Durante todo o caminho, Michel já recuperado do susto, falava com ânimo de seus planos para o futuro com ela.

—E o incrível disso é que nunca pensei em nada disso até conhecê-la, Beatriz! Mas aí aconteceu o beijo.

“O beijo” –olhou para Michel, lembrou-se no dia em que ele a beijou. Era seu primeiro beijo, foi especial, sem dúvida, mas...

Michel levou Beatriz a sua casa.

—Seja bem-vinda, Beatriz!

—O que é aqui?

—Minha casa.

—Er, pensei que havia dito que iríamos jantar!

—E vamos! Esquece que sou chef de cousine? Posso fazer pratos maravilhosos onde quer que esteja.

—Ah sim.

—Não perde por esperar, senhorita. –deu-lhe um beijinho.

Beatriz sentou-se no sofá, reparando na beleza do lugar. Michel realmente tinha bom gosto. Tudo cheirava C BLEU DE CHANEL, que era colônia que ele usava. Tudo era sofisticado e excessivamente masculino e a foto da Torre Eifell a fazia sentir-se em Paris. Ah, Paris, amava quando Michel lhe falava sobre aquele lugar, assim como outros da França. Sonhava um dia poder visitar aquela terra do romance.

Romance...

Michel, chegou sorrindo. O jantar estava pronto escargot à la bourguignonne.

Beatriz nunca havia comido algo assim e o gentil Michel procurou ajuda-la.

—Er, não tem suco de mora?

—Não, Mon chèrrie! Escargot deve ser acompanhado de um bom Pinot Noir.

—Er, que eu não sou muito adepta a bebidas alcoólicas. .

—Mas hoje é um dia especial! Prove o tinto, verá que delícia! Ou se preferir branco, pode ser o Chardonay. São de ótima safra, só uso em momentos especiais como este.

—Especiais?

—Sim, minha querida. Prove! A vantagem é que o Escargot pode ser saboreado acompanhado por vinho branco ou tinto. Não me diga que nunca provou Escargot?

—Na verdade, não, Michel! Apesar de amar coisas francesas como lhe disse, em relação à comida sou adepta da nossa culinária e italiana, de francesa só provei mesmo o Ratatouille!

—Mas isto é comida de camponês!

—Mas é uma delicia! Meu mestre, er, quero dizer. Tos, tos meu tio Lázaro sempre fazia.

—Ah seu tio Lázaro... (Lá vinha ela com aquele papo de falar do velho) Er, Beatriz, quando for à França não fale que aprecia um prato tão pouco refinado, ainda mais para minha família. Sabe que tenho nobres em minha linhagem?

—De verdade?

—Sim. Sou neto de um Visconde, sabe.

—Interessante! –disse, sem muito interesse

Michel começou a repetir aquelas histórias que há um tempo atrás a encantava, mas que por algum motivo não parecia tão interessante. Sentia falta daquela lasanha maravilhosa que seu mestre preparava, aomossim c o delicioso Ratatoille, isto sim era comida.

Um relâmpago iluminou a sala, seguido de um trovão.

—Vou fechar a janela. Não está com medo, está?

—Medo? Não!

Costumava ficar com medo com os trovões e relâmpagos quando pequena, mas sua mãe, assim, como seu Tio Lázaro lograva acalmá-la e quando não tinha mais ele, seu tutor a abraçava e a cuidava. Sim, estava com medo, tremendo.

—Mas com frio está. –disse Michel, lhe oferecendo cavalheirosamente seu casaco. Depois a abraçou.

—Ah, Beatriz! Você é tão linda!

—Michel, lembra-se da Escola Universal?

—Escola Universal? Estudei lá quando vim com a família pela primeira vez à Colômbia... Entrei para o Programa de Alunos estrangeiros.

—Sim.

—Por que está me perguntando isso?

—Nada. Lembra-se desta época?

—Sim, lembro que era a primeira vez e não entendia nada do seu idioma e uma menina me ajudou.

—Sim? –disse com esperança e sorriso nos lábios.

—Nem me lembro o nome dela, só de como era! A menina era muito feia, assustadoramente feia! -disse, Michel debochado

Betty estava decepcionada.

(Nunca foi feia, Beatriz! Mas para os outros, estava fora dos padrões, por isso, quero que encante a todos com a beleza que tem. Posso te ajudar, conheço como ninguém o mundo. –lembra-se de seu professor no dia em que ele a presenciou com uma mudança de imagem. O homem parecia viver em sua mente.) Lembrou-se do mural que ele tinha com suas fotos de todas as épocas)

—Não entendo porque me perguntou isso, mas –a abraçou –o que importa? –beijou-a –Estamos aqui, você eu, como queríamos estar! -disse, apoderando-se de sua boca.

Michel era bonito com seus cabelos loiros, tinha cara de anjo, o rosto perfeito, cheirava bem, vivia em uma bela casa, tudo era perfeito. Perfeito demais.

Enquanto o loiro a beijava, Betty lembrava-se do beijo que deu em Armando Mendoza, este era o nome de seu tutor, o homem que lhe ensinou tudo que sabia. Ele a beijou ainda melhor.

Já Michel, alheio ao que passava na mente da moça, seguia beijando-a, sentia as mãos dele a apertarem, passearem por seu corpo.

—A desejo tanto, Beatriz!

—Desejaria mesmo se fosse feia?

—Como? Você não é feia! É muito linda!

—Não mais! Mas quando era uma menina costumava ser! Sou eu aquela menina feia da Universal, Michel Raoul!

—O quê? Não pode ser!

—Sim, sou eu! Era muito feia! Quer dizer, não para todos!

