Notas iniciais
Boa noite pessoal. Começando bem a semana com capítulo nova, saído fresquinho pra vocês. A partir de agora teremos a visão do nosso outro protagonista, "Virgil West". Eu sei que todo mundo ficou mega curioso pra saber qual seria a resposta do Gabriel a oferta de Derek, mas vocês terão de esperar mais um pouquinho hahahahah. Capítulo dedicado a nossa primeira fã que deixou uma Review. Obrigado Marceline. Boa Leitura galera, até a próxima.

#TheVitoncios

Pov Virgil



O sinal do fim de aula me trouxe de volta á realidade. Por quanto tempo será que eu estive desligado? Pareciam ter sido apenas alguns segundos, ou minutos. Seja lá quanto tempo havia se passado, agora não tinha mais importância, mais um período tinha terminado, e com ele, o fim de mais um dia escolar. Os alunos se aglomeravam aos montes na porta da sala, desesperados para voltarem a suas vidas sociais. Eu sentia falta do tempo em que minhas preocupações eram voltadas para ter uma roupa da moda, ou saber qual festa eu iria no final de semana. Pensando bem, isso fazia tanto tempo que parecia ter sido uma outra vida. Comecei a arrumar meu material calmamente quando quase não haviam pessoas presentes na sala. Estava colocando um dos cadernos na mochila quando ouvi chamarem meu nome.

– Ei West! — Me verei com calma e me deparei com um garoto alto na entrada da sala. Ele usava uma blusa com listras em diferentes tons de verde, e uma bermuda na cor creme. Sua mala estava jogada em apenas um dos ombros e seu cabelo, negro como a noite, cobria-lhe a face.

– Collin. — Acenei levemente com a cabeça e voltei a guardar meu material.

– O pessoal vai se reunir na casa da Jennifer mais tarde. Os pais dela trouxeram várias bebidas novas, da viajem que fizeram para o México. Só vamos passar na lanchonete do “Bill” primeiro pra comer alguma coisa. Quer vir com a gente? Tyler está com o jipe e ainda tem um lugar sobrando.

– Não posso. Tenho dever de casa. — Me apressei em responder, mostrando o livro que estava em minhas mãos, antes de guardá-lo na mochila.

– Dever? Mas hoje é sexta-feira. Você tem todo o final de semana pra fazer o dever. — Disse ele, seu tom agora estava diferente. Aquela conversa estava deixando de ser casual. — O que está havendo com você West? Faz meses que você não sai com a galera.

– Não está acontecendo nada comigo. — Menti. — Só tenho muito dever acumulado da semana. Quanto mais cedo eu começar a fazê-lo, ma...

– Corta essa Virgil! — Ele aumentou o tom de voz drasticamente, mas não chegava ser um grito. Foi a primeira vez que Collin falou daquele jeito comigo, ou com qualquer um. — Eu te conheço a anos, e você nunca deixou acumular uma lição que seja. Sei que tem alguma coisa errada com você, mas fui imbecil o suficiente de ter me importado, enquanto todos os seus outros amigos já te abandonaram.

– Bem... Talvez você devesse ter feito o mesmo. — Engoli a angustia e permaneci de costas, arrumando minhas coisas.

– Como quiser. Idiota!


Ouvi os passos de Collin se distanciando da porta, era difícil fazer esse tipo de coisa. Me afastar de todos os meus amigos, Collin, Jeniffer, e o resto do pessoal, quer dizer, eles haviam crescido junto comigo. Nós sempre fizemos tudo juntos, fosse certo ou errado. E agora eu tinha que virar as costas para eles. Fingir que eles não existiam, fingir que nossas histórias nunca aconteceram, tudo isso para prezar a segurança deles, prezar as vidas deles. Eu não tinha uma noção clara dos meus "instintos" e não sabia quais efeitos o álcool em excesso, como estávamos acostumados a ingerir, iria surtir em mim. Isso não era justo! Essa não foi a vida que eu escolhi, não era mais a minha vida. Por essas e outras que eu ficava constantemente irado com Derek. — Idiota. — Bufei a palavra desanimado, dfierente da forma agressiva com que Collin havia proferido. Depois de tanto tempo sozinho, refletindo sobre a vida

O lugar estava cheio de pessoas que iam e vinham, conversando sobre os mais variados tipos de assuntos. A frase que eu mais conseguia ouvir era "meu final de semana vai ser...", aparentemente todos estavam programando suas atividades, ou apenas jogando conversa fora. Felizmente eu já havia me programado para aquele fim de semana. Com sorte conseguiria passá-lo em casa sossegado, ajudando minha mãe e meu padrasto a terminarem de pintar a cerca do gramado.

