O Especialista
2 Flashback - Part II
Notas iniciais
— Flashback 2 –
Os três agentes se encontravam no helicóptero há mais ou menos trinta minutos, e de onde o Aero Porta-Aviões o haviam deixado, levaria mais ou menos mais vinte para chegar até o ponto de checagem, de onde partiriam a pé. A tarde já começava a cair e nesse meio tempo os agentes já haviam estabelecido uma linha de comunicações com a base e enquanto Mack pilotava, Leon e Bobbi novamente analisavam os parâmetros da missão que deveriam completar. Foi o engenheiro que quebrou o silencio perguntando:
“Eu sei que essa informação já está no briefing mas eu acho que preferia ouvir de você, Agente Kennedy (“Leon”, corrigiu o agente americano, ainda sem tirar os olhos dos papéis que lia)Leon, essas B.O.W’s...como matamos? A maioria das descrições sobre elas que li, são muito vagas.”
Leon tirou os olhos do papel e se recostou no assento do helicóptero e percebeu que os olhos de Bobbi também estavam sobre ele. Passando a mão pelos cabelos, Leon recordou rapidamente o discurso que fizera algumas vezes:
“Pra ser sincero...cada B.O.W é única. É impressionante o quão doente você vê que o homem é, quando percebe a quantidade e diversidade dessas coisas que existe. O vírus é capaz de alterar geneticamente qualquer ser vivo, qualquer animal, qualquer homem pode virar uma arma, e pior, cada vírus, parasita ou o diabo que for, vai muda-lo de maneira diferente.”
“Então, basicamente, improvisamos?” Bobbi completou, uma nota de insegurança em sua voz, que logo desapareceu.
“Sim...mas B.O.W’s não são perfeitas. Normalmente as mudanças físicas no corpo dos objetos e a dificuldade em transformar algo...em uma coisa que ela não é...deixam traços, deformações ou outras características fáceis de perceber. Toda B.O.W tem um ponto fraco. Basta saber procurar...um órgão exposto, um ponto brilhante...é diferente, ou chama atenção? Atire.” Leon então cruzou os braços, seu ponto se fixando em algum lugar da paisagem, mas Bobbi percebeu que ele não estava realmente olhando. Era como se estivesse buscando as palavras de algum lugar da memória.
“Os infectados, por outro lado...zumbis, se quiser chamar. Estes são mais fáceis. Uma bala na cabeça ou decapitação, e problema resolvido. Mas não acho que vamos ter que passar por isso. Não há infectados lá...a menos que haja algum acidente...e vamos torcer pra que isso não aconteça...embora, e eu sinto muito dizer, esse tipo de coisa parece me perseguir.” Bobbi notou que as últimas palavras de Leon continham um tom ainda mais pesado e cansado que o resto. Mas de uma certa forma ela entendia. A vida que um agente desse tipo leva, toma muito de você. Ela mesmo sabe que nunca vai ter uma vida normal, e provavelmente nem ele. E em alguns dias, isso cansa mais que em outros.
A aeronave mergulhou no silêncio novamente por mais alguns minutos, até que Mack anunciou que estavam próximos do ponto de checagem e que se preparassem para o pouso.
A área onde pousaram era simplesmente uma clareira numa floresta, bem afastada da capital. O laboratório em questão ficava alguns quilômetros adiante. Disfarçado de um laboratório de pesquisas sobre o meio ambiente e afastado da cidade o bastante para que pudessem cuidar de qualquer problema com suas cobaias. “Ou não, afinal, foi provavelmente o que eles acharam em Raccoon City”, pensou Mack enquanto saia do helicóptero, carregando a bolsa de explosivos nas costas e se juntando a Leon e Bobbi, que já estavam do lado de fora. Leon tocou seu ouvido e os três ouviram uma estática e a voz de uma mulher que os dois agentes da S.H.I.E.L.D desconheciam. Leon então fez as introduções: “Agentes Mackenzie e Morse, estão falando agora com Ingrid Hunnigan, vai ser nosso contato, vai hackear as câmeras da base e impedir que a gente caia no colo de nossos antagonistas. Acha que consegue fazer isso antes de chegarmos lá?”
