O Especialista
19 Os Vingadores Secretos
Meio Oeste Americano
Leon havia demorado cerca de um dia para alcançar as coordenadas entregues a ele por Coulson e não estava completamente surpreso do fato delas apontarem para uma região extremamente remota. O agente também não se surpreendeu ao encontrar uma SUV preta esperando por ele. O dono do carro, o coronel Nick Fury, estava encostado no capô, fumando um charuto casualmente, usando óculos escuros ao invés do famoso tapa-olho. Fury parecia bem mais velho e menos intimidador do que a primeira vez que Leon o encontrou, mas ele sabia que provavelmente eram só aparências.
Fury sorriu ao ver Leon, estendendo uma das mãos ao agente e a apertando enquanto dizia:
“Leon Scott Kennedy, agente da S.H.I.E.L.D...Phil sempre disse que você ocuparia essa posição um dia.”
“Coronel Fury. Parece bem, pra um homem morto. Suponho que saiba porque estou aqui, certo?” Leon perguntou, observando Fury apagar o charuto enquanto falava:
“Eu sei sim. E sei que não queria estar aqui, mas deixe eu lhe dizer uma coisa: Phil se importa tanto com a aquela garota quanto você. Ele sabe o que faz. O que temos aqui é importante.” Respondeu Fury, enquanto entrava no carro, seguido por Leon, que afirmou:
“Eu sei disso, confio no Coulson com a minha vida. Mas quanto mais cedo acabarmos isso, mais cedo posso voltar. A S.H.I.E.L.D está passando por um momento delicado. Mas eu tenho certeza que sabe disso também...”
“Tem poucas coisas que eu não sei, garoto. Mas o que acontece na S.H.I.E.L.D é um grande mal entendido. Gonzales é um bom homem, tenho certeza que vão conseguir superar isso.” Fury deu um leve sorriso, o que deixou Leon imaginando se ele estava se referindo a ele e Bobbi. O agente então resolveu perguntar algo que ficara na sua cabeça durante o caminho, enquanto o carro fazia uma curva e entrava em um terreno que parecia ser de uma fazenda:
“Minha equipe não pode agir. Quer dizer, Phil me disse que conseguiria uma equipe, mas porque não mandar os Vingadores? Eles resolveriam isso na metade do tempo e esforço.”
Fury riu, balançando a cabeça positivamente, como quem já esperava a pergunta, antes de responder:
“Infelizmente, essa missão não é indicada para os Vingadores. Não aqueles que você conhece, ao menos. A equipe que Coulson mencionou faz parte de uma iniciativa chamada Vingadores Secretos, e sua função é atuar fora da esfera dos Vingadores, por motivos específicos.”
“Eu entendo isso, coronel, mas porque eu? Não sou um herói, não tenho poderes, nem uma armadura milionária.” Leon disse, enquanto observava a paisagem calma e desolada do lugar. A fazenda parecia ser enorme.
“Primeiramente, não se subestime, Kennedy. Barton e Romanoff não tem poderes e mesmo assim vocês três salvaram o mundo em Budapeste. Ser um herói está muito acima de poderes, filho. De qualquer forma, o projeto desta equipe foi formado pelo Coulson tendo você e a sua experiência como peça central. Vai fazer sentido, quando eu lhe apresentar o briefing.”
“Acho que já percebi de onde o Phil tirou a mania de não contar seus planos pra ninguém.” Leon resmungou enquanto continuava a observar a paisagem. O carro continuou a seguir por uma estradinha até chegar próximo de duas grandes construções. A primeira era uma casa bonita, em estilo colonial e a outra um celeiro, que foi onde Fury parou o carro e os dois desceram.
O coronel caminhou por trás da estrutura, seguido por Leon e ambos pararam em frente ao que parecia a entrada para um abrigo subterrâneo. Fury se abaixou e disse:
“Esse abrigo foi construído nos anos 60, em plena Guerra Fria, e é um dos maiores do país. Foi construído pela RSS, a agência que deu origem a S.H.I.E.L.D, para proteção dos agentes que estivessem nesta área em caso de ataque nuclear russo. Foi desativado nos anos 90 por mim...por um bom motivo.”
