Notas iniciais
Olá, pessoas lindas!!! ;D Tudo bem com vocês? Bom, hoje eu não tenho muito o que dizer aqui, mas espero sinceramente que vocês gostem desse capítulo! ♥

Há algo estranhamente poderoso em reconhecer-se em outra pessoa. Uma força descomunal, somada ao estúpido desespero humano por conexão, surge quando se percebe suas próprias mazelas e dores em outro alguém. Pessoas perdidas estão fadadas a encontrar-se, a descobrir outras almas estilhaçadas e reconhecê-las.

Louis Weasley não sabia disso. Pelo menos, não antes de perceber que seu espírito quebrado e solitário também habitava a estranha menina Malfoy. Talvez tenha sido por isso que ficou quando ela lhe pediu, ou melhor, suplicou por companhia. Talvez, mesmo que inconscientemente, houvesse sido aquele reconhecimento que o levara até ali, para começo de conversa. Não saberia dizer e todas essas incertezas causavam uma dor quase física em alguém tão dono da razão quanto o rapaz.

— Então, por que você está aqui? — Sagitta questionou, após um longo silêncio. Seu rosto um misto paradoxal de vulnerabilidade e presunção. — E agora eu gostaria de uma resposta sincera, porque não acreditei, nem por um único segundo, nessa história de lição de casa.

O garoto soltou um suspiro exausto, enquanto puxava uma cadeira do lado de uma cama próxima e se sentava.

— Não sei. — admitiu por fim. Que bem faria continuar com a farsa?

Um sorriso zombeteiro se abriu nos lábios rachados da menina.

— Achei que você tivesse todas as respostas, senhor sabe-tudo.

Inesperadamente, o comentário faz o Weasley sorrir.

— É, eu também pensei. — Louis confessou, encarando uma das mãos. Não entendia o motivo de sentir-se tão exausto. Não entendia o motivo de estar ali ou de ainda não ter partido. Não entendia o motivo de sentir-se tão vulnerável e, ainda assim, permitir que as palavras continuassem saindo de seus lábios com tamanha sinceridade.

Logo um novo silêncio recaiu entre os dois adolescentes, mas não era algo estranho ou desconfortável. Silêncios eram apenas a constante de suas vidas, especialmente quando elas se cruzavam. Foi Sagitta quem, mais uma vez, o quebrou. Seus olhos estavam presos a tempestade que caía do outro lado da janela, mas ela forçou sua língua a se mover mesmo assim.

— Apendicite.

— O que? — Louis questionou confuso, voltando a encará-la.

— É por isso que eu estou aqui. A droga do meu apêndice inflamou e o resto é história. Traída por um órgão vestigial inútil, o universo realmente me ama. — comentou dramática, enquanto se jogava contra o travesseiro.

A cena fez o rapaz soltar uma nova risada baixa, o que era um tanto bizarro, já que Louis Weasley não era do tipo de ri. Especialmente não duas vezes no mesmo dia.

— Apêndices não são totalmente inúteis, se você quer saber. — ele começou a dizer, porque não fazia mais ideia de como se comportar e especialmente do que fazer com as mãos que pareciam desajeitas em seu colo.

Sagitta revirou os olhos.

— Você pode viver sem eles, não pode? — desafiou.

— Perfeitamente bem. — o garoto admitiu.

— Então, eles são inúteis. Assim como tudo que você pode sobreviver sem. — a moça afirmou categórica.

— Eu não acho que isso seja verdade. Na verdade, acho que seu ponto não faz nenhum sentido.

— Não? — a Malfoy arqueou uma das sobrancelhas e cruzou os braços sobre o peito.

— Definitivamente não. Nós podemos viver sem tecnologia, por exemplo, mas isso não quer dizer que ela seja inútil.

— Exceto pelo fato que ela é. Assim como tudo e todos nesse maldito planeta. — a voz dela, ainda fraca, começou a se elevar.

— Novamente, isso não faz qualquer sentido.

— Bom, faz para mim, senhor sabe-tudo. — Sagitta frisou, cruzando os braços sobre o peito.

Louis suspirou resignado, aparentemente não adiantava discutir com a menina.

— Se você se recusa a seguir a razão, tudo bem, Malfoy.

