O Escolhido
2 ♕ 02
Notas iniciais
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Os capítulos dessa fic são bem extensos, é :/
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Desculpe se houver erros.
– Como sou idiota – falei sozinha e corri mais para o interior da floresta, senti minha coroa cair e pensei em voltar para pegá-la, mas desisti quando ouvi pessoas gritando e barulhos de luta corporal, tiros, e cheguei a ouvi a poucos metros o barulho de alguém que havia sido atingido, gritar muito alto, estremeci e larguei os saltos também, meus pés afundavam na grama enquanto eu corria ainda mais rápido e desviava com agilidade das raízes da arvores.
– Princesa Isabella! – ouvi alguém gritar a minhas costas mas não olhei para trás pensando que rebeldes haviam me encontrado, ao invés disso corri ainda mais rápido – Princesa Isabella, pare! Sou do palácio! Pare!
Olhei por sobre o ombro e vi um soldado jovem, de cabelos castanhos, olhos também castanhos correndo na minha direção, quando chegou até mim pude ler sua plaquinha “Soldado Leger”.
– Devemos voltar, Majestade – disse ele inspirando fundo.
– Não da tempo e depois de todo o seu alvoroço já devem ter nos notado aqui – olhando em volta a procura de rebeldes.
Ouvi um tiro bem próximo a direita e abaixei, mas o soldado não foi tão rápido e acabou sendo atingido na perna direita, ele segurou um grito e levou a mão a perna, ouvi ele praguejar baixo e o puxei pelo braço que não tentava estancar o ferimento.
– O que está fazendo... Alteza? – disse ele de mau gosto enquanto eu o obrigava a rastejar comigo até a minha arvore.
E sim, eu tenho uma arvore.
Levei a mão até o painel e apertei o botão no tronco da arvore, ele estava camuflado, uma porta silenciosa se abriu do tronco da arvore, a arvore era enorme, uma das maiores de diâmetro do bosque, entramos agachados no oco da arvore e eu voltei acionar o painel e a porta se fechou.
Não é bem um esconderijo, mas é seguro, e vai ter que servir. Pensei e olhei para o soldado, ele olhava deslumbrado para o interior da minha arvore.
O interior era feito com a madeira rústica da arvore, tinha prateleiras lá com livros e mais livros, também tinha bancos de madeira, uma pia, uma mesa de madeira com utensílios domésticos e uma cadeira de balanço, e uma escada em espiral que levava para o segundo andar da casa da arvore, lá tinha uma cama de madeira bem confortável, e a escada também levava aos troncos maiores e mais baixos da arvore que me servia de sacada.
– Uau – o soldado deixou escapar e eu suspirei então o ajudei a sentar no banco de madeira após ter certeza de que estávamos seguros, ele se sentou e me olhou de cara fechada, claramente segurava a dor para si. Peguei uma faca em cima da mesa e me aproximei do soldado.
– Vamos ver a profundidade disso – falei e rasguei o tecido forte da calça da farda, ele resmungou algo ininteligível.
A bala tinha entrado na coxa dele e eu ainda podia vê-la ali, alojada.
Mordi o lábio pensando se devia fazer algo ou só esperar que o ataque rebelde acabasse para voltarmos para o palácio e os médicos cuidarem dele.
– E então? – disse ele olhando para cima.
– Está feio – confessei e me levantei – não sei o que posso fazer, acho que só estancar o sangue não vai adiantar, já venho.
Subi as escadas rapidamente e entrei no segundo andar, fui até o criado-mudo ao lado da cama e abri a gaveta.
Minha mãe sempre deixou aqui o “kit de primeiros socorros femininos” não sei se tem um bisturi lá, mas tem uma pinça e... Cadê? Argh!
Encontrei a pequena bolsa e a peguei, tinha uma pinça lá, peguei também a caixa de primeiro socorros e desci com a bolsa e a caixa em mãos e vi o soldado Leger apertando as mãos e com os lábios formando uma linha fina.
– Se não tivéssemos sendo atacados, eu diria para você gritar o mais alto possível para se livrar da dor, mas não dá – falei voltando a me ajoelhar ao seu lado.
– Eu sei... Alteza.
Eu sabia que o que eu faria poderia piorar a situação do soldado, mas ainda assim o fiz.
A bala não tinha ido muito fundo, então eu ainda consegui com cuidado tirar a bala dali com a pinça, não era um ótimo trabalhado, mas era o que eu podia fazer, o soldado suspirou quando minutos depois de um trabalho concentrado eu consegui tirar a bala de sua perna, mas ainda sangrava bastante.
