O Fantasma de Ecomoda
3 Capítulo 3 - Sou seu mestre e você meu anjo da Moda
Mas não podia, era um homem incompleto. Um homem sem rosto, ou melhor, isto queria que o mundo acreditasse. Tinha uma cicatriz enorme que tomava praticamente todo seu antes belo rosto. Na verdade, era uma deformidade que foi causada por um acidente que iniciou no showroom da empresa e se estendeu até tomá-la por completo. Estava há poucos dias na Presidência da empresa familiar, seu grande sonho. Estavam instalando o novo sistema elétrico, bem como o maquinário, quando um erro de cálculo, que bem pode ter sido sabotagem industrial causou o acidente que em poucas horas tomou a sede e fábrica da famosa empresa de modas por inteiro. Era véspera de desfile, um desfile para o qual haviam investido tudo. Tudo estava ali, os croquis, as joias, os manequins e obras de arte, já que o tema do lançamento era uma releitura da Era Vitoriana.
—Não entende? Este é minha empresa! Não posso deixar que tudo acabe assim! –dizia o homem desesperado. –dizia o homem histérico – Estava quase tudo destruído, mas tentava resgatar quase tudo. Jogava tudo para fora. Quando uma viga caiu e bloqueou a porta.
—Socorro! Socorro!
Depois que uma outra viga de ferro enorme caiu sobre seu rosto e de tão incandescente deformou parte de seu rosto, Armando desmaiou. Desde aquele dia, nunca mais foi visto. Mas não quer dizer que não via. Seus olhos agora estavam por toda parte. Uma máscara cobria seu rosto, aquele formoso rosto que agora era só lembrança. Sempre foi um jovem bonito, as mulheres morriam por ele, mas também era culto e inteligente grande admirador da Arte. Por conta do Plano de negócios havia ganho a eleição para a presidência da empresa da família, seu sonho de infância. Sabia que o candidato derrotado, Daniel Valencia era quem seu pai preferia como filho e para dirigir o império da moda. Mas quando iria mostrar seu valor frente à presidência da empresa, quis o destino que um incêndio acabasse com seu sonho e sua beleza. Teria uma marca para sempre. Não uma simples marca. Um tormento, algo que merecia ser escondido de tão repugnante. Talvez merecesse isso por ser tão vaidoso. Quando jovem, junto a Mário e os Valencia riam de pessoas que não eram tão belas e ricas como eles. E desde que não dispunha sem aquilo que aprendeu que era a coisa mais importante, a aparência, além do dinheiro, sem poder suportar a própria dor escondeu-se no antigo showrrom, que desde então, não havia sido usado por conta da fama de mal-assombrado. Era lá, onde antes se concentrava a beleza, a cor e a luz dos desfiles das modelos mais belas, escondia-se na penumbra e feiura para extirpar sua conduta de esnobismo e superficialidade. Quem poderia imaginar?
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Quem poderia imaginar que um dia estaria usando seu tempo para cuidar de uma moça como Beatriz Christine Pinzón? Ou que ensinaria tudo que sabe sobre o negócio do mundo da Moda justamente para ela? Tão mal-arrumada, Tão feia. Nem mesmo as boas notas e recomendações do diretor da Universidade de Estudos Econômicos seria o suficiente para ser aprovada por um homem como Gutiérrez, que claro, preferiu escolher Patrícia Fernandez, uma loira de pernas enormes e corpo escultural que era amiga de Marcela Valência, uma das acionistas. Mas ele impactado pelo currículo da moça que encontrou no lixo, sabendo que era sobrinha-neta de um dos empregados mais antigos da empresa, assim como Inesita, os quais conhecia desde que nasceu, decidiu ajudá-la, chamando-a anonimamente para uma outra entrevista, desta vez com o presidente, seu Roberto e vendo que a menina foi bem e prometia render, tendo oportunidade, sucessivamente foi ajudando-a. A jovem cada vez mostrava mais ser a pessoa certa para cuidar da sua empresa, mas para isso nem todo o currículo, cursos e experiência lhe bastaria: precisava ser ensinada por alguém que conhecesse a empresa a fundo e quem seria melhor que ele? Por isso, no aniversário de 18 anos da menina, armou-se de coragem e com uma capa preta com capuz e a máscara a cobrir grande parte de seu rosto, apresentou-se a ela:
—Mas quem é o senhor?
—Um amigo distante. –dizia a voz no meio da escuridão daquela sala.
—Eu... eu não sei o que dizer. Nunca imaginei que alguém além de meu papai e meu querido Tio Lazaro que me deixou se importasse comigo. Pensei que era ele quem fazia estas coisas.
—Seu pai faz o que pode, mas não poderia mais que isso. Mas eu posso! Posso te dar tudo o que sonha!
—Tudo que sonho? Sou uma moça acostumada a se contentar com o pouco.
—Mas tem bom gosto para as Artes, é educada! Gosta de jazz, ópera, musicais, rock clássico e vallenato.
—Como sabe tudo de mim?
—Sei muito mais do que pensa, pequena.
—Sempre foi o senhor? Até mesmo quando parecia um sonho?
—Sempre!
Beatriz ficou triste.
