O Fantasma de Ecomoda

5 Capítulo 5 Baile Masquerade


Todo ano, Ecomoda realizava um baile temático por ocasião do aniversário da empresa e este ano estavam completando 30 anos desde que foi fundada pelos Mendoza e os Valencia.

Houve uma votação entre empregados e acionistas e escolheram que o baile deveria ser temático e ter o tema de Festa à fantasia, com a única exigência é que todos usassem roupa de baile ou fantasia produzidas por Ecomoda e tudo culminaria em um desfile não só de modelos profissionais, mas também de alguns funcionários de Ecomoda. Hugo logicamente deu um ataque ao saber que teria que desenhar para o quartel das feias e as que as mesmas iriam desfilar.

—Claro, só podia ser em um desfile à fantasia e com máscara! Pena que não será no Halloween ou no dia dos Mortos como no México! Flu Flu Voló!

Contrariado ou não, um vez que trabalhava para Ecomoda, foi convencido a fazer. Todo o evento seria filmado por uma equipe de filmagem contratada por Catalina e depois compartilhado no site, blog “Diário da Moda” e etc, além de cobertura pela imprensa local. Era um grande evento onde todos os empregados da empresa podiam participar. Daniel não concordava com nada daquilo, embora fosse ideia de Beatriz e agora quisesse ter bom relacionamento com a bela presidente (e quem sabe lograr levá-la para a cama, agora que estava bonita e sexy), logo convenceu Marcela, que não dava as caras por Ecomoda há tempos, a votar. A morena de cabelo Chanel só votou com a condição de que o faria por vídeo, pois não pisaria na empresa em uma reunião de diretoria por nada desse mundo (medo que pudesse ver novamente o que não queria ver e que a fazia ter pesadelos). Mas até Maria Beatriz votou a favor, pois era uma chance a mais de se exibir em um modelo chiquérrimo como dizia tal como nos bailes de máscara da Europa.

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Mas de todos os convidados e participantes ninguém gostou mais que o chamado fantasma, pois poderia comparecer ao baile e ver um desfile depois de tanto tempo e sim, a rigor, como se deve.

Para desespero de Hugo, o fraque luxuoso feito de tecidos nobres sumiu.

—Onde está, Inesita? Onde está?

—Do que fala?

—Do fraque preto de veludo que deixei no manequim ontem! Meu pobre chesito sumeseé iria desfilar hoje com o modelo que fiz especialmente para ele!

—Tem certeza que deixou aqui, seu Hugo?

—Ai, eu não estou louca! Inês, minha valeriana!

No seu quarto no showroom, Armando se vestia com o tal fraque.

—O fantasma de Ecomoda estará chique esta noite, como condiz com o evento. Não chega a ser bonito, mas apresentável como condiz com um... herdeiro. Se pudesse me ver agora, papais! –dizia olhando a foto.

—Toque final: a máscara de veludo com fios dourados. E Voilà!

—Bela Beatriz, meu anjo, poderá bailar comigo toda a noite! Não terá problema exibir-se com um mascarado por aí, todos estarão mascarados também e alguns até descarados! –rio.

Há muitos anos não se via tão elegante.

—Esta noite lhe confessarei meu amor a você, Beatriz! –disse acariciando o manequim com a rosa. Pode me beijar? Há anos não me beijam. Quando fiquei assim horrível, as mulheres que antes diziam me amar passaram a me desprezar como se eu fosse detestável, mas não o sou! Sabe como a amo! –disse chorando no ombro do manequim — Hoje, estarei a seu lado. Será minha! Dançaremos como qualquer casal... de amigos!

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O fantasma se arrumou, estava elegante e devidamente protegido tal como . E subiu as escadas em direção ao novo showroom, que se localizava no enorme terraço.

Mas as coisas não correm como queria...

—Beatriz!

—Quem me chama?

—Sei que é você! Encantadora Beatriz!

—E se não for esta tal Beatriz? –dizia porque estava de máscara.