– Quer conversar enquanto tento te ajudar? – perguntei pegando um pano na bancada da pia e o molhei.
– Não sei se é apropriado, Majestade.
– Qual é, eu quero conversar, você precisa falar para de distrair, dane-se se isso é ou não apropriado – falei irritada e ouvi ele rir.
– Tudo bem então. Sobre o que quer conversar... Alteza?
– Muito bem... Qual seu nome, soldado? – falei voltando para limpar sua perna, ele olhou para meu rosto, mas não para sua perna, ele nunca olhava para sua perna enquanto eu trabalhava nela.
– Josh, Josh Leger.
– Ok Josh, prazer, sou Isabella – falei sorrindo para ele, Josh me olhou de um jeito idiota antes de sorrir de volta – como estava sendo seu dia antes de sair correndo atrás de uma idiota no meio de uma floresta e ser atingido?
Ele ainda sorria ao falar:
– Chato, só regras e mais regras. Não gosto de regras, Majestade – dizia ele ainda meio formal.
– Pare com isso de “Majestade” e “alteza” me chame de Isabella – falei revirando os olhos e fui novamente lavar o pano na pia, quando voltei e o coloquei sobre seu machucado ainda sangrava, porém era bem menos que antes.
– Ok, Isabella.
– Você era de que casta antes, soldado? – perguntei sabendo que ele provavelmente teria orgulho de ser chamado de soldado, já que le quis ser soldado e tudo o mais, o título devia deixá-lo feliz.
– Oito.
Assenti e passei um ungüento na perna dele que urrou baixo de dor.
– Calma, já passa – prometi e comecei a enrolar a perna dele com as bandagens. Josh assentiu e fechou os olhos com força.
Enquanto ele se controlava para não gritar eu fui arrumando novamente as coisas na caixa e fui jogando o que já tinha usado no lixo, por fim lavei da melhor forma que pude o pano que tinha usado para limpar o sangue do soldado e esperei que ele se acalmasse, quando ele inspirou fundo e começou a se acalmar eu me sentei na cadeira de balanço e o observei.
Josh era muito bonito, os cabelos castanhos estavam cortados baixos, os olhos castanhos leitosos com algumas sardas no rosto, a farda lhe caía bem e ele parecia ser bastante forte.
– Melhor? – perguntei cruzando as pernas e coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha.
– Sim – disse ele me olhando.
– Então vamos conversar, porque se alistou?
– Os alistados são treinados e bem alimentados e... Meu pai já foi soldado – disse ele hesitante.
– Seu pai já foi soldado? Então porque você é um Oito? Pensei que os soldados viravam Dois quando terminavam de servir.
– Eles viram... Sou filho bastardo, fora do casamento, sou Oito.
– Ah, entendi – olhei para o chão de madeira mordi o lábio sem ter certeza se deveria tocar naqueles assuntos pessoais de Josh.
– Mas meu pai ainda cuidou de mim, até quando eu tinha quatro anos eu morava com ele, então ele morreu, a esposa dele mal conseguia trabalho para sustentar a si própria e aos três filhos que teve com meu pai, então com seis anos, quando vi que eu só era um peso extra para ela eu fugi, e como eu já era Oito mesmo eu meio que tinha que viver nas ruas mesmo e pedir esmola, e foi o que eu fiz.
– Você já roubou? –soltei sem pensar e me arrependi logo depois, mas não o olhei ainda assim.
– Não, nunca roubei – disse ele orgulhoso – nunca precisei disso para me alimentar, eles dão comida de graça todas as noites para nós, parece que foi uma idéia do seu pai, ou algo do tipo, o rei Maxon é um bom rei.
Sorri orgulhosa do meu pai e ergui os olhos para o soldado, ele me olhava e corou quando viu que eu notei que ele me observava.
Pigarreei descruzei as pernas, vi que Josh fixou os olhos nas minhas pernas imediatamente.
Um soldado tarado, era tudo o que eu precisava para completar minha idealização de aniversário perfeito. Bufei e Josh me olhou novamente e voltou a corar.
– Pois bem, você é casado Leger?
– Não.
– Namora?
– Não.
Ergui uma sobrancelha e ele voltou a corar.
Isso é divertido.
– E a senhorita, já sabe quem serão os príncipes da sua Seleção? – perguntou o soldado.
