O Fabricante De Bonecas
5 Brinquedos Novos

CAPÍTULO 5: BRINQUEDOS NOVOS
Havia finalmente se livrado de Deidara e estava voltando para casa de Sakura. Já imaginava a pequena correndo para seus braços com seu lindo sorriso, Sasori riu pelo nariz ao lembrar da expressão de Sakura ao correr, mas parou ao lembrar do que Deidara disse.
"Minha impressão ou está ficando apegado a ela?"
Apegado? Impossível ela era apenas mais uma de suas bonecas, ele apenas está agindo da mesma forma que agia com as outras. Era isso que ele pensava porém lembrou de quando Deidara falou de Sakura, ele realmente ficou irritado, porque ele ficará assim de algo tão bobo que o loiro havia dito? Deidara sempre falava algo sobre suas bonecas e ele nunca se importará, mas desta vez o respondeu com um olhar ameaçador.
Tentando ignorar estes pensamentos ele logo abriu um de seus portais, que era constituído apenas por uma simples porta branca.
"Eu apegado a algo? Impossível."
Pensou agarrando a maçaneta redonda da porta logo a abrindo, porém parando ao ouvir um soluço abafado, conhecia muito bem aquele soluço, era de Sakura. Olhou envolta do quarto procurando sua rosada e a viu em cima da cama com o rosto enterrado no travesseiro.
Se aproximou em silêncio e afagou os cabelos bagunçados de Sakura, estranhou o fato dos cabelos da garotinha estarem tão bagunçados. Sakura deu um pequeno pulo de susto e levantou sua cabeça dando á visão de seus machucados. O sangue de Sasori ferveu ao ver o lindo rosto de sua Sakura com machucados e manchas roxas, vendo melhor também havia machucados em suas pernas, e suas roupas estavam amassadas e com algumas marcas de sujeira, como se alguém a tivesse chutado.
— Sasori...
A voz saiu fraca, trêmula e chorosa, algo lindo aos ouvidos de Sasori, porém ele estava realmente irritado ao ver o estado que sua pequena estava, não iria perdoar quem fez aquilo.
— Sakura, quem fez isso?
Tentou o máximo não falar de uma forma que assustasse a rosada, Sakura não conseguiu responder, seu choro apenas aumentou e ela se jogou nos braços de Sasori enterrando seu rosto no peito do mesmo que apenas a abraçou forte e afagou seus cabelos bagunçados, Sakura sentia um pouco de dor no toque do ruivo, seu coro cabeludo ainda doida por causa dos puxões que recebeu, mas não disse nada apenas aceitou o carinho do ruivo, Sasori a tocava como se tocasse em porcelana que poderia quebrar a qualquer momento.
Ficaram assim por um bom tempo até Sakura se acalmar.
O ruivo estava irritado mas, não apenas pelo estado da rosada, mas também porque não a protegeu.
Sasori lembrou da primeira vez que encontrou Sakura, ela estava na mesma situação porém não estava machucada. Se lembrou que Sakura havia falado sobre alguns garotos a perturbarem, com certeza havia sido eles que fizeram isso a sua boneca.
Apenas precisava de nomes, para dar o castigo que eles mereciam.
— Sakura... quem fez isso?
Perguntou novamente, porém novamente não teve resposta, percebeu que a garota tinha medo de falar.
— Não se preocupe Sakura, não deixarei que a toquem novamente. — Tentou passa total confiança para rosada que o olhava receosa. — Confia em mim, Sakura?
A rosada deu um leve aceno com a cabeça confirmando.
— Então me diga os nomes dessas pessoas.
A pequena abriu seus pequenos lábios rosados trêmulos.
— Yuri Sato. — Sua voz saiu rouca e um pouco baixa mas, audível. — Akira Suzuki. -Sasori anotava aqueles nomes mentalmente. — Yudi Takahashi.
A pequena se calou, Sasori satisfeito a abraçou novamente. Com toda certeza iria pegar aqueles três e eles aprenderiam a nunca mais tocar em suas coisas.
Seu olhar parou na janela e viu que já estava de noite.
— É melhor tomar um banho. Irei preparar a banheira. — Falou Sasori já se levantando porém parou ao sentir um pequeno puxão em sua roupa. Se virou e viu que era Sakura segurando uma pequena parte de sua camisa. O olhava como se pedisse para que ele não a deixasse sozinha. Ele apenas sorriu e a pegou no braço, a pequena apenas se aconchegou e enterrou seu rosto no pescoço de Sasori.
O ruivo foi ao banheiro e começou a encher a banheira com água morna.
Ainda com Sakura nos braços voltou ao quarto da rosada e pegou toalhas e roupas.
Assim que a banheira encheu ele desligou a torneira.
Colocou Sakura no chão e ia começar a tirar a roupa da pequena até a mesma impedi-lo.
— N-Não precisa e-eu posso tomar banho sozinha.
Falou vermelha como um pimentão.
— Tem certeza?
Perguntou o ruivo com um tom preocupado, ela estava toda machucada não queria deixá-la sozinha.
— S-Sim, não se preocupe.
Sasori ia falar algo porém, foi empurrado para fora do banheiro por Sakura.
— Obrigada pela ajuda. — Falou a rosada antes de fechar a porta.
Por que iria insistir? Ele apenas ofereceu por oferecer certo? Não é como se estivesse preocupado...
O ruivo suspirou passando a mãos nos cabelos, estava pensando nisso novamente, as palavras de Deidara estava fazendo ele pensar besteiras.
Espantou seus pensamentos idiotas e voltou para o quarto da rosada, sentando em sua cama.
