- Mamãe? O que houve?

- Oh, minha filha. Eu tive um sonho muito estranho.

- Acho melhor a senhora ir se vestir, antes que Pedro acorde.

Marta precisava de um banho. Acordou suada e com muito calor. Será que havia sonhado com Fernando? Talvez, mas não se lembrava de nada. Voltou para o quarto e trocou de roupa. Precisava acordar Pedro para levá-lo à escola. Abriu a porta do quarto do filho dizendo :

- Vamos Pedro! Hora de levantar, querido!

Seguiu para a janela, abriu as cortinas para que a luz do sol pudesse entrar.

- Vamos, garotão! Vai se atrasar para a escola.

Nada. Nenhum movimento.

Marta tocou a pele da criança que estava fria demais. Os médicos disseram mais tarde que o coração de Pedro simplesmente parou de bater, assim como aconteceu com o pai. Talvez fosse um mal hereditário, disseram eles. Mas Marta sabia que não era nada disso.

Ela não sabia bem o que era, mas havia algo de errado com aquela casa. Com aquele relógio. Sim, era ele. Trazia o horror e a morte às quatro horas da madrugada. Precisava ser destruído antes que a matasse ou ferisse sua filha. Fogo. Iria queimar o maldito relógio.

Após o funeral do filho, Marta voltou pra casa amaldiçoada para pôr um fim, de uma vez por todas, na fantasma das quatro horas.

Ela e Sofia levaram o relógio para a garagem e atearam fogo nele. De repente, um grito de dor foi ouvido, e as labaredas cresceram mais do que deviam. Logo, toda a garagem estava em chamas.

- Sofia, temos que sair daqui! Rápido!

Tentaram, mas o portão estava emperrado, não conseguiam abrir. Afumaça encheu seus pulmões e seus olhos lacrimejavam. Seus gritos de dor e desespero não foram ouvidos. O cheiro da carne queimada capaz de enjoar o estomago mais forte. Nada mais podia ser feito.

Naquele dia, as duas morreram junto com a maldiçao do relógio. Mas ele vivia.

O fantasma das quatro horas vivia ainda. E com a maldição do relógio quebrada, estava livre novamente.

Fim?

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!