Eu estava correndo em um lindo campo de flores de todas as cores que se podia imaginar, com beleza exótica e cheiro encantador. O roxo era o mais presente ali. O céu estava lindo também, o azul era predominante como uma linda tela pintada ao ar livre e suas nuvens eram como algodão doce.

Minha mãe estava sentada em cima de um pano de mesa. Ela cantava uma música que eu não conseguia identificar qual era, mas eu tinha certeza que falava sobre sonhos e esperança. A melodia da música era calma, mas a sua voz era melancólica. Eu percebi que ela iria chorar, mas qual era o motivo do seu choro?

Corri ao seu encontro, mas ela começava a desaparecer cada vez que eu chegava mais perto. O desespero começou a tomar conta de mim e comecei a correr mais rápido, mas quando eu cheguei ela já tinha desaparecido por completo. Por que ela sumiu? Eu queria ela perto de mim!

De repente o céu começou a escurecer e nuvens pesadas começaram a se formar. As flores que eram lindas e cheias de vida começaram a morrer e perder as suas cores. O cheiro doce que tinha no ar tornou-se desagradável para o olfato. Tudo que era lindo e colorido tornou-se cinza e triste.

Eu acordo com lágrimas nos olhos e soluçando muito. Eu tenho esse sonho toda noite desde o dia que a minha mãe faleceu. Ela foi morta por ninjas inimigos da aldeia. Já faz cinco anos, mas eu me lembro como se tivesse ocorrido recentemente. Eu me lembro dela caída no chão, a barriga perfurada, o kimono branco sujo de sangue…

Com apenas sete anos eu vi tudo aquilo e tenho que aguentar toda essa dor que habita em mim. Eu ainda não consigo superar isso e eu espero que um dia eu consiga. O pior de tudo isso é ter que aguentar todo esse sofrimento sozinho, sem ajuda.

O meu sensei, Hiruzen Sarutobi, fazia as pessoas acreditarem que ele me ajudava, mas a verdade é que ele não me ajudava tanto como ele falava. Quando eu fiz doze anos, ele parou de me “ajudar”, ele dizia para as pessoas que eu queria ser independente (o que, no fundo, era uma verdade).

Os meus amigos queriam me ajudar, eu percebia isso, mas eles não sabiam como. Eles tinham medo de que piorasse ainda mais a situação. Para a minha pequena alegria, de vez enquanto eles conseguiam sem perceber.

O local que eu sonhava existia na vida real. Era um lugar que eu e minha mãe sempre íamos. Fazíamos as mesmas coisas no sonho. Eram momentos felizes em dias tristes. Eu passei a frequentar menos o local depois que ela morreu, só ia quando eu estava muito triste e precisava dela. Para mim, aquele lugar é onde ela vive. Quando estou lá eu sinto a presença dela. Eu me sinto protegido.

E era para lá que eu iria agora.

Ultimamente eu não estava me sentindo bem. O porquê? Porque estava se aproximando do dia que ela morreu. Durante esses cinco anos, se tornou um pouco normal eu me sentir muito mais triste perto desse dia. Eu deixava de ir para a escola porque na maior parte do tempo eu chorava.

Nesses dias os meus amigos não falavam comigo, principalmente Jiraya. Tsunade tinha um medo muito grande dele falar alguma besteira. E ele falava besteira 98% das vezes que ele abria a boca. Eu sabia que não era por mal. Ele é meio idiota por natureza, mas tem um coração bom.

O local era perto de casa, então eu cheguei rápido. Era tudo muito lindo, mas perdeu o encanto depois de tudo. Esse lugar, esse campo de flores, ficava em um morro. Dali dava para ver uma grande parte da aldeia. Era de fato uma visão muito linda. Era como uma arte, um tesouro, uma obra-prima… Tudo isso me lembrava dela. Esse campo é como uma recordação. Se caso ocorresse algo com esse campo, ainda me restaria os seus brincos para eu sempre me lembrar dela.

Me sento na grama e observo a paisagem à minha frente. Grandes nuvens cinzas estavam vindo para cá, mas eu já não me importava mais. Não demorou muito para começar a chover. Era uma chuva pesada. Deito e fecho os meus olhos para sentir a chuva e logo comecei a chorar novamente. Parecia que as nuvens choravam junto a mim. Eu não estava totalmente sozinho ali.

Surpreendente, a chuva parou. Eu abro os meus olhos e vejo que o azul voltou a reinar o céu e as nuvens estavam lindas. Um lindo arco-íris surge naquele céu. Mesmo depois de uma chuva pesada, o céu voltou a ficar majestoso. Foi quando percebi algo… Durante o tempo que cheguei aqui, as nuvens pareciam falar comigo. Algo como: “Mesmo em um dia de tempestade, um lindo céu pode sugir”. Eu sabia que era a minha mãe tentando conversar comigo através das nuvens. Eu sentia isso. Ela não queria me ver triste.

Eu não quero deixar ela triste. Apesar de ser muito difícil não ficar triste, farei o meu melhor para não demonstrar essa dor. Farei isso por ela, para ela ficar feliz.

Eu te amo, mãe…


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