—A convidaria para dançar!

—Mas e se ela não soubesse dançar?

—Er... A ensinaria! –disse Michel tomando-a pelas mãos. E assim começaram a bailar

Tudo ia perfeito, apesar dos chiliques iniciais de Hugo e os posteriores, ele usou de sua genialidade e mostrou que poderia fazer roupas de qualidade para todos.

Foi quando o fantasma chegou não podia acreditar no que via: ela estava bailando nos braços daquele francês. Mesmo fantasiada, ele sabia que era ela, pois havia lhe mostrado a fantasia de dama da Bèlle Epoque.

—Maldita sea!

Beatriz estava tão distraída nos braços de Michel que nem reparou que o fantasma a observava.

—Maldita sea! –o fantasma pegou dois whisky passava por ali de um garçom que e cobriu-se com a capa, para espreitar e observar a todos no fundo do salão.

Durante o desfile com participação não só das modelos profissionais, mas também do quartel, Beatriz agradeceu a todos pela presença e pela oportunidade de poder presidir Ecomoda. A moça procurava entre os presentes a ele, seu tutor, mas não via por nenhuma parte.

Foi quando recebeu um envelope com as siglas que tanto conhecia, que mandaram entregar-lhe.

—“Encontre-me atrás do showroom. Assinado Seu doutor. “

Viu um vulto mover-se no fundo do salão e seguiu-o.

Ao chegar ao lado de fora do terraço, encontrou-o de costas.

—Doutor!

—Beatriz!

—Está tudo tão perfeito! Tudo saindo como planejado. Viu como estão todos se divertindo! Mas estou feliz! Estamos perdendo o desfile, venha, tem que ver tudo com seus próprios olhos!

—O desfile, a organização estava tudo maravilhoso! Pena que não me diverti tanto quando você nos braços daquele francês!

—Estava aqui? Por que não falou comigo?

—Cheguei quando estava nos braços do francês. Por quê, Beatriz? Esta era para ser nossa comemoração! Só vim por você! Porque me pediste! -a segura pelo braço e com a outra o pescoço. –Não viria se não me pedisse!

—Entenda, Michel me convidou a dançar e não tive como dizer-lhe não!

—Ah, não teve como dizer-lhe não? Não sabe dizer não a um homem?

—Nunca pensei que o senhor aceitaria meu convite para vir. Havia me dito que não gosta mais dessas coisas.

E com ciúmes, ele apertou seu pescoço ainda mais, mas na verdade queria apertá-la contra si para ver se teria coragem de rejeitá-lo.

—Tosse, tosse. Me machuca, doutor.

—Perdão. Nunca quis machucá-la! Sabe que sempre a cuidei e jamais a machucaria. –disse acariciando seu pescoço.

—Perdão, doutor. Não pensei que levaria a mal. Apenas uma dança, todos estavam dançando, não pensei que fazia nada de errado.

—Ah não pensou? Mas eu vim como me convidou, sabe que faria tudo por você. Pensei que queria minha companhia e me arrisquei por ser à fantasia!

—E está muito elegante, doutor!

—Não fuja do assunto, Beatriz! –disse segurando seu braço e pela cintura. -Por que não reservou uma dança para mim? Acaso não lembra que eu te ensinei tudo?

—Doutor, eu... Vamos voltar, vão dar falta de nós!
—Não creio que tenha nada para fazer lá! Melhor irmos para baixo. Lá podemos fazer nosso baile. –disse arrastando-a.

—Não, não hoje! –disse ela, fugindo dele.

—Beatriz!

Nunca havia se sentido assim com ele, ficou arrepiada de ver raiva e ciúmes em seus olhos como nunca antes.

Saiu correndo dali, o fantasma foi atrás dela. Na sua ânsia de correr, trombou com alguém.

—Ei!

—Michel!

—O que passa? Onde vai assim?

—Me largue! Preciso ir embora daqui!

—Como ir embora? Temos todo um espetáculo.

