Notas iniciais
Inspirada na Madame Red.

Londres, 16 de Março de 1880 – Uma semana depois do ocorrido na avenida Regent Street, o Joalheiro Joseph Barnes é preso pelo crime de falsificar e roubar as joias da coroa de Modena, ele será julgado e sentenciado a morte. As joias foram encontradas e recuperadas pelo herdeiro Jason Wayne que atua como detetive junto da polícia para solucionar certos casos.

– Lendo o jornal de hoje, senhor Jason? Mas o senhor já não leu ele está manhã? – Disse Alfred, enquanto colocava ao lado de Jason, uma bandeja com uma xícara de café.

– Sim Alfred, estou revendo os últimos acontecimentos em relação a essa cidade... – Jason, mantinha uma expressão séria.

– Creio não ter lido o jornal está manhã, ainda estão falando a respeito do roubo? – Disse Alfred examinando Jason como se ele não fosse mais do que um livro aberto para ele, ao qual conhecia cada linha de expressão que seu rosto poderia fazer.

– Sim... – Disse Jason.

– As pessoas dessa cidade precisam de algo que as façam sair dessa rotina de cuidar da vida dos outros... Mas, isso é normal para uma cidade pequena. Gostaria de um café? Talvez isso possa acompanhar o senhor, ou talvez, o senhor tenha encontrado algo de interessante no jornal? A muito tempo não o vejo com a expressão tão séria assim. –

Alfred era um homem de aparência calma, e tranquila, e sempre parecia estar estudando tudo o que acontece a seu redor. Em todo os anos em que ele e Jason se conheceram, Jason nunca o vira nervoso ou irritado, como um homem que sempre se adaptava a qualquer situação, Alfred era a consciência por de trás de Jason.

– Talvez... Alfred! Estou saindo. – Disse Jason, enquanto se encaminhava a um relógio velho de parede, que há exatos 10 anos permanece parado no mesmo dia e hora em que vira seus pais pela última vez, e desde então nunca mais tivera notícias deles, assumindo assim toda a herança de sua família, devido ao fato de seus pais terem sido dados como mortos, porém, ele mesmo nunca acreditara nisso e sempre achara que eles deviam estar vivos, e isto é claro, é algo que ele próprio nunca entendeu o que realmente aconteceu, já que seus pais resolveram sair em um dia de chuva buscar alguém que ele deveria conhecer e nunca mais retornaram. E hoje esse relógio é apenas uma porta falsa que dá para uma escada que leva para baixo da mansão, um lugar que só ele e Alfred conhecem, um lugar aonde as trevas nascem na forma de um cavaleiro que traz consigo o preludio de algo que está para acontecer.

NOTICIA: Duque Kildare é encontrado morto no quarto de um cabaré localizado na Brewer Street – Alta Londres –, sua esposa a Duquesa de Kildare reportou para o Inspetor Gordon, da polícia local, que seu marido estava desaparecido a exatos 3 dias, e na noite de ontem seu corpo foi encontrado na cama de um dos quartos. Duque Kildare apresentava os lábios roxos, assim como outros 5 representantes da Casa Leinster, o que somam 6 mortes. A casa Leinster, é conhecida e julgada – mesmo sem nunca terem provado nada — de ser uma das famílias responsáveis pelo tráfico de Ópio na cidade, muitas famílias a acusam também pela morte de familiares que trabalhavam para eles, hoje essas famílias são investigadas acusadas de tráfico, e prostituição. Mas a questão maior ainda predomina, será essas mortes mero acaso?

Enquanto Jason, se encaminhavam para a casa de Leinster, o mesmo era visitado por uma Jovem dama de cabelos vermelhos como sangue assim como a cor do vestido que usava, olhos da mesma cor de esmeraldas, pele clara, um rosto fino e de aparência jovial, que sob as luzes da luminária da porta de entrada, tinha apenas parte de seu rosto e de seu belíssimo corpo iluminado pela luz, o que deixava a mulher com um ar provocante.

