Os primeiros raios de sol despontavam no horizonte, os pássaros começavam suas canções matinais. Para os três homens que já estavam em pé, prontos para seguirem seus caminhos, não perceberam a beleza da natureza cercando-os. John simulou uma ligação para Joseph, não queria levantar suspeitas.

— Certo te encontro em duas horas. – John “desligou” o telefone, olhou para Dean e falou:

— Combinei com Joseph, ele me encontrará neste local, manterei contato com vocês e mantenham-me informado se descobrirem qualquer coisa. – Virou-se colocando sua arma na mochila.

— Certo pai, faremos tudo de acordo com planejado, certo Bobby? – Dean olhou para o velho caçador e notou que o mesmo tinha o olhar fixo em seu pai.

— Hã, certo. Claro. John você saiu ontem a noite? – Foi uma pergunta seca e direta, Bobby continuava encontrar na fisionomia de John uma resposta.

John surpreendeu-se com a pergunta, o caçador havia visto ele sair. Deveria falar meia verdade, para não levantar suspeitas.

— Sim, Bobby. Fui arejar a cabeça em um bom bar. Voltei um pouco tarde, as vezes um homem precisa relaxar.

Dean sorriu, seu pai finalmente admitia que era um humano.

— Vamos! Quanto mais rápido chegarmos, mais rápido acabaremos com isso. – John encerrava os questionamentos ali mesmo.

Bobby o encarou, mas não desconfiou de nada. Dean entrou no carro e Bobby foi logo dizendo.

— Para o banco carona, filho. Eu dirijo! – Bobby foi logo dizendo.

— Como quiser, Bobby. – Dean levantou-se, detestava ficar no banco ao lado, seus lábios resmungavam baixinho. Bobby percebeu e sorriu.

— E não adianta fazer essa cara de fralda suja! – Dean não respondeu, sentou-se e começou a analisar o mapa.

Após algumas horas de viagem Bobby parou o carro, haviam chegado no local desejado, ambos pegaram suas armas e entraram em um armazém abandonado, as paredes estavam cobertas por limbo, o lugar era úmido e escuro. Dean pegou seu lock picking e abriu a porta. Teias de aranhas se desenhavam ao redor da porta com as dobradiças muito enferrujadas ocasionando o rangido da mesma.

— Bobby, esse local está deserto há muito tempo. – Dizia Dean livrando-se das teias que grudaram em seu rosto.

— É, pelo menos pela porta da frente ninguém passou, no mapa há ainda duas portas. Vamos por aqui. – Bobby pegou sua lanterna, estava muito escuro.

Os dois caçadores investigavam o local, enquanto em outro lugar oposto a que eles se encontravam, John e Joseph executavam o plano de raptar Dean, minuciosamente passando e repassando a história toda.

-Já entendi homem, cansei de rever essa história maluca. Fica calmo, já olhei o local e está tudo tranqüilo. Nada de fantasmas, criaturas e outros seres sobrenaturais. Você mesmo conferiu a pouco pedaço por pedaço deste maldito lugar. Vamos embora, minha garganta está seca.

— É, você tem razão. O lugar está limpo, estou realmente nervoso. Meus garotos são tudo para mim, se desconfiarem de alguma coisa...

— Relaxa homem! Tudo vai dar certo. Combinado então, o plano será executado hoje a noite. E você faça sua parte, aquele pivete em sãs condições, nem o capeta pega ele.

— Já disse, deixe Dean comigo. Eu poderia até fazer tudo sozinho, mas Dean iria desconfiar, então temos que armar toda essa encenação. Até mais Joseph, me liga às 20 horas.

Joseph sorriu, apertaram as mãos e cada um seguiu seu caminho. Antes de John entrar no carro ligou para o telefone de Dean.

— Como está tudo aí, filho?- John falava observando o local novamente, ele não sabia dizer o que era, mas sentia uma aflição. Certamente por estar mentindo para Dean.

— Além, das malditas aranhas, esse local parece não ter sido habitado por séculos. E o senhor? – O loiro estava em uma briga séria com as teias.

John pensou o que falar, e resolveu começar a colocar seus planos em atividade.

— Joseph virá hoje a noite, desconfiamos que há algum fantasma. Existem indícios nesse prédio. – Aumentou o tom da voz, encenando uma certa garvidade.

