O Especialista
9 O Assassino dos Sinais
12º Distrito Policial de Nova Iorque
Leon havia acabado de estacionar o carro no estacionamento subterrâneo do Distrito Policial. A viagem havia sido relativamente silenciosa, pois desde a menção à seu pai, o agente ficara estranhamente quieto. Skye havia conseguido segurar sua curiosidade até aquele momento, mas antes de saírem do carro ela gentilmente segurou o braço de Leon e perguntou:
“Qual o lance, Leon? Você não parece muito confortável em vir aqui, obviamente. Mas por que?”
Leon estava quase saindo do carro, mas resolveu voltar, se recostando no banco e virando levemente seu corpo para que pudesse olhar Skye de frente:
“Eu não estou. É que...bom, pra começar ele não sabe que eu deixei o Serviço Secreto e estou com a S.H.I.E.L.D, o que faz com que sejamos considerados foras-da-lei, diga-se de passagem. Mas isso não é importante. Depois da morte do Adam, depois da confusão na China, eu me fechei. Eu tentei passar uns dias em casa com meus pais e com a minha irmã, mas depois de um tempo eu não conseguia mais aguentar todo mundo me perguntando se eu estava bem, tentando me fazer falar ou desabafar e eu me comportei como um idiota, eu explodi, disse algumas besteiras e sumi por algumas semanas. Eu deixei uma mensagem de voz para minha irmã, dizendo que estava bem, pedindo desculpas mas...eu tive de voltar ao trabalho e usei isso como desculpa para não retomar mais o contato, desde então.”
“E acho que chegar na delegacia do seu pai, pedindo por um corpo em nome de uma nova agência, que eles não sabem que você trabalha — E que são meio que irregulares, não esqueça: completou Leon – não deve ser a melhor maneira de retomar o contato. Eu...acho que entendo. Eu nunca tive pais, pra poder ter esse tipo de discussão mas...eu posso tentar, posso tentar falar com o Capitão sozinha...”
Leon sorriu, colocando uma das mãos no ombro de Skye: “Obrigado Skye, mas eu preciso fazer isso, de qualquer forma, eu fico feliz que esteja aqui. Vamos.”
Leon e Skye passaram pelo estacionamento e pegaram o elevador que dava ao segundo andar do Distrito, onde ficava a mesa de trabalho de vários detetives de polícia, e o escritório do Capitão do Distrito. Os dois passaram por uma série de mesas, até que Skye parou em frente a uma delas, chamando por Leon:
“Olha! É o caso da Janice!!”
A dupla estava a ponto de se aproximar de um dos quadros quando um dos detetives se virou, com uma expressão de impaciência no rosto: “Posso ajuda-los?”
“Pode. Agente Leon e Agente Skye, Serviço Secreto.” Leon mostrou seu velho distintivo do Serviço Secreto e para evitar que o detetive pedisse o de Skye, logo continuou: “Estou aqui pra falar com o Capitão Kennedy. É uma questão urgente.”
O homem encarou Leon de uma forma estranha, mas resolveu que não seria uma boa ideia testar a paciência de um agente do Serviço Secreto. “Me acompanhem.”
O detetive parou na porta de um escritório e pediu que os agentes esperassem, batendo uma vez e entrando sem esperar resposta. Leon e Skye puderam ouvir uma voz que vinha de dentro: “Se não estiver aqui pra me dizer que prendeu o assassino dos sinais é melhor dar meia volta....” A voz subitamente abaixou o tom até que o detetive saiu, gesticulando para que Leon e Skye entrassem enquanto se afastava.
Ao entrarem, Skye pode finalmente pôr os olhos no Capitão Mark Kennedy. Era um homem na casa dos 60 anos e seu corte de cabelo era parecido com o de Leon, porém mais curto e já em tons de cinza e grisalho. Ele estava sentado em frente a sua mesa em silêncio, apenas estudando ambos.
“Capitão...” E Skye pode perceber as sobrancelhas de Mark levantando enquanto Leon se corrigia: “Pai...essa é a agente Skye do...”