– Nem me lembre disso – pedi olhando para o outro lado, até pensar no assunto me irritava – eu nem sabia dessa Seleção ao contrário até hoje, e não me importaria de não sabe dela.
– Não? Mas há duas semanas já anunciam isso no canal de Illéa.
O canal de Illéa era o único canal grátis da televisão, lá eram dados os anúncios reais e coisas do tipo, eu e meus pais sempre éramos obrigados a aparecer lá, não que eu goste de câmeras me flagrando todo o tempo, na verdade eu odeio isso.
– Eles nunca falaram no Jornal Oficial, ou falaram? – falei de testa franzida.
Eu sabia que era distraída, mas a ponto de ignorar o anuncio do meu próprio futuro casamento? Acho que não.
– Não, eles passavam as vezes a tarde ou coisas assim – disse Josh e eu voltei a olhá-lo.
– Entendi porque eu mesma só soube disso agora, não assisto o canal de Illéa a tarde.
– Posso lhe fazer uma pergunta... Isabella?
– Claro – sorri e ele riu da minha empolgação.
– Como é ser princesa?
– Ser princesa, em resumo, é uma chatice, tudo o que tenho que fazer é conhecer pessoas, conversar com alguns estrangeiros, estudar, preparar relatórios, dar idéias boas para projetos que ajudem a melhorar Illéa, ser o rostinho bonito que aparece na tevê – isso eu falei de brincadeira e pisquei, Josh gargalhou- e acredite isso é o que dá mais trabalho, mas fora tudo isso tenho que ajudar minha mãe a organizar festas, bailes de Hallowen todos os anos, e coisas desse gênero.
– Não deve ser tão difícil – disse ele me olhando cético.
– Para uma menina de dezenove anos, num salto, com um vestido que tenta fazer ela parecer fofa e sem opinião, que tem que equilibrar uma coroa idiota na cabeça todo o tempo, é bastante difícil, pode ter certeza.
– Então ser princesa é apenas aparência? – ele soltou e vi que na hora se arrependeu, mas não me ofendi com aquilo.
– Não, é bastante aparência é claro, não posso sair do palácio com os cabelos bagunçados, pijamas e pantufas... Eu gostaria de fazer isso – falei pensativa, mas então voltei-me ao assunto-, mas enfim, eu tenho o tempo todo que lidar com coisas desse tipo sabe, pessoas querendo me matar porque não vão com a cara de alguém da minha família ou porque ainda sentem raiva do meu avô, sei que o cara era um canalha, mas eu não tenho nada haver com isso, mas ser princesa também implica em responsabilidades, sei que não sou rainha ainda, mas querendo ou não as pessoas se espelham em mim e as vezes esperam pelas minhas reações para saber como agir, e ainda tenho que sempre pensar no melhor do país, enquanto outras garotas estão pensando em que tipo de corte da cabelo vão fazer.
Josh sorriu de canto e assentiu.
– Você é uma pessoa boa com as palavras – comentou ele e eu ri.
– Obrigada.
– Do jeito que fala, parece que é realmente mais fácil ser soldado.
Eu ri e balancei a cabeça.
– Não sei se é, eu nunca levei um tiro pelo menos.
Ele fez uma careta momentânea, mas então suspirou.
– Levar tiros não é legal.
– Ainda bem que acha isso, porque posso saber alguma coisa de cuidar do físico das pessoas, mas não sei nada de mentes e se você achasse que levar um tiro é a coisa mais linda do mundo eu teria que te mandar ao psiquiatra e tudo o mais...
Ele riu e então nos calamos por muitos minutos e percebemos que tudo estava muito silencioso.
– Será que já acabou? – perguntei me levantando, mas Josh também o fez.
– Eu verifico – disse ele e foi até o contorno em relevo da porta da arvore – como abre isso.
Tirei meu colar onde a chave ficava pendurada e fui até lá, passei por Josh e ao invés dele se afastar como soldados comuns fariam, ele permaneceu ali, perto de mim e pude chegar a sentir sua respiração no meu ombro, sua respiração estava desregularizada, me desprendi desse pensamento e abri a porta, ele me olhou nos olhos antes de sair lentamente do esconderijo e fechar a porta.
Fiquei lá dentro alguns minutos até ouvi ele bater no tronco da arvore e dizer:
– Está tudo normal, Alteza – disse ele.
Inspirei fundo antes de sair da casa da arvore e voltar a trancá-la como sempre fiz.
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