Leinster gostava de receber jovens damas na sua casa para certos serviços domésticos, ele era considerado um grande “amante” dos cabarés daquela região, e também era o mais odiado pelas mulheres que trabalhavam nesses lugares pelo seu jeito sadista, aonde se divertia batendo nas mulheres que deitavam com ele por dinheiro. Em outras palavras, ele era um homem repugnante, tratava as pessoas como animais sem valor, as mulheres eram apenas brinquedos sexuais para seu prazer sádico em torturar elas enquanto mantinham relações sexuais com ele.

Mas essas são histórias para um outro dia, por enquanto, fiquemos com a visita de uma bela moça a um conhecido amante das mulheres.

– Devo presumir que a senhorita seja, Ivy, estou correto? Definitivamente sua beleza faz jus a sua fama. – Leinster fazia uma breve mesura a jovem dama que esperava em frente a soleira da porta de sua mansão, iluminada pelas fracas luzes numa noite propicia a relações sexuais.

– E eu devo presumir que o senhor seja Leinster, a sua perspicácia faz jus ao senhor também. – Disse a dama, enquanto sorria.

– Obrigado, mas, me chame de Milorde eu faço questão que as pessoas mantenham o meu título quando se referirem a mim. Agora, por favor, entre temos muito o que conversar e negócios a tratar.

A mansão do Lorde era de um exagero e mal gosto incomparável, as peças que compunham sua mobília eram todas adornadas com ouro e encrustada nelas estava o símbolo da casa Leinster, um Leão cravado por duas espadas, uma de cada lado, ao qual muitos o chamavam de “O Leão de Neméia”, fora os moveis, a sala possuía uma lareira grande o suficiente para caber duas pessoas dentro dela, e também o ar, que tinha um aroma irritante, o que era talvez uma mistura de especiarias baratas como cravo e canela, misturado ao cheiro de moveis velhos e mofo, concluindo que o lugar não era limpo a vários anos.

Ivy assim que entrou na sala sentou em uma das poltronas, que ficava posicionada de frente para a lareira e enquanto olhava os quadros, do outro lado, Leinster, se dirigia ao balcão para preparar dois copos de Uísque.

– Então a senhorita acabou com todos os membros da minha família, não é? ... Eu realmente fico admirado que a senhorita tenha conseguido levar até mesmo o pobre infeliz do Kildare para o quarto de um local bastante...interessante. – Disse o Lorde enquanto entregava um dos copos de Uísque para Ivy, e sentando no braço da poltrona para admirar a beleza daqueles olhos que examinava todo o cômodo com certo interesse. – Será que a senhorita poderia me dizer como conseguiu fazer tal proeza?

Ivy toma o cálice em suas mãos e se deliciando de um breve bebericar do conteúdo do copo, fecha seus olhos como se estivesse sentindo um prazer imenso por aquele momento, levando assim um certo tempo para responder a pergunta do Lorde, o que lhe dá a oportunidade para apreciar a bela visão que era de suas pernas cruzadas, e da sua linda pele branca e delicada. Leinster sentava-se de modo insinuante ao lado dela, passando os braços ao redor de seu pescoço e mexendo nos cabelos da moça, como se já tivesse “domínio” por ela, sorria de modo convincente, e transbordava de seus olhos uma expressão doentia de quem sonhava tocar cada centímetros daquele corpo jovial que estava ali diante dele, porem ele teve de se conter, ao notar que ela olhava pra ele com uma expressão similar de desejo por prazer, e conhecendo-a bem, ele sabia muito bem a qual tipo de prazer ela ansiava, o de morte.

– Eu gostaria de não dizer quais são os meus métodos de sedução se o senhor, Milorde, não se importar – Disse Ivy, olhando fixamente para o Lorde que estava ao seu lado.

