E então,enquanto pulava do trem, caiu. E mesmo que tudo ao redor estivesse desaparecendo lentamente as antigas memórias de sua infância passaram por sua mente, seus amigos, professores, primos, sua mãe... E, ah, tantos sorrisos! Por um motivo que nunca compreendera Jannie ficou feliz ao ver aquelas imagens enquanto caia em meio à escuridão, mais depois... Tudo que ela viu e viveu um dia se transformou em cenas assombrosas, todos mortos! Todos eles mortos... E sim, ela estava caindo, o medo tomou conta de seu corpo.

- ME TIRE DAQUI! – gritou – ME TIRE DAQUI!

E como mágica, seu corpo de chocou rudemente contra o chão.

- Oh, não. – uma mulher semelhante à comissária do trem balançava a cabeça de um lado para o outro – Você não podia ter feito isso.

- Mas o qu... – Jannie tentou falar, mas ainda sentia o medo incontrolável em suas veias, ainda a mesma sensação de cair.

- Você sabe para que são as regras? Sabe porque os fazemos não terem idéias de sair do trem? Para protegê-los, sabe porque? Porque Ele gosta de vocês. – falou essa ultima frase com certo desprezo – Vocês, criaturas tão imundas que só sabem destruir... E quando finalmente ganham algo que realmente vale alguma coisa, estragam tudo! Como você, garota estúpida! Acha que virará uma linda humana de novo? Acha que terá tudo que quer como bem entender? Ai que te enganas, a punição para aqueles que fogem é muito mais severa do que pensa.

E antes que Jan. conseguisse pronunciar qualquer outra palavra, foi sugada para a escuridão novamente, caindo... Caindo... Caindo.

Viu sua própria imagem, agora usava roupas brancas e um lindo e surpreendente par de asas. Mas sentiu o fogo... O fogo que queimava lentamente seus dedos, seus pés, ele ia subindo, ia a consumindo cada vez mais... Mas ela não podia ver o fogo em si, apenas podia sentir, procurou sua boca para gritar e não achou nada, só a dor.

Uma dor que a esmagava, que a dilacerava. A pior de todas as dores.

Então, em um de seus últimos momentos de lucidez, ela viu seu retrato novamente, as asas... Suas asas estavam sendo arrancas brutalmente, dando espaço para mais um tipo de dor. Por quando tempo mais teria que sofrer?

Fechou os olhos. Gritos ensurdeciam seus ouvidos, como se cinqüenta pessoas gritassem ao lado de sua orelha, tudo nela estava prestes a explodir. Sua pele, sendo rasgada e cortada em mil partes, seus olhos ardendo, suas costas pegando fogo...

Por favor, pare, por favor. Pediu mentalmente enquanto sentia seu corpo bater mais uma vez no chão, dessa vez de maneira tão forte que era como se seus ossos estivessem se estilhaçado com a queda.

Notas finais
Sinto pela demora, problemas com internet...
Deixem seus reviews :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.