O Feiticeiro e o Vampiro
1 Daniel
Notas iniciais
Daniel estava deitado em um campo, repleto de belas flores, das mais diversas cores. Ele se levantou e olhou em volta. Várias árvores compunham a paisagem daquele lugar, e animais de vários lugares diferentes do mundo estavam lá. Maravilhado, ele decidiu explorar o local.
Enquanto caminhava pelo local, ele escutou passos atrás e se virou, mas não viu nada e continuou caminhando. Quando estava passando perto de um lago, ele escutou novamente passos e se virou mais uma vez, mas agora havia algo, ou melhor, alguém, atrás dele.
Era um homem alto e magro, que parecia ter entre 40 e 50 anos, e que vestia uma túnica violeta. Seu rosto, desprovido de qualquer pelo facial, mostrava um olhar calmo e um sorriso alegre, e seus longos cabelos brancos estavam caídos sobre seus ombros.
O homem se aproximava de Daniel lentamente. Eles se entreolharam, e então...
— Daniel!
Ele acordou num pulo e caiu da cama. Diana, sua irmã, estava de pé ao seu lado. Ela que havia gritado.
— Diana?-Daniel perguntou-o que você tá fazendo no meu quarto?
A garota revirou os olhos.
— Vim te acordar, é claro. Você vai se atrasar para a escola!
— Ai droga!
Daniel se levantou e foi ao banheiro. Lá, ele tomou banho, vestiu sua roupa e escovou os dentes. Ele desceu as escadas e foi à cozinha, onde Diana estava sentada na mesa, com duas xícaras de café, torradas e manteiga. Diana estava tomando uma das xícaras. Após engolir, ela fez uma careta
— Nossa, como a mamãe gosta disso? Que horrível!
Bom, talvez seja a hora de apresentar os dois irmãos.
Daniel Drummond tem 15 anos. Ele é moreno, com olhos escuros. É um rapaz muito inteligente, e tirava notas ruins apenas por falta de esforço. Apesar de, geralmente, agir com as melhores intenções, ele costuma ser impaciente e irresponsável. Sua irmã Diana, de 17 anos, era bem diferente. Desde jovem, Diana queria mostrar todo seu potencial. Estudiosa, responsável, e acima de tudo, amiga.
Seus pais haviam feito uma viagem para cuidarem de um tio, que morava em outra cidade e estava doente, e Diana, por ser maior de idade, ficou tomando conta da casa.
Após terem comido o café da manhã, era hora de Daniel ir para a escola onde fazia o primeiro ano do ensino médio. Diana resolveu acompanhá-lo, para ter certeza que ele chegaria bem à escola. No caminho, enquanto caminhavam, ela percebeu que seu irmão estava pensativo.
— Aconteceu alguma coisa, mano? – ela perguntou. O garoto a encarou.
— Não é nada, Di. É que eu venho tendo o mesmo sonho todos os dias há quase uma semana...
— Sobre o que é o sonho?
— Bom, eu estou em um belo jardim, cheio de plantas e animais. De repente, eu encontro um homem estranho e...
— Um homem? – Diana o interrompeu.
— Sim, e eu nunca nem o vi na minha vida. Enfim, ele ficava me encarando, e tentava me falar algo, mas sempre que ele ia abrir a boca, eu acordava de algum jeito.
— Estranho, mas não deve ser nada demais.
Daniel e Diana passaram pela vendinha do seu Tonico, um conhecido deles. Lá, algo (ou melhor, alguém) chamou a atenção de Daniel. Dentro da vendinha, estava o homem que Daniel via frequentemente em seus sonhos. Lá estava ele, com toda a sua elegância: usava um belo terno violeta, sapatos chiques e uma cartola. Ele se apoiava em uma bengala, apesar de não aparentar precisar dela. Todos na simples vendinha olhavam com curiosidade para aquele sujeito excêntrico.
— Olha lá, Diana! – ele gritou, assustando sua irmã.