“Serviço Secreto. Estão recrutando cada vez mais jovem esses dias...” Completou Mark, enquanto Leon tossiu, com uma expressão de desconforto enquanto acrescentava:
“Sobre isso...nós não representamos o Serviço Secreto, pai. Eu não represento mais. Nós somos agentes da S.H.I.E.L.D...”
“Você o que?!”
Antes que Mark pudesse continuar, Leon interveio:
“Estamos trabalhando com Coulson pai. Eu não podia mais ficar no Serviço Secreto, não depois do que aconteceu com o Presidente Adam. Eu prometo que explico isso melhor depois, mas estamos correndo contra o tempo aqui.”
“Eu já vi esse filme, Leon. Você está sempre correndo contra o tempo. Aliás, a formatura da sua irmã foi linda.”
Skye pode perceber o quanto a expressão de Leon se entristecera, mas ele fechou os olhos por um segundo, voltando a expressão focada de sempre:
“Eu sei que foi, e eu sei das besteiras que fiz. Mas não é hora pra isso. Eu estou tentando fazer o meu trabalho. Como eu sempre fiz. Proteger as pessoas, fazer algo bom, como você me ensinou. O caso do assassino dos sinais. Nós podemos resolver.”
“O que uma professora de artes interessa a S.H.I.E.L.D? E não me venha com essa besteira de “confidencial”.”
“Mas é confidencial, você deveria saber disso! São regras!” Respondeu Leon, um pouco mais impaciente, tamborilando os dedos pela mesa.
“Pelas regras eu deveria estar ligando para o exército para que viessem buscar agentes suspeitos de traição, já que são da S.H.I.E.L.D.”
Skye resolveu intervir, sua voz saindo baixa e tímida enquanto ela ficava ao lado de Leon, frente a mesa: “Senhor...Capitão. A Srta.Robbins era uma de nós. Ela era uma agente da S.H.I.E.L.D e eu sei que não acharam nada sobre isso nas coisas dela, e pra ser sincera nós também não sabemos o que está acontecendo. Ela nem se chama Janice Robbins...ela era uma de nós e só queremos justiça pra ela e para a família dela. A família de verdade. Eu sei das coisas que ouviu falar sobre a nossa agência Capitão, mas não somos os vilões aqui e eu não sei o que há entre vocês mas...o Leon...nós, nós só queremos ajudar.”
Skye pode sentir o olhar de Mark em seus olhos e a expressão em seu rosto se aliviou um pouco, enquanto ele balançava lentamente a cabeça, de uma forma similar a que Leon fazia algumas vezes.
“Eu sinto muito, pelo que houve antes...” Leon não terminou a frase, mas Mark apenas disse:
“Eu sei. Mas essa conversa vai continuar depois. Do que vocês precisam?”
Leon então completou, de maneira relutante: “Do...corpo dela. Nós precisamos fazer uma autópsia. Os sinais no corpo, eles já apareceram...em um outro caso nosso.”
“Sem chance. Não podemos tirar o corpo daqui, não sem dizer pra quem e no momento que souberem que é pra S.H.I.E.L.D aquele tal de General Talbot vai estar aqui, com aquele bigode ridículo dele, fazendo alvoroço no meu Distrito. Ademais, a autópsia dela já foi feita. Nada de anormal foi detectado.”
“Nossa legista, talvez ela consiga ver algo que ficou pra trás...não estamos dizendo que o seu legista não é bom mas é que nós sabemos mais ou menos o que procurar.” Disse Skye, mas Mark balançou a cabeça negativamente:
“A resposta ainda é não. O corpo não sai daqui...mas se por algum acaso, a sua legista vier visitar o Distrito...a sua legista que trabalha para o SERVIÇO SECRETO, ela pode atuar como consultora e analisar o corpo em nosso necrotério.”
2 Horas depois
Leon, Skye e Jemma estavam usando uma sala de interrogatório emprestada da delegacia. Falavam com Coulson a partir de um laptop, já que o Diretor pedira para ser informado imediatamente sobre os resultados da autópsia.