Depois de um tempo Sakura voltou ao quarto com uma roupa limpa e seus curtos cabelos molhados.
— Sente aqui irei colocar curativos.
Falou o ruivo dando alguns tapas ao seu lado. A pequena se aproximou e sentou-se na cama. O ruivo em silêncio começou a tratar dos ferimentos da pequena. Sakura soltou uma pequena risada o que fez Sasori a olhar confuso.
— O que foi?
— É que eu esperava mais algo como poderes de cura ou algo do tipo. — Falou ainda rindo.
— Não seja tola, ninguém pode fazer isso, o que acha que sou?
— Um anjo. — Os olhos castanhos arregalaram levemente e suas mãos pararam de fazer o que estavam fazendo.
— Por que acha isso?
— Bem... você simplesmente apareceu em minha frente quando mais precisava, me ajudou e nunca saiu do meu lado... — Quando os olhos castanhos se encontraram com os olhos esmeraldas, Sakura ficou vermelha. — Q-Que dizer t-também tem aquelas coisas de aparecer nos lugares e fazer aparecer coisas e objetos se mexerem.
Sasori apenas observou a pequena afobada se atrapalhando nas palavras enquanto gesticulava com as mãos. Tão inocente ao ponto de achar que ele era um anjo... Sasori imaginou a expressão que Sakura faria ao saber do verdadeiro monstro que ele é. Medo, pavor e negação. Bem ele teria que esperar um pouco mais para ver estas expressões no belo rosto de sua Sakura.
— Terminado. — Falou terminando o último curativo. — Então o que quer para jantar hoje?
— Algo feito pelo Sasori! — Respondeu de imediato com os olhos brilhantes.
— Feito por mim? — Perguntou com uma das sobrancelhas levantadas. Sakura confirmou com a cabeça.
— Comida caseira do Sasori! — Falou abrindo um grande sorriso. — Podemos cozinhar juntos. Sempre quis fazer isso com a mamãe, mas ela quase nunca está em casa e quando está, não tem tempo para mim...
O sorriso de Sakura sumiu aos poucos. Sasori apenas observou a cena por alguns segundos, ver o belo sorriso de sua pequena se desmanchar por causa de outras pessoas era algo que ele odiava.
— Podemos fazer curry se quiser. — Falou pegando sua pequena nos braços e se levantando da cama. O brilho nos olhos esmeraldas voltaram e o lindo sorriso se abriu novamente. Sakura apenas confirmou alegre.
***
Depois das risadas e sujeira na cozinha finalmente terminaram o curry que tinha uma ótima aparência e o gosto melhor ainda. Se não fosse Sasori provavelmente teria ficado como aquele bentô que Sakura havia feito. Ao comerem Sasori passou maior parte do tempo olhando a pequena que comia com um grande sorriso bobo nos labios, ele gostava de vela satisfeita com algo que ele fez.
Depois da janta os dois ajeitaram a bagunça que fizeram na cozinha, Sakura se divertia com tudo aquilo e até mesmo Sasori se divertia um pouco.
Assim que terminaram de limpar a cozinha, voltaram aos planos de Sakura.
Assistir filmes e comer besteiras até tarde. Mesmo machucada daquele jeito a garotinha não perdia o ânimo, mas apenas graças a Sasori que a confortou.
Mesmo Sakura dizendo que ficaria acordada até as três acabou pegando no sono antes das uma.
Sasori desligou a TV e pegou Sakura que dormia aconchegada nele enrolada nos lençóis, subiu as escadas e entrou no quarto de Sakura logo a colocando em sua cama. Olhou um pouco a pequena adormecida, logo depois depositando um beijo em sua testa.
Se afastou da cama e invocou uma de suas portas brancas logo a abrindo cuidadosamente para não fazer barulho.
***
Um garoto estava parado no escuro, incapaz de se mover ou entender como foi parar lá, rodeado apenas por um agudo silêncio. Algo viscoso agarrou seu pulso apertando com tanta força que a dor percorreu por todo seu corpo. Um conjunto de unhas pontudas como agulhas lentamente começou a penetrar sua carne. Ele o via cortando sua pele e lhe fazendo sangrar. Ele gritava e chorava, mas a risada cobria o som dos seus apelos desesperados.
— Ela pertence a mim. — Uma voz sussurrou. Dentro desse abismo de escuridão, um homem ruivo apareceu em sua frente seus olhos castanhos estavam abertos de forma maníaca.
Do nada luzes se acenderam e ele finalmente viu onde estava. Estava amarrado em uma mesa, em uma sala desconhecida para ele. Um odor forte de sangue invadia suas narinas, aquele lugar lhe trazia uma sensação de morte.
— Tão feio, irei consertá-lo. — Aquilo começou a gargalhar da dor do garoto enquanto era perfurado por unhas que mais pareciam agulhas ou facas.
Ele furou o garoto e mexeu com ferramentas enferrujadas na carne do menino. O garoto percebeu que não era o único ali. Seus olhos estavam embaçados pela dor, mas pode notar que atrás do ruivo havia mais duas camas e amarradas nelas estava mais dois garotos que lhe pareciam familiar. Notou também que a sua esquerda havia uma porta aberta. Algumas pessoas que na verdade pereciam muito menores. Viu que eles não eram pessoas reais. Eram brinquedos de pessoas e bonecas, nesse momento sentiu uma forte sensação de náusea tomando conta de si apenas por olhar para eles. Algo neles fez seu estomago se revirar, ele sentia como se aqueles bonecos já tivessem sidos pessoas reais...
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