Fury então removeu um pequeno painel escondido ao lado da grande portinhola e encostou seu polegar ali e segundos depois o estalar da tranca foi ouvido. Ambos abriram a porta e seguiram por uma escadaria escura e quanto mais desciam, mais Leon notava que a iluminação ia melhorando e quando chegaram no degrau final, o agente notou que as paredes eram todas revestidas de metal. Ambos pararam em frente a uma porta dupla e Fury repetiu o procedimento com as digitais e então a porta se abriu sozinha.
“Eu não devia me surpreender com essas coisas de espiões e bases secretas, mas vocês realmente se superam.” Disse Leon, incrédulo, enquanto arrancava uma risada de Fury, que o conduziu pelos corredores enquanto dizia:
“Depois da queda oficial da S.H.I.E.L.D e do atentado à minha vida, percebi que precisava aproveitar a oportunidade de ter “morrido”, pra poder observar o andamento das coisas sem que nossos inimigos suspeitassem disso. Eu deixei Coulson no comando da S.H.I.E.L.D e reuni alguns agentes de confiança e montamos esta estação de monitoramento. Você e a sua equipe são as primeiras pessoas de fora a entrar aqui.”
Leon observava que existiam diversas salas com computadores, radares, câmeras e imagens de satélites, operados por vários agentes. Ele então perguntou:
“Os Vingadores não sabem desse lugar?”
“Não. E é melhor que não saibam. Isso pode atrair atenções indesejadas.”
Depois de andarem mais um pouco, os dois encontraram Maria Hill, que recebeu Leon com um sorriso e um aperto de mão. O agente disse, levantando uma das sobrancelhas:
“Acho que posso voltar a te chamar de agente Hill, certo? Você nunca deixou de trabalhar pro Fury. Mas eu suponho que ter você trabalhando pro Stark é muito informativo pro coronel. De qualquer forma, é um prazer te ver de novo.”
“É um prazer revê-lo também, agente Kennedy. Já faz uns bons meses desde a última vez que nos encontramos, quando te dei uma carona pro seu primeiro dia na S.H.I.E.L.D, mas eu vejo que se adaptou bem.” Respondeu Hill, enquanto Fury emendava logo depois:
“Eles já estão todos aqui?”
“Sim, senhor. Eu vou chama-los.” Hill disse, e se afastou enquanto Fury abriu a porta da sala e encaminhou Leon. Aquela parecia ser a sala do coronel, que encostou na beira de sua mesa e pegou dela uma pasta que manteve consigo, enquanto dizia:
“A sua missão está aqui, mas prefiro explicar ao time inteiro. Todos estão mais ou menos na mesma situação que você. Mande um deles, Maria.” Disse o coronel, pelo comunicador em seu ouvido.
Leon se virou para a porta e viu entrar uma mulher com cerca de vinte e poucos anos. Ela tinha longos cabelos loiros, olhos castanhos e uma expressão suave e serena. Fury falou enquanto ela entrava:
“Leon Kennedy, lhe apresento Sharon Carter. Ex-agente da S.H.I.E.L.D e hoje ela é meus olhos na CIA. A agente Carter também é especialista em comunicações, e esse é o papel dela nesta equipe. Mas não precisa se preocupar, ela é excelente em campo também.”
Leon apertou a mão de Carter, que disse com um sorriso:
“É um prazer, agente Kennedy. O que você e a agente Harper fizeram na China ainda é falado até hoje na CIA. Vai ser uma honra trabalhar ao seu lado.”
“Igualmente. Se você é alguém de confiança do coronel, então eu tenho absoluta certeza de que suas habilidades são inquestionáveis.” A mulher assentiu com a cabeça, ainda sorrindo e se sentou em uma das cadeiras, de maneira calma e profissional.
Fury pediu que o próximo entrasse, no caso, um homem negro, mais ou menos da mesma altura e idade de Leon. Ele usava óculos escuros e tinha uma expressão descontraída.
“Esse é Samuel Wilson, Força aérea americana. Se não fosse a ajuda dele, a ofensiva do Capitão América ao Triskelion em Washington poderia ter falhado. Ele é o seu apoio aéreo.” Disse Fury.
