O "Eu" fantasma

1 Capítulo 1


O "Eu" fantasma

" Danny Phantom sempre foi o disfarce para Fenton levar uma vida normal,...mas e se fosse o contrário?"

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2002,13 de Setembro

Para início de conversa eu não deveria estar escrevendo sobre isso, e você nunca foi feito para ler sobre mim. Mas o porquê disso, você vai entender no decorrer da história. Agora, considerando a impossibilidade de você não me reconhecer através dessa história, à coisa mais educada a fazer a seguir, seria me apresentar corretamente a você, afinal nesse momento, seria bastante insignificante reter o meu nome real.

Meu verdadeiro nome, como você já pode ou não ter adivinhado, é Daniel “Danny“ Fenton, e até alguns anos atrás eu era um adolescente completamente normal. — Muito normal, alguns diriam, considerando quem era a minha família. Meus pais, aliás, são Jack e Maddeline "Maddie" Fenton, dois cientistas que sempre acreditaram na existência do para-normal, e buscavam expor os fantasmas ao mundo. Infelizmente até o momento suas descobertas não levaram a nada, por isso, eles eram taxados, no melhor caso, como um casal bastante excêntrico. — O que desde cedo, eu tinha aprendido, me colocava no fundo da escala social.

O último integrante da minha família seria minha irmã mais velha Jasmim Fenton ou "Jazz" como prefere ser chamada. Ela e eu somos os únicos membros considerados “sãos” da nossa família. -À única diferença entre nós, é que, enquanto nós dois éramos "normais", eu era o único "comum". Todos sabiam o quão inteligente ela era, e ninguém duvidava que ela tivesse um futuro. Já eu, era o Fenton Invisível. –Mas não se preocupe, eu deixei de ser amargo sobre isso á anos atrás.

Agora antes de começar a parecer um adolescente ressentido, vamos partir para um assunto melhor, meus antigos amigos, Sam Mason e Turcker Foley. Honestamente não consigo imaginar crescer sem eles ao meu lado. – Por muito tempo eles foram meu “porto seguro”. Desde o sexto ano, para ser mais preciso. Turcker e eu já nos conhecíamos desde o Jardim de Infância, mas foi quando encontramos Sam no sexto ano, que nos tornamos um trio; se um caia, os outros caiam atrás. Sempre confiávamos uns nos outros, seja para falar sobre a família, a escola, garotas, ou garotos no caso de Sam. Não me lembro de uma época em que guardei um segredo deles. — Isto é, até aquele dia.

Naquele dia em especial, por insistência dos meus amigos, os trouxe para casa comigo sabendo que eles esperavam ver a abertura do portal tanto quanto eu. O portal, para quem não sabe, era uma maquina que fazia uma ponte entre a dimensão fantasma e a nossa. Meus pais trabalharam nele durante anos, e naquele dia, eles decidiram que iriam tentar fazer o portal funcionar. – Eu, é claro, estava bem ciente, que tirando os meus pais, ninguém acreditava que o portal iria funcionar, e como já esperávamos não funcionou.

Não posso dizer que esperava outro resultado, mas olhando a desilusão, estampado no rosto dos meus pais, posso dizer que, pelo menos naquele dia, gostaria que eles tivessem me provado errado. Diga o que quiser meus pais nunca foram uma daquelas pessoas que desistem ao sinal do primeiro obstáculo. — Essa era uma das suas características, que apesar de causar tantos problemas, eu nunca deixei de me orgulhar. A capacidade de perseverar mesmo que outros estivessem contra você, era algo que sempre quis herdar deles, mas nunca fiz. – Ou pelo menos, na época, eu achava que não fiz.

Por isso,quando meus pais sairão do laboratório, mal segurando as lagrimas,eu decidi ficar e ver se poderia fazer alguma coisa para restaurar o seu espirito.- Fiquei com dó só de olhar para eles. Sam e Turcker que já estavam saindo, voltaram para ver por que eu não estava seguindo-os. Quando lhe disse o que planejava fazer, eles expressaram todo o seu apoio. Infelizmente, antes que qualquer um de nós pudesse fazer alguma coisa, meus pais voltaram e nos expulsaram para fora. – Eles não eram tão irresponsáveis ao ponto de deixar três adolescentes sozinhos em um laboratório. Assim, sem ter nada para fazer, logo me despedi dos meus amigos. – Se naquele momento me dissessem o que iria acontecer, talvez eu tivesse passado mais tempo com eles, antes de me despedi, mas como eu não sabia, eles foram embora rapidamente.

Logo eu estava sozinho no meu quarto, e apesar de saber que eu deveria ter continuado lá, a idéia de poder ajudar meus pais e não ao contrario, era apelativa demais para se ignorar. Então, não foi nenhuma surpresa, quando apenas duas horas depois eu desisti, me levantei e fui até o laboratório. –Adolescentes são assim mesmo,quando tomam uma decisão,só se acalmam quando a cumpre.

Olhando para trás, não sei da onde encontrei coragem, para fazer algo, que eu sabia, mesmo na minha mente, que era uma ideia bastante idiota. -A única coisa que eu posso dizer em minha defesa, é que nessa época eu era jovem, mas sei que, mesmo assim, essa é uma desculpa bastante fraca, para tentar explicar minha total falta de bom senso.

Quando me lembro dos eventos que antecederam o acidente, não posso deixar de perceber que as coisas poderiam ter acontecido de forma bastante diferente, se meus pais não tivessem decidido ir para cama mais cedo naquela noite. – Afinal, naquela época eu era de longe tão sorrateiro quanto sou hoje; todas as fugas que já tive, serviram para alguma coisa no final. Então não seria presunção dizer que eles provavelmente teriam ouvido meus passos descendo as escadas, ou talvez, escutado o barulho da porta de metal rangendo. Mas o destino, talvez quisesse que eu completasse minha missão.

Quando cheguei ao laboratório e olhei para aqueles montantes de porcas, parafusos, cabos e fios multicoloridos, não consegui evitar de me sentir meio estúpido — O que era ridículo, pois na época eu só tinha 14 anos, e ninguém esperava que eu entendesse os mecanismos de um portal inter-dimensional. Mas, mais do que isso, foi nessa hora que me dei conta, que a tarefa que eu queria realizar, estava mais que um pouco acima das minhas habilidades.

Mas recusando-se a admitir a derrota, comecei a analisar o portal tentando achar algo que eu entendesse, mas no final não levou a nada, que eu já não soubesse. A coisa era um mostro no sentido mais claro da definição. Tão complexo que até meus pais, que planejaram a vida toda, esse projeto, não conseguiram fazer com que ele funcionasse. A ideia de que um adolescente médio, tal como eu, poderia fazer essa máquina funcionar era tão ridículo que chegava a ser risível. – Isto eu poderia admitir até para mim mesmo.

Então porque eu não desisti? Estava claro que eu não poderia fazer nada para tornar a situação melhor. Porque não dei meia volta e voltei pro meu quarto? — Isso é algo que até hoje eu não consigo explicar.E quando as dúvidas estavam ameaçando me consumir, quase como se fosse um sinal, percebi o contorno de uma alavanca desligada no centro do portal.

Poderia ser...? Perguntei – me. Essa pequena alavanca poderia ser a solução para todo o meu problema? Eu não sabia. Mas sabia que a coisa certa a fazer no momento seria acordar meus pais e mostrar a eles o que eu descobri. – Infelizmente na hora, eu estava ansioso demais para sequer esperar mais um segundo. Assim, a partir do momento em que minha mão puxou aquela alavanca para baixo minha história começou a ser escrita.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.