O Fantasma de Ecomoda
1 Capítulo 1
Ecomoda, Bogotá anos 1990.
Há muito se falava que se ouvia barulhos estranhos na empresa depois das dez horas da noite. Por isto, todo muito evitava de trabalhar à noite, nem mesmo pagando hora extra. Por isso, ficava difícil arrumar um bom vigia que aceitasse trabalhar à noite, nem mesmo Wilson ou Jayme.
Tudo era normal na empresa, até aquela noite, a fatídica noite quando a empresa um incêndio iniciado na sala de presidência que acabou com tudo.
Desde então, mesmo tendo sido reformada, acabou ganhando fama de mal-assombrada e dizem que se ouviam gritos e sussurros.
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Capítulo 1
Apenas Beatriz Christine Pinzón não parecia ter medo, continuava trabalhando até tarde, sem se preocupar e tampouco ouvia as vozes que tanto falavam. Até se sentia melhor trabalhando aquele horário, já que ninguém a perturbava, podia fazer seu trabalho em paz. Amava aquela empresa, desde que havia posto seus pés nela para fazer um trabalho do grupo de escola sobre o mundo da Moda. E como seu amado Tio Lázaro é quem havia sugerido a empresa onde trabalhava desde a juventude, não foi difícil para ela agendar um horário. E realmente foi muito frutífero. E nem se importou ao saber que a escolha do tema foi só para humilhá-la, afinal, o que “Betty a feia” como era chamada pelos colegas teria a ver com o mundo da moda? Mas foi tão bem tratada pela auxiliar do estilista e costureira Madame Inesita Crispy, a também a estagiária Bertha e o presidente da empresa Roberto que desde aquele momento teve um outro conceito sobre o mundo da moda. E decidiu que assim como seu Tio Lázaro também trabalharia naquela empresa
Depois deste dia, só voltou à empresa para tentar um estágio, alguns anos depois, às vésperas de terminar o Ensino Médio, prestes a prestar a Faculdade de Economia. Seu tio Lázaro, o homem que era uma espécie de avô, mentor, pai, havia morrido, deixando uma lacuna. Por outro lado, a empresa mudou, já não era a mesma. Uma tristeza pairava no ar. Seu Roberto ainda estava na Presidência, mas por pouco tempo, a deixaria para um dos Irmãos Valencia, que assumiriam a Presidência.
Beatriz reparou em uma foto sobre um móvel lhe chamou a atenção. Era a mesma que havia visto na galeria de presidentes. Era um homem de cerca de 20 anos, pele branca, lábios carnudos, sorriso aberto, cabelos castanhos. Realmente, um homem muito bonito e atraente.
—Quem é este homem da foto? –perguntou a uma das secretárias.
—Não sabe? O filho desaparecido de Don Roberto e Dona Margarita! –disse Bertha
-Desaparecido?
—Sim. Ai, menina. Bonito, não? Um verdadeiro bombom! -disse Aura Maria.
—Sim. -disse, corada.
—Dizem que ele queimou no incêndio que teve aqui ou quem sabe fugiu com uma dessas modelos que tanto gosta para não se casar! -disse Sofia.
—Incêndio?
—Ai, toma estas revistas para se informar se quiser trabalhar aqui! –disse uma delas, olhando-a de cima abaixo.
Apesar de ser muito bem recomendada e ter um bom currículo, Beatriz foi rejeitada ao ser entrevistada pelo chefe de Departamento, Gutiérrez, apoiado por uma das acionistas e a gerente de pontos de vendas Marcela Carlotta Valencia, que queria colocar sua amiguinha para ganhar uma grana. Foi o fim de um sonho, como pensava.
—Falhei, Tio Lázaro, falhei contigo. Falhei com meus pais que confiaram tanto em minha capacidade! De repente, não sou tão inteligente quanto pensava! Será uma besteira gastar o dinheiro de meu pai, tão duro de ganhar em uma Faculdade de Economia. Ele já está avançado em anos, melhor que continue trabalhando na Padaria de dona Eugenia!
Não contava que é que alguém de posse da carta de recomendações de seu diretor e seu histórico ligasse para sua casa e agendasse sua entrevista com don Roberto. Nunca soube quem havia feito isso, já que depois que seu tio Lázaro se foi, não tinha nenhum contato ali. Na entrevista, ganhou a vaga sobre protestos de Marcela Valencia, odiou a moça assim que viu. Por ser feia, por ser pobre, mal-vestida e principalmente porque desde que perdeu seu noivo estava cada vez mais odiosa. Marcela era noiva do sumido Armando Mendoza. A mulher, desde que seu noivo, desapareceu e dado como morto vivia amargurada. Tratava mal os empregados, sobretudo as do chamado Quartel das Feias, composto por aquelas mulheres consideradas fora do padrão, logicamente, Beatriz faria parte deste grupo. Como era o momento dos Valencia governarem a empresa, sobretudo, Daniel Valencia, a sua irmã Marcela, que ganhara o posto de vice sabia que seria ela quem comandaria a empresa, já que o irmão não largou oficialmente o trabalho como Gerente de Recursos Financeiros do Governo. Assim, a menina que já foi doce e considerada sonora pelas mulheres da empresa agora usava de seu poder e cargo para mandar e desmandar. A sua vítima favorita era nada menos que Beatriz Christine Pinzón, que havia começado como uma simples estagiária e agora havia sido promovida à secretária de Presidência. Não permitiria que subisse mais. A perseguiria, a sabotaria e a colocaria para fora da empresa ou não se chamava Marcela Carlotta Valencia!
Foi neste contexto que barulhos estranhos começaram a acontecer, luzes apagavam do nada, coisas caíam, bilhetes apareciam sobre as mesas.
—Marcela! Pare de perturbar Beatriz Christine Pinzón! Não a impeça de assumir o lugar destinado para ela nesta empresa!
De uma hora para outra, a moça que não sabia como conseguiria pagar sua faculdade ganhou bolsa integral, assim como ganhou bolsa para cursar Economia e Administração na renomada San Marino, uma das mais conceituadas do país. Não havia como impedir o progresso da moça que começou a trabalhar como assistente da Presidência na empresa, o que desagradou muito Marcela, que tentava sabotar de todo jeito a pobre moça, mas sempre era assombrada pelo homem desconhecido, com Berto da cabeça aos pés com uma ferida enorme naquilo eu não podia chamar de rosto. A moça decidiu disputar a presidência com seu irmão na sucessão de don Roberto que queria se aposentar para poder ter o prazer de humilhar a assistente, até vê-la fora.
—Marcela, não ouse fazer nada com Beatriz ou não sabe do que sou capaz! A quero como cabeça dessa empresa! E nem você, nem seu irmão poderão impedir ou conheceram minha ira!
—Não seja idiota que vou deixar que minha empresa seja governada por uma estranha só por conta de uma voz!
—Não sou só uma voz!
—Diga quem é, então, imbecil!
Foi aí que as luzes se apagaram e apareceu o Fantasma tal como ninguém havia visto antes com a face horrenda do medo!
Pobre Marcela Carlotta Valencia, após vê-lo nunca mais abriu a boca e saiu para nunca mais voltar.
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