Retirando as mãos apressadamente de perto dela, e endireitando seu corpo para tentar recobrar sua compostura, Leinster apenas acena com a cabeça em sinal de acordo, e então se levanta novamente e caminha em direção a jarra de Uísque, enquanto olha estudando o ambiente já conhecido de sua sala na esperança de entender o porquê de Ivy insistir em olhar para seus quadros, porém, logo desistindo de tentar entender o que aquela mulher pensava e resolve encher novamente seu copo de Uísque para então retomar o assunto.

– Bom, fico grato que você tenha conseguido levar até mesmo aquele pobre infeliz do Kildare, o qual é casado com uma mulher que lhe dera 3 filhos muito parecidos com seus amantes e nenhum pouco parecidos com ele, e espero também que ele possa fazer um bom proveito se arrependendo no inferno, por não ter aceitado minha proposta. Agora senhorita Ivy, qual é o preço do seu serviço? – Ao terminar de falar Leinster se vira na direção aonde a jovem dama deveria estar sentada, apenas para se dar conta daqueles olhos que agora passavam de um verde esmeralda para um tom acinzentado se aproximar do teu rosto e num toque suave, os lábios dela agora se posicionavam contra os dele, num beijo que o deixava paralisado de espanto e medo, por saber quais consequências o esperava desse ato.

Sua morte.

– O..O que está fazendo? – Disse o Lorde tropeçando em seus próprios pés ao ir para trás e derrubando sua última garrafa de Uísque Dalmore Decantre e estilhaçando ele no chão.

– Como você pode fazer isso comigo, sua PUTA? Eu sou o Lorde Leinster, você está acabada, toda Londres ira caçar você! – Do quarto ao lado, logo após o termino de sua frase, uma risada explode de dentro dela, e ao abrir a porte surge vindo de lá, um homem de uns 33 anos, usando um terno preto de grife Burberry Black Label, uma postura e aparência bastante engomadinha.

– Você é mesmo um idiota Leinster...seduzido por um par de olhos verdes? O quão nojento você consegue ser seu velho decrepito? — Disse o homem que se aproximava e batia com sua bengala no assoalho de madeira que ecoava no silencio que se implantara ali.

– Jonathan...você...você está vivo... mas como? ERA PARA VOCÊ TER MORRIDO A IV-...- Deixando a frase morrer no ar, Leinster olha para Ivy que agora possuía um sorriso irônico no rosto.

– SUA MALDITA, COMO VOCÊ OUSOU ME TRAIR, COM..COM ESSE CRAPULA, VOCÊS ARMARAM TUDO IS- -

– Cof Cof-

Ao olhar para suas mãos agora sujas de sangue, Leinster percebe que tudo não passara de mentira, que o plano que ele imaginava ter sido o único a pensar, fora uma falha e agora Jonathan seria o principal, ou melhor, o único fornecedor da Felicite, como sempre fora e como sempre deveria ter sido, Jonathan agora detinha o poder sobre tudo, e o pior, todos achavam que ele estava morto, e ele realmente estava.

– HAHAHAHAHA! SEU VELHO IMBECIL, ESTÁ VENDO? ISSO É O QUE VOCÊ MERECE, UMA MORTE LENTA E DOLOROSA! VOCÊ ACHOU QUE EU ESTAVA MORTO? POIS BEM, EU ESTOU, JONATHAN ESTÁ MORTO! AGORA EU SOU APENAS O “ESPANTALHO” HAHAHAHA! VEJA E SUCUMBA A SUA MORTE LEINSTER, ESSA CIDADE SERA MINHA, E VOCÊ?! MORRA AOS MEUS PÉS! – Mesmo antes do agora Espantalho terminar seu surto de histeria, Leinster já havia morrido, e ao terminar a frase, quase como numa cena combinada, Lorde Leinster, o amante odiado das mulheres, lentamente caia frente ao Espantalho da mesma maneira que ele sugerira: aos seus pés.

Notas finais
Espero que gostem, criticas ou sugestões são bem vindas.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.