—Não quero mais, ele está aqui!

—Ele, ele quem? Não vai me dizer que também crê no fantasma de Ecomoda!

—Não brinque! Esta história é séria!

Michel tenta reprimir seu sorriso.

—Está chorando, por quê?

—Não é nada! Só quero ir embora!

—Mas não pode ir, hoje é o grande dia! Está perdendo o desfile. O que aconteceu?

—Não posso te falar! Não posso! Só me abrace e me leve daqui.

—Estamos no desfile, seu estilista pode cuidar disso. Mas depois terá que dar um discurso.

—Não tenho cabeça para isso! Tenho que ir embora!

Michel a tomou pela cintura e a levou para a outra torre, onde poderiam ter privacidade.

—Shiu! Relaxemos!

O fantasma voltou à pista de desfile que havia sido montada dentro da empresa para procurar sua amada. Cruzou com rostos conhecidos, inclusive seus pais e Daniel, mas eles não o reconheceram, pois a máscara e a capa o protegiam do mundo.

—Maldita sea! Não está em lugar algum!

No terraço da outra torre, Michel a abraçava.

—Agora me diga o que ocorre com você.

—Não vai acreditar!

—Tente. Confie em mim.

—Não acreditaria!

—Tem algo a ver com essa empresa, não? Te disse que se dedica demais, que precisa mudar de ares.

—Eu sei, mas não quero sair daqui esta empresa, devo tudo a ela, devo tudo a...

—O que foi? Parece preocupada. Parece estranha, como se estivesse com medo e visse um fantasma a cada parte. Não que acredite nestas coisas. –disse abraçando-a –Mas todos falam que a empresa é assombrada! É disso que tem medo? Teria medo de tanta escuridão. –ela chora -Desculpe-me, Beatriz. Não gosta de luz?

—Muito. Mas...

—Shiu... Sabe- disse, acariciando seu rosto, mantendo-a abraçada –Assim.

—Michel, eu...

—Não gosta de mim?

—Sim, mas...

—Shiu... Assim, não precisa ter medo, quero protegê-la. Parece uma menina assustada. Não há o que temer.

—Ele está aqui!

—Ele quem? Não há ninguém aqui! Estou aqui, nada pode te fazer mal. Só nós dois. –ele tirou os óculos –Deixe-me ver.

Tomando-as pelos ombros, ele a beijou nos lábios, apertando –a contra si. –A amo! –Era o primeiro beijo na boca que Beatriz recebia a vida.

—De verdade?

—Veja em meus olhos –tirou a máscara para que visse seu rosto incrivelmente bonito. –A quero!

Ele a abraçou e ela tremendo deixou-se levar.

O que não sabiam é que não estavam sozinhos, estavam sendo observados por ninguém menos que o fantasma.

O homem após procurá-la no salão, começou a perguntar por ela e disseram onde a havia visto. Nunca esperou encontrar aquele imagem, a mulher que amava nos braços do odiável Michel Raoul!

—Maldita sea, Beatriz! Só belos amigos me disse, mas que amigos calorosos são! –disse o fantasma, deixando as lágrimas caírem. –Maldita sea! Me prometeu que nunca se envolveria com ninguém!

—Está melhor? -disse MIchel secando suas lágrimas

—Sim.

—Quero que seja minha namorada.

—Eu...

—Diga que sim.

—Não posso, Michel!

—Por quê?

—Minha vida é complicada!

—Por conta de seus pais?

—Sim, também tem que pedir para meu pai. -Mentiu-lhe

—Mas promete que pensará?

—Sim.

—Melhor irmos!

O fantasma começou a derrubar tudo pelo caminho. Como conhecia todos os caminhos não era fácil para ele subir por algum labirinto sem ser notado.

Coisas voavam pelas paredes. As luzes piscavam.

—Ai, cruzes! -disse Hugo

—Ai vai começar o show?

—Não é show algum, menina! Ai, Inês, minha valeriana! Que não seja ele!

