa mestra.
Caleb recuou no mesmo instante. Não sabia o que aquilo queria dizer, mas tinha certeza de que estavam falando dele.
Houve uma batida leve na porta do quarto e ele se virou abruptamente na direção do som.
- Caleb? – Era a voz de sua mãe e ele suspirou de alívio.
- Sim mãe? – Ele disse ainda tentando escutar mais alguma palavra daquilo que estava sussurrando próximo a janela.
- Seu jantar está pronto. – Ela respondeu. – Não vou poder jantar com você hoje, tenho um trabalho importante para entregar amanhã. Tudo bem?
Caleb processou as palavras da mãe por um instante e deu de ombros.
- Sem problemas. – Respondeu.
Ele ouviu passos no corredor e voltou a prestar atenção para saber se ainda havia alguém ali. Mas depois de algum tempo Caleb se convenceu de que estava imaginando coisas.
Saiu do quarto e foi jantar. A comida estava ótima e a adrenalina que havia sentido alguns minutos antes o estava deixando, Caleb pensou rapidamente em assistir TV, mas descartou a ideia ao sentir suas pálpebras pesarem.
Verificou as trancas das portas e voltou para o quarto onde caiu na cama e teve um sonho muito estranho.
No sonho, Caleb estava em uma colina alta e segurava um medalhão prateado em sua mão direita. Olhava para onde o sol nascia e sentiu um arrepio assustador em sua nuca.
- Você não está mais seguro. – Uma voz feminina soou atrás dele, que se virou rapidamente, mas não havia ninguém ali.
Ele ergueu a mão e viu que estava brilhando levemente com uma luz perolada. O pingente no medalhão balançou e chamou sua atenção: um cervo de ouro pendia da corrente prateada.
Olhou novamente para onde ouviu a voz, mas dessa vez havia alguém ali, uma mulher muito bonita, de cabelos ruivos e olhos dourados como os dele, aparentava ter 25 anos, usava um vestido de seda prateado e olhava para ele seriamente em um rosto lindo e de aparência perigosa.
De alguma forma ele não estava surpreso, pois pôde senti-la ali com ele, mesmo que não a visse.
- Quem é você? – Ele se ouviu perguntar. – Porque diz isso? Como não estou mais seguro?
A mulher apenas o olhou, sem expressão, mas seus olhos eram turbulentos e duros como duas moedas de ouro, e assustavam Caleb, que se afastou automaticamente um passo dela.
- Prepare-se. – Ela disse e desapareceu.
Ele acordou no mesmo instante, a voz da mulher ainda soando em seus ouvidos. Levantou-se rapidamente e viu que horas eram antes de soltar um gemido frustrado, estava ficando atrasado para a escola e tinha o projeto de ciências para apresentar.
- Mãe? Porque não me acordou? – Ele disse ainda no quarto quando sua mãe apareceu na porta.
Caleb olhou para ela e sorriu levemente, sua mãe era a mulher mais linda do mundo. Ela não era alta, mas era esguia e graciosa, tinha um rosto atemporal e belo, seus cabelos eram castanhos assim como seus olhos e se portava com elegância.
- O diretor ligou, disse que hoje não haveria aula. – Ela disse sorrindo. – Então deixei você dormir mais um pouco.
- O que houve? – Caleb disse um pouco preocupado.
- O encanamento da escola estourou, vai levar pelo menos dois dias para consertar. – Ela respondeu e Caleb assentiu.
- Você está bem meu filho? – Ela perguntou e ele estudou o rosto dela.
- Sim, estou. – Disse sorrindo para esconder o tumulto de emoções que estava dentro de si.
- Tudo bem então, escove os dentes e vá tomar o café. – Ela disse se afastando pelo corredor enquanto ele se levantava e ia para o banheiro.
Olhou-se no espelho e pensou na estranha mulher de seu sonho, ele possuía os mesmos olhos, o mesmo tom avermelhado nos cabelos e mesmo no modo de falar ela o fazia lembrar-se de si mesmo.
Ele sacudiu a cabeça e espantou o pensamento. O que faria agora, já que tinha o dia livre?
Por um momento Caleb se permitiu sentir o alívio por não ir à escola, a dislexia tornava a leitura um martírio e o transtorno do déficit de atenção o rotulou de encrenqueiro qualificado e preguiçoso.
Em resumo, ele preferia estar em casa, onde podia se esconder no bosque e observar os pequenos animais que tinham suas tocas escondidas por ali. Ele não tinha nenhum amigo, os garotos da escola se afastavam dele, tinham medo por seus olhos dourados e ele sabia que o chamavam de aberração por suas costas.
Ele tomou café rapidamente e saiu, sua mãe nunca perguntava aonde ele iria, e de certa forma isso o deixava feliz por saber que tinha a plena confiança dela.
Ele perambulou pelas ruas da cidade por algum tempo até encontrar um parque vazio, onde bem no meio havia uma árvore enorme que ele gostava de subir quando não havia ninguém ali.
Olhou para os lados, sentia que estava sendo observado, então não poderia se aproximar mais. Suspirou e refez seu caminho para casa.
***
Enquanto andava para casa, Caleb pensou no medalhão de seu sonho, o cervo dourado como pingente deixou uma sensação estranha nele, algo no fundo de sua mente se agitava, mas ele não sabia o que era e isso o incomodava, não gostava daquela sensação de inexatidão.
Parou na frente da casa e observou a fachada por alguns segundos antes de seguir para a porta da frente. Assim que entrou soube que havia algo errado, um bilhete de sua mãe estava na mesinha perto da porta.
Caleb, meu filho, por favor, vá até a clareira onde tantas vezes levei você. Não demore.
Com amor,
Mamãe.
Ele leu o recado e saiu novamente, apertando o papel entre seus dedos se dirigiu para a clareira com rapidez, ficando cada vez mais preocupado a cada minuto que passava. Enfim entrou na clareira e sua mãe estava lá, mas ela não estava sozinha.
Por um instante ele pensou que estava vendo coisas, não podia ser verdade. Olhou para sua mãe, ela ainda usava o vestido verde-claro de sempre, mas havia algo diferente nela, ele tentou isolar a diferença, mas não conseguiu.
Seu olhar recaiu novamente na outra mulher, que o encarava tranqüila e cautelosamente, como se o avaliasse, ele recuou um pouco, era a mesma mulher de seu sonho, era impossível confundir, seus olhos dourados, seu cabelo castanho-avermelhado, seu vestido prateado...
- Olá Caleb. – Ela disse e ele ficou parado, completamente preso em seus olhos dourados. – Você cresceu meu filho.
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