“Piloto?” Perguntou Leon enquanto apertava a mão do homem, que sorriu, balançando a cabeça negativamente enquanto respondia:
“Não...quer dizer, mais ou menos. Eu vou ser seu apoio aéreo usando a EXO-7 Falcon. Basicamente um colete individual de propulsão a jato, com asas.”
Leon sorriu enquanto coçava o queixo, adicionando:
“Isso deve ser muito legal...”
“É demais, cara, cê vai ver!” Wilson respondeu, entusiasmado, enquanto se sentava ao lado de Carter.
“O próximo integrante desse equipe é o responsável por...digamos, força bruta e poder de fogo.” Disse Fury e Leon imediatamente reconheceu o homem que entrou na sala: O coronel da Força Aérea James Rhodes, o piloto da Armadura das Indústrias Stark Máquina de Combate. Ambos apertaram as mãos e Leon acrescentou, com um suspiro:
“Por mais que esteja feliz em conhece-lo, coronel Rhodes, sua presença aqui significa que essa missão vai ser bem mais complicada do que eu pensava.”
“Igualmente. Eu também não sei do que se trata, mas não pode ser pior que combater o Vanko e todas aquelas armaduras Stark, certo?” Rhodes disse com um sorriso confiante, mas a expressão séria de Fury logo o fez acrescentar: “Ou talvez possa. Ok...agora eu tô preocupado...” E então ele se sentou enquanto Fury chamava mais um integrante da equipe, enquanto dizia sem cerimônias:
“A próxima pessoa dispensa apresentações.”
“Sherry?!” Leon disse, surpreso ao ver a jovem adentrar a sala. Sherry tinha 27 anos, embora aparentasse não ter mais de 20, graças à sua capacidade regenerativa. Ela tinha os cabelos loiros curtos, olhos azuis e uma fisionamia doce, o que contrastava com as grandes habilidades de campo da agente, treinada por Leon em pessoa desde os 18 anos. A jovem abraçou Leon carinhosamente e antes que ele fosse dizer qualquer coisa, ela falou:
“Eu não vou aceitar qualquer argumento contrário à minha presença aqui. Você já me ajudou muito nessa vida, Leon. Deixe eu te ajudar também.”
As palavras de Sherry levaram as memórias de Leon para o dia em que ele conheceu a menina. Sherry era filha de William e Anette Birkin, dois cientistas brilhantes da Umbrella Corporation. Em 1998, William havia acabado de desenvolver um poderoso agente biológico chamado de “G-vírus”, mas acabou se desentendendo com a Umbrella ao mesmo tempo que era abordado pelo Exército Americano, que tinha interesse no vírus. A Umbrella descobriu sobre estes contatos e então mandou seu grupo de elite ao laboratório de Birkin para confiscar todas as amostras do G-vírus. Infelizmente o cientista se recusou a entregar o “trabalho de sua vida” e foi baleado e deixado para morrer enquanto os homens coletaram as amostras e se foram.Vendo sua vida se esvair pouco a pouco, William injetou a última amostra do G-vírus em si mesmo, se transformando em uma criatura irracional e praticamente indestrutível. Descontrolado e apenas movido por vingança e instinto de sobrevivência, William caçou e matou cada membro da equipe de elite da Umbrella, com a exceção do operativo Hunk, enquanto eles voltavam pela rede de esgotos da cidade (a única forma de se acessar o laboratório secreto de William). Na luta entre entre o mutado William e os soldados, cápsulas com o T-vírus (o primeiro agente biológico funcional da Umbrella, capaz de infectar pessoas e animais, basicamente os transformando em zumbis ou armas biológicas) acabaram esmagadas e seu conteúdo foi absorvido por ratos e baratas. Do contato destes animais com as pessoas na superfície surgiram os primeiros zumbis na cidade. O T-vírus funcionava depois que a pessoa infectada “morria”, mantendo seu corpo funcionando com apenas as características mais primárias do ser humano, no caso, se alimentar, e em grandes quantidades, já que o organismo precisa de uma grande quantidade de proteína para manter um corpo “morto” funcional. A mordida de um infectado era capaz de transmitir o vírus e não é difícil imaginar que em poucos dias Raccoon City estava condenada. Ainda sem saber o que fazer, o exército declarou quarentena e fechou todas as entradas e saídas da cidade.