“Bom, o legista daqui acertou na causa da morte. Apesar dos cortes serem profundos, a vítima morreu em decorrência de um infarto. Foi as dores que a mataram, não os ferimentos em si. É algo comum nesse tipo de assassinato ritualístico.” Começou Jemma, até ser interrompida por Skye:
“Ritualístico?”
“Aham. Os cortes são muito precisos, e o assassino continuou a entalhar mesmo depois dela ter morrido, como se ele PRECISASSE completar...o que quer que ele estivesse fazendo. Também acho que não é a primeira vez que ele faz isso. E se eu não me engano, essas escrituras não eram parecidas com as na parede do Garrett?”
Coulson estava prestes a responder quando Mark entrou na sala, com uma pasta na mão, se aproximando do computador e entregando a pasta a Leon.
“Phil, cada vez que te vejo, com menos cabelo...” Coulson apenas sorriu, enquanto Mark continuou: “Acho que deviam ver isso. Acabou de chegar.”
“São análises de tecido? Tinha DNA embaixo das unhas dela. Bom, faz sentido, se ela tentou se defender.” Disse Leon, lendo o relatório.
“Espera...ela tinha GH-325 no sangue! Ela era uma paciente do projeto Taiti...e eu não devia ter dito isso aqui, não é?” Jemma passou a mão pelos cabelos, com uma expressão de culpa.
“Eu não vou querer saber o que é isso, não é?” Perguntou Mark, os olhos estudando os agentes na sala.
“Não Mark, e não poderíamos contar.” Respondeu Coulson.
“A essa altura do campeonato, só quero que peguem esse filho da mãe.” Disse Mark enquanto saia da sala de interrogatório, dando privacidade aos agentes da S.H.I.E.L.D
“Diretor...quem a matou também tinha o GH-325 no sangue. A hipergrafia foi um dos efeitos que tentaram curar, com o implante de memórias durante o projeto. Garrett sofria disso, nosso assassino misterioso também, e ambos viraram psicopatas perigosos. Vocês estão tendo vontade de escrever ou esculpir algo??” Perguntou Jemma, num tom de voz que misturava preocupação e curiosidade científica.
“Hey...já pararam pra pensar que esse assassino também é...ou foi, um agente da S.H.I.E.L.D?” Disse Leon, tentando mudar de assunto, a fim de proteger o segredo de Coulson, ao menos por enquanto. O agente sabia que esse assunto provavelmente não ficaria no escuro por mais muito tempo.
“Nós precisamos encontra-lo. Não sabemos como ele está fazendo para encontrar outras pessoas com o GH-325, mas talvez não seja uma boa ideia eu e Skye ficarmos juntos no mesmo ambiente. Não vamos facilitar pra ele. Leon e Skye, vão estar seguros no Distrito de polícia. Continuem tentando achar esse cara. Leon, tente procurar outros assassinatos parecidos com esse, já que Simmons disse que essa pode não ser a primeira vez. Skye, eu preciso que você vá mais fundo nos arquivos da S.H.I.E.L.D, tente encontrar um padrão entre a nossa vítima, quem sabe assim encontramos o assassino. E Jemma, eu preciso que volte, tem algo que eu quero que faça pra mim.”
Leon estranhou as ordens. Não propriamente as buscas que deveriam fazer, mas o fato de Coulson querer manter ele e Skye no Distrito. O que estariam fazendo ali, poderiam fazer no Playground, e a história de os separar para dificultar o rastreamento era estranha. Estariam tão seguros no Playground quanto no Distrito, mas Leon resolveu acatar as ordens sem reclamar. O assassino realmente estava rastreando as vítimas de alguma forma, e Skye realmente podia estar em perigo, então por hora iria manter os olhos nela.
Haviam se passado cerca de uma hora desde o último contato de Coulson. Leon e Skye trabalhavam na mesma sala de interrogatório, mas não haviam conseguido nenhuma pista substancial, até o momento que o telefone de Skye tocou:
“Alguma novidade Jem..? O que? Calma! Jemma, calma! Eu vou colocar no viva voz.”