—Não importa! O que importa é o hoje! –disse puxando-a para si.

—Sinto muito, Michel! Creio que não temos muito a ver, você se guia pelas aparências!

Disse, devolvendo o anel dele.

—Está me rejeitando?

—Desculpe-me, Michel!

Ela devolveu-lhe o anel e sem olhar para trás, saiu.

—_______

Rua escura, uivos, fantasma, vampiros, doces ou travessuras, era noite. Queria a suposta doçura de Michel ou as travessuras de seu tutor? Sorriu, já sabia a resposta. Pegou um táxi e encontrou Ecomoda às escuras. Abriu a porta de entrada, um silêncio pairava no ar, neblina escuridão, mas não tinha medo. Até que ao bater a porta, ouviu trovão.

—Ai! –gritou.

—Beatriz?

—Doutor! Tenho medo!

—O mesmo medo de tempestades, Beatriz!

—Não exatamente da chuva! Mas... –um outro trovão e praticamente se jogou nos braços dele.

—Vou salvá-la! –disse, abraçando-a com carinho

Esticou uma mão através do espelho, um cheiro de sua loção embrenhava o ar na penumbra.

—Não tem porque ter medo, sempre te disse. Trovões são apenas fenômenos sonoros gerados pelo movimento de cargas elétricas na atmosfera e você sabe disso.

—Mas é muito barulho e me dá medo. Me proteja!

—Sempre!

—Em seus braços não tenho medo, don Armando!

—Beatriz! O que faz aqui?

—Não pode imaginar?

—Pensei que estaria com Michel.

—Não. Ele não gosta de feias!

—Não eres feia e nunca foste feia!

Ela o apertou para si.

—Para você nunca o fui!

—Ele usou te chamar de feia?

—Não a mim, mas a menina do passado. Mas isto não importa!

Um trovão soou mais forte e ela se agarrou a ele.

—Ele disse que ia me proteger dos trovões me abraçando. Beijou-me e tentou.

—Tentou te forçar?

—Não, mas queria me seduzir.

—O mato! Disse como ele era, te precavi, pois o conheço, pois já fui assim um don Juan.

—Ainda bem que não é mais, don Armando, pois não aguentaria de ciúmes.

—Imagina, ciúmes de uma garota como eu!

—Ciúmes sim, meu querido doutor! –disse beijando-o. –O senhor não precisa tentar seduzir-me.

—Não ousaria fazê-lo. A respeito, minha querida.

—Me ama?

—Com todas as forças. Mas jamais ousaria tocar sua beleza -disse acariciando seu rosto. –Ou tomar sua pureza para mim.

—Não precisaria tomá-la, pois eu mesmo a daria para o senhor! –beijou-o, mordiscando o lábio dele. –Ama-me! Ensina-me a amar como ensinou-me tudo!

—Não poderia, Beatriz! -dizia beijando-a e apertando-a contra seu corpo.

Beatriz começou a desabotoar os primeiros botões de sua blusa.

—Ame-me!

—Beatriz! Não me provoque! Este é um ponto sem volta!

—Me deseja?

—Como um louco!

—Então, mostre! –disse, a moça afastando- se dele. Deitou as alças de seu vestido, que caiu ao chão. E ficou apenas de lingerie frente a ele. Armando há muito tempo não via uma mulher desse jeito. De modo que caiu de joelhos em veneração ao corpo de sua amada.

—Ah, Beatriz! Você sempre tão linda! E tão menina.

—Faça-me sua mulher! –disse, deitando-se na cama.

Armando engatinhou, sem deixar de olhá-la, beijou-lhe os pés e cada parte de seu corpo até o meio das coxas, enquanto a mulher suspirava.

—Venha, meu amor!
—Beatriz, tem certeza? Sabe o que...

Ela o puxou para beijá-lo na boca.

—Quero que ame e sem usar esta máscara!
—Não! Lembra o que aconteceu!

—Eu era uma menina tola, não sabia o que queria, agora sei, Quero você, Armando Mendoza!

—Por favor, eu não aguentaria sua rejeição! –disse ele segurando a máscara.

Ela acariciou seu rosto, a mão sobre a máscara, ele fechou os olhos e confiou.

Ao ver o rosto de seu amado castigado pelo fogo, Beatriz o olhou nos olhos, olhou a deformidade e começou a acariciá-la e a beijá-la.

—Não precisa fazer isso.

—-Faço porque amo você. –disse beijando cada parte do rosto –Amo meu doutor, meu tutor, meu professor e amava aquela foto daquele homem sorridente na parede de Ecomoda, Armando Mendoza. Não aceitava que um homem assim pudesse sumir do nada!

—Este homem se foi, Beatriz!

—Não, Ele está aqui comigo! Tão lindo e cheio de vida como sempre foi!

Armando a beijou e foi descendo os beijos em cada parte do corpo dela. Vendo a reação que lhe causava, começou a dar beijos molhados, esfregando sua pele hora deformada naquele corpo tão desejado.

Beatriz se contorcia de prazer.

—Don Armando!
—Armando, Beatriz! –dizia suspirando –Ainda deseja que a faça mulher?

—Faça-me sua!

—Sim, minha doce Beatriz!

—Betty, na minha infância me chamavam assim.

—Sim, querida!

Eu tentou ao máximo ser gentil e prepará-la, mas não teve como evitar que doesse, mas logo o prazer os invadiu e onde reinava o silêncio passou a reinar sussurros e gritos de prazer. Se alguém ousou passar pela empresa aquela noite e nas que se seguiram conformou que era verdade que um fantasma terrível andava pela empresa e que assombrava com seus gritos e a verdade é que agora ele estava muito bem acompanhado.

FIM