Leon se viu em meio a toda essa confusão no seu primeiro dia como policial em Raccoon City, encontrando uma cidade envolta de caos, chamas e carnificina no dia em que deveria se apresentar ao Departamento de Polícia de Raccoon. Ainda nas ruas, Leon uniu forças com uma mulher chamada Claire Redfield, irmã de um dos policiais da cidade e que futuramente se tornaria um dos maiores aliados de Leon na luta contra o bioterrorismo, Chris Redfield, fundador da BSAA (Agência que combate o bioterrorismo de forma global, com o apoio da ONU). Ao chegarem no Departamento de polícia, Leon encontrou o lugar devastado e todos os seus futuros companheiros se arrastavam pelas salas, agora zumbis. As únicas pessoas que Leon encontrou vivas no departamento foram a espiã Ada Wong e Sherry Birkin, então com apenas 12 anos. Leon, Claire e Sherry partiram em uma jornada a fim de fugir da cidade, sendo perseguidos por armas biológicas e o próprio William. O G-vírus dava ao cientista a capacidade de mutação e adaptação constante e a cada vez que Leon e Claire o derrubavam, William se mutava ainda mais, ficando cada vez mais forte e perigoso. Em um momento, Birkin conseguiu infectar Sherry, mas a dupla fabrica um antídoto para a menina, cortesia de Anette, em seus últimos momentos de vida, depois de ter sido atacada pela criatura que havia sido seu marido. Depois de atravessarem os esgotos e chegarem até o laboratório da Umbrella, Leon e Claire conseguem finalmente fugir da cidade à bordo de um trem da Corporação, se livrando finalmente de William Birkin no processo, graças a uma bomba no veículo.
Leon, Sherry e Claire foram resgatados pelo Exército Americano nas fronteiras da cidade. Embora Sherry tivesse sido curada da infecção, o vírus em seu corpo não foi eliminado e a garota agora possuía anticorpos que seriam indispensáveis para a produção de uma vacina, além de uma capacidade de regeneração de ferimentos muito acima da capacidade humana normal. Sabendo que Sherry havia perdido toda a sua família em Raccoon, Leon fez um acordo com os dois agentes que o interrogavam, Coulson e Bendford. Neste trato, Leon aceitaria trabalhar para o governo dos EUA se em troca fosse elevado ao status de guardião legal de Sherry e que a menina tivesse o melhor tratamento possível pelo governo. Mas mesmo com o acordo, Sherry passou basicamente toda a sua adolescência em instalações do governo, onde seu sangue era testado todos os dias e suas saídas eram sempre controladas e supervisionadas, inclusive para a sua própria segurança, já que ela era um alvo para a Umbrella. As únicas pessoas que estiveram do lado de Sherry por boa parte desse processo foram Leon e Claire, a qual Bendford conseguiu uma permissão especial para que ela pudesse visitar a menina.
Quando a Umbrella foi desmantelada, Sherry tinha 18 anos. Foi nesse momento que Bendford sugeriu a Leon que treinasse a jovem para ser uma agente. O futuro presidente já havia notado que Sherry se espelhava e admirava o trabalho que Leon fazia. Se ela fosse uma agente e passasse em todos os testes, poderia ter a liberdade que nunca teve desde 1998. Não foi preciso muito esforço para que Sherry aceitasse e seu treinamento com Leon começasse. Durante os treinos, não demorou muito para Leon perceber que a ideia de Bendford poderia dar certo. Sherry aprendia rápido, era obstinada, corajosa e realmente tinha a mesma vontade que ele de fazer do mundo um lugar melhor. Leon é apenas 9 anos mais velho que Sherry, mas no dia em que a jovem recebeu sua posição de agente, seu distintivo e sua arma, Leon sentiu o mesmo orgulho que um pai sentiria de sua filha. E a carreira de Sherry foi progredindo com sucesso, até que pouco antes dos ataques terroristas em Tall Oaks e Lanshiang em 2013, Sherry foi designada para a mesma equipe que Leon, para trabalhar no combate ao bioterrorismo, e foi nessa ocasião que eles atuaram juntos pela primeira vez. Graças aos esforços de Sherry e Leon, o governo conseguiu os dados que possibilitaram a produção de uma vacina para o novo vírus que assolava o mundo na época, o C-Vírus, produzido por uma organização que se entitulava Neo Umbrella. Naquele dia, Leon se sentiu extremamente orgulhoso de Sherry novamente.