Leon e Skye não tiveram dificuldades para perceber o quanto a voz de Simmons estava nervosa e abalada:
“O diretor...Coulson. Ele me pediu para entrar na Máquina de Memórias. Aquela que a HYDRA usou para recuperar as memórias dele do projeto Taiti no ano passado!”
“E você deixou?” Perguntou Skye, num tom ainda mais preocupado.
“Ele deu uma ordem direta! Disse que era a única forma de sabermos quem está matando essas pessoas. E ele descobriu! O nome dele era Sebastian Derik, ele foi testado junto com outros 5 pacientes nas primeiras fases do projeto Taiti. Esses 6 pacientes iniciais começaram a apresentar distúrbios e paranoias relacionadas a escrita misteriosa, e a S.H.I.E.L.D resolveu apagar suas memórias, como fizeram com a agente Stevens. Mas depois de um tempo Derik matou todos, apenas um está vivo ainda, Hank Thompson.”
“Passe a ficha dele pra nós, Jemma. Era por isso que o Diretor queria que ficássemos aqui. Como está Coulson?” Perguntou Leon, já se levantando e fazendo sinal para que Skye o seguisse.
“Esse é o problema...nós ligamos pra May depois disso tudo e ela mandou trancarmos Coulson na cela de contenção até ele voltar, porque durante o tempo na Máquina de Memória, ele ficou bem violento, precisou que Mack o segurasse. Mas ele parecia normal quando tudo acabou...e então...eu fui levar ele pra sala de contenção e ele me empurrou pra dentro, dizendo que ia cuidar pessoalmente de Thompson! Ele deu um jeito de sair da base, não conseguimos localiza-lo, e May ainda está longe...” A voz de Jemma ficava cada vez mais desesperada com cada palavra, além da culpa que projetava para si, da fuga de Coulson.
“Jem, fica calma! Leon...sem o Coulson e a May, por experiência, acho que você tá no comando. O que fazemos agora?” Perguntou Skye, mordendo o lábio inferior com uma expressão tensa.
“Ok. Segundo a ficha do Thompson, ele está relativamente perto de nós. Mande o Mack e uma equipe até o endereço. Eu e Skye vamos na frente para tentar parar Coulson antes disso. Também quero uma equipe procurando por Derik, porque assim como Coulson ele também deve estar atrás de Thompson! E Jemma...isso não foi culpa sua. Nós vamos trazer o Diretor em segurança, pode apostar.”
Dizendo isso, Leon desligou o telefone e ele e Skye saíram em passos rápidos pelo Distrito de Polícia. Leon jogou a chave do carro e pediu que Skye fosse se preparando enquanto ia em direção a sala do Capitão.
“Nós achamos o assassino, mas vai ter confiar em mim quando digo que vamos ter que cuidar disso sozinhos.” Disse Leon, parando em frente à mesa de seu pai.
“Tem a ver com esse projeto Taiti, não é?” Mark perguntou, com um suspiro.
“Tem sim. É muito complicado e nós precisamos correr, mas eu prometo que eu volto pra visitar vocês, logo. Eu quero que conheçam uma pessoa..” Leon sorriu rapidamente, mas logo voltou a expressão séria de antes.
“Uma pessoa? Mas quem diria. Tudo bem garoto, vá salvar o mundo. E me avise quando esse assassino estiver detido.” Mark disse, dando um pequeno sorriso, da mesma maneira que o filho fazia.
“Sim Capitão!” Leon também sorriu, dando meia volta e praticamente correu até o estacionamento, onde Skye já estava com o carro ligado e a porta do carona aberta.
Nova Iorque – Casa de Hank Thompson
Coulson esperou pacientemente até que Hank Thompson atendesse à porta e então se apresentou, antes de apontar sua arma para o homem, mostrando as fotos dos sinais que haviam em sua parede e no corpo de Walters.
“Não quero machuca-lo, mas você precisa me ouvir. Você era um agente da S.H.I.E.L.D! Você reconhece esses símbolos?” Coulson tentava parecer calmo, mas a agonia em sua voz com certeza o traia.