—Que foi? Decepcionada?
—Não. Gosto de ter um protetor, um homem bom como o senhor me ajudando, mas é que pensei que quem falava comigo era um anjo.
—Um anjo?
—Sim, o anjo que Tio Làzaro prometeu me enviar para que não ficasse sozinha.
—Tio Lázaro?
—O tio-avô de meu pai. Já falecido, pensei ser seu espírito que me ensinava.
—Não sou seu tio Lázaro!
—Então, quem é?
—Chama-me doutor como me chamavam ou como agora todos me chamam: Fantasma.
—Prefiro chamá-lo de doutor.
—Já está bem!
—Mas por que fez tudo isso e por quê por mim se nem me conhece?
—Acredite te conheço mais do que sabe! E quero continuar ajudando-a!
—Mas quem é o senhor?
—Sou seu mestre e você meu anjo da Moda! Vou te ensinar tudo que sei e ainda mais! Não tenha medo, jamais lhe faria mal!
—Então, por que se esconde?
—Acredite, é melhor assim!
—Por que só agora se revela a mim?
—Já falei com você outras vezes, mas pensou ser um sonho. É necessário. Você foi escolhida!
—Escolhida para quê?
—Para cuidar desta empresa! Deve se preparar para assumir seu posto ou Daniel Valencia vai tomar conta de tudo e destruir Ecomoda!
—Don Roberto não deixaria!
—Acredite que meu... ele não acreditaria! Para ele, Daniel é o filho perfeito!
—Mas não é filho dele!
—Tenho minhas dúvidas, sempre o preferiu sobre mi... sobre o Armando Mendoza. Por isso, preciso de você!
—De mim? O que poderia fazer?
—Quero lhe ensinar tudo, tudo sobre esta empresa, como funciona cada coisa, para que seja uma executiva e sei que com sua habilidade e competência conseguirá.
—Er...
—Está disposta a deixar-me ensiná-la? Conto contigo.
—Está bem, o que preciso fazer?
—Nada mais do que já faz! Estudar para ter a formação adequada e continuar trabalhando aqui, mas à noite virei até você para lhe mostrar como é cada coisa desta empresa, como atuar, como fazer tudo.
—Não sei, meu pai iria concordar...
—Senhorita, terá aumento de salário e um carro a sua disposição para levá-la para casa e será uma grande executiva, creio que para isso seu pai a criou!
—Sim. –seus olhos brilharam. –Crê que isto pode ser feito?
—Deixe comigo, só deve aceitar. Deixe que cuide de você- coloca-se atrás dela, segurando-a pelos ombros. Ao contrário de sentir medo por falar com um desconhecido, Beatriz sente-se protegida por ele. –Deixe-se levar!
—Está bem. Como o senhor queira! -dizia totalmente fascinada.
—Você será a melhor! Todos que a menosprezaram aqui, um dia a admiraram!
—Espero poder continuar correspondendo.
—É só fazer o que mando, Beatriz Christine! –disse colocando-se atrás dela. –Você que é um anjo! O meu anjo! -disse segurando-a pela mão e a conduzindo enquanto soava música como trilha sonora que não sabia de onde vinha.
Adormeceu bailando com ele, a canção que ele lhe cantava no ouvido. Ao seu lado, encontrou uma rosa vermelha.
Ao acordar estava no sofá da presidência, não sabia como havia chegado ali. E se apenas havia adormecido e sonhado com aquele homem misterioso, vestido de preto com uma máscara a lhe cobrir a maioria do rosto.
—Foi um sonho, Beatriz Christine! -dizia a si mesma, de olhos fechados.
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Mas ao abrir os olhos viu que estava em um local que ainda não conhecia e a seu lado encontrou uma rosa vermelha
—Beatriz!
—Doutor?
—Sim, estou aqui, sempre estarei aqui para você.
—Pensei que não era real, que havia sido um sonho!
—Não. Sou real! Para você não sou fantasma. –disse fazendo-a tocar seu rosto -Toque-me!
—É meu anjo. -disse Beatriz
—Você é meu anjo, meu anjo da Moda!
—O que quer de mim?
—Quero lhe ensinar tudo que sei. Ecomoda é sua! E posso ajudar-lhe! –disse chegando perto dela. Aceita?
—Sim. Estou para o senhor, mestre! Farei o que me pedir! –disse totalmente fascinada, como hipnotizada pela aquela figura misteriosa
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A partir daquele dia, Beatriz passou a tomar ainda mais lições sobre Administração e Mercado da Moda, também de etiqueta social, arte, idiomas e todos os cursos que ela quisesse e precisasse. A moça absorvia tudo rapidamente, encantados um pela inteligência do outro.
—Estarei sempre aqui para você, Beatriz!
—E eu para o senhor, mestre!
—Nunca me abandone!
—Nunca lhe abandonaria, mestre! Serei incondicional a você! -Ele a abraçou com carinho e apertou contra si, sentia algo por esta menina que nunca havia sentido antes. Um misto de ternura, desejo e amor.
Beatriz sentia arrepios, mas também proteção por aquele homem misterioso que sempre estava mascarado. Agora sabia porquê sempre ganhava rosas vermelhas, suas favoritas.
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