E esse orgulho era o mesmo que ele sentia agora e assim, Leon acenou positivamente com a cabeça, enquanto dizia para ela, finalmente se soltando do abraço:
“Vai ser uma honra trabalhar com você, agente Birkin.”
Sherry sorriu e ela e Leon se sentaram, enquanto Fury finalmente dizia:
“A última integrante desta equipe vai encontrar vocês em Londres e dali irão partir para o Mediterrâneo, o local de sua missão. Então, senhores, vamos ao briefing.”
Fury distribuiu pastas com os dados da missão para todos os integrantes enquanto falava:
“Graças às ações de aliados, a HYDRA está cada dia mais perto da destruição. Depois da morte de Whitehall, Wolfgang von Strucker é praticamente o último membro de liderança vivo, e ele tem estado fora do radar faz algum tempo. Até a semana passada, quando conseguimos fotos de satélite do safado em uma ilha no Mediterrâneo. É exatamente aí que começa o problema. A Intel que recebi apontava a ilha como uma corporação de fachada, onde a HYDRA aparentemente tem misturado a pesquisa do cetro Chitauri com bio-engenharia. Leon...” Fury estendeu a mão e Leon continuou:
“Quando empresas como a Umbrella Corporation, TriCell e Neo Umbrella caem, a maioria dos seus cientistas que acabam por escapar, vendem os planos de pesquisa viral no mercado negro. Não é preciso ser gênio pra saber que uma das grandes compradoras desse tipo de material foi a HYDRA, além de outros grupos terroristas.” Enquanto falava, Leon finalmente compreendeu o motivo pelo qual Fury não poderia contar com os Vingadores nessa missão, e como que lendo sua mente, o coronel disse:
“E é por isso que vocês estão aqui. Vírus biológicos são imprevisíveis, mas via de regra, mortais. O prospecto de ter os Vingadores infectados seria uma catástrofe à nível mundial. Não sabemos como organismos como os do Capitão América, Hulk ou Thor reagiriam ao T-vírus. Não estou dizendo que são dispensáveis, de fato, vocês são os únicos capazes de fazerem isso no momento, e Leon é o homem com a experiência necessária pra liderar vocês nessa missão. Todos os outros dados estão na pasta, o Quinjet está lá fora. Eu contato vocês na Inglaterra.”
Durante o vôo, todo o time leu atentamente às informações contidas no briefing. Infelizmente, não eram muitas. A ilha era um grande complexo industrial e a fonte secreta de Fury afirmava que haviam diversos tipos de armamento pesado disfarçado dentro da base, incluindo tanques de guerra e baterias anti-aéreas, além de tropas armadas. O briefing também fazia alusão à B.O.W’s primárias de guerra, como lickers e hunters, mas modificadas pela tecnologia Chitauri, além de um projeto secreto do qual a fonte não teve nenhum acesso, denominado projeto Apollo.
Na Inglaterra, o grupo foi direcionado há um aeroporto privado, onde iriam encontrar o último membro do time, além de abastecer o avião e a dispensa de armamentos. A agente em questão era Jessica Drew, codinome “Mulher-Aranha”. Drew era uma agente da S.H.I.E.L.D britânica, da área de genética e especializada em contra-terrorismo biológico, que depois da queda da agência passou a integrar o time secreto de Fury.
O aeroporto parecia isolado, e o time se aproximou devagar e cautelosamente. Todos vestidos com roupas civis e o Quinjet em modo invisível. A única construção no aeroporto era um grande galpão, que estava com as portas abertas, mas parecia pouco iluminado por dentro. Wilson comentou, enquanto tentava observar movimento:
“Tem certeza que esse é o lugar? Parece meio abandonado.”