“Não, eu não reconheço! Por favor..vá embora!” Respondeu Hank, também falhando em tentar aparentar calma.
“Pense! Você já desenhou, esculpiu ou pintou essas coisas?” Coulson parecia cada vez mais impaciente e angustiado com cada palavra.
“Não, eu já disse que não!”
“Eu preciso saber o que eles significam, será que não entende??! Você tem partes que eu preciso! Eu preciso completar!” Coulson já estava basicamente gritando a esse ponto.
“Não sei do que está falando, e eu não me importo! Já disse pra vocês, pegaram o cara errado!” Disse Mark, com um misto de raiva e confusão.
“Vocês? Alguém veio antes de mim?” Os olhos de Coulson se arregalaram e logo em seguida ele ouviu passos atrás dele, mas antes que pudesse se defender, uma barra de ferro acertou sua cabeça.
Segundo as coordenadas, Leon e Skye estavam à poucos minutos do endereço de Mark Thompson, dirigindo acima da velocidade, quando viram um homem no meio da estrada, abanando os braços desesperadamente. Leon freou bruscamente e o homem correu até a porta, falando de maneira rápida e nervosa:
“Chame a polícia! Dois homens vão se matar! Estão na minha empresa, Thompson Soldas, bem ali!”
“Fique aqui, nós vamos cuidar disso!” Falou Leon, acelerando o carro novamente, enquanto ouvia Skye dizer:
“Aquele era Mark Thompson! Então...DC e Derik...”
Leon e Skye chegaram no endereço em menos de um minuto, e assim que saíram do carro conseguiram ouvir um barulho alto vindo do galpão, pra onde correram. Ao chegarem encontraram um Coulson machucado, com cortes nos braços e no peito, enforcando Sebastian Derik com um fio enquanto falava para ele, apontando a cabeça de Derik em direção a um diorama gigante de trem:
“A resposta está aqui Derik! Basta olhar!”
“Phil, solta ele agora!!” Leon dizia enquanto ia em direção ao Diretor. Não iria sacar sua arma, pois nunca atiraria em Coulson, e ele provavelmente sabia disso.
“Tá tudo bem Leon! Eu estou bem! Essa é a resposta dos sinais!” Respondeu Coulson, ainda pressionando o fio no pescoço de Derik. Neste momento Mack havia chegado, se posicionando ao lado de Skye e apontando sua arma para Coulson, mas tendo sua visão obscurecida por Leon, que ainda se aproximava do Diretor.
“Foi o que você disse antes de jogar a Simmons numa cela! Solte ele Diretor!” Gritou Mack.
“Mas eu não quero mata-lo! Eu quero salva-lo!!” Berrou Coulson, apertando a corda com ainda mais força. “A dor faz ele lembrar, Leon! A dor faz ele lembrar dos sinais! Está tudo aqui, a resposta pro que procuramos!”
“Eu vou contar até três e atirar, Diretor!” Disse Mack, no momento em que Leon se aproximou, colocando uma das mãos no ombro de Coulson, que respondeu empurrando o corpo pra trás e chutando Leon, não para machucar, mas para empurrar o agente para longe, enquanto continuava a sufocar Derik.
“Phil, eu não vou ser gentil da próxima vez, e você sabe disso. Você me treinou! Solte ele AGORA!” A voz de Leon era um misto de frieza e irritação, mas por instinto, ainda mantinha o corpo na frente de Mack, atrapalhando sua mira.
“2...” Mack continuava a contagem, tentando buscar um ângulo melhor enquanto Skye falava:
“DC! Ele não está blefando! Ele vai atirar em você! Solte-o!”
“Abra os olhos Derik! Está abaixo da superfície, assim como me disse! Só precisa olhar!” Continuava Coulson.
“Chega..” Leon se aproximou novamente, dessa vez chutando uma das pernas de Coulson e aproveitando o momento para passar um de seus braços pelo de Coulson, fazendo com que o Diretor soltasse o fio, enquanto Derik se abaixava, olhando para o diorama como se tivesse visto alguma revelação.
