E em questão de segundos, toda sua vida passou pelos doces olhos azuis de Jannie, enquanto uma lagrima escorria levemente por sua bochecha.

- Eu gostaria de te ajudar – ela ouviu uma voz rouca vinda de trás de si

Assim que se virou Jannie deu de cara com um senhor muito velho, sua aparência não era do tipo amigável, e tampouco ele parecia uma boa pessoa. Mas e daí? Ela já havia perdido tudo de qualquer jeito.

- Você não gostaria de sair daqui, menina? – o senhor continuou

- Quem não gostaria? – ela quase sorriu com aquela frase, porque em todo lugar que olhava agora tudo o que podia ver era preocupação, desespero, dor.

- Oh, sim. – o velho riu levemente – Mas sou eu o único que pode te ajudar.

- Você não pode me ajudar. – suspirou – Eu estou morta.

- Eu posso te ajudar, garota, você apenas deve seguir minhas instruções... E tudo ficara bem. Você esta dentro?

A morte é inevitável e você não pode ter uma chance de viver de novo como a que estavam dando a ela. A morte é inevitável, e Jannie ainda guardava o amargo sentimento de ódio dentro de si, porque havia de ser ela a morrer? O que tinha feito de tão errado e imperdoável?

Agora, era pegar ou largar.

- Sim, eu estou.

Embora aquelas palavras tenham saído completamente erradas de sua boca, não havia outra saída, ela não tinha mais nada a perder.

- Boa escolha, garota. – ele sorriu sombriamente – Agora me escute, quando a porta abrir, você corre, é a sua vida que depende disso, entendeu? Quando a porta abrir você corre e pula do trem.

- Porque isso não passou pela minha cabeça? – ela não teve a intenção de dizer aquelas palavras, apenas saíram.

- Não se preocupe, é assim, é algo que vem com a morte, a impede de fazer qualquer coisa para combater... É algo que eles fazem a você, e se eu falasse a qualquer um desses velhos sobre isso, nenhum acreditaria em mim, eles estão cegos.

- E porque eu acreditaria?

- Porque você, Jannie, você tem a raiva e eu sei o quanto quer ter sua vida de volta, nenhum deles quer isso mais que você.

Sem perguntar o porque, ou como o velho sabia seu nome, Jannie assentiu e fechou os olhos.

- E depois que eu pular, o que acontece?

- Não se preocupe com isso, por hora, se concentre em correr. – ele sorriu – Nós estamos parando.

Jannie fixou seus olhos na porta se abrindo, enquanto mandava seus pés correrem como nunca correram na vida, era a morte atrás dela.

Notas finais
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