A frente localizei meu armário, que ficava no corredor mais próximo da entrada do colégio, fui até ele e destranquei para que pudesse colocar os livros da última aula, e substituí-los por aqueles que eu usaria. De repente senti um desconforto fora do comum. Por alguma razão eu não conseguia tirar os acontecimentos do dia da cabeça. Joey esmagando o pobre novato contra os armário. A sensação começou a aumentar, e um peso na consciência me atingiu como um poderoso soco no estômago. Mas por que? Quer dizer, eu já tinha visto Joey Bullet importunar centenas de garotos, mas nunca sentira esse tipo de empatia por ninguém. Claro eu poderia ter ajudado, mas isso atrairia toda a atenção pra mim, e segundo Derek, eu deveria ser o mais discreto possível. Mesmo assim, alguma coisa naquele garoto me incomodava. No momento em que fui ajudá-lo a pegar seus livros tive a sensação de que havia muita coisa errada acontecendo com ele. Ele parecia perturbado demais. Fui tirando do meu mundo de pensamentos quando meu celular se manifestou.

No bolso da calça, senti o aparelho vibrar forte o suficiente para me incomodar. Pensando bem ele havia vibrado por boa parte da aula, mas no momento em que desliguei minha mente, esqueci dele. Senti o celular vibrar novamente no bolso, bufei e resolvi dar atenção a pessoa que estava insistentemente a minha procura. Como se eu já não soubesse. Peguei o aparelho em mãos e apertei o botão central pra iniciar o uso. Na tela haviam duas ligações perdidas e três mensagens, todas tinham o mesmo nome e diziam a mesma coisa — “Preciso de todos reunidos, me encontre na toca. Derek” — como eu suspeitava.

O fato de eu ter lido a mensagem, não significava que acataria sua ordem, ele poderia ser meu alfa, mas não era meu dono. Apenas apertei o botão de bloqueio e guardei o celular de volta no bolso. Fechei meu armário e caminhei até a saída eu tinha conseguido ignorar Derek por toda a semana, talvez eu conseguisse ignorar no final dela também. Quando cheguei aos portões do prédio, porém, percebi que meu plano estava fadado ao fracasso. No meio do estacionamento da escola estava parado um Camaro preto. Encostado em seu capô havia um rapaz alto, por incrível que pareça ele conseguia ser mais alto do que eu. Ele usava uma jaqueta de couro preta, e uma blusa branca por baixo. Suas calças pareciam gastas, assim como suas botas marrons. O cabelo cacheado castanho estava levemente bagunçado. Ele sorriu assim que me viu descer as escadas. Torci o nariz assim que me aproximei, ele cheirava a floresta, ao fedor almiscarado característico, que nenhum humano conseguiria sentir e definitivamente, que nenhum humano poderia exalar. Em outras palavras, ele cheirava igual a mim. Parei em sua frente para poder encará-lo, então eu disse.

– Isaac, o que está fazendo aqui? — O desgosto em minha voz ficou evidente. Mas do que o necessário, mais até do que ele merecia. Isaac era um cara legal, apesar de ser o bichinho de estimação de Derek. Ele remexeu no bolso procurando alguma coisa. Quando encontrou exibiu em sua mão um aparelho de celular. Um celular pequeno, "Nokia", que eu sabia exatamente de quem era.

– Não sei se você leu as mensagens pirralho, mas Derek nos quer reunidos na toca o mais rápido possível.

Dei de ombros antes de responder. — Pra que?

– Ele vai trazer o novo membro do bando. — Fiz uma careta com a resposta. Não imaginava que mais alguém quisesse essa vida. Não entendia o porque, Isaac, Erica e Boyd quiseram essa vida pra eles. — Como você não respondia as mensagens, Derek pediu pra que eu viesse te buscar. Porque você sabe, eu não tenho nada melhor pra fazer do que ficar de babá. — Zombou ele.