“Podem baixar as armas...e pode me soltar Leon. Ninguém aqui vai machucar mais ninguém.”
Leon afastou a corda com o pé e lentamente soltou Coulson, enquanto Skye perguntava:
“E como você pode ter certeza disso?”
“Ele encontrou o que procurava. Nós encontramos...a peça final.”
Foi neste momento que Leon parou para reparar no diorama, enquanto Skye se colocava ao seu lado, Mack mantinha os olhos fixos em Coulson e Derik.
“Tá de brincadeira...” Disse Leon, observando que da posição que estavam, na parte de cima do galpão, podiam ver o diorama embaixo e suas formas eram exatamente iguais as do quadro de Coulson, porém totalmente completas. O que fossem aqueles sinais, Mark Thompson inconscientemente havia completado a figura.
“Não é um mapa...nem um projeto.” Disse Coulson, enquanto observava o trenzinho correndo pelo diorama: “É uma cidade!”
Playground. Escritório do Diretor Coulson
Coulson, Skye, Leon e May, que havia retornado da busca por Ward (sem sucesso.) estavam juntos no escritório do Diretor. Derik havia sido entregue ao 12º Distrito de Polícia de Nova Iorque e Thompson estava em segurança, junto com sua família. Coulson ofereceu a ele a chance de recuperar suas memórias e se juntar a S.H.I.E.L.D, mas Cameron Klein (seu verdadeiro nome) estava feliz sendo Hank Thompson e Coulson respeitou sua decisão.
“Derik foi entregue as autoridades. Mas não acho que vá ser perigoso novamente. Sua compulsão vinha de tentar completar os símbolos. Ele achou sua paz.” Disse Coulson, de maneira calma.
“E você?” Rebateu May, com os braços cruzados e uma expressão séria.
“Eu sinto muito por tudo, principalmente pelo que fiz vocês passarem...Leon e Skye. Mas a compulsão se foi. Depois que eu vi a figura completa...a compulsão se foi.”
“Como pode ter certeza?” Continuou May, ainda não se sentindo totalmente segura.
“Eu posso sentir. Ou melhor..eu não sinto mais. O que quer que estivesse em nosso sangue, estava nos levando a isso, até essa cidade. Só que não entendíamos o que era. Agora só precisamos descobrir o porque desse direcionamento.”
Coulson então chamou Fitz, Simmons, Mack, Bobbi e Tripp para se juntarem a Leon, Skye e May dentro do escritório, ficando de frente para todos eles enquanto dizia:
“Para responder ao que vocês devem estar se perguntando: Não, eu não fiquei louco. Sei que nos últimos meses pode ter parecido que eu estava levando vocês à uma caçada sem sentindo. Em busca de artefatos e símbolos estranhos. E nós finalmente estamos resolvendo esse quebra-cabeças. A má notícia é: HYDRA também está tentando decifra-lo, e eles tem mais recursos. A boa notícia é: Agora temos uma peça que eles não tem.” Enquanto dizia a última frase, Coulson apertou um botão em sua mesa e uma projeção holográfica começou a mostrar os símbolos. Então Coulson virou o quadro, e a projeção em 3d ficou parecida com a do diorama na casa de Thompson, mas desta vez completa, como se fosse a topografia de uma cidade.
“Nosso trabalho, é encontrar essa cidade antes da HYDRA, e agora mais do que nunca, eu conto com cada um de vocês. Quando eu selecionei vocês pra essa equipe, eu sempre vi potencial em todos. O policial novato que sobreviveu ao inferno, a hacker que morava numa van, os gênios da academia científica da S.H.I.E.L.D ou as promessas da academia de combate. Todos vocês estão aqui agora, e são simplesmente os melhores naquilo que fazem. E agora é a hora de provar isso. Vamos achar essa cidade e vamos impedir a HYDRA de uma vez por todas e colocar a S.H.I.E.L.D de volta na condição de escudo da humanidade.”
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