— Credo, o que foi, menino?
— O homem que eu via nos meus sonhos! – ele disse, apontando para o homem. Todos que estavam perto observavam o escândalo do garoto, inclusive o homem misterioso, que de repente saiu da vendinha. Ele deu uma tossida leve e, subitamente, correu ao encontro do jovem.
— Corre, mana! – gritou Daniel. Os irmãos saíram em disparada, assustados, com o homem correndo atrás.
— O que você quer da gente? – Diana gritou enquanto corria.
— Eu quero o garoto!
— Ah, mas isso nem a pau – Daniel falou.
— Garoto, você precisa me ajudar! Ele está tentando voltar, seus servos podem vir a qualquer momento — O homem falou com um tom preocupado – Se você se recusar, tudo estará perdido!
— Você é louco!
O homem, cansado, resolveu parar. Mas antes gritou:
— Se cuida, garoto, pois eles virão atrás de você!
Depois dessa cena, os irmãos continuaram a andar normalmente. Aquela tinha sido a coisa mais inusitada a acontecer com eles até aquele momento. Ainda assim, Daniel ficou com as últimas palavras do estranho em sua cabeça.
— O que ele quis dizer com isso? Quem está vindo atrás de mim?
— Relaxe, Daniel – Disse Diana, afagando os cabelos do irmão – aquele homem não bate bem da cabeça.
— É, você tem razão...
Daniel fingia estar tranquilo, mas em seu interior estava preocupado.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, mais precisamente no “Arara Sanduíches”, uma lanchonete que havia fechado há 7 anos, a tranquilidade estava prestes a acabar.
De repente, um portal escuro circular, semelhante a um pequeno buraco negro, aparece do nada. Sua simples aparência já poderia causar arrepios a um ser humano. Do portal, saíram três figuras tenebrosas.
A primeira era alta e parecia um humano. Porém, sua pele era levemente azulada, suas orelhas eram menores que as de um humano, e o ser possuía duas enormes presas em sua boca. Ele vestia uma túnica escura.
A segunda era ainda maior e muito musculosa. Era coberta de pelos, tinha uma enorme boca em sua barriga e apenas um olho, além de garras afiadas. Possuía um cheiro forte.
A terceira figura era a menos assustadora. Ele se parecia com um esqueleto humano, segurava uma foice e cobria seus ossos apenas com uma calça de pano e uma camisa remendada.
— Bem, senhores – disse a primeira figura, sorrindo – Estamos em uma cidadezinha chamada de “Campos Belos”. O nosso grandioso Imperador disse que o rapaz que precisamos exterminar vive aqui. Vai ser fácil achá-lo, já que o belíssimo Imperador projetou o rosto dele em nossas mentes. Ele realmente pensa em tudo!
O monstro peludo grunhiu. Já o esqueleto parecia triste.
— Precisamos mesmo matá-lo, senhor Lugal? – perguntou o esqueleto – Não podemos só convencê-lo a não fazer nada?
Lugal, o homem azulado se o encarou sério.
— O que há, Etana? O majestoso Imperador nos mandou matá-lo, não depende da nossa vontade. Desobedecer as ordens dele, ou melhor, sequer questionar elas, é traição. E você sabe qual a punição para o crime de traição.
Etana, o esqueleto, estremeceu.
— Me perdoe, senhor Lugal.
— Apesar de ser um covarde, você ainda é útil. Por isso, vou deixar passar dessa vez. Já que não quer matar o garoto, pelo menos cumpra a nossa outra missão. Encontre o Olho!
— Eu o encontrarei, senhor...
Lugal deu uma risada.
— É disso que eu gosto, Etana, respeito! Vamos, amigo Sar, arrombe essa porta!
Sar, o monstro peludo, rugiu. Logo depois ele se aproximou da porta e a quebrou com um soco violento. Os três saem da antiga lanchonete. Lugal e Sar estavam determinados a cumprirem as duas missões. Etana, por outro lado, resmungava baixo.
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