— Não seria melhor ajudá-lo? – Dean cuspia mais uma teia que cismava ficar grudada em seus lábios.

— Não Dean, ele não gosta muito de trabalhar em companhia. Ele sabe onde nos encontrar caso necessite. Encontro você e o Bobby em casa novamente. – John desligou o telefone. Tudo estava pronto. Em breve Sam estaria com eles.

Sam acordou sobressaltado, estava estudando e acabou adormecendo, pegou o celular, olhou o numero indicado no visor. O telefone de Dean tocou.

_Alô! – Disse o loiro sem olhar para o número.

— Dean, sou eu Sam! – Sam ficou aliviado ao ouvir a voz do irmão.

— Reconheceria essa voz delicada até no inferno. – Dean alegrou-se ao ouvir a voz do irmão. Mas logo ficou sério, porque Sam estaria ligando naquela hora? – Sammy, o que ta pegando?

— Cara, tive um sonho...não parecia uma visão porém...fique esperto, ok? – Sam não queria assustar o irmão, poderia ser apenas um sonho comum, mas deixaria o irmão em alerta.

— Mano, você está precisando de sexo. – Dean não se conteve.

— Dean! É sério, não estou a fim de ouvir suas gracinhas. – Dean conseguia irritar Sam com suas piadas.

— Opa, calmo aí enfezado! Foi só uma brincadeira, relaxa. E não se preocupe, Sammy. Estamos de olhos abertos, e preparados. Te conheço o suficiente para saber que está levando esse pesadelo muito a sério.

- Dean, me escuta, cara! Olha só, sei que isso vai soar meio louco para você mas...- Sam não sabia como falar sem deixar seu irmão irritado.

— Desembucha, Sam! – Dean já estava impaciente, percebia-se pelo seu tom de voz.

— O pai, em meu sonho ele mentia para nós, era como se não fosse ele. Não sei está tudo tão nebuloso. Mas ele escondia alguma coisa, Dean!

— É claro que ele sabe de alguma, Sam! O desgraçado do olho amarelo está solto por aí, estamos na cola dele e papai está preocupado comigo e com você! E se ele diz que é para ficarmos onde estamos nós ficamos! E neste momento eu e o Bobby...

— Eu não consigo entender essa fé cega que você deposita no papai! Quer ver, você nem questiona o que ele diz! – Sam passou as mãos pelos cabelos, não queria chegar a esse tipo de discussão.

— É porque eu sou um bom filho! – Dean explodiu, estava muito alterado.

— Tá, ta...não quero discutir com você, apenas queria te alertar. Tenha cuidado, irmão. – Sam percebeu que havia exagerado.

— Pode deixar, estamos todos nervosos. Fica tranqüilo, foi apenas um maldito pesadelo. Ficarei atento não se preocupe! — Disse passando as mãos em seus cabelos.

— Certo, mas te ligo a noite. – Sam não deixou o irmão responder e desligou o telefone, sabia que seu irmão iria vir com alguma piadinha sem graça. Deixando Dean indignado.

— Filho da Mãe! Desligou o telefone no meio de uma conversa! – Apontou o celular para Bobby, que apenas balançou a cabeça.

— Vocês brigam como cão e gato e vivem se lambendo. Não dá para entender o que se passa nessas cacholas vazias. O que ele disse para te deixar tão..puto!

— O Sam pediu para nos cuidar, ele teve um daqueles sonhos malditos, é que ele não quer admitir, mas não consegue viver sem nós. – Dean ainda olhava para o telefone em suas mãos, não iria contar ao Bobby sobre o real motivo da briga.

— Vamos Dean, seu pai já deve estar nos esperando. Daqui a pouco ele vem atrás de nós feito um furacão.

— É, vamos. Esse lugar já me deu nos nervos! – Um vento passou por entre eles, folhas secas no chão formaram um pequeno ciclone. Dean olhou para os lados, era apenas o vento. Estava ficando velho e importando-se demais com as visões do irmão.

Dean deveria ter sido mais atento, um homem observava-os com seus olhos amarelos, e deixou o local assim que saíram.

Notas finais
Prometo aumentar mais o capítulo. Espero que continuem gostando. Conseguirá John colocar seu plano em funcionamento? O que Azazel estaria preparando para os Winchesters? No próximo capítulo boa parte da história irá se desenrolar. Espero os reviews, são um grande motivo para anirmamos a continuar! Beijos a todos.