—Quem?

—O Fantasma de Ecomoda!

—Os músicos deveriam continuar tocando, toquem!

Todos estavam com medo, principalmente os que tinham mais idade.

Na porta de entrada do showroom, Michel e Beatriz ouviam gritos desesperados vindo do salão.

—O que acontece? Que gritos são esses? –perguntou Michel ao ouvir gritos vindo do salão

—Er, melhor que entremos separados. –disse a presidente, tentando desvencilhar-se.

—Por quê?

—As pessoas podem comentar.

Não havia planejado o beijo, nem a dança e seu relacionamento com Michel, apesar de sentir-se atraída por ele, parecia que ele lhe queria de verdade. E era a primeira vez que um homem a queria. Sempre foi feia e desde que havia ficado bonita, os homens só faziam propostas indecorosas. Era a primeira vez que um homem dizia querer-lhe. Por isto, correspondeu ao que Michel lhe propôs, talvez sua única chance entre homens que a repudiavam por feia e homens que a queriam seduzir. O que antes havia sido apenas amizade poderia se tornar algo maior? havia sido apenas profissional e de amizade, mas seu mestre acreditaria nisso? Ou pensaria que estaria lhe mentindo todo o tempo?

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Não havia tempo para pensar, no salão o fantasma dava seu show de terror. Sob as luzes parcialmente apagadas, adentrou o palco e começou a cantar.

—Tem uma voz fantástca! –dizia Maria Beatriz

—Por que não se cala?

—Mas o que está acontecendo? –perguntou Margarida.

—Calma, melhor que a senhora e senhor Roberto me acompanhem. –disse Catalina, procurando protegê-los.

—Ah esta aí, chegou a rainha de Ecomoda! -–disse o F E ao microfone -Espero que o Fantasma de Ecomoda não esteja estragando a festa! Não me esperavam, não? Não deviam estar todos mascarados para que não me sentia tão sozinho! Antes mascarado que descarada, não Beatriz?

—AI, minha valeriana! Só faltava ser real! -disse Hugo, desmaiando nos braços de seu namorado. Outros desmaiaram. Já seu Hermes foi para cima e o enfrentou.

—Como ousa falar assim com minha filha?

—Sua filha sabe o porquê falo tudo para ela!

—O que ele quer dizer, Beatriz Christine?

Indignada pela forma como lhe falava, Beatriz o retou.

-Não é nada! Não conheço este senhor, nunca o vi antes! Como pode chamar-me descarada se não me conhece?

Este foi um golpe duro para o fantasma que após derrubar algo levantou sua capa e como mágica desapareceu deixando fumaça por onde passou.

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Ainda no salão, sentindo-se tonta, Betty largou-se no sofá., amparada por Catalina e Michel que vieram a seu encontro.

Os jornalistas que cobriam o grande evento filmaram tudo. A lenda do fantasma era verdade, haviam retratado ao vivo o que só ouviam falar.

O terror habitava nos bastidores daquela prestigiada empresa de moda.

Depois que vários supersticiosos desmaiaram ou fugiram, o show continuou.

—O que foi isso? -perguntou o loiro

—Não é momento para falar, Michel!

—Quem é você, cavalheiro?

—Sou... amigo de Beatriz. O senhor é o pai dela? Prazer em conhecê-lo. -disse amavelmente para Hermes, já querendo achar um gancho.

—O prazer é meu, senhor. -respondeu seco — Melhor irmos, Beatriz! -disse o pai, pegando-a pelo braço.

—Não posso, papai! Depois disso ainda teremos meu discurso.

Já o fantasma voltou para o antigo showroom onde usava de morada.

—Me traíste! Me traíste! Prometeu que não teria nada com o maldito Michel Raoul! Por quê?

—dizia para o manequim. –Maldita sea! Queria em lugar desta queimadura, queimar meu peito e arrancar meu coração. Mas não posso! Não posso! –disse abraçado ao manequim.

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