Hunnigan fez um barulho de desdém com as palavras de Leon antes de responder: “Prazer agentes, e Leon...por favor, você me conhece há muitos anos...já deveria saber que eu já entrei no sistema deles antes que você me chamasse e localizei o informante de vocês. Estou passando os dados do laboratório para os seus PDA’s. Entro em contato quando estiverem na zona da missão. Hunnigan desligando.”
“Ela é boa”, disse Mack, com um ligeiro sorriso enquanto iniciavam a caminhada.
“Até demais as vezes, mas não posso reclamar, coloco ela em algumas situações complicadas de vez em quando, e nenhuma vez ela me decepcionou.” Bobbi lembrara da ficha de Leon, que ela puxou enquanto estavam no helicóptero. Ex-policial que sobreviveu a um apocalipse zumbi no primeiro dia do trabalho e logo se transformou num prodígio dentro do Serviço Secreto. Trabalhou numa organização cujo objetivo primário era derrubar a Umbrella e teve êxito. Foi crescendo e completando missões até se tornar uma lenda conhecida de qualquer agente que trabalhe com terror biológico. E além de tudo, ainda é, de tempos em tempos, designado para a segurança pessoal do presidente dos EUA e sua família. Era um currículo invejável, mas Bobbi viu algumas ressalvas no currículo de Leon que via em seu próprio – as últimas férias que tinha tirado já faziam mais de dois anos e tinha tendência a agir por fora dos moldes de uma missão se julgasse necessário- Era o tipo de coisa que ela precisaria saber, caso tivesse que colocar Leon de volta no foco da missão, caso ele resolvesse fazer as coisas do seu jeito. Ainda era uma missão da S.H.I.E.L.D no fim das contas.
A caminhada fora rápida, e embora os três agentes trocassem olhares, seguiu-se em silencio. Cada um se concentrando de sua própria maneira e tentando afastar o frio que fazia naquela noite, entre as arvores da floresta que se encontravam.
Quando avistaram as primeiras luzes do complexo, os três se agacharam perto de uma formação rochosa e Leon entrou em contato com Hunnigan pelo ponto em seu ouvido: “Chegamos. Nosso contato já cuidou da cerca elétrica?”
“Afirmativo, e as câmeras do lado de fora já estão em looping, Leon, sinal verde para começarem a operação.” Respondeu Hunnigan.
Por ser um laboratório de fachada de uma empresa de eco-ciência, não havia guardas armados ou torres de vigilância do lado de fora. Como constava no briefing, a maioria do complexo estava embaixo da terra. Do lado de fora ele era totalmente circundado por uma grande cerca elétrica. Ainda de longe, Bobbi pegou uma pedra entre os dedos e atirou na cerca, e depois de constatarem que nada aconteceu, os três partiram em direção a cerca.
Bobbi e Leon subiram rápido, com uma agilidade e precisão que fez Mack simplesmente murmurar “Esses especialistas...” enquanto – e com um pouco mais de dificuldade- conseguiu pular a cerca, pegando de volta a bolsa de explosivos que tinha passado para Leon.
“O briefing mostrou que a melhor zona de infiltração são os dutos de ar da base. Qualquer instituto que trabalha com ciência precisa ter uma grande rede de ventilação. Deve ser grande o suficiente pra nós.” Bobbi respondeu enquanto o trio partia em direção a parede leste do complexo, por onde era possível ver o começo dos grandes dutos prateados de ventilação da base, onde a porta de saída de ar foi aberta por Mack com algumas ferramentas.
Bobbi liderou o caminho por entre as tubulações, descendo uma grande série de escadarias cercadas por grandes ventiladores até que Hunnigan os guiou por um ponto especifico e pediu para que passassem por um caminho mais apertado, onde tiveram que seguir abaixados até saírem numa espécie de sala de armazenamento de produtos químicos.
Leon checou o relógio de pulso que usavam, se tudo ainda estivesse como o combinado, deveriam encontrar com o cientista infiltrado em dois minutos, e aí sim, a missão começaria de verdade...
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