Alguns gostam de comparar a vida á uma viagem de trem...

Jannie definitivamente não sabia o que estava fazendo, ninguém podia culpa-lá, ela era só uma garota, só uma criança. Tudo o que queria era sair daquela cidade, e foi o que decidiu fazer logo após a briga que teve com sua mãe, porque eles não entendiam que o lugar de Jannie não era lá?

Ela fugiu.

Agora com as suas malas em mãos a garota de dezessete anos embarca no primeiro trem que aparece, o destino? Muito, muito longe. Ela nunca soube ao certo, não olhou a placa antes de entrar, iria para qualquer lugar que pudesse a afastar do seu passado.

Sentou-se junto a uma janela, onde estava finalmente sozinha.

Assim que o trem deu partida ela revolveu olhar para seus companheiros de viagem, esperava que não demorasse muito, só o suficiente para que pudesse nunca mais voltar aquele lugar.

Havia muita gente idosa no trem, muitas pessoas novas, todas com o olhar perdido, algumas poucas sorrindo, outras um pouco desesperadas, e algumas cujo a expressão era apenas vazia, se vestiam muito bem, como se fossem para algum tipo de festa importante.

Jannie encarou suas roupas, vestia seus jeans e uma blusa azul nada formal.

- Com licença senhorita, esse assento está vago? – uma senhora de cabelos brancos a perguntou em um tom muito gentil.

- Sim.

- Tive que trocar de lugar, a moça ao meu lado estava muito atordoada, resolvi deixa-lá sozinha – a idosa suspirou – Às vezes as pessoas não estão preparadas para isso.

- Oh. – Jannie franziu a testa, sem entender muito

- Me desculpe querida, meu nome é Edith.

- Sou Jannie... A senhora sabe para onde estamos indo? Eu não olhei a placa ao entrar.

- Oh, isso depende muito.

Ela sorriu, aquela velha deveria ter uns parafusos a menos – Como assim? Temos escalas?

- Escalas? Hm... É certamente um bom nome para isso, minha jovem.

- E onde a senhora vai descer?

- Gosto de acreditar que é no andar bom, se é que me endente.

Jannie não entendia, depois de alguns minutos encarando a sua colega de viagem ela apoiou sua cabeça na janela e fechou os olhos, desistindo.

- ABRAM AS PORTAS! – alguém gritou, fazendo com que a garota acordasse de seu cochilo.

Um homem de provavelmente quarenta anos estava correndo e batendo em todas as paredes em um grau de desespero incalculável. Ele vestia um terno, seu rosto estava vermelho e em lagrimas.

- Qual é o problema? – Jan. sussurrou para Edith

- A morte não é fácil para todos, ele deve ter feito muita bobagem enquanto vivo para estar com todo esse medo.

- Mas de que infernos a senhora está falando?

- Você realmente não sabe o que aconteceu, não é, criança?

Oh merda, ela tinha pego o tem para um hospício, perfeito.

- Não. – trincou os dentes

- Jannie, você morreu.

- VÁ A MERDA. – Jannie levantou de sua cadeira bruscamente e foi procurar alguém normal que pudesse dar uma informação certa a ela.

Andando pelos corredores estava uma mulher que vestia o uniforme da estação, ela devia ter no máximo vinte e cinco anos, e ainda assim parecia muito profissional.

- Em que posso ajudá-la? – a mulher perguntou

- Para onde esse trem está indo?

A comissária suspirou e fez um sinal para que Jannie a acompanhasse, as duas foram para uma sala cheia de arquivos.

- Seu nome?

- Jannie Blake, e o seu? – ela bufou

- Me chame de Alin.

Alin mexeu nos arquivos e revirou uma pasta grossa, logo entregou a menina um jornal.

- Por que isso? – Jan. levantou a sobrancelha e deslizou os olhos para a primeira pagina, ciente de suas pernas tremendo.

“Acidente mata taxista e menina de dezessete anos.”

“Por cerca das 22 horas de sábado um taxi que passava pela ponte Bridegtih se chocou com um caminhão, o carro foi lançado para fora, capotando e caindo no mar. O corpo do taxista Lewis Mash foi encontrado no mar logo após o incio da procura. Até o fechamento dessa edição os mergulhadores da policia ainda estavam à procura do corpo de Jannie Jessica Blake, segundo os medicos todas as probabilidades da adolescente estar viva foram descartadas...”

Jannie deixou o jornal cair no chão, sem precisar ler mais nada, sem saber o que fazer.

- Sinto muito Jannie, você desmaiou quando o carro bateu e estava inconsciente quando foi arremessada para o mar e morreu. Isso acontece muito, por isso você não se lembra.

- E o que acontece agora?

- Não se preocupe com isso querida, as coisas vão ser melhores de agora em diante.

A garota refez o caminho para corredor do trem, agora ela entendia o porquê do desespero do rosto de tantas pessoas. Ela havia deixado tantas cosias incompletas...

As portas se abriam, abrindo caminho para mais passageiros do expresso da morte.

Notas finais
Reviews? Ideias? Sugestões? Criticas? Tudo é bem vindo.