– Ótimo, você não quer estar comigo, tanto quanto eu não quero estar com vocês. Por que não pega o lindo carro do Derek e some daqui? — Não fiz questão de esconder o sarcasmo. Vi o lábio superior de Isaac se levantar e começar a formar um rosnado, mas ele se deteve.

– Você sabe que não funciona assim. Foi uma ordem, de um alfa. E eu tenho que obedecer, nem que pra isso eu tenha que usar os meus próprios métodos de persuasão. — Respondeu ele, fazendo com que suas unhas crescessem até se tornarem garras.

– Esconde isso! — Segurei seu braço e o abaixei. — Você ficou maluco? Quer que nos descubram?

– Então, entre no carro, para que possamos ir pra toca e esperar o Derek voltar com o novo membro do bando. — Agora ele estava fazendo com que seus olhos mudassem de cor. O azul claro e humano, estava começando a ser substituído amarelo ouro.

– Ta bom, ta bom. Eu vou com você, só pare de se transformar. — Disse finalmente, eu havia sido vencido. Apenas abri a porta do passageiro e entrei no carro. Vi Isaac dar a volta pela frente até chegar ao banco do motorista. Ele entrou e se recostou, colocando a chave na ignição e em seguida, depois olhou pra mim.

– Esse é meu garoto. — Então deu a partida e saiu a toda velocidade do estacionamento da escola.

O caminho para toca foi excessivamente tedioso. Apenas me afundei no banco, encostei a cabeça no vidro e observei o mundo lá fora passar depressa. Derek tinha feito da antiga estação de metrô abandonada seu pequeno refúgio para jovens desajustados. O lugar ficava a pelo menos há uns quarenta minutos da escola, se você fosse de carro, no centro antigo da cidade onde vários prédios haviam sido abandonados. Enquanto o carro zunia pelas ruas e avenidas, pensei novamente em quem poderia querer esse tipo de vida? Derek me disse certa vez que ele não mordia pessoas aleatórias. Ele escolhia os indivíduos que não tinham uma boa perspectiva de vida, não tinham muitos amigos, ou sofriam de alguma doença crônica, então lhes dava a mordia, para ser uma forma de curar suas vidas miseráveis. Eles não teriam nada a perder. Como é que ele costumava dizer? “A mordida é um presente”. Presente uma ova, que tipo de presente é esse que destruía sua vida? Que fazia com que você se afasta-se dos seus amigos, mentisse para sua família, e fazia com que você machucasse aqueles que você ama. Não, aquilo não era um presente. Eu considerava uma maldição. Me perguntava se não teria sido melhor ter morrido, ao invés de ter que levar uma vida assim. Isaac freou o carro bruscamente, quase me arremessando de encontro com o vidro. Quando me recompus do susto, fuzilei-o com o olhar, ele apenas sorriu e disse.

– Chegamos.

Rosnei em respostas, mas ele já estava saindo do carro. Fiz o mesmo e bati a porta com força, esperando ter amassado. Ele foi em direção a grande entrada, que estava toda coberta com faixas e correntes que dizia “Interditado, risco de demolição”. Isaac pulou por cima das correntes e começou a descer a grande e estreita escada. Simplesmente o segui, a essa altura não estaria perdendo nada. Quanto mais eu descia, mais difícil ficava de respirar, o lugar estava coberto de poeira. Haviam alguns ratos mortos, estirados nos degraus, o cheiro de morte inundou minhas narinas e pareceu queimá-las, era tudo tão... Nojento, insalubre, imundo. Em outras palavras, o lugar perfeito para um bando de criaturas obscuras viver. A margem da sociedade, literalmente. Quando finalmente chegamos ao final da escada, fomos em direção ao grande pátio onde os trens deveriam ficar. Era imenso, quase do tamanho da escola, só que completamente deserto. Quer dizer, tirando as coisas que Derek tinha deixado para o nosso... “Treinamento”. Isaac havia dito que eles tinham retirado todo entulho do lugar a fim de deixá-lo com mais espaço. Derek tinha transformado um vagão abonado em uma espécia de quarto, onde ele poderia descansar. Á esquerda do vagão, haviam alguns caixotes espalhados que serviam de obstáculos, enquanto à direita, enfileirados esteticamente, estavam alguns aparelhos de ginástica. Diferentes tipos de pesos estavam alinhados, perto de um banco reclinável onde eles faziam o supino.

