O Erro de John Winchester
1 Capítulo 1
Dean chegou ao motel, entrou silenciosamente. Seu pai dormia e no chão, garrafas de vodca barata espalhadas, o cheiro estava insuportável. O rapaz aproximou-se, colocou uma das pernas de John para cima da cama e o cobriu com o cobertor felpudo. O dia estava muito frio, quase não havia pessoas na rua. Talvez estivessem todos unidos com seus familiares comemorando o natal. Dean sentou-se e fixou o olhar em seu amuleto, sentiu uma pontada de ciúmes das outras pessoas “normais”. Levantou-se, essa época do ano sempre o deixava com esses pensamentos melancólicos. Se ao menos Sam estivesse com eles...mas seu irmão seguiu para a universidade, era o sonho de Sam ser alguém normal. Dormir e acordar em um lugar fixo, sem medo de ser pego por algum metamorfo, vampiro, ou seja, qual for a criatura que caçassem. Dean havia aceitado a decisão de seu irmão, queria ter a coragem e a determinação do caçula, mas ele nasceu para caçar, era um soldado da morte. Lembrou da noite em que Sam falou para John aos gritos:
— Pai, você não poderá me impedir! Eu irei para a universidade, essa não é a vida que eu quero. Seguir esta maldita vingança só nos levará a morte. Olhe para Dean, ele está todo machucado, mal consegue manter-se em pé. Nós vamos morrer pai!
— Cale a boca, Sam. Você acha que eu queria estar nessa vida e arrastar vocês comigo? Me diga, o que o faz pensar que eu...
— Deixe-me ir pai! Deixa o Dean construir uma família, ainda há tempo para nós.
— Você não sabe o que está dizendo, vamos dormir. Esse assunto está encerrado.
E John saiu, deixando os irmãos sozinhos.
— Dean, quando papai voltar, eu não estarei mais aqui. E peço que não me procurem, ficarei bem. Mandarem mensagens para você. Não me impeça por favor, não quero te machucar.
Dean, não havia dito uma palavra em toda a discussão entre seu pai e seu irmão. Talvez por estar muito dolorido da última caçada, talvez por estar cansado e no fundo por estar concordando com os pensamentos do caçula.
— Me mande mensagens, ok. E se cuide. Se resolver voltar não hesite em me ligar.
Sam sentiu profundamente aquelas palavras, pensou que Dean armaria a maior confusão, uma repreensão.
— Tá, se cuide também!
Sam e Dean se abraçaram ambos contendo a emoção daquela despedida. O coração do mais velho estava aos saltos.
— Você vai ficar bem, não é? – Aquela era uma pergunta retórica e Sam sabia disso. Ele pegou a mochila, seus poucos pertences. Deixou seu celular sobre a mesa de madeira antiga, olhou mais uma vez para o irmão e saiu.
Dean ficou parado, o viu distanciar-se e pela primeira vez em muito tempo o loiro deixou as lágrimas rolarem sobre sua face, sem medo ou vergonha que alguém pudesse vê-lo tão fragilizado. Mas isso era apenas o começo, John explodiria ao chegar. Dean viu a maçaneta da porta abrir-se, era John. Pelo jeito havia enchido a cara em algum bar da esquina. Não disse uma palavra sequer, apenas caiu na cama e adormeceu. O jovem suspirou, seria melhor assim. Sam estaria bem longe antes que seu pai começasse a “caçá-lo” de volta.
— Dean acorde! – John o balançava com ferocidade – Seu irmão sumiu, vamos levante-se.
— Pai, Sammy...Sammy foi embora. Ele vai seguir adiante com sua vida.
— O quê? Foi embora? E você sabia e não me avisou para impedir essa loucura? – John socou a mesa onde estava o celular de Sam.
— Pai, ele apenas quer seguir em frente e...
John segurou Dean pela camisa e o levantou até seus olhos ficarem fixos nos dele.
— Que tipo de filho você é? Não disse para cuidar de seu irmão?
— Pai..eu..eu – as palavras dançavam nos lábios do mais velho. – Acredito ser o melhor para Sammy, e ele vai manter contato. Caso ele precisar...
— Melhor para ele? Você é idiota ou o quê? Sabe que vão pegar seu irmão e ele morrerá e sua morte estará sob sua consciência! – John largou o filho com um empurrão. – Você me decepcionou Dean, jamais o perdoarei!
Semanas se passaram, e John falava somente o necessário com Dean. E agora o filho via o pai entregar-se a bebida e as caçadas suicidas. Será que John não o amava tanto quanto amava Sammy?
Sammy havia enviado uma mensagem, “Dean estou bem, avisa o pai”, e nunca ligou. Dean sentia saudades das birras no mais novo, de suas discussões.
— Detesto essa época do ano! – E deitou-se em sua cama, cansado de mais um dia de pesquisas, esse era sempre o trabalho de Sam.
John acordou, sentiu o gosto amargo da vodka em sua boca, viu seu filho dormindo. Levantou-se tomou uma ducha e saiu. Precisava pensar em uma forma de trazer Sam de volta, não acreditava em conto de fadas, muito menos que o caçula pudesse reconstruir uma vida normal, certamente as “coisas ruins” iriam pegá-lo. Assim como pegaram Mary, sua doce Mary. Talvez Dean não entendesse, ele era jovem demais para entendê-lo. Só tinha uma coisa que faria Sam voltar e John sabia o que seria.
Notas finais
Beijos.
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