A garota gemeu audivelmente.

— Greengrass. — disse de um modo um tanto ríspido.

— O que? — o rapaz questionou, ajeitando os óculos.

— Me chame de Greengrass. Ou de Sagitta, eu particularmente prefiro Sagitta. Só não ouse me chamar de Malfoy novamente ou eu serei obrigada a destruir seu rostinho bonito, Weasley.

Convalescendo em uma cama da enfermaria, pálida como um fantasma e obviamente ainda fraca, Sagitta Malfoy, ou melhor, Greengrass não parecia capaz de destruir coisa alguma. Ainda assim, aquela chama ardente e hipnotizante havia voltado, mesmo que por meio segundo, aos seus olhos. Além disso, de certa forma, o rapaz compreendia o que, de um modo extremamente rude, ela estava tentando dizer.

— Okay. — concordou sem problemas. — E, particularmente, eu prefiro Louis.

Estranhamente era verdade. Por um lado, parecia extremamente pessoal pedir que alguém o chamasse por seu primeiro nome e, bom, Louis estava longe de ser o tipo de pessoa que buscava proximidade e principalmente intimidade com qualquer outro ser humano. Entretanto, o sobrenome Weasley estava carregado de uma força que pesava demais para ser carregada. Havia história, havia influência, havia expectativa. Havia todo um legado que ele arruinara. Às vezes, ser um Weasley o asfixiava, enlouquecia, feria. Mas ser apenas Louis, bom, não era algo que ele houvesse experimentado por um único segundo ao longo de seus 17 anos, no entanto, a simples hipótese soava nova e libertadora.

Sagitta – ele realmente gostava daquele nome – sorriu. O primeiro sorriso genuíno desde que a conhecera.

— Renega teu pai, despoja-te teu nome; ou então, se não quiseres, jura ao menos que amor me tens, porque uma Capuleto deixarei de ser. — entoou divertida.

— Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchio tu não fosses? Que é Montecchio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservaria a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira. — o garoto completou também divertido.

E então, sem entender exatamente o motivo, os dois se viram gargalhando. Gargalhando alto como os adolescentes despreocupados e idiotas que em outra vida talvez tivessem a oportunidade de ser.

— Isso foi muito esquisito, Louis. — a menina comentou, enquanto tentava recuperar o fôlego. — Quer dizer, fui eu quem comecei, mas que porra foi essa?

O menino continuou a rir, porque, bom, que porra fora aquela? Citar Romeu e Julieta para semidesconhecidos no meio da enfermaria, durante uma tempestade, era estranho – muito estranho – e em qualquer outra circunstância poderia adquirir uma absurda conotação romântica ou qualquer coisa parecida. Não era o caso. Primeiro, porque Louis sequer acreditava que havia qualquer resquício de romantismo em Romeu e Julieta – quer dizer, como dois adolescentes idiotas e volúveis cometendo suicídio pode ser algo bonito?.

Segundo, porque o garoto sabia que a garota sabia que eles não estavam falando sobre amor. Era algo mais profundo e doloroso. Aquilo era sobre família, sobre tradição, sobre legado, sobre expectativas. Era sobre romper com tudo isso. Renegar tudo isso. Cortar os laços que os mantinham aprisionados, para serem finalmente livres, para serem quem realmente eram e não quem deveriam ser.

Em algum ponto as risadas cessaram e os sorrisos morreram, porque os dois entenderam a mensagem não dita, entenderam sem que precisassem dizer uma única palavra, e entender doía. Sangrava.

— É, isso tudo é realmente estranho, Sagitta. — o rapaz se viu obrigado a dizer, apenas para quebrar o silêncio ensurdecedor que recaíra entre os dois. O silêncio, no qual ele sempre se refugiara, de repente parecia a mais torturante das prisões.

A garota sorriu fracamente. O rapaz sorriu de volta. E quando seus olhos azuis se encontraram aos olhos cinzentos dela, despertando aquela insana sensação de que observava o reflexo da sua própria alma, Louis Weasley soube que estava total e completamente perdido.

Notas finais
Bom, eu não sei muito bem o que achei desse capítulo, apesar de ter gostado muito de escrevê-lo, mas espero que vocês tenham gostado! ♥ Beijinhos... Thaís
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.