Recostado sobre essa banco equilibrando uma barra de ferro com vários pesos ajustados nela, estava um garoto. Ele tinha a cabeça raspada e estava sem camisa, seus músculos do tórax estavam saltados devido ao esforço do exercício, sua pele negra brilhava devido ao suor que escorria por todo seu corpo. Ele recolocou a barra de volta em seu suporte e sentou-se para nos cumprimentar.

– Cara! Vocês demoraram. — Disse ele, pegando uma pequena toalha que estava no chão, e enxugando o suor de sua testa.

– Culpa do nosso adolescente rebelde aqui. — Respondeu Isaac apontando pra mim com um de seus polegares enquanto entrava no quarto improvisado de Derek.

– Boyd! — Acenei com a cabeça enquanto pegava uma cadeira de madeira, velha e mal cuidada, que estava jogada no chão do pátio desde a última vez que eu estivera ali. Endireitei-a próxima a uma parede e sentei.

– Como está garoto? Algum problema?

– Nada demais. Nada que valha realmente a pena. — Respondi, secamente. Então Boyd deu de ombros e voltou para sua malhação. Ele era um cara legal, e sempre tentara amenizar os ânimos de todos. Sempre me fazia sentir mais confortável com toda aquela situação. Ele não merecia meu desânimo e meu mal humor, mas eu não estava com vontade de ser agradável com ninguém.

– Pare de ser tão melodramático garoto. — Olhei para frente bem a tempo de ver Erica abotoando sua blusa, que era curta o suficiente para deixar sua linda barriga a mostra, saindo do vagão. Seus longos cabelos, loiros e cacheados, estavam desarrumados. Seu rosto estava amassado, como se ela estivesse dormindo ou algo do gênero. Ela pegou seu Ipod que estava em cima de um caixote, piscou para Boyd e se alinhou no sofá velho que Derek tinha conseguido. Me perguntei se o suor excessivo de Boyd era só por causa dos exercícios.

– Oi pra você também, Erica. — Mas ela parecia não me escutar mais. Os fones já estavam em seus ouvidos e seus olhos voltados para qualquer outra coisa que estivesse na tela.

Isaac voltou para perto do grupo, se acomodando nos degraus do vagão enquanto bebia uma garrafa d’água. Resolvi fazer o mesmo, então tirei a minha garrafa da mochila e dei um gole. A sensação do liquido fresco descendo pela minha garganta fez com que eu me acalmasse um pouco. Cada um de nós voltou-se para sua respectiva atividade enquanto esperávamos que Derek voltasse com o tão aguardado membro. De repente isso pareceu me incomodar um pouco, mas do que tinha me incomodado na viajem até aqui. Então resolvi perguntar.

– Ei, Isaac. Você já sabe quem é?

– Do que está falando Virgil?

– Estou perguntando se você sabe quem é o novo integrante da matilha. Quem é a pessoa que Derek vai morder?

– Ah, isso! — Ele fez uma pausa para pensar, então tomou outro gole de água antes de dizer. — Ele mencionou alguma coisa como... "O garoto novo da sua escola."

O som daquelas palavras me fez estremecer. Por um segundo senti um arrepio na espinha. As imagens do que eu tinha presenciado hoje no colégio voltaram todas ao mesmo tempo, amontoados, embaralhadas e fora de ordem. Levantei-me com um sobre salto, chamando a atenção de Erica. Um certo tipo de pânico tomou conta de mim. Então, eu só tive tempo de perguntar.

– Derek já o mordeu? — A palavra “mordeu” havia saído com um gosto amargo, e repugnante.

– Não, mas ele saiu daqui dizendo que ia fazer isso. — Isaac mal terminou de me responder, eu simplesmente comecei a correr o mais rápido que pude. Eu tinha que impedir que Derek fizesse isso. Se tinha alguém nesse mundo que não podia se transformar em lobisomem, esse alguém com certeza era aquele garoto. Subi as escadas correndo e só tive tempo de ouvir o som da voz de Isaac atrás de mim — Virgil, espere! — Mas eu não ia parar, só quando tivesse conseguido parar Derek, nem que isso custasse minha vida.

Notas finais
Eae pessoal, o que acharam? Gostaram? Odiaram? Por favor mandem suas opiniões. Lembrando que Reviews incentivam os autores a continuarem escrevendo. Nos vemos ná próxima pessoal, com sorte essa semana ainda. Abraços leitores
The Vitoncios