“Certeza absoluta. Achei que teria uma equipe de apoio esperando.” Respondeu Carter, checando as coordenadas enquanto Leon e Sherry sacavam suas armas sem cerimônias.
“Vamos entrar, mas com cuidado.” Disse Leon, dando os primeiros passos dentro do galpão e escaneando a área com os olhos. Havia caixas de equipamentos que pareciam ter sido movidas recentemente, além de galões de combustível para a aeronave. Tudo parecia do jeito que Fury disse que estaria. Exceto que estava vazio.
“Agente Drew? Está aqui?” Perguntou Rhodes, levemente impaciente e se sentindo desprotegido sem sua armadura, que ficara no Quinjet. Quando todos os agentes haviam finalmente adentrado o recinto, os cinco escutaram uma risada, vindo do alto e só quando olharam para o telhado, viram a silhueta de uma mulher, que parecia estar agarrada com as mãos e pés no teto.
“Pelo menos o codinome é condizente.” Resmungou Leon, antes de dizer em voz alta: “Agente Drew, pode descer por favor?”
“Uau...isso é incrível!” Disse Sherry, observando a mulher no telhado.
Drew então deu uma cambalhota, caindo com a graciosidade de uma ginasta no chão, enquanto dizia com um sotaque britânico carregado:
“Obrigada, querida. Mas se isso fosse uma embocascada...tsc tsc.”
“Normalmente as pessoas não fazem emboscadas grudadas no telhado. A gente teria se saído bem, com certeza.” Disse Wilson, dando de ombros enquanto a inglesa ligava as luzes do galpão e os cinco puderam finalmente ver o último membro time. Drew era uma mulher bonita, de cabelos longos originalmente loiros, mas que agora estavam pintados de preto. Ela tinha olhos azuis que pareciam os de um gato, seu nariz e lábios eram finos, mas o que mais chamava a atenção em Jessica Drew era seu sorriso assimétrico, mas extremamente charmoso, como se a mulher já tivesse as respostas para todas as perguntas, antes mesmo de ouvi-las.
“Eu sei. Só queria ver a cara de vocês quando me vissem no teto. Muito prazer, sou Jessica Drew.” A mulher disse, ainda sorrindo, enquanto Sharon perguntava:
“Como estava no teto, pra começar?”
“Oh...minhas botas e as minhas manoplas conseguem aderir a quase qualquer superfície, por meio de atração eletro-estática.” Drew disse casualmente, enquanto apontava para seus equipamentos. Sua manopla era robusta e cobria todo o antebraço da mulher e na altura do pulso, haviam dois pequenos canhões.
“Essas belezinhas também são capazes de disparar cargas de bio-eletricidade, ou posso canalizar essa energia para as minhas mãos, pra eletrocutar, ao invés de aderir. Eu mesma inventei. São meu orgulho e alegria.” Drew disse, enquanto olhava as mãos, e em seguida passou a apontar os dedos para os integrantes do grupo, um a um, enquanto dizia:
“Você deve ser o líder, Leon Kennedy. O de óculos, Samuel Wilson, Falcão. Você aí atrás é Rhodes, todo mundo te conhece, graças ao Stark. Você é Sharon Carter e você...Sherry Birkin. Certo?”
“Quase. Eu sou a Sharon, ela é a Sherry.” Disse Carter, realizando a confusão da inglesa, que deu de ombros, sorrindo novamente:
“Foi mal chapa. Ok, o combustível está ali e nas caixas temos alguns brinquedos que sei que vamos precisar. Granadas de fumaça e explosivas, um lança foguetes, fuzis de assalto e espingardas. Praticamente um menu completo.”
Leon, Rhodes e Sherry foram carregando todo o equipamento enquanto o resto abastecia a aeronave. Rhodes comentou com uma careta:
“Sério? Chapa? Ela vai usar gírias britânicas com a gente?”
“Relaxa Rhodes. Ela parece legal.” Respondeu Leon enquanto terminavam de embarcar as caixas.
“Tenho quase certeza de que está falando isso porque ela parece uma versão feminina de você.” Disse Sherry rindo enquanto Leon balançava a cabeça negativamente. Sentia falta da risada de Sherry, do seu bom humor, dos momentos casuais que sempre vinham antes de uma grande batalha. O que lembrou ao agente que sentia falta de Skye, Coulson...e claro, Bobbi. Ele estava furioso ainda, mas estaria sendo um mentiroso se dissesse que não sentia falta dela.
“Tudo bem, Leon?” Perguntou Sherry, percebendo que o sorriso de Leon havia sumido, sendo substituído por preocupação.
“Sim...eu só to preocupado com as coisas na S.H.I.E.L.D.” Respondeu Leon.
“Fury me informou e eu sinto muito por essa confusão toda. Mas só podemos resolver um problema de cada vez. Foi o que me ensinou. E não esqueça, você não tá sozinho.” Sherry disse, descansando a mão no ombro de Leon.
“Eu sei. Eu estou feliz que esteja aqui. É bom ter um rosto conhecido por perto.” Leon respondeu, enquanto ambos ouviram a voz de Carter, que estava no banco do piloto:
“Todos aos seus lugares, pássaro no ar em 2 minutos.”
Mar do Mediterrâneo – 20 minutos para o alvo
Todo o time já havia preparado seus equipamentos e vestido seus trajes de combate. Drew comentou, enquanto observava o time:
“Com um pouco mais de cor, realmente iríamos parecer os Vingadores...”
Leon estava com sua roupa usual da S.H.I.E.L.D, que consistia em uma camisa azul e calças e luvas de combate preta, com um colete de suprimentos e munição, além de suas duas pistolas gêmeas, sua faca e uma espingarda presa em suas costas. Sherry, Jessica e Sharon vestiam uma versão mais leve do uniforme de Leon, mas a camisa de Sherry era branca e a jovem carregava uma pistola customizada, enquanto Sharon estava toda de preto e tinha uma submetralhadora UMP9 consigo. No caso de Drew, sua camisa era vermelha e seu colete e equipamento tinham detalhes em amarelo. A agente carregava seus disparadores e botas especiais, além de uma pistola de emergência na cintura. Wilson usava um elaborado traje de combate cujo grande destaque era o EXO-7 Falcon, um colete capaz de voar graças a propulsão à jato e a ajuda de asas retráteis para manobras e proteção. Além disso, Wilson utilizava óculos especiais capazes de visão telescópica e microscópica e suas duas pequenas submetralhadoras SPP. Por fim, Rhodes vestia o traje do Máquina de Combate, uma versão mais pesada e armada do que o modelo usado pelo Homem de Ferro.
“Somos os Vingadores Secretos. Por isso todos esses tons de preto.” Disse Leon sorrindo, enquanto Drew pareceu concordar, enquanto adicionava:
“Gosto do seu modo de pensar, chefe.”
“Pessoal, alvo em 10 minutos. Acionando modo invisível.” Informou Carter enquanto Leon completou:
“Certo. Abrir compartimento traseiro. Rhodes e Wilson, é com vocês.” E a porta traseira do Quinjet se abriu e os dois se jogaram pra fora, passando a voar cada um de um lado do Quinjet, enquanto confirmavam suas posições e testavam as comunicações.
“Todos os sistemas on-line. Estamos todos conectados.” Disse Sherry.
“Então é isso. Hora de enterrar a HYDRA e colocar von Strucker atrás das grades.” Disse Leon decidido, enquanto Drew acrescentava, com seu sorriso característico:
“Ok, acho que você deveria dizer a frase, chefe. Se a gente vai arrasar mesmo com a HYDRA, acho que merecemos ouvir.”
“Vocês tem certeza? Não é muito clichê?” Respondeu Leon, coçando o queixo.
“Eu quero ouvir.” Respondeu de pronto Wilson, seguido da afirmação dos outros, enquanto Leon conseguia ver pelo vidro, ao longe, os primeiros sinais da ilha. O agente então disse, com um sorriso:
“Tempo estimado de chegada, 5 minutos. Vingadores Secretos, avante!”
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